segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MARTINISMO E A ORDEM KABALÍSTICA DA ROSA+CRUZ



Alguns meses após ter criado a Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix, ou seja, mais de oitenta anos após a morte Saint-Martin, Papus e Chaboseau, ambos membros da direção da Ordem descobriram que tinham recebido uma filiação que descendia do célebre teósofo.

Papus afirmou ter sido iniciado em 1882 ao grau de S.I. « Superior Incógnito », por Henri Delaage que se declarava de um liame direto com Saint-Martin pelo sistema de « iniciações livres ». Quanto a Chaboseau, sua filiação teria sido transmitida por sua tia Amélie Boisse-Mortemart. Ambos decidiram se iniciar mutuamente e informaram imediatamente aos outros responsáveis da Ordem. Papus e Chaboseau conservaram esta filiação essencialmente espiritual de Louis-Claude de Saint-Martin à Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix. Como declarou Delaage, era materializada então apenas por « duas letras e alguns pontos ».

Imediatamente consciente da riqueza desta herança, a Ordem deu corpo a esta transmissão associando-a à iniciação de « Filósofo Desconhecido » do sistema maçônico de H.-T. de Tschoudi. Em seguida, esta cerimônia de « Superior Incógnito » tornou-se o grau preliminar da Ordem. A versão maçônica, que era essencialmente simbólica, foi então ativada pelos conhecimentos operativos dos membros da Ordem. A Estrela Flamejante pôde então irradiar-se plenamente outra vez.

A partir deste momento, todo novo membro da Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix devia primeiro ser recebido Superior Incógnito, Adepto de Saint-Martin.

Este primeiro grau de S\I\ constitui o fundamento moral e espiritual da Ordem. Ele é preliminar.

Como vimos no curso desta obra, Louis-Claude de Saint-Martin fundou uma "pequena escola em Paris", alguns anos após a morte do seu mestre Martinès de Pasqually. Esta sociedade (comunidade) tinha por objetivo a mais pura espiritualidade. Integrou as doutrinas de Martinès às suas e instaurou como um único grau, o de S\I\. Este título era uma retomada da denominação distintiva da dignidade suprema dos membros do Tribunal Soberano da Ordem dos Elus-Cohens. Na maior parte das sociedades secretas a iniciação fazia-se por graus. Aqui Saint-Martin optou por instaurar uma transmissão sobretudo moral e espiritual. Tratava-se de receber a chave que abre a porta interior da alma pela qual se comunicava com as esferas do Espírito. A esta altura, nenhuma condição, nenhum estado intermediário. A única condição é uma manifestação do desejo, um engajamento da alma e um despertar da vontade adequada.

Os princípios eram ao mesmo tempo idênticos e diferentes àqueles dos Elus-Cohens. As técnicas e as preparações ritualísticas, por exemplo, sempre foram relativamente simples na escola de Saint-Martin. Este último considerava que a preparação é o resultado da vida que se estabelece interior e exteriormente. Nesta via mística, ao contrário de certas etapas mágicas e teúrgicas, é no nosso trabalho interior diário, na nossa "atitude moral de pureza" que ocorre a preparação. Isso significa que todos os preparativos ritualísticos são inúteis para aquele que não pratica esta diligência interior. É a única condição para a abordagem de uma verdadeira pureza interior.

É por esta razão que a Ordre Kabbalistique de la Rose+Croix sempre considerou este grau como preliminar à formação moral empreendida. Portanto, nesse caso não era absolutamente necessário se fundar uma Ordem específica. Esta primeira etapa de S.I. é portanto fundamental, e paradoxalmente não necessita mais do que uma formação teórica mínima. Este estado é espiritual e constitui uma diligência interior indestrutível. É como imaginar que é necessário estudar a kabbala, a teologia ou qualquer outra ciência para se comprometer moralmente em tal busca interior. O intelectual não tem nada a ver com este tipo de tomada de consciência. A formação é de uma outra ordem, pois visa graus e etapas diferentes.

Eis o que foi a Ordem Martinista original. Foi necessário esperar Papus e os seus sucessores para que nascesse uma vontade de fazer do martinismo uma ordem estruturada em graus, conduzindo à única iniciação transmitida por Saint-Martin.

Alguns anos depois, em 1891, a Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix pediu a Papus que desenvolvesse a iniciação de Superior Incógnito, sob a forma de uma Ordem externa cujo papel essencial seria a espiritualidade e a cavalaria cristã. Papus opta por estruturá-la de acordo com a gradação maçônica, em três graus. A única real iniciação foi evidentemente a última, a de S.I. (Superior Incógnito). Nenhuma ambigüidade na missão confiada a Papus. Tratava-se de permitir que um maior número de pessoas pudesse descobrir o pensamento de Saint-Martin e empreendesse uma busca moral representada na mais pura forma de cavalaria cristã.

Esta estrutura deu uma certa perenidade à Ordem Martinista, que continuou a se desenvolver após a morte de Papus e a ramificar-se segundo perante os riscos da sua história.

Por seu lado, a Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix, fiel ao seu trabalho, continuou a aceitar em seu seio candidatos que já tivessem recebido a iniciação de Superior Incógnito, ou no caso contrário, a sua transmissão de acordo com a forma original como preâmbulo à diligência empreendida no seu seio.


Extrato da edição em espanhol do livro "O martinismo - os Servidores Incógnitos do Cristianismo" de J.L. de Biasi.

A ÚLTIMA MENSAGEM DE THOTH

Introdução por Geraldo Lino da Silva
Sacerdote Expectante do 2º Grau

Fechamento por Ischaïa
4ª Matriarca Expectante


O Patriarca Thoth, co-autor do Livro dos Sacerdotes da Igreja, deixou outros nove títulos publicados:

01 - Despertando para a Realização

02 - Diálogos Iniciáticos

03 - Pérolas Soltas 04 - Fragmentos Iniciáticos
05 - Debulhando Verdades 06 - Orvalhando a Aridez da Vida
07 - Hipnotismo e Magnetismo 08 - Degraus para o Infinito
09 - Escalada Espiritual 10 - Livro Sacerdotal Expectante (juntamente com Sri Sevãnanda Swami)

Tive a oportunidade de acompanhar sua luta para registrar as obras na Biblioteca Nacional, o que foi conseguido com a inestimável ajuda de seu (nosso) grande amigo Chico, do Rio de Janeiro. Durante o meu discipulado, numa de minhas passagens por Guarapari, o Mestre me disse, já com aquele olhar de Huascar Corrêa Cruz: “Geraldo, meu filho, observe os meus livros. Não há uma só referência bibliográfica... Todos eles são resultado de experiências VIVIDAS”.

Naquele momento Thoth reforçava em mim a importância de o Sacerdote tornar-se cada vez mais atento, observador (de si mesmo), cuidadoso ao anotar, preservar, aprender com as vivências, analisá-las e sintetizá-las, para futuro aproveitamento, em forma de Instrução, ou até mesmo para a compilação de memórias. Além disso, com aquele gesto, Thoth confiava a mim a tarefa de transmitir, “aos que vêm atrás”, seu desejo de que, ao menos seus Sacerdotes e Noviços, aproveitassem seu legado. Era como se tivesse dito: “Leiam minhas obras, porque em breve não estarei mais aqui e nelas vos deixo um pouco do que necessitarão”.

No Natal de 2008, em outra visita a Guarapari, o Mestre me convocou para uma reunião em seu escritório. Ali, num misto de emoção e aposta, incumbiu-me de revisar, ampliar e reeditar primeiramente o Livro Sacerdotal Expectante, e, assim que possível, os demais. Quanto ao livro com as Bases e Rituais da Igreja, ficou pronto e foi apresentado ao Mestre noventa dias após, em março. Ele aprovou o resultado, sugeriu algumas melhorias, observou e até elogiou os “acréscimos”, mas me fez uma exigência que muito me contrariou: colocar meu nome, logo abaixo do dele e do de Sevãnanda...

Eu, hein! Relutei, recusei, esperneei, refutei a idéia... Hoje, rememorando tudo isto, pensando bem, diante da insistência, acho que acabei concordando para não negar um pedido do Mestre.

Thoth partiu para a Pátria Espiritual em 11 de maio. Não fui competente nem hábil o suficiente para terminar a revisão dos outros livros antes. Agora, quando se aproxima o 4 de novembro, quando completaria 94 anos, pesa-me o débito, pois ainda não cumpri o prometido.

Mas, CaroLei, veja como são as coisas lá de cima... Recentemente a Matriarca Ischaïa nos visitou aqui em Santa Catarina e comentou que havia encontrado uma “instrução inacabada do Thoth”. Imediatamente, pensei com meus botões: isso me faz lembrar que devo mergulhar de cabeça na missão assumida. Fiquei com esse pensamento latejando até que a Matriarca me enviou, também para revisão, o tal texto, logo abaixo... E não é, CaroLei, que o Patriarca já tratou de perdoar... A minha fraca vontade... E talvez a sua... Boa leitura a todos! Que vocês possam aplacar a saudade tanto quanto eu.

Mensagem Patriarcal Generalizada
É preferível não iniciar a fazer mal feito!

Por Thoth, 3º Patriarca Expectante (1915-2009)

O vento zunia ao passar pelas frestas das janelas e portas. Lá fora, as árvores vergavam pelo vendaval que as castigava impiedosamente. Era alta madrugada e eu não havia jeito de conciliar o sono, algo atormentava minha alma, pensamentos dúbios martelavam a mente e o coração. A tormenta era o reflexo externo da que, dentro de mim, me deixava naquela inquietude arrasadora. Não me permiti ficar naquele estado e com isso algo se delineou na minha mente e a conclusão se fez presente. A causa do meu sofrimento era referente a como vive a criatura humana, perdida no seu modo de viver, causa precípua do sofrimento de cada um. Com esta conclusão, não deu outra: caminhei em direção à mesa de trabalho, dando azo a emitir uma mensagem aos seres humanos, especialmente aos membros da Igreja Expectante, causa primária das minhas apreensões. Assim, peço vênia para transmitir uma Mensagem Patriarcal Generalizada aos que pretendem evoluir espiritualmente, independentemente de qualquer corrente religiosa. Porém, devo, por direito devocional - especialmente para os Expectantes - alertá-los de que a mensagem em foco é de caráter instrutivo. Portanto, sua finalidade é abrir um campo maior para uma aprendizagem ímpar. Logo, espero que possam aproveitar no mínimo o máximo possível.

A Tolerância: É um dos frutos do Amor. É a mais delicada forma do Perdão. Tolerar é ir dissolvendo em nosso amor os erros alheios ainda antes de julgá-los. Tolerar, compreender, ter paciência é a melhor aplicação em nosso crédito kármico. Diz a Bíblia: “Com a vara que medires, sereis medido”. E com uma porcentagem sempre a mais! Tendo Tolerância e Compreensão com o seu próximo, você está conquistando a tolerância e a compreensão para você mesmo. Vejamos: Um homem ou uma mulher, por exemplo, que fala dele mesmo em toda oportunidade, procurando se mostrar, se julgar muito importante, não passa de um embusteiro, um convencido. Dessa forma, procura encobrir o seu temor, pavor de os outros verem e ficarem sabendo que ele vale e sabe muito pouco. Se oculta para não mostrar sua incapacidade...

Aquele que começa a galgar a montanha e volta a cabeça para olhar o pântano que jaz no fundo do vale pode sentir atração novamente pelo abismo e precipitar-se nele... Aquele que recomeçou a jornada redentora e se afastou do caminho que os Mestres seguiram e ensinaram terá que retornar e começar tudo de novo, pois a trajetória percorrida e levada ao objetivo a que se propôs terá que ser reiniciada tantas vezes quantas forem necessárias, pois tudo aquilo que se faz e se deixa não é levado em conta. Porque a queda é pior do que o que foi feito sem AMOR e ABNEGAÇÃO. A meu ver, ó pobre iluso, é preferível não iniciar a fazer mal feito. Que importa, ao AMOR, a DOR e a MORTE?

Compreensão: Ao se atingir o grau da COMPREENSÃO, chega-se ao ápice do Conhecimento, pois ela já foi passada pela TOLERÂNCIA, onde foi extirpado o tanto quanto possível a raiz da malquerença, dos melindres, das suscetibilidades, dos julgamentos errôneos, dos nossos sentires. Entender que todos possuem o seu Livre Arbítrio é saber que cada ser tem seu potencial, sua PERSONALIDADE, a liberdade de agir e proceder, de acordo com os ditames de sua consciência, de acordo com sua bondade ou maldade interior.

Eu não poderia fechar esta Mensagem Patriarcal se deixasse de lado o ponto magno, causador de todos os nossos sofrimentos na vida terrena. Deixarei, pois, aqui, a chave para que se possa abrir a chance, a oportunidade de cada qual ter o direito de lutar o tanto quanto possível para alcançar um dia a sua felicidade. Falarei, pois, sobre a causa primordial:

A personalidade: ...

Comentário de Ischaïa

A mesa de trabalho do Thoth, sempre bem arrumada, com tudo em ordem, não foi mexida, exceto para tirar poeira ou para procurar algum documento ou anotação necessária ao nosso dia a dia.

Em um desses momentos encontrei umas folhas rascunhadas e lembrei-me de que, algum tempo atrás, como era seu costume, Thoth leu para mim esse artigo que, depois de corrigido e feitas as anotações desejadas, seria digitado.

O Patriarca nunca deixava nada pela metade, para trás, mal resolvido ou mal feito. Sua última mensagem, denominada por ele mesmo de “Mensagem Patriarcal Generalizada”, foi com certeza o último lembrete aos “filhos espirituais” que muito amava. Infelizmente, o último artigo ficou inacabado.

Sinto-me impelida, como discípula e companheira, a dizer que a última mensagem no mundo visível não terminou com uma simples reticência. Não considero que o artigo do Thoth esteja em aberto, pois todos aqueles que leram suas obras têm em seus escritos o fechamento do último parágrafo...

Não foram poucas as vezes em que o tema foi abordado. E, para que cada um possa entender o que é a personalidade, lembrem-se do simbolismo que usava para ilustrar o assunto:

“...Pensem num colar de pérolas... As contas são a personalidade. O fio que as prende, a individualidade”. Meditem.

Fonte: Igreja Expectante

INSTITUTO NEO PITAGORICO - I.N.P.

REUNIÃO ESPECIAL
22 DE NOVEMBRO DE 2009

Centenário de Fundação do Instituto Neo-Pitagórico
(26 de novembro de 1909 / 26 de novembro 2009)



LOCAL:
INSTITUTO NEO-PITAGÓRICO
Rua Professor Dario Vellozo, 460
Vila Izabel - Curitiba - PR

HORÁRIO:
15:00


O Instituto Neo-Pitagórico agradece as demonstrações de solidariedade recebidas de seus membros, alunos e amigos, por ocasião do falecimento de seu presidente, professor ROSALA GARZUZE, ocorrida no dia 04 p.p.

Ao ensejo, informa que - por ato de manifestação de última vontade daquele presidente, que esteve à frente desta Instituição nos últimos 72 (setenta e dois) anos -, o SUPREMO CONSELHO DO INSTITUTO NEO-PITAGÓRICO empossou, no último dia 05, ANAEL PINHEIRO DE ULHÔA CINTRA como sucessor do prof. Rosala na presidência deste Instituto.
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domingo, 25 de outubro de 2009

HOMENAGEM - Dr. ROSALA GARZUZE


REUNIÃO DE 1º DE NOVEMBRO DE 2009

Homenagem do Instituto Neo-Pitagórico ao Prof. Dr. ROSALA GARZUZE, que esteve à frente desta Instituição nos últimos 72 (setenta e dois) anos (1937 a 2009).

LOCAL:
INSTITUTO NEO-PITAGÓRICO
Rua Professor Dario Vellozo, 460
Vila Izabel

HORÁRIO:
15:00


O médico Rosala Garzuze faleceu ontem ao meio-dia. Ele estava internado no Hospital do Trabalhador há uma semana, e tinha 103 anos. Garzuze era presidente do Instituto Neo-Pitagórico. O corpo foi velado na capela 2 do Cemitério Parque Iguaçu e o sepultamento será hoje, às 11h.

A causa da morte não foi divulgada. Garzuze deixou duas filhas e dois netos, cujos nomes também não foram divulgados. Nascido no Líbano, o médico veio para o Brasil com três anos.

Viveu boa parte de sua vida em Irati. Médico patologista, atuou durante muitos anos como professor de Patologia Clínica do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Em entrevista ao Paraná Online em 2006, o professor dizia que “ensinar era uma de suas grandes paixões”. O médico também era filósofo e escritor. Por 71 anos foi presidente do Instituto Neo-Pitagórico.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SILÊNCIO E MANSIDÃO



Por Swami Sarvananda
Sacerdote Expectante do 2º Grau (in memorian)

(Extraído do Boletim Frater - Informativo da OSA - ANO III - Nº 13 - JAN/1998)

Não constitui maior mérito adquirir uma relativa mansidão quando se tem a orientação de um conhecedor do gênero humano, como era indubitavelmente Sri Sevãnanda, um alquimista das almas humanas.

Esta qualidade, a mansidão, indispensável à abertura das faculdades interiores, porém, implica outra, que é a aquisição se um silêncio mental, não sendo imaginável um homem manso de mente agitada.

Sem querer nem poder julgar, considero proeza um homem de caráter forte, às vezes muito determinado no cumprimento de uma meta vital coletiva, chegar a imprimir mansidão nos membros de uma Comunidade cujo funcionamento está baseado na autodisciplina.
É sintomático que o Mestre não se deixava influenciar pela pressão automática provinda de fora para aderir ao modo de ser do “todo mundo”, razão pela qual sofreu com a incompreensão dos seus contemporâneos, entre outros atraindo sobre sua pessoa a ira de alguns chefes da vizinha Academia Militar das Agulhas Negras, por continuar divulgando dados acerca de OVNIs, assunto proibido naquela época, recebendo como resposta vôos rasantes de aviões de caça nos ares do Ashram. Quase ninguém teve conhecimento desses fatos.

Entretanto, e apesar das aparências, o Mestre tinha um caráter suave e bem manso quando não havia provocações. E esta mansidão culminou com o fato de nunca obrigar quaisquer Residentes do Ashram a fazer o que ele acreditava ser melhor para seu bem-estar espiritual. Isto é do próprio Residente.

Este modo de trabalhar, no cumprimento da missão que se “encasquetou’ - termo pelo Mestre utilizado - a si próprio, era levar a bom termo, se possível vitoriosamente, a conduzir um punhado de gentes provenientes destes mesmos pagos e também do estrangeiro à difícil meta de adquirir um auto-aperfeiçoamento, baseado nas rigorosas regras dos Cavaleiros Andantes do Oriente e dos desapegados e meditativos Swamis orientais.

Deu no que deu: da constante enxurrada humana que se revezava continuamente no Ashram de Resende, na tentativa de beliscar uma pepita de ouro espiritual das que caíam dos céus por seu intermédio, com a bênção dos Chefes das grandes Correntes Místicas das duas metades do Globo, acabaram sobrando na ativa apenas dois casais: os Peregrinos, e os atuais Sarvas de Belo Horizonte, sobrevivendo da notável experiência que foi o “Monastério Essênio e Ashram de Sarva Yoga” que ele fundara junto com sua Esposa e Companheira de Labor, Swamini Sádhana.
Posteriormente juntaram-se à Obra os fiéis Thoth e sua esposa Ischaïa.

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Suddha Dharma - Ou, como chegar aos segredos do homem


Texto baseado nos livros sagrados do Suddha Dharma Mandalam e revistos por Ubiratan Schulz
O que é Suddha Dharma? Quem nunca ouviu falar de Mu, Lemúria, Atlântida ou Terra-Mãe? Dos Anciãos desses países, que se tornaram altamente desenvolvidos e formaram doze escolas para educar o povo? Quem nunca ouviu falar dos 7 ou 12 raios?

Essas escolas ensinavam ao povo os elementos básicos da vida, as ciências naturais e todas as formas de psicologia e desenvolvimento mental. Esses mesmos Mestres fundaram uma Décima Terceira Escola só para os anciãos e homens mais sábios, dotados de grandes capacidades e poderes mentais. Exigia-se dessas pessoas uma disposição inteiramente positiva, amorosa, altruísta e generosa, com um equilíbrio cármico positivo.

Como aconteceu a tantas outras civilizações e povos antigos, cataclismas e mudanças ocorreram com o tempo. As doze escolas foram dissolvidas, mas a Décima Terceira, com seus Mestres, percebeu que o mundo precisava de ajuda e se estabeleceu no Himalaia, tornando-se assim a ordem conhecida como Grande Irmandade Branca, GOM ou Governo Oculto do Mundo, a Fraternidade Branca do Himalaia, a Loja Branca, a Loja Oculta, a Maçonaria Oculta ou Secreta — hoje em dia chamada de Fraternidade Branca Universal. Ou, como é conhecida ocultamente, esta Augusta Assembléia de Hierarcas, pelos Mestres e Dasas (membros consagrados): Suddha Dharma Mandalam.

Esta milenar instituição, conhecida na literatura oriental com o nome de Suddha Dharma Mandalam, tem sob a sua custódia os tesouros da ciência sagrada e se manteve oculta do mundo durante mais de doze mil anos. Segundo seus preceitos, seus membros trabalham silenciosamente pelo bem estar e progresso de toda a humanidade.

É uma Hierarquia Espiritual que acompanha e comanda a evolução na Terra. Apenas no inicio deste século a Fraternidade Branca Universal se deu a conhecer publicamente, durante o ano de 1915. Percebendo os momentos críticos pelos quais passaria a humanidade e reconhecendo o necessário amadurecimento e interesse, seus líderes permitiram que os princípios básicos e sistema de treinamento da ordem fossem revelados, juntamente com a publicação de textos antigos reveladores, até então guardados nas grutas do Himalaia.Um de seus discípulos assumiu esta tarefa, o Presidente da Alta Corte de Justiça de Madras, Chanceler da Universidade Madras, Índia, Swami Subrahmanyananda (Dr. Sir. Swami Subramanya Aiyar (K.C.L.E) LL.D.).A ele coube a missão de tornar pública a existência, objetivos e constituição desta Fraternidade.

O Swami publicou numerosos artigos nas revistas hindus, nos quais anunciou ao mundo que esta antiqüíssima e hermética escola estava abrindo as portas da iniciação, e o único requisito para pedi-la seria um sincero propósito de cooperar no trabalho da Grande Hierarquia Branca. Em seus escritos, Subrahmanyananda fez conhecer, além da constituição da Suddha Dharma Mandalam, as diversas categorias de iniciação que os Mestres outorgam a seus discípulos para ajudá-los no trabalho de aperfeiçoamento físico, mental e espiritual. Estas publicações foram traduzidas em diversos países, resultando na solicitação de ingresso na Instituição por parte de muitos aspirantes, que tiveram a felicidade de contatar a grandiosa Fraternidade Branca.

Análise Histórica
Sempre que vamos analisar a história seja de um povo, de um acontecimento ou Instituição, podemos fazê-lo de diferentes maneiras. Uma delas seria contar fatos marcantes ou personagens importantes. A Suddha Dharma Mandalam possui abundantes e diversificadas histórias, muitas delas fantásticas aos olhos dos menos afeitos a estudos esotéricos, pois relata a maneira como a Fraternidade Branca se manifesta através desta instituição e a utilização dos poderes dos Grandes Hierarcas em benefício da humanidade.Podemos dividir a história da S.D.M. em quatro fases, não exatamente cronológicas, mas que caracterizam determinados aspectos da maneira como o trabalho foi e tem sido desenvolvido.

Estas quatro fases são:
1 – Suddha Dharma Mandalam como Grande Fraternidade Branca Universal
2 – Revelação e contato formal com a humanidade
3 – Período pós-revelação
4 – Período atual - Suddha Dharma Mandalam como Grande Fraternidade Branca.

A tradição de todas as religiões reconhece a existência, desde tempos imemoriais, de uma organização esotérica dedicada ao bem estar e emancipação espiritual dos seres sobre a face da Terra. Seus membros estão sempre dedicados a compartir, para cada raça e país, leis ou aspectos particulares da Eterna Religião (Sanátana Dharma), segundo requeiram a ocasião e circunstâncias. Esta Assembléia tem seu ‘quartel-general’ ao norte das florestas de Badari, no Himalaia, e é composta de muitos Mahatmas, Siddhas e grandes Rishis. Alguns membros da organização fazem sua aparição no mundo físico como os Irmãos Maiores, fundadores de religiões e Grandes Mestres.Esta grande instituição é dirigida pelo senhor da evolução da Terra, conhecido como Sri Bhagavan Narayana, que se manifesta como Sri Yoga Devi, Naradeva, Kumara e Dakshinamurti, no desempenho de suas diversas funções. E, conforme a tradição de cada escola, ele é também reconhecido como Melquisedek, Sanat-Kumara, O Senhor do Mundo, Deus Planetário, etc.

Desta plêiade de mestres e seres iluminados, muitos vivem em corpos sutis atuando desde planos gloriosos. Outros ocupam corpos físicos, seja por curtos períodos — para desempenharem determinadas atividades sob as ordens de Bhagavan Narayana —, seja por centenas ou milhares de anos. Assim, aqui e ali se tem contato ou ouve-se falar de um grande ser, que se destaca por sua sabedoria e poderes espirituais, quase sempre cercado de um grupo de discípulos, que realiza seu trabalho de maneira muito discreta e que, quase sempre, não permanece no mesmo lugar mais do que alguns dias. Estes seres, apesar da discrição e reserva, ainda que fisicamente distantes uns dos outros, mantêm um elo espiritual, formando uma grande irmandade que trabalha de maneira harmônica e silenciosa.

Sob a custódia destes Mestres encontra-se um conjunto de textos sagrados, muitos deles totalmente desconhecidos pela humanidade, e outros sendo os originais de textos conhecidos e reverenciados. Estes iluminados são os responsáveis por conduzir discípulos em um rigoroso treinamento, visando o despertar da consciência átmica. O treinamento está baseado na mais pura tradição espiritual, ministrado nas antigas Escolas de Sabedoria pelos hierofantes e patriarcas. Entre seus discípulos estão pessoas que se dedicam inteiramente ao treinamento espiritual, afastadas da vida secular, enquanto outros continuam desempenhando suas atividades na sociedade, dedicando-se às práticas introspectivas e ao caminho da auto-realização. Estas duas funções — guarda dos textos sagrados e treinamento yóguico — são as principais atividades da Hierarquia no aspecto de instrução.

A maneira com que desempenham seu trabalho é, muitas vezes, misteriosa e incompreensível para a maioria de nós, pelo fato de que a perspectiva com que estes seres enxergam o mundo é muito mais ampla do que somos capazes de conceber. Isto pode ser observado, com muita evidência, conhecendo-se a história da fundação da Sociedade Teosófica por dois destes mestres, e da Suddha Dharma Mandalam. Em alguns momentos da história da humanidade esta instituição abre algumas de suas portas ao mundo, outorgando iniciações, conduzindo o treinamento de aspirantes e revelando textos sagrados. Isso ocorreu no início deste século, quando tais mestres perceberam que se avizinhava um momento de transição da evolução humana, e que haveria um maior estímulo interno e externo para a busca de auto-realização por um número maior de pessoas.

Como Ingressar no Suddha Dharma?
Há formas diferentes para se entrar na Fraternidade. O primeiro passo é pedir ingresso como discípulo, em preparação. Estes são consagrados e vão recebendo lições graduais que o capacitam para uma verdadeira iniciação espiritual. Essas iniciações podem ser dadas por um Mestre físico ou espiritual, que são os arcanjos. Em sânscrito, arcanjos são os Siddhas, ou Mestres de Poder. Enquanto não se recebe a iniciação espiritual, não se pode dizer que é realmente um membro aceito pela Hierarquia Divina da Fraternidade.

A Hierarquia Branca se compõe de Grandes Seres, que vieram a este mundo terrestre de outros planetas, onde a humanidade é muitíssimo mais avançada que a nossa. A cabeça principal dessa Hierarquia é o Divino Senhor da Terra, Sri Bhagavan Narayana, o Deus Pai. Ele é acompanhado por um excelso espírito com qualidades femininas de amor, compaixão, doçura, paz e sabedoria, conhecido como a Mãe Divina – Sri Yoga Devi.

O Deus da Terra, dirige a evolução acompanhado de 32 Siddhas (arcanjos), 4 Kumaras (arcanjos iniciadores), 7 Senhores dos Sete Raios (os sete selos do Apocalipse) e os Sapta Riskis. Dentro do Suddha Dharma Mandalam há uma hierarquia que se chama Hamsa Yogui, cuja missão é explicar os mistérios dos livros místicos (livros misteriosos). Por isso a sociedade promove o estudo e o esclarecimento dos livros sagrados de todas as religiões: os Vedas, o Mahabarata, o Corão, a Bíblia, o Bhagavad Gita, etc.

Esta Hierarquia é que comanda a vinda de avataras à Terra. Há, por toda parte, uma expectativa em torno de um novo Avatar neste inicio de século. Nós sabemos que o atual já nasceu. Seu nome místico é Sri Bhaghavan Mitra Deva, que foi recebido e consagrado pelos Mestres do Himalaia. Ele nasceu em 1919, na lua cheia de janeiro, e apesar da sua idade terrestre sempre se apresentará com a aparência de 16 anos.

Esta notícia é o que há de mais importante a ser dito pelo Suddha Dharma Mandalam. Existe, sob a custódia deste descenso, uma ordem interna específica da S.D.M., chamada Mitra Brinda — seres escolhidos para a manutenção do trabalho deste grande Ser.

Quando Sri Bhaghavan Mitra Deva tinha 1 ano e 9 meses, recebeu a primeira iniciação das mãos do Grande Deus da Terra. Então o menino fez seu primeiro grande discurso na presença dos Mestres. Nesse discurso, ele dividiu a Humanidade em três partes: Primeiro chamou de homens bestas aqueles que vivem como animais, comem, procriam, agridem, roubam e matam para satisfazer seus instintos. Em segundo lugar estão os que chamou de humanos, aqueles que crêem em algo superior, trabalham pelo bem estar comum, desenvolvem certa fraternidade. E por fim, os grandes santos, a quem chamou de divinos, porque mediante sua pureza física e mental projetam o homem para o futuro.

Por meio de práticas místicas, eles alcançaram o despertar do Deus superior (supraconsciência), o Espírito Santo, que vive no coração de cada ser humano. O supremo Deus é onipotente, mecânico e consciente do poder infinito. Sri Bhagavan Narayana é o nome de uma semente contida no Para-Brah-Man, a qual evolui através do ilimitado tempo passado até chegar a ser atualmente o Supremo Chefe da Evolução de todos os Seres de um planeta habitado. Existem milhões de Narayanas, pois os governantes dos mundos são considerados como tal. “Sou Narayana, o Senhor da vontade pura, e proclamo ao mundo Minha doutrina, que dá vida e luz a toda a criação” (Sanátana Dharma Dipika, pg. 168, verso 248/252).

O Avatara Rama, como também Krisna, Cristo, Mitra Deva e outros desses Excelsos Seres, são representantes do poder e vontade de Narayana, Senhor do Mundo. É por isso que quem venera a qualquer um deles, honra simultaneamente a Sri Bhagavan Narayana. Não posso deixar de mencionar que também existem os Avataras mulheres, dependentes da Divina Mãe Sri Yoga Devi. Elas são as mães virgens, que dão corpo a estes misericordiosos seres já referidos.

Revelação e Contato Formal
Pela primeira vez revelavam-se determinados detalhes da constituição e atividades desta Grande Fraternidade, como por exemplo, a sede central nas florestas de Badari, com suas cinco aldeias, seus moradores, o papel que corresponde a cada hierarca, etc. Os oficiais superiores permitiram também que determinados textos sagrados, guardados nas Grutas do Himalaia sob a vigilância destes Grandes Seres, chegassem às mãos do Pandit K.T. Srinivasacharyar — um grande erudito e outro importante personagem desta história — para serem revelados ao mundo.

Alguns textos já eram popularmente conhecidos, como o Bhagavad Gita, porém apresentava-se o original desta obra, com características muito importantes para o estudante. Outros eram conhecidos apenas por alguns poucos yoguis e lançavam uma nova luz sobre diversos ensinamentos sagrados, apresentando uma cultura do homem integral. Anunciada a existência da S.D.M., muitos fervorosos aspirantes solicitaram sua inscrição e treinamento.

É curioso notar que, segundo Swami Subramanyananda, no momento no qual ele escrevia seu primeiro artigo que anunciava ao mundo a S.D.M., não havia na Índia mais do que dois mil membros da Instituição, o que nos parece significar que já havia um grande trabalho sendo realizado de maneira muito discreta, antes mesmo que o público tivesse acesso à Instituição. Na Índia, Ceilão, Inglaterra, América Central, Argentina, Chile, Espanha, Brasil, ou seja, com grande intensidade na América do Sul, várias pessoas tiveram acesso à iniciação, fazendo surgir um grande trabalho que se completava pela publicação dos textos mencionados acima e um grande esforço de conhecê-los e realizar seus elevados ensinamentos por parte dos discípulos.

Outros personagens tiveram grande importância no desenvolvimento do trabalho da S.D.M. nesta fase. Entre eles, podemos citar:

Sri Vasudeva Row: residindo em Madras, foi um grande colaborador, para o trabalho do Swami Subramanyananda e Pandit K. T. Srinivasacharyar e como elo de transição para a terceira fase, que será descrita em seguida; Arulambalaswami: fundou um ashram no Ceilão, onde desempenhou um papel muito importante na disseminação e vivência da Doutrina Suddha. Recebeu elevadas iniciações dos Mestres; Kam Das Yoguim: secretário do Ashram do Ceilão e elevado iniciado, foi também um importante elo de ligação com a terceira fase pelo contato estabelecido por ele com os Grandes Seres; Brahma Yogui Dasa: um grande erudito, cujos conhecimentos foram expostos através da revista The Suddha Dharma, publicada posteriormente; Vájera Yogui Dasa: professor Benjamin Guzmán Valenzuela, conhecido e premiado pintor chileno, um grande iniciado e líder do trabalho da Suddha Dharma Mandalam no Ocidente.

Graças a ele, estes ensinamentos foram estabelecidos na América. Além disto, teve papel importante na ajuda pecuniária para a publicação dos Textos revelados pelos Mestres. Não nos esqueçamos também de muitos outros seres, não mencionados aqui, que exerceram um importante e silencioso trabalho, ficando aqui nossa homenagem.

Período Pós-Revelação
Este período foi marcado pelas atividades de dois personagens, fundamentais para a consolidação mundial da S.D.M. como instituição. São eles: Sri Janárdana e Sri Vájera Yogui Dasa. Entre 1929 e 1934, os membros da S.D.M. continuaram desenvolvendo seu trabalho na Índia, aguardando que os mestres definissem as atividades a serem executadas após a ausência do Swami Subramanyananda e Pandit Srinivasacharyar. Em 1934, assume as atividades da organização Sri T.M. Janárdana, em Madras.

Podemos dizer que os aspectos básicos do trabalho dessa terceira fase, sob liderança de Sri Janárdana e Sri Vájera, foram a divulgação da doutrina através da revista The Suddha Dharma e a publicação de diversos livros, preparação para as iniciações e o estabelecimento da instituição. Uma das atividades principais desenvolvidas nessa fase — já iniciada no período anterior — foi o estabelecimento de ashrams e grupos de estudo em diversas partes do mundo, principalmente na América.

Nunca seria demais, em qualquer história da S.D.M., destacar o trabalho realizado por Sri Vájera que, desde os primeiros momentos em que Swami Subramanyananda revelou externamente a existência da Hierarquia, reuniu um grupo de estudantes e dedicou-se integralmente a conhecer e divulgar os ensinamentos Suddhas.

Recebeu diretamente dos Mestres da Hierarquia elevadas iniciações, obtendo grandes experiências espirituais; publicou vários textos Suddhas em castelhano, fundou e orientou ashrams e discípulos espalhados pela América e Europa por mais de 60 anos, tendo passado aos planos sutis em 12 de Setembro de 1984.

Período Atual
As sementes plantadas por Sri Vájera foram germinando em vários locais, sendo que, em inúmeras cidades do Brasil, Chile, Argentina, Espanha e outros países, os ashrams se estabeleciam e surgiam lideranças. No Brasil, em 1981, Sri Vájera e Sri T.V. Anatram (outro mestre iniciático), iniciaram alguns membros como Gnana Dhata, ou instrutores oficiais do Mandalam. Dentre eles, destaca-se até hoje o Gnana Dhata dr. José Ruguê Ribeiro Júnior, responsável pela instrução de ashramas existentes em São Paulo, Brasília, Juiz de Fora e Uberlândia, além de membros em todo o país.

Os princípios fundamentais da S.D.M. em suas relações com os demais, são os seguintes:
1 – Ahimsa (não violência);
2 – Sathyavachana (veracidade);
3 – Loka Kainkaria (serviço desinteressado a todos os seres);
4 – Dhiana (meditação).

Os ensinamentos que os discípulos recebem estão de acordo com os postulados da Ciência Mística Experimental, estudada e devidamente classificada há milhares de anos pelos Mestres da Hierarquia Branca. Esta ciência divina é chamada no oriente de ‘Suddha-Raja-Yoga’, sendo ensinada aos estudantes de acordo com suas tendências e preparação.

A prática de seus princípios nos levará, seguramente, ao mais alto grau de progresso, derramando em nosso coração a alegria dessa inefável Paz que compenetra o infinito.

O método Suddha se baseia em três grandes aforismos:
1 – Sarvam Tat Kalvidam Brahm – Tudo é verdadeiramente Brahm (Deus);
2 – Sarvam Brahma Swabhavayam – Tudo é de natureza de Brahm (Deus);
3 – Sarvam Avasyakam – Tudo é necessário.

Em todos os povos do mundo se encontram menções mais ou menos veladas sobre a existência da Divina Hierarquia. O nome Suddha Dharma Mandalam, se compõe de três elementos, que significa livre de impurezas; dharma, que denota aquilo que governa e protege os seres humanos; e mandalam, indicando organização ou sociedade. Portanto, Suddha Dharma Mandalam é o nome que corresponde a uma organização da máxima pureza, tão antiga como o tempo, que ensina um modo de vida de acordo com o Dharma que protege as almas dos seres humanos.

Antes de finalizar, parece conveniente repetir as palavras do próprio Narayana: “Eu sou o Rishi nascido de um Hamsa de Brahmam e radiante com sua luz. Desci de Vishinu a Badari Vana para o bem do mundo. Sempre que, Oh! Bhárata!, decai a retidão e sobrevém uma preponderância da injustiça, então Me manifesto como um Siddha, para ensinar o verdadeiro conhecimento do Sanátana Dharma”.

Para que esses misteriosos versículos possam ser compreendidos, é preciso ter um claro conhecimento da existência espiritual de Sri Bhagavan Narayana, representante do Para-Brah-Man. Já houve muitos Avataras e muitos outros ainda virão a Terra. Ao Deus da Terra, nada nem ninguém pode impedir que, se já enviou Jesus, o Cristo e outros Avataras anteriores, continue enviando redentores tantas vezes quanto julgue necessárias para benefício e felicidade dos seres. Os sábios da Suddha Dharma revelaram a existência do Avatara encarnado em nossos tempos, Sri Bhagavan Mitra Deva, o qual, como um Amigo Divino, está inspirando a muitos homens e mulheres a ciência da Suddha Raja Yoga, a fim de que, mediante esta sabedoria Divina, os homens perversos se convertam em seres abnegados, os humanos em santos e os santos em divinos.

Concluindo, a Suddha Dharma Mandalam é uma milenar Fraternidade Iniciática do Himalaia, que há aproximadamente cem anos começou sua exteriorização para o Ocidente. Estando submetida diretamente à Hierarquia Planetária dos Mestres da Grande Fraternidade Branca, tem a Suddha Dharma Mandalam (Circulo da Lei Pura) o propósito de preparar homens e mulheres de elevados ideais para a consciência iniciática, que os conduzirá futuramente ao Discipulado da Grande Fraternidade Branca.

Glória ao Senhor do Mundo, Om Namo Narayanaya. Esta obra é dedicada, com profunda reverência, aos grandes seres da Suddha Dharma Mandalam. Subamastu Sarva Yaghatham. Que todos os seres sejam felizes.

Para Saber Mais:
Suddha Dharma Mandalam - Seção Brasileira
www.suddha.netwww.chokmah.com.br/sdm

Fonte clique
aqui.
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AMO-PAX - 13 RESIDENTES


SEM PRESSA NEM PAUSA

Por Geraldo Lino da Silva, Sacerdote Expectante do 2º Grau

No início de setembro recebi da neta do Swami Sarvananda link para interessante matéria sobre seu ilustre e saudoso avô. Após a leitura desta biografia, entrei em contato e pedi informação sobre onde o corpo do “Sarva” havia sido enterrado, pois os dados de que dispunha eram incompletos. Prontamente ela me deu a direção: Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba-PR. Fiz um contato com a administração do local e obtive o que faltava: quadra 21, setor 26, jazigo 2309. Daí foi só esperar uma oportunidade para ir até aquele que ensinava que, no campo espiritual, antes de poder receber qualquer coisa, é necessário silenciar a mente.

Meu interesse pela obra do Sarva aprofundou-se quando li “Androgonia – O que o Homem é”, presente que ganhei do também saudoso Patriarca Thoth, anos atrás. De lá pra cá tenho examinado amiúde os trabalhos que o Swami e Sacerdote Expectante Sarvananda deixou.
Thoth e Sarva, ambos Discípulos do querido Sri Sevãnanda Swami, 2º Patriarca da Igreja Expectante, tocaram, cada um, o Raio de Luz que lhes coube após o Mestre ter delegado suas atividades públicas e operativas aos auxiliares do chamado “círculo íntimo”: Thoth foi o sucessor de Sevãnanda na Igreja Expectante e o Sarva sintetizou as Vias da Yoga, da Suddha Dharma Mandalam, do Martinismo, entre outras.






Passaram-se os dias e a esperada oportunidade de “visitar” o Sarva apareceu. No último domingo desembarcou no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais-PR, a sucessora de Thoth, 4ª Matriarca da Igreja Expectante, Ischaïa. Veio ao Sul do país para cumprir extensa agenda de trabalho junto ao Núcleo Expectante Joinville-SC. De passagem pela Grande Curitiba, fomos direto ao cemitério, no bairro Barigui.




E nós, diante de sua lápide, agradecemos ao Sarva pelas tantas e maravilhosas contribuições que deu (e ainda dá) à Igreja, pois são incontáveis os seus escritos que vez por outra pipocam aqui mesmo no site Expectante. Os mais recentes foram Silêncio e Mansidão e o brilhante estudo sobre o Pater.

Assim a Igreja Expectante homenageia o “Monge Jorge”, o guardião do Monastério AMO+PAX, companheiro de lutas de Sevãnanda, fiel amigo de Thoth, exemplo para os que trilham o caminho que leva ao Mestre AMO Philippe.

Fonte: Igreja Expectante

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SVAMI SARVANANDA

(Georg Kritikós)
(1.922 - 1.999)

Svami Sarvananda era o nome místico do Sr. Georg Kritikós, nascido em Rupea, Transilvânia (Romênia), em 22 de junho de 1.922, e falecido em 18 de abril de 1.999 em Curitiba (PR). Filho de pai grego e mãe romena, aos 22 meses sofreu pneumonia dupla, tendo sido desenganado pelos médicos. Naquele momento recebeu a visita de um Mestre que condicionou a continuação de sua vida à promessa de dedicá-la aos seus semelhantes, ele aceitou e obteve a cura.
A facilidade das línguas, herdada do pai, permitiu falar três idiomas usados na região: romeno, húngaro e o alemão, o que o ajudou a se adaptar mais facilmente aos países pelos quais passou e viveu.

Logo depois da Segunda Guerra, foi trazido pela tia materna para o Uruguai, onde se reencontrou com seu Mestre e amigo, Śrī Sevananda Svami, tornando-se seu discípulo e recebendo dele a iniciação transmitida pelo adepto egípcio RA MAK HOTEP.

Com seu Mestre, participou ativamente da fundação do “Monastério Essênio e Ashram de Sarva Yoga” em Resende (RJ), durante o período de 1.953 e 1.960. Em 22 de junho de 1.957, foi ordenado membro dos swamis de SRI SHANKARACHARYA, por seu mestre. Na ocasião recebeu a bengala dos sanyasins sarvas e recebeu o nome místico de SWAMI SARVANANDA.

Em 7 de dezembro de 1.957, foi unido em matrimônio “dentro do serviço”, com a residente Daya. Neste Ashram, Śrī Sevananda Svami desenvolveu vários trabalhos de diferentes escolas iniciáticas do Ocidente e do Oriente, incluindo a Ordem Martinista, da qual era o Presidente para a América do Sul.


Em 20 de setembro de 1.958 foi escolhido por Śrī Sevananda Svami como seu sucessor e sarvayogacharya da Ordem dos Sarvas Swamis.

Em 1.958, fundaram, Sarvananda e Daya, sob a orientação do seu mestre, o Instituto Juvenil de Yoga, dentro das terras do Ashram de Rezende, onde passaram a cuidar e educar crianças abandonadas, até o fim das atividades do mesmo em 1.960.


Nasce, em 13 de setembro de 1.960, no Monastério, Maria Stella, elo de união entre passado e futuro, filha de Sarvananda e Daya. Em junho de 1.961, dissolve-se o Monastério de Resende e cada um toma seu caminho próprio. Śrī Sevananda Svami, com parte dos residentes, vai para Lajes (SC), onde surge a Obra ” O Mestre Philippe de Lyon”, e Sarvananda, Daya e Stella vão para Minas, onde continuam o trabalho.
Instala em Belo Horizonte, no ano de 1.960, o primeiro Núcleo de Yoga Integral e o Instituto Arjuna de Yogaterapia, inicialmente na Rua Tupinambás e um ano depois se transfere para a Rua Goitacazes 43, onde permaneceu até 1.996.
Ao longo desses 36 anos dedicados ao yoga em Minas, desenvolveu várias pesquisas em yogaterapia, beneficiando inúmeras pessoas, inclusive dependentes de drogas. Formou várias turmas de professores de yoga, muitos deles continuam em atividade atualmente espalhados pelo Brasil.
A convite do professor Daniel Antipoff e sua esposa Dª Otília Antipoff, assumiu a tarefa de preparar e orientar professoras de yoga na área de recuperação de excepcionais, dentro do Instituto de Psicologia Aplicada de Minas Gerais (IPAMIG), com excelentes resultados, durante o período de 1960 a 1966.
Após a morte de Śrī Sevananda Svami, em 1.970, Sarvananda, discípulo e auxiliar de Śrī Sevananda Svami durante 40 anos consecutivos, e seu sucessor na Ordem dos Sarvas e na Suddha Dharma Mandalam, deu continuidade ao desenvolvimento e divulgação das doutrinas Orientais e à Sarva Yoga, iniciada pelo seu Mestre e amigo. No Martinismo realizou seu trabalho na OMS. Sarvananda toma contato com praticamente todas as organizações de cunho espiritual e social da época.

Aos 51 anos, em fins de 1.973, viajou em peregrinação à Índia, reencontrando, em Benares e Sarnath, seu próprio passado. Em Calcutá teve a revelação do rumo de sua vida, assumindo assim um novo posicionamento interior. Continuando sua viagem, partiu para o Japão, onde fez estágio no Zen Yoga Dojo, do se nsei Oki Masahiro, recebendo valiosos baseamentos do sensei, que o nomeou seu representante no Brasil.



De volta ao Brasil, em março de 1.974, iniciou imediatamente as pesquisas e práticas do que bem mais tarde se transformou no TB (Trabalho Básico). No TB ele reuniu a experiência do Ashram de Rezende com Śrī Sevananda Svami, as técnicas e filosofias de Gurdjieff e os subsídios trazidos do Dojo, do sensei Oki Masahiro. De tudo isso resultou um método poderoso de impulsionar os interessados a se colocarem frente a frente a si mesmos, para uma maior autoconsciência e aspiração transcendental.

Em 1.975 fundou, próximo a Belo Horizonte, a Comunidade Rural e Alternativa Mãe D´água, reconhecida como de utilidade pública estadual e registrada como Refúgio de animais silvestres e Reserva Biológica, no INCRA.

Desenvolveu na Mãe D´água, junto aos companheiros e residentes, atividades diversas como agricultura, horticultura e fruticultura naturais. Muitos dependentes de drogas e álcool foram completamente recuperados com a vida rigorosa e sadia que se levava na Mãe D´água, onde os residentes recebiam instrução de Sarva Yoga e técnicas de meditação, na tentativa de neles instalar um maior teor de autoconsciência. A Mãe D´água fechou suas portas em meados de 1.986.

Em fins de 1.987, e por convite, transfere-se com a família para Curitiba, onde instalou, na Faculdade de Ciências Biopsíquicas da Fundação Espírita, um Núcleo de Formação de Sarva Yoga.

Retornando a Belo Horizonte, em junho de 1.991, o TB (Trabalho Básico), foi instalado com vigor, tendo como conseqüência o ingresso de membros na OSA, entre os quais alguns Cavaleiros, representando a ala ocidental, e a ordenação de dois swamis, sua esposa, Swamini Daya e o jovem Satyananda.

Em 1993 organizou o I Congresso de Yoga em Belo Horizonte. Participou de muitos congressos no Brasil e no exterior, com atuações muito marcantes. Ministrava aulas de yoga de uma forma bastante yang, daí os resultados terapêuticos conseguidos. Dava muita relevância à busca do silêncio mental, sendo isto a marca, o diferencial da Escola Sarva.

Severo, enérgico e sério, quando necessário, possuía o dom da gratidão. Era comum manifestar do fundo do coração, uma imensa gratidão por um simples ou pequeno fato, ato ou palavra recebida. No dia 5 de dezembro de 1.998, Sarvananda reuniu amigos e discípulos, fazendo sua despedida. Estava mais uma vez de partida para Curitiba. A palavra chave para a mudança era “Atividade”, prosseguir e intensificar “com entrega”, o trabalho.

Mas o destino reserva surpresas... No início de 1.999, após intensa atividade com seu trabalho, Sarvananda é levado ao médico por sua filha, e este prescreve cirurgia cardíaca (safena). No final de março é feita a cirurgia e, para grande surpresa de todos e principalmente dos médicos, surgiram complicações e após 21 dias, a maior parte deles com muito sofrimento na UTI do Hospital Cajuru, em Curitiba, deixou o corpo físico às 02:15 horas do dia 18 de Abril de 1.999.

Assim terminava uma vida carregada de intensidade e intrepidez, inteiramente dedicada ao próprio aprimoramento e ao desenvolvimento do ser humano, fiel à promessa que fizera no seu segundo ano de vida. Em 18 de março de 2.000, aconteceu o lançamento de sua obra póstuma “Memórias (1.922-1.960)”, no Museu Histórico Abílio Barreto, confirmando assim sua participação na história de Belo Horizonte.

Sarvananda publicou os seguintes livros:
1 - Yoga para Crianças, excelente guia para professores de yoga que desejam trabalhar com crianças;
2 - Yoga em Casa, um guia perfeito para professores e pessoas que em algum momento não podem freqüentar uma escola; e
3 - Androgonia (O que o homem é), indispensável a todos que querem embasar seus conhecimentos rumo a autorealização.

Palavras do Mestre Sarvananda:

“Yoga é um modo de ser interior e somente sente quem o vive intensamente”.
“A verdadeira imortalidade se encontra na vida interior.”
“Sem a prática da meditação (Dhyana), não há realização, e sem o silêncio interior não há meditação.”

“O tempo real é medido pela intensidade”.
“Evoluir é viver intensamente, e a base dessa evolução está no coração .”
“Harmonia é Ser e não Ter, portanto, é um estado abstrato do homem.”
“O silêncio representa a paz: física, dos pensamentos e das ações”.
"Onde há silêncio, há paz: lá está Deus “.

Fonte clique aqui.

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domingo, 11 de outubro de 2009

DAN BROWN - R.·.E.·.A.·.A.·.

Carta de Dan Brown quando do encontro do REAA nos USA.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

FUSÃO: FUDOSI e ROSACRUZES



Caro (a) amigo (a),

É com alegria que anunciamos a parceria realizada entre os proprietários dos blogs



Dentro de uma série de projetos a serem desenvolvidos pelos idealizadores de ambos os blogs, está a lista recentemente criada no Yahoo! Grupos intitulada Fraternitatis.


Você que já fez parte do antigo Fórum FUDOSI ou da Lista Rosacruzes está sendo convidado agora para retornar.


Caso não esteja nesta condição, está recebendo este nosso e-mail devido alguma indicação. Em todo caso, temos certeza que sua participação é válida. Você receberá o convite nos próximos dias. Fique atento ao seu e-mail.


Forte abraço,
Moderadores


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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

HORTO DE LISIS (1910 - 1921)



Ramo de Ouro

Estâncias ao Peregrino Efêmero I — A CAMINHO DA PERFEIÇÃO

Signo: CÂNCER.

O Último dos Discípulos do Filósofo Desconhecido vai algo recordar ao Peregrino Efêmero.

O Caminho da Perfeição, acidentado e longo, é marginado de tojos.

A flor do tojo abre o matiz do Desespero: é amarela; as hastes espontam acerados espinhos.

O amarelo, ~ o ouro, — é também a côr simbólica da opu-lência material, monetária.

A paixão do bem-estar físico, do luxo, afasta da perfecti-lídade.

Que os felizes de corpo e os felizes de espírito, os que desfrutam e se satisfazem com o utilitarismo do Ocidente e com a cíência do Ocidente, não tentem palmilhar o Caminho da Perfeição!

O Caminho da Perfeição é para os Insatisfeitos de cora-ção e de alma; para os sem conforto e sem alegria; para os in-fortunados; para os que não encontraram resposta às interro-gativas, anelos e anseios do Espírito; para os divorciados do luxuoso e do fútil; para os Insubmissos ao nemrodismo dos Do-minadores; para os que não acharam o elixir de longa vida nos filtros do dr. Fausto, nem a meiguice de Margarida nas suges-tões de Mefistófeles; para os viúvos da Alma Irmã; para os anacoretas da IDÉIA!

Caminhar para a Perfeição é almejar ouvir a Voz do Si-lêncio; é orientar-se para a Vida Imortal; para a Verdadeira Vida.

Longe de ser o atalho do Aniquilamento, é a alfombra de Elêusis.
Raríssimos palmilharão a alfombra, raríssimos ouvirão a Voz do Silêncio: — porque a ronda da Mentalidade não come­çou ainda para a espécie. Só os pioneiros do Novo Ciclo es­cutam a música das Esferas; só os vencedores do Plano-físico entram os áditos da Renúncia.

Aos Instintivos a Renúncia custa; e não vencem o Dra­gão do Ádito.

O Dragão simboliza a ânsia do bem estar material, da vo­lúpia, da luxúria, do conforto da Carne. Renunciar ao gozo, é, para o Instintivo, renunciar à Vida. E, quanto mais afunda no Gozo, mais se afasta de Elêusis, dos hortos da IDÉIA, do Caminho da Perfeição que conduz aos santuários do Espírito.

Quem leva e guia o Peregrino?
O Destino?
Engano! A Vontade.
A Vontade vence, modifica, enflora, domina os Destinos.
Querer, é poder; saber querer, é saber vencer.
Educar a Vontade, purificar as Idéias, é armar-se para a VITÓRIA.

Pelo domínio da Vontade, obtém-se o domínio da Vida.
A Vontade afasta a própria morte, demora-a, retarda-a.
A Morte é a metamorfose das Formas.
As Formas são efêmeras, a Essência é eterna.
Para a eternidade da Essência existe o Âmbito Infinito.
A seiva da Vontade é a Esperança.
A Dúvida exaure, — porque a Dúvida conturba a Von-tade. Duvidar é debilitar-se.
A Dúvida é a agonia do Ser.
Não duvides!
Sempre que duvidares, teu aura far-se-á vulnerável; e as vibrações dos Inferiores penumbrarão a luz de tua Consciência.
Teu aura é tua égide, a armadura que reveste tua alma.
Para que teu aura seja invulnerável, sê PURO.

Conforma-te à lição de Zaratustra: — puro em pensa­mentos, puro em palavras, puro em atos.
A palavra realiza a Idéia; o ato é a materialização do Ver­bo.
O verdadeiro delito contra as Normas, não consiste em praticar a má ação; o verdadeiro delito consiste em pensar mal; porque é o mau-pensamento que engendra a mâ-palavra ou o mau-ato.
Os delitos morais, contra os quais a Civilização não clama, constituem o crime: porque, não efeito, mas causa do crime.

As idéias, os pensamentos, bons ou maus, vivem. Quem gera idéias, gera palavras e atos. Quem gera idéias, fecunda cérebros; quem gera más idéias, fecunda cérebros malmente.
Os geradores de más idéias, são os verdadeiros respon­sáveis dos delitos.

Pensa bem: E, não só ficarás invulnerável ao MAL, como concorrerás para que o BEM aumente.
Ficarás invulnerável, porque, sendo o mal inferior, só po­derá penetrar onde encontre medo ou afinidade.

A VONTADE aniquila todos os contrários; a boa-vontade não é violenta: é serena, suave, consoladora.

Atravessa, Peregrino, as Portas de Ouro, e medita cari­nhosamente 0s Ensinamentos do Mestre.
As Portas de Ouro levam ao ádito do Instituto; no san­tuário fulge a ESSÊNCIA!
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Dario Vellozo - Obras I - Horto de Lisis - Instituto Neo-Pitagórico - Curitiba - PR

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sábado, 5 de setembro de 2009

O MARTINISMO RUSSO




Pelo Amado irmão Ahmad
Fonte: "O Martinismo Tradicional. História - Doutrina - Teurgia"
de Jorge Francisco Ferro


A cadeia dos Superiores Incógnitos na Rússia se remonta à transmissão efetuada pelo próprio Saint-Martin ao mais seleto círculo de seus discípulos reunidos na "Sociedade dos Íntimos" ou dos "Sábios Incógnitos" entre os quais se contavam vários membros da alta aristocracia russa. Assim, foram iniciados por Saint-Martin em pessoa: o príncipe Simeon Worontzor, embaixador russo em Londres; o príncipe Alexis Barisowitz Galitzin, iniciado em 1780 na Suíça; o príncipe Alexander Barisowitz Kurakin e os Condes Norkov e Vasily Nikolaievich Zinoviev; o Professor Universitário Ivan G. Schwartz.

Da última década do século XVIII até a Revolução Comunista de 1917 a cadeia dos S.'.I.'. na Rússia foi composta por membros da família real, sábios, aristocratas, membros do alto clero ortodoxo, escritores, militantes, artistas etc. Entre muitos outros podemos mencionar o príncipe Tcherkasky, o brigadeiro Tchukow, o doutor Bagrinasky, o Conde Alexei Kirilovich Razumovsky, o Barão Scherender etc.

O Irmão Alexander Feodorivich Lebzin foi iniciado em uma das Lojas Martinistas da cadeia de Novikov. Em 1800 foi fundador e Venerável Mestre da Loja "A Esfinge Morrente" (Umiraiuchtch Sfinska) de São Petesburgo. Desta Loja-Mãe emanou, também, sob sua direção outra Loja que praticava o chamado grau "Teoricus" (Teoretichekiai Sobraniaia) dos Rosa+Cruzes alemães, a qual durou desde sua fundação até 1820, aproximadamente. Essa Loja deu origem, por sua vez, às chamadas "Uniões Martinistas" (Martinistkia Shodbchtcha).


A partir de 1910, aproximadamente, começaram a se constituir Lojas de S.'.I.'. tais como a "Leo Ardens" e "São João" em Moscou; "Estrela Nórdica" e "Apolo" em São Petesburgo, além das que existiam naquela cidade; "Santo André" em Kiev; "Delphinus" em Tífflis; "Cruz e Estrelas" ou de "São Vladimir" em Tsarskoie-Sélo no mesmo Palácio Imperial, sendo que seu Grão-Mestre era o Czar Nicolau II. Segundo alguns relatos certo dia na Loja "Cruz e Estrelas", o Czar Alessandro II anunciou à assembléia que "de agora em diante a Irmã e o Irmão Romanoff não poderão assistir mais às reuniões...".


Todos os presentes compreenderam imediatamente que se tratava de uma exigência imposta por Gregory Rasputin, zeloso da influência de Papus e seu "Martinismo" sobre a família real, devido à cura do Czarevich. Como se sabe Papus foi visitar a família imperial russa, onde teve um confronto com Rasputin. Essa foi uma batalha mágica célebre. Papus voltou à França e, mais uma vez, retornou à Rússia, só que dessa vez trouxe consigo Mestre Philippe de Lyon ( Nota Hermanubis – veja a história da vida do Mestre Philippe de Lyon na sessão Biografias do site). Rasputín, dessa vez, levou a pior.


Nessa ocasião o Czarevich foi curado por Mestre AMO. Papus foi à Rússia nos anos de 1901, 1905 e 1906, pois encontrou o ramo da "Sociedade dos Íntimos" constituída por Saint Martin naquele país incólume, o que não havia acontecido na França.



Papus foi reiniciado na tradição de Saint-Martin pelos russos. Nesse meio tempo estabeleceu algumas lojas do recém "Martinismo" criado por ele, o que causou uma desconfiança imediata dos S.'.I.'. russos, que consideravam sua "Ordem" apócrifa e espúria.


Até a revolução de 1917 a cadeia dos S.'.I.'. russos estava organizada em três grupos principais:

1) O Soberano Capítulo "São João Apóstolo" com sede em Moscou, dirigido pelo Fil.'.Desc.'. Piotr Kasnatcheff, hermetista e alquimista, herdeiro da chamada "tradição Novikov" dos S.'.I.'. moscovitas. Possuía o grau de Teoricus dos Rosa+Cruzes de Ouro alemães.

2) O Soberano Capítulo "Apolônio de Tiana" de São Petesburgo, dirigido pelo Fil.'.Des.'. Gregory Otthovich von Mebes, nascido na Suécia e radicado e naturalizado Russo. Este reiniciou a Papus na tradição dos S.'.I.'., sendo que também estabeleceu um grupo Martinista da recém Ordem criada por Papus.

3) O Soberano Capítulo "Santo André Apostólo", dirigido pelo Fil.'.Desc.'. Sergei Marcotun.

Desde a revolução Comunista de 1917 até o ano de 1926 a cadeia dos S.'.I.'. russos foi ignorada. Em 1903 o Irmão Alexander Feodorivich Labzin, S.'.I.'. e Fil.'.Desc.'. propôs o seguinte: "Enquanto a atmosfera da Rússia não seja purificada do absolutismo, as sociedades secretas esotéricas não deverão se manifestar à luz pública, mas continuarão trabalhando sob o véu do segredo a fim de que os Irmãos não tenham que sofrer, no caso de que se desencadeiem novas perseguições.". Fiéis às propostas de Labzin os S.'.I.'. continuaram seus trabalhos, reunindo-se secretamente em grupos pequenos, nos castelos, no campo e nas residências de alguns membros. Desta forma não foram
afetados por novas perseguições.

Desafortunadamente em 1926 o Irmão Boris Astromov rompeu essa prática de silêncio e apresentou a Stálin uma solicitação para legalizar a cadeia da "Sociedade dos Íntimos", aos Rosa+Cruzes russos da Fama Fraternitatis e a outras organizações Iniciáticas. O resultado, como se esperava, foi catastrófico: as Lojas Martinistas e Rosa+Cruzes foram imediatamente fechadas pela Polícia Secreta e seus membros presos.

A primeira vítima fatal foi o próprio Astromov e mais trinta Irmãos Martinistas e Rosa+Cruzes. Todos foram submetidos a processo secreto nos tribunais políticos, sem direito a defesa e todos foram condenados de acordo com o artigo 58 do Código Bolchevique: "Por pertencer a organizações burguesas contra revolucionárias". Muitos foram condenados à morte, outros ao campo de concentração Novamente a Polícia Secreta fez uma investigação e em 1930 detectou novas atividades Martinistas. Desta vez a repressão foi muito mais forte e drástica. Muitos foram fuzilados sem nenhum julgamento. Os que foram levados a julgamento foram condenados a prisão perpétua nos campos de concentração.

Dessa infelicidade houve o caso de uma Irmã, chamada Mariana Pürgoldt, de apenas 27 anos, que faleceu em um campo de concentração, logo após de ter sido presa, por inanição.

Depois de 1930 o trabalho Martinista na Rússia não cessou, apesar das perseguições e a cadeia tradicional foi preservada, ainda que a modalidade operativa havia sofrido grandes mudanças, pois foi reduzida a Irmãos solitários ou a pequenos grupos sem conexão entre si. Por sua parte o Irmão Sergei Marcotun, que foi membro do governo da Ucrânia até 1917 e tratou, por todos os meios, de manter a seu país fora da Revolução Comunista.

O Soberano Capítulo "Santo André Apóstolo" continuou trabalhando até 1920. Exilado na França reagrupou alguns Irmãos de origem ucraniana e russa que haviam fugido da perseguição e fundou o Capítulo "Renascimento" com Carta Patente datada de 22 de dezembro de 1920 dada por Jean Bricaud, Grão-Mestre de uma das tantas "Ordens Martinistas" em que se dividiu a originária depois da morte de Papus.

Posteriormente o nome foi mudado para Capítulo "Santo André Apóstolo nº 2". Na Ata de fundação dessa Loja há uma série de importantes Martinistas da tradição Russa. O fundador desta Loja, Sergei Marcotun, publicou na França dois livros que contém parte das doutrinas dos S.'.I.'. russos, intitulados "A Via Iniciática", Paris, 1956 e "A Ciência Secreta dos Iniciados", Paris, 1928. Durante a ocupação nazista da França, de 1940 a 1945, aproximadamente, o Soberano Capítulo "Santo André Apóstolo, nº 2" se reuniu regularmente.

De 1945 a 1953 este Capítulo funcionou normalmente, mas neste último ano o Fil.'. Desc.'. Marcotun se retirou para a Espanha, sem nomear sucessor. Em 1969 autorizou a um Irmão do Soberano Capítulo "Santo André Apóstolo, nº 2" a reorganizá-lo em herança direta dos Soberanos Capítulos "Santo André Apóstolo, nº2" e "São João Apóstolo" de Moscou com uma Carta Patente emitida no mês de Julho.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DO 1º SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33

A Maçonaria Operativa tinha somente dois Graus: Aprendiz e Companheiro. Mestre não era Grau e sim uma função que competia ao responsável pela construção. Não tinha quaisquer influências da Alquimia, Cabala, Astrologia, Rosacrucianismo, Ocultismo, enfim, de qualquer segmento esotérico como tal hoje, muitos Maçons pretendem que assim seja. Não tinha Templos, as reuniões, como todos sabem, eram realizadas em tabernas. Durante a reunião de Maçons não se abria qualquer Livro da Lei. Não existia o simbolismo das ferramentas.
Os Símbolos eram desenhados no chão com giz ou carvão. Dois Símbolos que já existiam e constam dos Old Charges eram as Colunas que hoje conhecemos como J e B, mas que, naquela época, não portavam no meio de seu corpo as referidas e polêmicas letras que têm e que geram tanta discussão e que também apresentam outros significados simbólicos um tanto diferentes dos que hoje conhecemos. O Escocesismo ou Escocismo é caracterizado por uma série de Ritos que nasceram na França a partir do ano 1649 e que tiveram um desenvolvimento bastante peculiar e sincrético, recebendo as mais variadas denominações e influências, quer filosóficas, morais, bíblico-judaicas, herméticas, rosacrucianas, templárias, políticas, religiosas e sociais, além dos modismos das épocas dos cavalheiros e gentis-homens das monarquias e reinados e também da História da Humanidade, tudo isto acontecendo num período bastante transformador de costumes.
Em 1725 foi criado o Grau de Mestre e em 1738 ele foi acrescentado oficialmente aos dois primeiros Graus e incorporado definitivamente à Ordem. Criaram a lenda de Hiram, a qual sabemos de sobejo não ter compromisso com a realidade histórica ou religiosa e que por sinal ninguém sabe quem foram em realidade seus inventores, mas sabemos que ela levou mais ou menos uns sessenta anos para tomar a redação que hoje conhecemos, bem como suas mensagens ficarem definitivamente consagradas. Se o Grau de Mestre já foi um acréscimo dentro da própria Maçonaria simbólica, achar que os Maçons ficariam satisfeitos com ele sendo o último seria muita inocência nossa.
Enquanto a Maçonaria Inglesa através do seu relacionamento direto com a Igreja Anglicana e com o Estado, permaneceu tradicionalmente ligada à Bíblia, a Maçonaria Francesa numa liberalidade a toda prova, aceitou e adotou uma amálgama de doutrinas de concepções heterogêneas, o que acabou sendo o substrato para o aparecimento dos Altos Graus do Escocesismo ou Escocismo e por continuidade ao Rito Escocês Antigo e Aceito. Se nos ativermos à história do Rito, no início os franceses acompanharam os Modernos das Lojas inglesas, mas começaram a acrescentar progressivamente os Altos Graus. Há quem atribua aos franceses a criação do Terceiro Grau, ou seja o Grau de Mestre.
Alguns autores atribuem um desenvolvimento cronológico na criação dos Altos Graus que seria assim:
seis Graus até 1737,
sete Graus até 1747,
nove Graus até 1754,
dez Graus até 1758,
vinte e cinco Graus até 1801 e daí para frente trinta e três Graus .
Entretanto esta cronologia é rejeitada por outros. Entretanto a história está aí para nos comprovar, pois como todos os franceses foram acrescentando Graus e mais Graus na Maçonaria no decorrer do século XVIII.
A causa da criação dos Graus acima dos três primeiros é ainda um tanto obscura e divergente entre os autores. Poderia ser de fundo político, ou por interesses pessoais ou a colação de títulos cavalheirescos e pomposos, os quais alimentariam a vaidade dos nobres, ou ainda razões espirituais ou até jesuíticas, já que o jesuitismo era ligado aos Stuarts, caracterizando assim uma causa política. Porém com relação às origens aparecem três possibilidades a saber:
a) O famoso discurso do Cavaleiro Ramsay;
b) O Capítulo de Clermont;
c) O Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente.
Conforme alguns autores, ainda considerando as origens do Rito, referem-se a sete categorias a saber:
1º) Graus Simbólicos primitivos e universais;
2º) Graus de desenvolvimento dos Graus Simbólicos e universais;
3º) Graus baseados no Iluminismo do Tribunal da Santa Vingança ou Santa Vehme;
4º) Graus judaicos e bíblicos;
5º) Graus Templários;
6º) Graus Alquímicos e Rosacrucianos;
7º) Graus Administrativos e Superiores.
Entre as lendas do início das origens dos Altos Graus aparece o Cavaleiro de Ramsay (André Michél – 1686-1743), homem erudito, nascido na Escócia, partidário dos Stuarts, protegido do Bispo de Fenelon com ligações em todas as cortes da Europa, ao qual atribui-se ter sido o inspirador da criação dos Graus Superiores e ter ajudado a elaboração dos Graus Simbólicos. O seu famoso discurso que foi escrito em 1737, mas que talvez nunca tenha sido lido em qualquer Loja, ou apresentado em qualquer assembléia de Maçons, podendo até ser apócrifo segundo alguns autores, pois acredita-se que haja pelo menos quatro versões do mesmo, foi distribuído fartamente em todas as Lojas da França e países vizinhos.
Neste documento Ramsay faz apologia que a Maçonaria seria originária dos Templários, o que não é verdade, tece comentários pela primeira vez enfatizando hierarquia na Ordem, proclama o ideal maçônico na Fraternidade e num mundo sem fronteiras, tentando impingir uma falsa antigüidade e nobreza à Maçonaria. Fez uma proposta às Lojas inglesas para acrescentarem mais três Graus aos já existentes (Mestre Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo). A Maçonaria inglesa rejeitou. Estes três Graus teriam sido, segundo Ragon, criados por Ramsay.
Fez uma proposta às Lojas francesas para que se acrescentassem mais sete Graus Suplementares. Também não foi aceito. Mas de qualquer forma a partir daí começaram as introduções templárias e rosacrucianas e os Altos Graus começaram a aparecer. Muitos autores não aceitam este fato, rejeitam a participação de Ramsay. Entretanto, outros, como Ragon, a apóiam. Segundo Paul Naudon, o fato mais importante acontecido após o polêmico discurso de Ramsay, foi a criação do Capítulo de Clermont pelo Cavaleiro de Bonneville em 1754.
Os Irmãos que criaram este Corpo pretendiam continuar os mesmos princípios da Loja de Saint-Germian-en-Laye, fundada muito tempo antes, ou seja, praticar os Altos Graus, criando sete Graus e opondo-se à política da Grande Loja da França, a qual seria posteriormente dissolvida em 24.12.1772. O Capitulo de Clermont teve uma duração efêmera, sua existência foi muito curta, mas valeu pelas conseqüências, pois uma das suas ramificações foi a fundadora do Conselho dos Imperadores do Oriente do Ocidente, Grande e Soberana Loja de Jerusalém, que organizou um Rito de vinte e cinco Graus chamado Rito de Perfeição ou de Heredom. Seus membros, conhecedores de várias tradições místicas e gnósticas antigas, trouxeram para este Corpo Maçônico as influências templárias, rosacrucianas e egípcias, além de se dizerem herdeiros dos Ritos de Clermont e das correntes escocesas de Kilwinning e Heredom.
Estava assim decretada a influência esotérica na Ordem. Em 1762, sob os auspícios deste Conselho, foram publicados os Regulamentos e Constituição da Maçonaria de Perfeição , elaborados por nove comissários (Constituição de Bordeaux em 21.9.1762). A fundação destas potências mencionadas não nos dão conta nem idéia do processo político-maçônico dos bastidores, das desavenças internas, das histórias e estórias relatadas, das perseguições entre os Irmãos, chegando-se até a agressões, dos interesses pessoais, das vaidades de tal forma que quando analisamos os fatos chegamos à conclusão que muita coisa que acontece no presente já aconteceu no passado. Os homens continuam os mesmos.
A Maçonaria mudou mas os homens não mudaram... Em 1761 o Conselho de Imperadores teria fornecido através do Irmão Chaillon de Joinville, substituto Geral da Ordem e mais oito Irmãos da alta hierarquia que também teriam assinado o documento, uma patente constitucional de Grande Inspetor do Rito de Perfeição ao Irmão Etienne ou Stephen Morin, autorizando-o a estabelecer e perpetuar a Sublime Maçonaria em todas as partes do mundo e investindo-o de poderes de sagrar novos Inspetores.
Chegando à Colônia francesa de São Domingos (hoje Haiti), no mesmo ano pôs-se a trabalhar. Há fortes suspeitas de que este documento seja fraudado. Também segundo muitos autores, Etienne teria comercializado estes Altos Graus. Na realidade, o Rito de Perfeição ficou muito mal trabalhado durante mais ou menos trinta anos. Foi esquecido o seu conteúdo esotérico e sua ritualística muito mal usada. Mas de qualquer forma os americanos aceitaram muito bem o Rito, e ainda acharam que os vinte e cinco Graus eram insuficientes para abranger toda a iniciática maçônica.
Morin teria entregue certificados ou carta patente a outros Irmãos e um deles foi um Irmão de nome Henry A. Francken, também de origem judaica, que teria estabelecido o Rito em Nova York. Outro grupo introduziu o Rito em Charleston em 1783. Na mesma colônia francesa São Domingos (Haiti) alguns anos mais tarde apareceram os Maçons, o Conde Alexandre François Auguste de Grasse Tilly e o seu sogro Jean Baptiste Delahogue, os quais posteriormente em 1793 mudaram-se para Charleston. Grasse Tilly já tinha pensado em fundar um Supremo Conselho nesta cidade. Lá encontraram mais dois Maçons: Frederik Dalcho e John Mitchel.
Existem autores que afirmam que foi Dalcho quem teve a idéia de criar mais oito Graus, e existem autores que sustentam que o último Grau foi Grasse Tilly quem criou. Assim começou um trabalho de poucos Irmãos sem serem conhecidos nos Estados Unidos e especialmente no mundo maçônico da Europa, e que culminou com a criação de um Rito, calcado em cima do Rito de Heredom ou de Perfeição. Estes quatro Irmãos e mais seis fundaram o primeiro Supremo Conselho do Mundo em 31.5.1801 na cidade de Charleston.
Só que a partir daí surgiu uma das maiores balelas do Rito nascente que só se tornaria conhecida a partir de 4 de dezembro de 1802, quando foi expedida uma circular comunicando o que havia acontecido e divulgando o sistema de 33 Graus e atribuindo que a sua organização teria sido feita em 1786 por Frederico II da Prússia. A versão dada pelo Supremo Conselho da França refere que Carlos Stuart, filho de Jaime III, o qual sendo considerado como chefe de toda a Maçonaria, conferiu o título de Grão-Mestre a Frederico II, o Grande, rei da Prússia (1712-1786) nomeando-o seu sucessor e como tal também chefe dos Altos Graus. Em 1782 ele confirmava as Constituições e Regulamentos de Bordeaux. E daí a quatro anos ele transferia seus poderes a um Conselho de Inspetores Gerais e, ao mesmo tempo, acrescentava mais oito Graus, e em 1786 publicava sua famosa Constituição.
Entretanto esta versão não tem o menor reconhecimento entre os bons autores maçônicos e entre eles Findel, Ragon, Lindsay Rebold, Thory Clavel e tantos outros. Um deles, Rebold, afirma que Frederico foi Iniciado em 15.8.1738 em Brunswich e que em 1744 a Loja "Três Globos" de Berlim, fundada por artistas franceses, foi por ele elevada à categoria de Grande Loja, da qual foi aclamado como Grão-Mestre, exercendo mandato até 1747. Desta época para frente ele afastou-se da Ordem , e quando apareceram os Altos Graus ele não só não os aprovou, como os combateu.
Eles foram introduzidos na Alemanha pelo Marques de Bernez. Então como aconteceu e por que esta grande mentira? Simplesmente, porque o grupo de dez Maçons que fundou um novo Rito, não tinha o respaldo histórico e credibilidade, para se impor perante o mundo maçônico da época, então foi mais estratégico e cômodo atribuir a fundação, em 1786, do Rito Escocês Antigo e Aceito a Frederico da Prússia, imputando, inclusive, ao Rito uma origem anterior: Frederico gozava de boa reputação política, simpático à causa da separação dos Estados Unidos da Inglaterra, inclusive enviando soldados à América para combater as forças inglesas.
Só que em 1801, Frederico já tinha falecido. O interessante é que até a presente data, muitos Rituais dos Graus Superiores mencionam esta balela . Estava assim fundado no dia 31.5.1801 nos Estados Unidos, o Rito Escocês Antigo e Aceito, calcado numa mentira histórica, aceita ainda hoje em dia como se fora uma verdade intocável.
DOCUMENTOS BÁSICOS DO ESCOCESISMO OU ESCOCISMO
a) O Discurso de Ramsay em 1738;
b) Constituição de 1762, organizada pelo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente;
c) A Patente de Stefhen ou Etienne Morin emitida em 27.8.1761, assinada pelo Irmão Chailon de Joinville e demais autoridades mandatárias dos Graus Eminentes;
d) Os novos Institutos Secretos e Fundamentais que foram atribuídos de forma inverídica a Frederico II e que, apesar de datarem de 1786, foram elaborados, posteriormente;
e) Constituições, Estatutos e Regulamentos para o Governo do Supremo Conselho dos Inspetores Gerais também levando autoria de Frederico II indevidamente;
f) As resoluções do Congresso de Lausane em 1875.
BIBLIOGRAFIA
1. CASTELLANI, José. Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática.
2. PROBER, Kurt. Fredericus II, o Grande e a Maçonaria.
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