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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

ELVIS E YOGANANDA: LEAVES OF ELVIS' GARDEN



Leaves of Elvis’ Garden - Por Larry Geller, amigo pessoal e companheiro nas buscas espirituais



ELVIS E YOGANANDA: LEAVES OF ELVIS' GARDEN

Elvis sentia uma forte atração pelos ensinamentos de Paramahansa Yogananda. Ler e discutir os livros que eu levava, já não era o bastante; Elvis queria mais. E então um dia, durante uma pausa para o almoço nas filmagens do filme “Harum Scarum” na MGM, Elvis se aproximou de mim com a formalidade que frequentemente empregava quando era particularmente sério.

“Lawrence, acredito que estou pronto para ser iniciado em Kriya Yoga; você me iniciará ?”

Eu expliquei que ele deveria seguir sucessivos estágios de meditação por um período de tempo estabelecido e estudar uma série de lições da sede da Self Realization Fellowship. Disse que não era algo a ser levado superficialmente, e que aqueles de nós que foram iniciados, prometeram não encorajar qualquer pessoa a tomar atalhos para as exigências.

“Você não quer que eu quebre meus votos sagrados, quer ? “

Um brilho diabólico surgiu nos olhos de Elvis .

"É claro que não!"

Notando o olhar preocupado em meu rosto, ele riu recompondo-se . “ Estou apenas brincando. Bem, meio brincando. Eu realmente gostaria de saber do que se trata Kriya Yoga. Que acha daquela senhora na Self Realization de que você tem me falado; acha que ela poderia me ajudar?”

A Self Realization Fellowship se desenvolveu, após a morte de Yogananda,  sob a direção de Sri Daya Mata, sua discípula e secretária pessoal. Telefonei para Sri Daya Mata e expliquei o profundo interesse de Elvis em Yogananda e seus ensinamentos, e seu desejo de conhece-la pessoalmente e de ser iniciado em Kriya Yoga.

Certa noite, por volta das nove horas, uma semana após o telefonema, nos dirigimos para o Centro Monástico, ashram localizado em Mount Washington, Los Angeles, acompanhados por alguns companheiros de Elvis.

“Ei, Lawrence, é hora desses caras conhecerem mais além de Hollywood e Memphys”, disse Elvis. “ Eu gostaria de ver algo que os impressionasse”

Elvis sentiu imediatamente uma afinidade especial por Daya Mata, que era bela tanto física quanto espiritualmente, com belos cabelos e muito doce, com uma voz quase infantil. E ela, por sua vez, o amava. Como outros no mundo espiritual, ela sentia um sério propósito por trás das dúvidas de Elvis.

Sri Daya Mata convidou a mim e a Elvis para sua sala de estar no terceiro andar. Após um momento de silêncio, ela virou-se para mim com um brilho especial nos olhos e sorriu carinhosamente. “Larry, gostaria de passar algum tempo sozinha com Elvis se você não se importar.”

Desci as escadas e me juntei aos outros. Quando Sri Daya Mata e Elvis retornaram uma hora depois, Elvis estava radiante. Ele segurava em suas mãos dois volumes encadernados contendo lições e suas instruções para o próximo ano como preparação para sua iniciação em Kriya Yoga.

Quando ele saiu,  com o convite para retornar sempre que desejasse, vários monges estavam alinhados na porta para nos saudar. Uma das irmãs da ordem o presenteou com uma cesta de pêssegos orgânicos cultivados na propriedade. Ele estava visivelmente tocado.

“É muito emocionante”, disse Daya Mata suavemente, “ver alguém tão famoso ter tempo e interesse em nos visitar”

Elvis apertou a mão dela. "Essa é a minha primeira visita, irmã, mas não a última”

E não foi. Elvis foi lá frequentemente e após um curto período deixou de chamá-la de Daya e passou a chamá-la de "mãe". Ele passou muitas noites com ela. Como alguém com a capacidade de conhece-lo, ela o amava por sua bondade essencial. Elvis pensava nela como sua mãe espiritual. Ela viu nele uma essência que era mais profundamente espiritual do ele sabia.

Quando estávamos na limosine, Elvis disse, “ Esse são seus livros pessoais das lições. Ela quer que eu leia uma lição por semana. (“until I go through the wholw thing once”.) Eu juro por Deus, nunca me senti tão bem e não sei por quanto tempo me sentirei. Você estava certo; Daya Mata é algo mais - é como uma santa”

Então ele reconheceu que tinha feito um pedido por um atalho para ser iniciado em Kriya Yoga.

“ Eu a amo! Sabe o que ela me disse ? Ela disse ‘ Não me importo se você é Elvis Presley. Não importa quem você é, quanto dinheiro você tem. Você precisa estar preparado, caso contrário, não irá funcionar.  Não apenas não funcionará, como não posso ir contra o que é certo.”

Priscilla  Presley conta um incidente revelador em seu livro “Elvis pelos Presleys”. Um noite, Elvis e Priscilla visitaram Sri Daya Mata atentendo a seu pedido.

“Além de falar em ingressar em um monastério, ele desejava formar uma comunidade. Ele desejava devotar sua vida a ajudar os outros a se auto realizarem através da disciplina devocional. De fato ele desejava ser um líder da Self Realization Fellowship.  E nesse ponto, Daya Mata foi especialmente sábia."

"Esse nível de espiritualidade mais elevado’, ele teria dito, ‘é o que tenho procurado por toda minha vida. Agora que que sei onde está e como alcançar, eu desejo ensinar. Quero ensinar a todos os meus fãs – em todo o mundo."

" Você diz isso agora, e sei que pretende isso’ ( teria dito Daya Mata ). ‘ Mas amanhã você acordará e se lembrará que é umentertainer. É um trabalho maravilhoso. E no seu caso, é duplamente importante por causa da ligação entre você e seus fãs. Mas o trabalho de um entertainer é diferente do trabalho de um professor espiritual. Não é melhor nem pior. Simplesmente diferente. A paz interna que você busca pode ser sua não importa qual seja seu trabalho".

Elvis ouviu. Ele tinha um enorme respeito por aquela mulher. Parte dele entendeu o que ela estava dizendo. Mas parte dele - a parte impaciente – queria outra resposta. Ele queria evolução instantânea. Habituado a ter tudo o que queria, quando ele quis isso foi emocionalmente difícil para ele ver porque isso seria diferente.

Ao mesmo tempo, ele foi capaz de ser inteiramente honesto com Daya Mata. Ela foi, talvez, a única pessoa que entendeu a enormidade dos medos de Elvis. Ela compreendeu pois ele disse a ela. A pressão de se manter sob os holofotes, mantendo sua popularidade e sendo amável com seus fãs – isso sem falar no agente que o ajudou a estabelecer sua fama – “was gut wrenching”.

Através do resto de sua vida, Elvis manteve sua conexão com Daya Mata, frequentemente solicitanto seus conselhos e orientações. Quando seu casamento com Priscilla teve fim em 1972, ele perguntou se poderia vê-la particularmente.

“Não há o que se possa esconder dela, Lawrence, isso é certo”, me disse mais tarde. 

"No minuto que entrei em seu aposento ela sabia exatamente como eu estava. Sentamos juntos por um tempo, sem falar quase nada e então meditamos. Ela sabia que eu estava sofrendo sem dizer uma unica palavra e ela não me julgou ou me fez perguntas; apenas segurou minhas mãos. Foi tão belo, como se estivesse me dando amor e força com seus olhos e seu toque.

É claro que ela não me deixou sair ileso. Ela disse que minha mente e meu espírito ficariam bem, enquanto eu meditasse e aumentasse minha calma, mas ela estava preocupada pois eu estava negligenciando meu corpo. Prometi que trabalharia nisso, mas vamos ser francos, é uma área onde preciso de alguma ajuda muito séria.

Eu gostaria de vê-la de novo, mas sei que ela não pegaria leve comigo por eu não estar fazendo o que ela esperava que eu fizesse.”

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Em tempo: 
Alguns daqueles amigos que acompanharam Elvis Presley desde a sua primeira visita à SRF, tornaram-se kriyabans.

Segundo esta e outras biografias, o agente do Elvis conhecido como "coronel" e que exercia uma influência quase incompreensível sobre o astro, foi quem o forçou a interromper seu aprofundamento espiritual. Isto teria sido um dos motivos pelos quais Elvis passou negligenciar sua saúde e experimentar a depressão.
Leaves of Elvis’ Garden é ilustrado com várias fotos de Sri Daya Mata, da SRF e do Guruji. Inclusive de um monge velhinho (swami Adholp) cuja companhia o Elvis apreciava muito!
Quem ainda não viu o documentário sobre a vida dele, filmado em parte no Lake Shrine, eis o link:
Jai guru Jai Ma!
Mônica

domingo, 4 de maio de 2014

QUEM FOI LEO ALVARES DE MASCHEVILLE?


LEO ALVARES DE MASCHEVILLE
Sri Sevanãnda Swãmi
Adaptado do original de Swami Sarvanãnda

Como todos sabemos foi em Fevereiro de 1910 que desembarcaram em Buenos Aires , vindos de Paris, Albert Raymond Costet de Mascheville, sua esposa e seu filho, Leo Costet de Mascheville, então com 10 anos. A família Mascheville teve um papél importante na implantação e desenvolvimento do Martinismo na América do Sul.

Albert Raymond , visconde de Mascheville, violinista , dava concertos em vários teatros conhecidos de Paris , quando em 1892 foi iniciado na "Ordem Martinista" por Sedir e recebeu naquela ocasião o nome místico de CEDAIOR e nome esotérico SDR/2H , ou seja , foi o oitavo discípulo iniciado por Sedir.

Em 1895 já S.I. , foi nomeado por Papus, Delegado Especial do Supremo Conselho da Ordem Martinista, conhecendo vários personagens importantes do movimento esotérico da época tais como:Péladan , Barlet, Oswald Wirth, Lermina e outros. É enviado no final do século ao Egito em missão especial da "Ordem Martinista" e da "Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix" para entrar em contato com certas fraternidades de lá e realizar estudos sobre o simbolismo e sobre cerimoniais iniciáticos. Percorre desde Damieta e Alexandria até Karnak, tendo permanecido longo tempo no Cairo , onde sua amizade com Mariette-Bey , então conservador do museu do Cairo , o serviu muito. 

O resultado destes estudos foram analisados por Sedir e Papus , permitindo melhor documentar certos pontos da antiga estrutura dos Templos e de seus ensinamentos. Portanto quando chega a Argentina com a família já trazia uma bagagem de realizações no campo do esoterismo. Após residir alguns anos na Argentina muda-se na década de 20 para o Brasil fixando residência em Porto Alegre.

No final de 1924 , chega ao Brasil , seu filho Leo Alvarez Costet de Mascheville, após uma estadia de anos na Europa, onde além de prestar serviço militar na França , recebeu do pai a missão de observar o estado da Ordem Martinista e Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix na Europa. No final da década de 20 a família muda-se para Curitiba onde Leo, conhecido como "Jehel" nos meios martinistas e mais tarde como Sri Sevânanda Swami, insiste na revivificação da Ordem Martinista.

Então pai e filho, organizam mais amplamente o Martinismo, Em 1936 "Jehel"recebe do pai o cargo de Presidente da Ordem Martinista. Em 1939, "Jehel" reorganiza a Ordem Martinista da América do Sul, em Porto Alegre, fundando uma loja central com o nome de CEDAIOR.

Jehel estudou Kabbala, Krishnamurti, aprendeu a magia cerimonial e a Alquimia, estudou Martinismo, Yoga e era um Astrólogo exímio. O Dom da palavra lhe fluía elegantemente dos lábios e gostava de um copo de um bom vinho a conversar, como bom francês que era. Tinha excelente humor, respeitava as gestantes que, para ele, estavam perto do Pai, pois doadoras de vida. Mas seus olhos sabiam faiscar, quando necessário. 

Em torno de 1932, transferiu-se para o Uruguai, instalando-se em Montevidéu, onde fundou o GIDEE (Grupo Independente de Estudos Esotéricos), trazendo junto a Ordem Martinista, da qual era ele o Presidente. Criou também a revista "La Iniciación", que continha e refletia toda a abundância dos elevados conceitos e ensinamentos, que, no GIDEE, se ensinava por um.grupo de colaboradores sob sua direção; verdadeira universidade esotérica e espiritualista transcendental: Sufismo, Yoga e Yogaterapia, Kabbala, Cristianismo Esotérico, Ciências Herméticas, Astrologia e Astrosofia, Filosofia Transcendental, Alimentação, todas as matérias do Martinismo e da Rosa-Cruz. Curas Místicas sob a orientação do Mestre Philippe de lyon, Budismo e Gnose. 

Foi membro de diversas Ordens e Fraternidades ocultas do Oriente e Ocidente. 

Mas, como tudo que é nascido na intensidade, que com o Amor se desgasta no Amor do coração, o GIDEE se desmorona: tinha chegado o fim de seu ciclo de existência vital. Logo passou fome ao lado de sua companheira Louise, com a qual continuou trabalhando após o falecimento de Lotúsia, à vender apólices de seguros de porta em porta, nas ruas de Montevidéu... 

Pouco tempo depois e em comum acordo, separaram-se e Sri Sevãnanda passa a trabalhar junto à sua nova companheira, SÁDHANA, mais apta para sua nova etapa de ação e de iniciador. Encerra as atividades no GIDEE, liquida o passado, e vendem as posses de Sádhana para adquirir um trailer e um jipe. 

Veio um senhor de idade para lhe entregar um pequeno baú que continha o acervo cerimonial, intelectual e místico de uma antiga e venerável sociedade dos Himalaias, o Suddha Dharma Mandalam, pondo-o em contato com seu "Iniciador Externo", o Guru Subrahmanyananda, de quem recebe a Iniciação e Ordenação como membro da Ordem dos Swãmis de Sri Sankaracharya, com o nome de "Sevãnanda". Foi incumbido, pelo mesmo Guru, a assumir a função de "Iniciador Externo" e de ser seu sucessor no Suddha Dharma. 

Ainda em Montevidéu, fundou a "Associação Mística Ocidental", sob a direção do Mestre Philippe de lyon, escola que se tornou um centro de União de Correntes Espirituais: Essênios, Suddha Dharma Mandalam, Rito Egípcio de Osíres, Ramakrishna Ashrama, Kriya Yoga, Yoga Ashrama, Comunidade Sufi, Satyauraha Ashrama, Ordem Martinista, Maitreya Mahasangah, Ordem Cabalística Rosae Crucis, Departamento do Verbo, Zen Boddhi Dharma, e Igreja Expectante, com contatos com os representantes de quase todas essas correntes. 

Antes de mais um deslocamento, escreveu seu livro “Yo que caminé por el mundo...", o qual contém a síntese de sua doutrina pessoal, reeditado em português por seus Discípulos no Brasil. 

Em junho de 1952 partem, Sevãnanda e Sádhana, dirigindo o jipe puxar a "Ermida do Serviço", rumo norte a atravessar o Uruguai e Brasil, parando em todas as cidades visitadas e dando palestras públicas a divulgar sob o lema "O sacrifício de Jesus e de Gandhi nos unem à todos". 

Em fins de 1953 chegam à Resende, RJ, onde ganham um terreno de 12 hectares e instalam o "Monastério AMO-PAX". Ashram de Sarva Yoga e Mosteiro Essênio, inaugurado numa singela cerimônia na meia noite do dia 19/20 de novembro de 1953, sob insistente chuva, perante 22 presentes e um cachorro, como faz questão de ressaltar seus discípulos. 

Os primeiros meses foram difíceis e de intenso trabalho, quase sem apoio algum, ao instalar uma necessária infra-estrutura material de sobrevivência. Mas novos Discípulos se apresentam como candidatos a residentes, e assim a comunidade cresce. A "Associação Mística Ocidental" serve de Via para a preparação interior e a correspondência com diversos representantes das correntes que constituem a associação, do oriente e do Ocidente, se instala, notadamente com o Mahatma Gandhi, que nomeia Sri Sevãnanda seu representante para o Brasil, com Discípulos do Mestre Philippe da Europa e com Paramahansa Yogananda, assim como Lobsang Rampa, que naquele tempo se encontrava na Inglaterra. 

O Ashram se torna conhecido no Brasil inteiro, e visitantes começam a chegar também do Exterior. Jocosamente o Mestre se refere ao Ashram como a um "restaurante onde cada um dos residentes recebe o alimento que lhe agrada..., mas pena que não sabem comer!". 

E, no teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro, Sri Sevãnanda anuncia, perante mais de 1500 pessoas, convidadas individualmente, a criação da "Ordem dos Sarva Swãmis", que mais tarde ele mesmo comenta assim: "O continente latino-americano possivelmente ainda não percebeu a real importância que há de ter um dia, por todos esses países, aquela proclamação de Sarva Yoga e da Ordem dos Sarva Swãmis." 

Os dias são longos no Ashram: começam às 4 da madrugada e terminam, após ininterrupto trabalho, às 21 horas, ou mais tarde ainda, com o direito a uma hora de sono a mais aos domingos. o aprendizado é vigoroso sob a atenção de quem sabe o que faz: treinamentos da Via de Gurdjieff se revezam com as práticas da via do Maltre Philippe e do Suddha Dharma, com treinamentos e práticas Martinistas e danças dos derviches Sufis, e exercícios de Budismo Zen. 

Com algumas vocações que se destacam, e que constituem a continuação viva de sua via de ensinamentos, o Ashram de Resende encerra suas atividades em junho de 1961. Os Residentes se dispersam, e um pequeno grupo segue com o Mestre para-a cidade de Lajes-SC, onde é fundado o "Retiro Alba Lucis", em um sítio de Discípulos. Terminada esta etapa cíclica septenária com a principal missão cumprida: o prolongamento da Obra por meio de alguns poucos, homens e mulheres por ele preparados, para prosseguir. Foi em Lajes onde o Mestre escreveu sua principal obra, "O Mestre Philippe, de Lyon", em quatro volumes, que hoje é considerado uma obra rara.

Terminada esta tarefa (edição dos quatro volumes), o Mestre transfere sua vida para a cidade de Belo Horizonte, onde é fechado o circulo cíclico de sua vida, passando a se ocupar com alguns dos seus mais próximos e sobrevivendo materialmente com a venda de apólices de seguro e da importação de objetos ornamentais, trazidos da Argentina. 

A viagem à França, pouco antes da instalação em Lajes, transformou totalmente e definitivamente seu posicionamento de Homem e de Iniciado: a influência do Maitre Philippe o conquistara, impelindo-o a se afastar das tradições orientais. 

Numa pequena chácarazinha, a vinte minutos de Belo Horizonte, viveu seus últimos dois anos, sob os cuidados de sua Enfermeira, Anjo Guardião e fiel Discípula Sévaki. Sua saúde de alterou rapidamente; o Mestre não mais recebia visitas, excetuando alguns poucos Discípulos. 

As últimas semanas foram de grande sofrimento, a sua doença avançando rapidamente. Durante este breve tempo, o Mestre fez, certamente, a síntese de sua vida, se preparando para a partida. 

Fonte: Hermanubis Martinista


domingo, 1 de maio de 2011

NICOLAS IVANOVICH NOVIKOV



NICOLAS IVANOVICH NOVIKOV
Um dos fundadores do Martinismo 
por Robert Ambelain


Nicolas Ivanovich Novikov nasceu em 7 de maio de 1744 em Avdotino, perto de Moscou, e morreu nesse mesmo local em 12 de agosto de 1818, aos 74 anos.

Escritor russo que entrou na história, fundador de vários jornais satíricos (O Bordão, 1769-1770; O Pintor, 1772-1773; A Bolsa, 1777), foi um dos mais corajosos representantes da crítica social no reinado de Catarina II e chamou a atenção sobre a miséria do camponês russo. Diretor do diário As Notícias de Moscou a partir de 1779, foi também um dos introdutores da Franco-Maçonaria na Rússia, sendo por isto mesmo condenado à morte em 1792. Esta condenação foi comutada em quinze anos de detenção na fortaleza de Schlüsselburg. Novikov foi libertado em 1796, quando da elevação do Tzar Paulo I, um imperador muito liberal e dos mais progressistas, a quem retornaremos um dia, pois ele foi, muito provavelmente, um de nossos irmãos martinistas. Franco-maçom (ele foi levado à Maçonaria por seu amigo, o príncipe Kurakin), foi a esse título que avocou a si a libertação de seu irmão Novikov.

Tão logo foi libertado, este último renunciou a qualquer atividade literária. Ele havia então publicado importantes coletâneas de documentos sobre a história da cultura nacional, em particular uma Biblioteca Russa (1773-1784). Fora, por outro lado, o autor de brochuras e de livros destinados a erguer o nível moral da nação, pelo menos em intenção dos russos que sabiam ler, porque nesta época seu número não passava de alguns restritos milhares: comerciantes, burgueses, nobreza.

Como homem prático, havia instituído toda uma série de escolas populares, abrindo em seguida gráficas onde fazia imprimir manuais para essas escolas, assim como outras obras instrutivas e morais que custavam apenas alguns copeques, e às vezes absolutamente nada. Depois organizou hospitais, mas como uma parte ínfima da população podia aproveitá-los, estabeleceu farmácias que forneciam gratuitamente aos indigentes os remédios exigidos por seu estado. Fez ainda surgir em diferentes bairros de Moscou sociedades de benemerência e criou esta importante sociedade que tinha por objetivo fornecer pão e víveres de primeira necessidade aos pobres dos vastos territórios da Rússia, no caso, bastante freqüente, de más colheitas. Eis aí uma tarefa que, antes dele, nenhum homem, agindo a título privado, havia conduzido com sucesso. Deve-se admitir que a imensa fortuna de alguns de seus irmãos, os martinistas e os franco-maçons russos, permitiram-no fazer. Foi assim que o discurso que pronunciou na abertura desta última instituição foi bastante inspirado e convincente a ponto de levar um rico negociante de Moscou a remeter-lhe vários milhões de rublos.

No antigo Museu Rumjansov, em Moscou, encontram-se as jóias e paramentos dos maçons e dos martinistas russos da época. Em sua obra Louis-Claude de Saint-Martin, Papus confirma havê-los examinado quando de sua primeira viagem a esta cidade. Encontravam-se lá, igualmente, alguns desses relatórios chamados "penitências", que os membros da Rosa-cruz russa, oriunda da Rosa-cruz Áurea fundada na Alemanha em 1570, deviam fazer chegar periodicamente aos Superiores da Ordem. Segundo Pypin, em um desses documentos, Novikov exprime-se assim:

"Com um coração verdadeiro e puro, reconheço que não compreendi o sentido das preciosas colunas sobre as quais repousa a Ordem Sagrada, ou seja, o amor a Deus e ao próximo, ou melhor, que o compreendi mal, pensando que o homem era em si capaz de amar a Deus e ao seu próximo. Estava mesmo tão cego que acreditava cumprir os mandamentos de Deus; mas agora, agradeço com lágrimas ao meu Salvador, por haver-me permitido ver e reconhecer minha cegueira. Ele me fez compreender e sentir que o amor é um dom de Deus, que ele outorga aos seus santos. Há momentos em que eles experimentam do amor ao próximo e têm a firme persuasão de amar igualmente a Deus. Mas esses minutos são passageiros...".

Em seus escritos, Nicolas Novikov ergueu-se com determinação contra os jesuítas. Ora, na época eles contavam com o favor e a proteção de Catarina II. Além do que o conjunto iniciático constituído por Novikov e seus amigos Schwartz, Galitzin, etc., compreendia três
etapas:

a. o Martinismo, onde estudava-se de maneira simplesmente didática o conjunto das ciências ditas ocultas (astrologia, magia, alquimia) e os ensinamentos de L.C. de Saint-Martin, levados à Rússia pelos amigos russos do Filósofo Desconhecido;

b. a Estrita Observância Templária, vinda da Alemanha e no seio da qual existiam grupos secretos nos quais praticava-se o ensinamento teórico precedente;

c. a Rosa-cruz, oriunda da Rosa-cruz Áurea alemã, fundada em 1570, e no seio da qual estudavam-se as doutrinas iniciáticas tradicionais: gnose Alexandrina, cabala hebraica, paganismo eslavo.

Sem se darem conta, o clero ortodoxo e os jesuítas desencadearam uma ofensiva contra esse conjunto e seus dirigentes. Sabemos bem o que aconteceu depois. Uma associação de homens afortunados, apaixonados pelos ensinamentos de um homem como L.C. de Saint-Martin, ardente defensor da Revolução Francesa em sua célebre carta, não podia deixar de atrair acusações. Elas não faltaram. Seus membros foram colocados sob a suspeita de exigir de seus aderentes e por escrito uma declaração contrária a todos os princípios dos estados monárquicos; que se esforçavam para conquistar a boa vontade do povo distribuindo víveres e medicamentos; que escondiam em seus lares todo um arsenal destinado a armar uma tropa facciosa.

Foi assim que as prevenções tomaram corpo. O chefe de polícia recebeu ordem de cercar as casas e efetuar perquirições. Não eram encontrados nem canhões nem grandes quantidades de pólvora. Mas como eram todos eles grandes caçadores, naturalmente possuíam fuzis e carabinas, além de pistolas para as saídas noturnas. E tudo isto bem à vista. Pois foi o suficiente para sustentar as acusações, e nossos irmãos martinistas e maçons foram lançados às celas geladas da fortaleza de Schlüsselburg, pés e mãos acorrentados, na primavera de 1792. Só viriam a sair de lá em 6 de novembro de 1796, por um decreto de seu irmão, o Tzar Paulo I. Haviam lá permanecido cerca de cinco anos... No entanto, e para sermos justos, acrescentemos que (condenados à morte pelos tribunais, viram suas penas comutadas em quinze anos de detenção por Catarina II), isto provavelmente salvou-lhes a vida, pois não se vivia quinze anos nas celas de Schlüsselburg.