sexta-feira, 15 de abril de 2022

O MISTÉRIO DO GÓLGOTA

 



O MISTÉRIO DO GÓLGOTA

 

Durante os últimos 2.000 anos, muito se tem escrito sobre o "sangue purificador". O sangue de Cristo tem sido exaltado nos púlpitos como o soberano remédio do pecado, como o único meio de salvação e redenção.

Se, de acordo com as Lei do Renascimento e de Conseqüência, os seres evolucionados colhem do que têm semeado e, por outro lado, o impulso evolutivo está constantemente elevando a humanidade até alcançar a perfeição, onde está a necessidade de redenção ou de salvação? E, ainda que essa necessidade existisse, como pode a morte de um indivíduo ajudar os outros? Não seria mais nobre cada um sofrer as conseqüências dos próprios atos do que escapar-se atrás do outro?

Eis algumas objeções à doutrina da redenção dos pecados por meio da substituição e da redenção pelo sangue de Cristo-Jesus. Iremos dar-lhes resposta antes de demonstrar a lógica e a harmonia existente na Lei de Conseqüência e na expiação de Cristo.

Em primeiro lugar, é absolutamente certo que o impulso evolutivo tem em vista levar todos os seres à suprema perfeição. Contudo, alguns estão ficando para trás. Atualmente, estamos ultrapassando o extremo ponto de materialidade e passando através das dezesseis raças. Ao percorrer os "dezesseis caminhos de destruição", estamos em grave perigo de atrasar-nos, muito mais do que em qualquer outro momento da jornada evolutiva.

Considerando em abstrato, o tempo nada é. Certo número de entidades pode ficar tão atrasado que tenha de ser abandonado. E prosseguirá sua evolução em outro plano evolutivo, onde possa continuar sua jornada para a perfeição. Todavia, originalmente, essa evolução não foi projetada para elas. É razoável supor que as exaltadas Inteligências encarregadas da nossa evolução empreguem todos os meios para vitoriosamente conduzir as entidades a seu cargo, tantas quanto lhes seja possível.

Na evolução ordinária, as leis do Renascimento e de Consequência são perfeitamente adequados para conduzir à perfeição a maior parte da onda de vida, mas, no caso dos atrasados das várias raças que têm ficado para trás, não são suficientes. Durante o estado de individualização, o pináculo da separatividade ilusória, toda a humanidade necessita de ajuda extra, mas os atrasados necessitam ainda de um auxílio especial.

Para conferir esse auxílio especial, a fim de redimi-los, foi preparada a missão de Cristo. Ele disse que tinha vindo buscar e salvar os que estavam perdidos. Abriu o caminho da Iniciação para todos os que quisessem alcançá-lo.

Os que levantam objeções à doutrina da expiação dizem: é covardia esconder-se atrás de outrem; cada homem deve assumir as consequências dos próprios atos.

Consideremos o seguinte caso. As águas dos Grandes Lagos afluem ao rio Niágara. Este enorme volume de água corre rapidamente para as cataratas, sobre um leito coberto de rochas, numa extensão de vinte milhas. Se uma pessoa vai além de certo ponto e não perde a vida nos redemoinhos vertiginosos, perdê-la-á indubitavelmente ao cair na catarata.

Suponhamos que um homem, cheio de piedade pelas vítimas da corrente, resolvesse colocar uma corda sobre a catarata, ainda que soubesse serem tais as condições que não poderia depois escapar com vida. Apesar disso, de seu próprio gosto e livremente, sacrifica sua vida e coloca a corda, modificando o estado de coisas primitivo. As vítimas abandonadas podem agarrar-se à corda e salvar-se.

Que pensaríamos de uma homem que, tendo caído na água devido à sua falta de cuidado e estivesse lutando furiosamente contra a corrente, exclamasse: "Como? Salvar-me e procurar ao castigo que a minha falta de cuidado merece? Amparar-me no sacrifício de quem sofreu sem culpa alguma e deu sua vida para que outros pudessem salvar-se? Não, nunca! Isso não seria digno de "homem"! Assumirei as consequências dos meus erros"!

Não concordaríamos que esse homem deveria estar louco?

Nem todos necessitam de salvação. Cristo sabia que um grande número não necessitaria salvar-se dessa maneira. Porém, tão certo como noventa e nove por cento se deixa conduzir pelas leis do Renascimento e de Conseqüência e por essa forma alcança a perfeição, assim os "pecadores" se submergiram tanto na corrente do materialismo que não lhe poderiam fugir sem aquela ajuda. Cristo veio para trazer paz e boa vontade a todos, e para salvar esses pecadores elevando-se ao ponto necessário de espiritualidade, produzindo uma modificação em seus corpos de desejos que tornará mais forte a influência do Espírito de Vida em seu coração.

Os irmãos menores de Cristo, ou Arcanjos, tinham trabalhado, como Espíritos de Raça, no corpo de desejos do homem. Sua obra foi efetuada de fora. Era uma força solar espiritual refletida através da Lua, tal como a luz lunar é o reflexo da luz solar. Mas Cristo, o Maior dos Iniciados dos espíritos solares, influenciou nossos corpos de desejos de dentro ao entrar diretamente no corpo denso da Terra, trazendo consigo a força solar direta.

Se o homem encarasse o Sol durante muito tempo ficaria cego, porque as vibrações da luz solar são tão fortes que destruiriam a retina do olho. Mas pode olhar sem temor a Lua, porque tem vibrações muito mais fracas. A Lua absorve as vibrações fortes do Sol e reflete as restantes sobre nós.

O mesmo acontece com os impulsos espirituais que ajudam a evolução do homem. A Terra foi arrojada do Sol porque a humanidade não podia suportar seus tremendos impulsos físicos e espirituais. Apesar de encontrar-se a tão grande distância do Sol, o impulso espiritual seria ainda demasiado forte se não fosse enviado primeiramente à Lua para que Jeová, o Regente da Lua, o empregasse em benefício do homem. Certo número de Arcanjos, (espíritos solares comuns) seguiram com Jeová, como auxiliares, para refletirem esses impulsos espirituais do Sol sobre a humanidade da Terra, em forma de religiões de Jeová ou de raça.

O veículo inferior dos Arcanjos é o corpo de desejos. Nosso corpo de desejos foi obtido no Período Lunar, que tinha Jeová como Iniciado mais elevado. Portanto, Jeová pode tratar do corpo de desejos do homem. O veículo inferior de Jeová é o Espírito Humano e sua contraparte é o corpo de desejos. Os Arcanjos são seus auxiliares e têm o poder de administrar as forças espirituais do Sol. Trabalham e preparam a humanidade até chegar o tempo em que receba os impulsos espirituais diretamente do Sol, sem intervenção da Lua. Cristo, o Iniciado mais elevado do Período Solar, tem a seu cargo a tarefa de enviar esse impulso. Jeová, ao refleti-lo, preparou a Terra e a humanidade para a admissão direta de Cristo.

A expressão "preparou a Terra" significa que toda evolução num planeta é acompanhado pela evolução do próprio planeta. Se algum observador, localizado em alguma estrela distante e dotado de visão espiritual, tivesse contemplado a evolução da Terra, teria notado uma mudança gradual em seu corpo de desejos.

Sob a antiga dispensação, o corpo de desejos humano era aperfeiçoado por meio da lei. Ainda é desse modo que a maioria se prepara para a vida superior.

A Vida Superior (Iniciação) só tem início quando começa o trabalho no corpo vital. O meio empregado para pô-lo em atividade é o Amor ou, melhor dito, o Altruísmo. Tem-se abusado tanto da primeira palavra, amor, que já não sugere o significado aqui requerido.

Durante a antiga dispensação, o caminho da Iniciação não estava aberto para todos, e, sim para uns poucos. Os Hierofantes dos Mistérios escolhiam certo número de famílias. Eram levadas ao Templo, postas à parte das demais e guardavam rigorosamente certos ritos e cerimônias. Seus casamentos e relações sexuais eram regulados pelos Hierofantes.

Disso resultou uma raça que tinha o grau apropriado para separar o corpo vital do denso e o poder de despertar o corpo de desejos, durante o sono, do seu estado de letargia. Deste modo, alguns foram postos em condições para a Iniciação, dando-se-lhes oportunidades que não podiam ser concedidas a todos. Como exemplo, entre os Judeus, encontramos a tribo de Levi, escolhida para prestar serviços no Templo. Entre os hindus, a única classe sacerdotal é a casta dos Brâmanes.

A missão de Cristo, além de salvar os que estavam perdidos, foi tornar possível a Iniciação para todos. Jesus surgiu do povo comum, não foi um levita, classe para quem era uma herança o sacerdócio. Ainda que não surgisse de uma classe de instrutores, seus ensinamentos foram superiores aos de Moisés.

Cristo-Jesus não negou Moisés, nem a Lei, nem os profetas. Pelo contrário, confirmando-os, demonstrou ao povo que eles, ao indicarem Aquele que deveria vir, foram seus predecessores. Disse ao povo que tais coisas já tinham servido aos seus propósitos e que, para o futuro, o Amor deveria suceder à lei.

Cristo-Jesus foi morto. Relativamente à sua morte, há uma diferença fundamental e suprema entre Ele e os antigos instrutores, em que se manifestaram os Espírito de Raça. Tais instrutores morriam e deviam renascer uma e outra vez, para ajudar os seus povos no cumprimento de seu destino. Moisés, em quem se manifestou o Arcanjo Miguel (o Espírito de Raça dos Judeus) foi conduzido ao Monte Nebo, onde deveria morrer. Moisés renasceu como Elias, e Elias voltou como João Batista. Buda morreu e renasceu como Shankaracharya. Shri Krishna disse: "onde quer que decai Dharma... e... surge uma exaltação de Adharma, então Eu mesmo venho para proteger o bem e destruir os que fazem o mal, para salvaguardar o firme restabelecimento de Dharma. Eu nasço de tempos a tempos".

Quando chegou a morte, o rosto de Moisés brilhou e o corpo de Buda iluminou-se. Todos eles tinham chegado ao estado em que o espírito começa a brilhar de dentro e, então morreram.

Cristo-Jesus chegou a esse estado no Monte da Transfiguração. É sumamente significativo que Seu trabalho real teve lugar depois desse acontecimento. Ele sofreu, foi morto e ressuscitou.

Ser morto é mui diferente de morrer. O sangue, que tinha sido o veículo do Espírito de Raça, devia fluir e ser purificado de toda influência contaminadora. O amor ao pai e à mãe, com exclusão de todos os demais pais e mães, devia ser abandonado. De outra maneira, a Fraternidade Universal e o Amor altruísta que a todos abarca não poderiam jamais converter-se em fatos reais.

O SANGUE PURIFICADOR

Quando o Salvador, Cristo-Jesus, foi crucificado, seu corpo foi ferido em cinco lugares, nos cinco centros por onde fluem as correntes do corpo vital. A pressão da coroa de espinhos produziu um fluxo no sexto centro também. (Isto é um vislumbre para os que já conhecem essas correntes. Uma explicação ampla não pode, por enquanto, ser dada publicamente).

Quando o sangue fluiu desses centros, o grande Espírito Solar, Cristo, libertou-se do veículo físico de Jesus. Encontrando-se na Terra com Seus veículos individuais, compenetrou os veículos planetários, já existentes e, num abrir e fechar de olhos, difundiu Seu próprio corpo de desejos pelo planeta, o que permitiu, dai para diante, trabalhar sobre a Terra e sobre a humanidade, de dentro.

Naquele momento, uma poderosa onda de luz espiritual solar inundou a Terra. O véu do Templo rompeu-se, o véu que o Espírito de Raça tinha colocado ante o Templo, para resguardá-lo de todos, menos dos poucos escolhidos. Desde aquele tempo, o caminho da Iniciação ficou aberto para quem nele queira entrar. Subitamente, como um relâmpago, essa onda transformou as condições da Terra no que diz respeito aos Mundos Espirituais. As condições densas e concretas, obviamente, são afetadas muitos mais lentamente.

Como toda vibração rápida e intensíssima de luz, o brilho fulgurante dessa grande onda de claridade cegou o povo. Por isso diz-se que "o Sol se obscureceu". O acontecido foi precisamente o oposto: o Sol não se tornou obscuro. Ao contrário: brilhava com glorioso esplendor. Foi o excesso de luz que ofuscou o povo. Quando a Terra absorveu o corpo de desejos do brilhante Espírito Solar, a vibração baixou a uma intensidade mais normal.

A expressão "o sangue purificador de Cristo-Jesus" significa que o sangue que flui no Calvário está ligado ao Grande Espírito Solar, Cristo. Por esse meio, assegurou sua admissão na própria Terra e, desde aquele momento, é seu Regente. Difundiu seu próprio corpo de desejos por todo o planeta, purificando-o de todas as baixas influências desenvolvidas sob o regime do Espírito de Raça.

Sob a Lei, todos pecavam e, mais ainda, não podiam ser ajudados. Não se tinham desenvolvido até o ponto de poderem agir com retidão, por Amor. Era tão forte a natureza de desejos que se tornava impossível dirigi-la. As dívidas contraídas sob a Lei de Conseqüência tinham tomado proporções colossais. A evolução ter-se-ia demorado terrivelmente e muitos perderiam nossa onda de vida se não fossem ajudados.

Por tais motivos, Cristo veio para "buscar e salvar os que estavam perdidos". Limpou os pecados do mundo com o seu sangue purificador, o que lhe permitiu entrar na Terra e na humanidade. A Ele, ao fazer essa purificação, devemos a possibilidade de atrair para os nossos corpos de desejos matéria emocional mais pura do que antes. Ele continua trabalhando para ajudar-nos, tornando o ambiente que nos rodeia cada vez mais puro.

Que isto se efetuou e continua realizando-se à custa de um grande sofrimento para Ele, é coisa que ninguém pode duvidar se for capaz de formar a mínima idéia das limitações suportadas por esse Grande Espírito ao entrar nas restritivas condições da existência física. A sua atual limitação como Regente da Terra não é menos dolorosa. Certamente, Ele é também regente do Sol, pelo que só parcialmente fica confinado à Terra. Contudo, as limitações produzidas pelas lentíssimas vibrações do nosso planeta denso devem ser quase insuportáveis.

Se Cristo-Jesus não ressurgisse ter-lhe-ia sido impossível executar Sua obra. Os cristãos têm um Salvador ressuscitado, Alguém que está sempre presente para ajudar os que invoquem o Seu Nome. Tendo sofrido em tudo como nós e conhecendo plenamente todas as nossas necessidades, é o lenitivo para todos os nossos erros e fracassos enquanto continuarmos lutando e procurando viver uma boa vida. Devemos ter sempre presente que o único verdadeiro fracasso é deixar de lutar.

Depois da morte do corpo denso de Cristo-Jesus, os átomos-sementes foram devolvidos a seu primitivo dono, Jesus de Nazaré que, algum tempo depois, funcionando temporariamente em um corpo vital que construíra, instruiu o núcleo da nova fé formado por Cristo. Jesus de Nazaré, desde aquele tempo, tem conservado a direção das lojas esotéricas ou sociedades secretas, existentes em toda a Europa.

Fonte: Max Heindel em "Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo XV, Cristo e sua Missão - O Mistério do Gólgota". Fraternidade Rosacruz

quinta-feira, 24 de março de 2022

PROVQI: Projeto Verdades que Incomodam

 


Nota Blog Rosacruzes:
Publicamos o post a seguir por considerar de interesse da maioria dos nossos leitores, mesmo não sendo o escopo de trabalho de nosso blog.

Projeto Verdades que Incomodam

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Projeto Verdades Que Incomodam - PROVQI

PR0VQI - Projeto Verdades Que Incomodam


Nosso objetivo por esse canal a divulgação de informações no auxílio ao desenvolvimento cultural humano, 
dos mais jovens e interessados em saber aquele "além" que não se ensina na escola, naquilo por detrás
das notícias e dogmas manipuladores.

Nossa intenção é provocar em você a vontade de saber mais, de descobrir e não aceitar tudo facilmente como 
lhe informam. Queremos lhe incomodar suas verdades preestabelecidas e programadas pelo "status quo".

Aqui veremos muita, mas muita mesmo, história: onde quer que a história esteja.
  • Falaremos sobre um pouco de cada coisa:
  • Arqueologia Geral
  • Arqueologia do Brasil
  • Mistérios do mundo e em especial do Brasil
  • Ufologia científica
  • Denúncias
  • Saúde e bem estar
  • Filosofia e espiritualidade
  • E tudo mais onde a verdade estiver.

Política nesse canal, não nos interessa. Se houver, adotamos o nacionalismo: 
o Brasil em primeiro lugar, não partidos ou posições de direita, centro, esquerda, etc.... 
Não somos capitalistas, não somos socialistas, comunistas nem tantos "istas" e "ismos" 
que separam as pessoas e a humanidade.

Queremos UNIR os homens pelo conhecimento aplicável em suas vidas que lhe trará sabedoria.

Não temos posição político-partidária, nem religiosa, não fazemos parte de qualquer agremiação social, 
política, de gênero ou esotérica.

Não somos afiliados nem temos conexão com qualquer grupo de estudo ufológico dentro e fora do Brasil.

Não fazemos nem aceitamos propagandas do que quer que seja.
Não visamos o lucro nem qualquer movimentação financeira.

Somos livres, e como livres pensadores nosso busca é pela verdade, mesmo que essa o incomode, esse é o nosso propósito.

Prezamos pela evolução e elevação humana em todos seus aspectos: na ciência, na mente, no espiritual.

Somos adeptos de todos os caminhos que nos UNAM.

Que esse canal sirva para o despertar da consciência evolutiva dos Seres.

"Seja curioso!
Seja independente!
Seja um pesquisador!
Seja um cidadão mais esclarecido!"

link para o artigo: https://provqi.blogspot.com/


Origens das "doutrinas" de Martinès de Pasqually

 Origens das "doutrinas" de Martinès de Pasqually

Por Prunelle de Liére


    ... mais uma doutrina de origem cabalística, intelectual, aparentando ser da tradição oral e familiar. Devemos aprofundar sobre qual o sentido devemos dar à palavra "família".

    O conceito de reintegração é encontrado já no século XVI na cabala inovadora do Rabbi Isaac Louria. Após a saída dos judeus para a Espanha em 1492, as contínuas perseguições deles na própria Espanha, faz com que o Judaísmo Marrano apareça. Esse êxodo mudará radicalmente a forma da Cabala, ao menos interiormente.

    Alguns escritores cabalistas determinaram pela numerologia, que o ano de 1492, após um longo tempo anterior à 1490, seria um ano catastrófico, era o ano da redenção. A expulsão levantou as teorias messiânicas do "Fim" (dos tempos). Seria necessário mobilizar todas as forças possíveis para precipitar esse "Fim".

    A nova Cabala formada, sendo mudada e fundida com a "Comunidade dos Devotos", em Safed (uma cidade no nordeste de Israel) manteve as suas marcas de origem durante todo esse processo. Iniciou-se aproximadamente em 1530-1353 na cidade de Safed. Os dois cabalistas mais famosos eram então "Moïse Bem Cordovero" e "Isaac Luria". Diferem tanto um do outro, que são sempre relacionados um ao outro.

    Na primeira metade do século XIX, o historiador maçônico Claude Antoine Thory, encontrou 3 fontes de Martinés de Pasqually: "Calendarium Naturale Magicum Perpetuum" de Tycho-Brahé, impresso em 1582 no "d´Esprit Sabbathier; o "de Idealis Sapientiae Generalis do Umbra", impresso em 1679 e o "Philosophical and Mathematical Chart Accompanied by the Magic and Perpetual Calendar" (Carta Filosófica e Matemática acompanhada pela Magia e Calendário Perpétuo), pelo ocultista contemporâneo Touzay-Duchanteau.

    A similaridade desses três trabalhos com certos elementos da teurgia dos Elus-Cohen, está clara de fato, ainda que estas tabelas comparativas não estejam presentes nos textos Elus-Cohen. Do mesmo gênero são o "Virga Aurea, Stéganographie" de Trithème e o "the Occult Philosophy" de Crow Clutched, mais extensa e ainda com mais observações pessoais, do que o interesse próprio no Cosmos dos Elu-Cohen com sua individual e correlativa reconciliação (R. Amadou).

Moïse Ben Cordovero

    Moïse Ben Cordovero (1522-1570) era inicialmente um pensador sistemático, seu objetivo era dar ao mesmo tempo nova interpretação e uma descrição prática do misticismo da antiga cabala, particularmente do Zohar.

Rabbi Isaac Luria

    Isaac Luria, conhecido como Ari, o Leão, de origem germânica ou polonesa, nasceu em Jerusalém em 1534 e morreu na cidade de Safed em 1572. Ele foi, de acordo com Gerson Scholem, mais um filósofo místico do que um místico em si, embora sem qualquer experiência mística. Formado no Egito. Porém não deixou nenhum livro escrito quando de sua morte aos 38 anos de idade. Permaneceu somente 3 anos em Safed.

    Luria não fez questão alguma de por seus pensamentos em um livro: Kithve Ha-Ari ("Escritos do leão"). Este livro foi um comentário do Sifra Di-Tsenutia [1] "O Livro do Mistério", uma das mais difíceis partes do Zohar.

Seus discípulos

    Sua mais importante companhia foi Hayim Vital (1543-1620) autor de várias versões do sistema de Luria, versões que encheram cinco volumes in folio, chamado de "Oito Portas" (Shemonah Shearim). Em Ets Hayim (A Árvore da Vida), colocou o trabalho da sua vida. As outras partes contêm títulos separados para cada volume: Sepher ha-Gilgulim, Perished Ets Haym, Chaar ha-Yikhudim, Sepher Likkute Tora.

    Outro discípulo fez uma apresentação mais compacta da contraparte teosófica do seu sistema: Rabbi Joseph ibn Tabul, o qual teve mais autoridade dentre os discípulos de Hayim Vital. Seu livro foi publicado sob o título Sepher Hephsti Ba, erroneamente atribuído a H.Vital.

    Vital preservou ardentemente as lições de Luria, que sistematizou o pensamento até seus últimos dias. Fez apenas uma pequena edição, que começou a circular somente em 1587. Por outro lado Ibn Tabul foi mais ativo ensinando as doutrinas de Luria em Safed. Opôs-se a Vital, o qual se tornou seu rival.

    É Israel Sarug que entre 1592 e 1598, fez uma ativa propaganda a favor da nova escola, entre os cabalistas da Itália. Mas enriquece com as idéias especulativas do "Son Crû", doutrinas de Luria. Publicou um livro chamado Limmude Atsiluth "Doutrinas da Emanação". Um de seus companheiros estabeleceu um sistema cabalístico no qual há uma curiosa mistura do neoplatonismo e doutrinas de Luria de acordo com a interpretação de Sarug.

    Foi Abraham Cohen Herrera de Florença (morto em Amsterdam em 1635 ou 1639), o descendente de uma família Marrano e o único cabalista que escreveu em espanhol: Puerta Del Cielo. Os discípulos de Sarug tiveram influencia na Itália, na Holanda, na Alemanda e Polônia. Em 1648, Naphtali Ben Bacharach Jacob, de Francforts, publicou Emek ha-Melekh, "As Profundezas Místicas do Rei" ou "Vale do Rei". Este importante livro contém totalmente a interpretação de Luria por Sarug.

[1] Publicado em Chaar Maamare Rabbi Chimon Bar Yokhai de Hayim Vital.



"Deixai a vossa Luz Brilhar"

 


"... é dever daquele que encontra a verdade empregá-la no trabalho do mundo, tanto para salvaguardar-se, como para certificar-se de que esta verdade resistira à grande prova, dando aos outros a oportunidade de compartilhar o tesouro que acha valioso para si próprio. É verdadeiramente importante que sigamos o mandato de Cristo: "Deixai a vossa Luz brilhar".

~ Cartas aos Estudantes, Max Heindel; "Carta 41, Método para distinguir o autêntico da imitação".

sábado, 30 de janeiro de 2021

O Guardião do Umbral


 O Guardião do Umbral

Nossas investigações pessoais sobre as vidas passadas de um grupo de pessoas que solicitaram auxílio para a cura do que se vem chamando de obsessão, vieram provar o seguinte: suas enfermidades são motivadas por certos fatores, equivocadamente considerados, por alguns investigadores anteriores, como se tratando do “Guardião do Umbral”.

Quando se examinam esses casos simplesmente através da faculdade da vidência espiritual, ou pela leitura dos registros etéricos, pode-se cair facilmente em semelhante erro, ou seja, confundir tal aparição com o verdadeiro Guardião do Umbral. Porém, assim que evoluímos e analisamos tais casos nos registros imperecíveis encontrados na Região das Forças Arquetípicas, o assunto se esclarece imediatamente. E as conclusões extraídas dessas investigações podem ser resumidas como se segue:

No momento da morte, quando o Átomo-semente — que contém todas as experiências da vida recém-finda, em imagens panorâmicas — se separa do coração, o espírito abandona o corpo físico, levando consigo os veículos mais refinados. Flutua então sobre o Corpo Denso — dito morto — durante um tempo que varia entre algumas horas a três dias e meio.

O fator determinante dessa variação é o vigor do Corpo Vital, veículo que constitui o Corpo-Alma de que fala a Bíblia.

Desde então se desenvolve uma reprodução pictórica da vida, uma visão panorâmica em ordem inversa, desde a morte até o nascimento. As imagens gravadas imprimem-se no Corpo de Desejos através do Éter Refletor do Corpo Vital. Durante todo esse tempo, a consciência do espírito se concentra no Corpo Vital — pelo menos deve ser assim — sendo que nesse processo não há envolvimento emocional algum.

A imagem impressa sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, constitui a base do sofrimento na vida purgatorial, pelas más ações praticadas. O oposto é válido no Primeiro Céu, em função do bem praticado.

Estes foram os pontos principais que o autor pôde observar pessoalmente acerca da morte. Isto ocorreu na época em que lhe foram dados a conhecer os primeiros ensinamentos superiores quando foi conduzido, com a ajuda do Mestre, a presenciar as reproduções panorâmicas das vidas de pessoas que estavam sendo observadas em sua passagem para o além. Investigações ulteriores, porém, vieram acrescentar, numa nova revelação, a existência do outro processo em ação nos dias importantes que se seguem à morte. Uma divisão se realiza no Corpo Vital, semelhante à do processo de Iniciação. Tudo quanto deste veículo possa ser qualificado de “alma”, une-se aos veículos superiores, formando a base da consciência nos mundos invisíveis, após a morte. A parte inferior acerca-se do Corpo Denso, flutuando sobre o túmulo, na maioria dos casos, como afirma o Conceito Rosacruz do Cosmos. Esta separação do Corpo Vital não se verifica igualmente em todas as pessoas, dependendo de como viveu a vida, e do caráter da pessoa que estiver passando para o além. Em casos extremos, esta divisão varia muitíssimo dos casos normais. Este ponto tão importante nos levou a pensar em muitos casos de suposta obsessão por parte do espírito. Com efeito, foram estes casos, investigados pela Sede Mundial, que ensejaram descobrimentos de alcance extraordinário, obtidos através de nossas pesquisas mais recentes, relativas à natureza das obsessões sofridas pelas pessoas que nos procuraram em busca do alívio.

Como se pode compreender facilmente, a divisão do Corpo Vital em tais casos, indiciou uma preponderância do mal. Efetuaram-se então, esforços necessários para descobrir se havia alguma outra classe de pessoas com outras divisões ou separações, em que se manifestasse a preponderância do bem. É uma grande satisfação esclarecer que assim aconteceu e, depois de analisarmos os casos descobertos e confrontá-los um com o outro, pudemos resumir a realidade exata das condições observadas e suas razões.

O Corpo Vital anela sempre construir o Corpo Denso, ao passo que os nossos desejos e emoções o destroem. A luta entre o Corpo Vital e o de Desejos produz a consciência no Mundo Físico, dando consistência aos tecidos, de modo que o Corpo Denso da criança se torna mais e mais rígido, atingindo a decrepitude senil, anos depois, seguindo-se a morte.

A moralidade ou imoralidade dos nossos desejos e emoções, atua de maneira semelhante sobre o Corpo Vital. Quando há devoção aos ideais elevados e a natureza devocional, pode manifestar-se livre e frequentemente, acompanhada, sobretudo, dos exercícios científicos indicados aos Probacionistas da Fraternidade Rosacruz, reduz-se gradualmente a quantidade dos Éteres Químicos e de Vida, à medida que os apetites animalescos desaparecem. Em seu lugar manifesta-se um aumento progressivo dos Éteres Superiores, o Luminoso e o Refletor. Consequentemente, a saúde física não é tão robusta entre os que seguem o caminho Superior, como entre aqueles em que as satisfações das paixões inferiores atraem os Éteres mais grosseiros — o Químico e o de Vida — como exclusão total até dos Superiores, conforme a extensão e a natureza dos vícios.

Daí surgem consequências muito importantes relacionadas com a morte. Como é o Éter Químico que robustece as moléculas do Corpo Denso para que permaneçam em seus respectivos lugares, e as conserva nele durante toda a vida, existindo somente um mínimo desse material, a desintegração do veículo físico, após a morte, deve ser muito rápida.

O autor não teve oportunidade de comprovar isso, porque foi muito difícil encontrar homens de qualidades espirituais elevadas que tivesse falecido na ocasião. Mas, parece que deve ser assim, pelo fato registrado na Bíblia, relativo ao corpo de Cristo, não encontrado na tumba quando o povo foi procurá-lo.

Como já afirmamos em relação a esse assunto, Cristo espiritualizou o corpo de Jesus de uma forma tão elevada, tornando-o tão vibrátil, que lhe foi quase impossível conservar as partículas no lugar durante os anos de Seu Ministério. Este fato já era do conhecimento do autor, através dos ensinamentos dos Irmãos Maiores, e das investigações levadas a efeito por ele mesmo na Memória da Natureza. Porém conduzir tal assunto ao terreno das ideias gerais sobre a morte e a existência “post-mortem” não lhe foi concedido até então.

O verdadeiro Guardião do Umbral é uma entidade elemental, complexa, criada nos planos invisíveis, por todos os maus pensamentos e obras não transmutados durante a evolução. Este Guardião postado à entrada dos Mundos Invisíveis desafia nosso direito de neles penetrar. Tal entidade deve ser redimida e transmutada. De nossa parte devemos gerar equilíbrio e força de vontade suficientes para resistir ao seu encontro, e poder sobrepor-nos a ela, antes de podermos entrar conscientemente nos Mundos Suprafísicos.

Como já dissemos, o interesse por uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores do Corpo Vital, em prejuízo dos mais elevados. Quando, opostamente, vive-se uma vida pura, ordenada e sem excessos, a saúde é melhor do que a do Aspirante à vida superior, pois as atitudes do último ensejam a formação de um Corpo Vital composto principalmente dos Éteres Superiores. O Aspirante à vida superior ama o “pão da vida” mais do que o sustento físico. Portanto, seu instrumento se torna mais e mais delicado, com um sistema nervoso mais complexo, condição sensitiva que com maior propriedade impulsiona às coisas do espírito, mas que se converte numa tarefa difícil sob o ponto de vista físico.

Há, na grande maioria da humanidade, uma tal preponderância do egoísmo e um tal desejo de extrair o máximo da vida material, que, ou bem estão os seres humanos empenhados em desalojar os adversários de seus postos, ou bem se acham acumulando propriedades. Daí, terem muito pouco tempo e mínima inclinação para se dedicarem à cultura da alma, tão necessária ao verdadeiro êxito na vida.

O autor teve várias oportunidades de conhecer pessoas que supunham ser suficiente pagar a um pastor para estudar a Bíblia durante a semana, e fazer-lhe um resumo no domingo. Acreditavam que isso era tudo o que lhes devia ser exigido por reservarem seu lugar no céu. Os seres humanos se filiam às igrejas, doando-lhes as coisas ordinariamente consideradas nobres e retas. Fora disso, contudo, desejam passar bem o tempo e divertir-se a valer. No entanto, há uma reduzida minoria que assim persistem em cada vida. A evolução dessas pessoas é tão desesperadamente lenta que, se fossem capazes de ver por si mesmas os acontecimentos pertinentes à sua própria morte, das elevadas regiões do Mundo do Pensamento Concreto, teriam a impressão, ao olhar para baixo, que nada se salvaria do Corpo Vital. Este veículo, em casos assim, parece retornar inteiro ao Corpo Denso, pairando sobre o túmulo até se desintegrar totalmente. E razão comprovada que uma parte progressiva se separa, seguindo os veículos mais elevados até ao Mundo do Desejo, onde formará a base da consciência, tanto na vida do Purgatório, como na dos Primeiro e Segundo Céus, persistindo, geralmente, até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una com as Forças da Natureza, em seus esforços para criar para si mesmo um novo ambiente. Por essa ocasião já foi absorvido ou quase totalmente absorvido pelo espírito, e, qualquer coisa que ali permaneça de natureza material, desaparecerá rapidamente. Deste modo, a personalidade da vida passada se desvanece, e o espírito não voltará a encontrar-se com ela em vidas futuras sobre a Terra.

Entretanto, existem pessoas de natureza tão perversa que encontram gozo em vícios e práticas degeneradas. Alguns se comprazem até em fazer sofrer. Algumas vezes chegam a cultivar as ciências ocultas com propósitos malignos para obterem maior domínio sobre suas vítimas. Em tais casos, suas práticas imorais e demoníacas resultam na cristalização do seu Corpo Vital.

Em casos extremos, como nos últimos citados, em que a vida animal predominou, quando na vida precedente não houve expressão de alma, a divisão do Corpo Vital não pode produzir-se com a morte, uma vez que não existe linha divisória entre o bem e o mal. Em tal caso, se o Corpo Vital ficasse gravitando sobre o Corpo Denso e ali se desintegrasse gradativamente, o efeito de uma vida tão perversa não produziria consequências tão sérias. Mas, desgraçadamente, em tais casos existe um liame tão grande entre os Corpos Vital e de Desejos, que interfere, evitando a separação.

Temos observado que quando um ser humano vive quase exclusivamente uma vida superior, seus veículos espirituais se reforçam em detrimento dos inferiores. Pelo contrário, quando sua consciência está enfocada nos veículos grosseiros, estes se robustecem imensamente.

Devemos lembrar que a vida do Corpo de Desejos não termina com a partida do espírito, mantendo um resíduo de vida e de consciência.

O Corpo Vital também é capaz de sentir as coisas, em certa medida, durante alguns dias após a morte. Daí o sofrimento causado pelo embalsamento e pelas autópsias imediatamente após o desenlace. Todavia, quando uma vida grosseira cristalizou e fortaleceu o Corpo Vital, este tende a adquirir uma tenacidade marcante para aferrar-se à vida, a ponto de o falecido procurar nutrir-se dos vapores dos alimentos e das bebidas alcoólicas. Algumas vezes age como se fosse um vampiro das pessoas com quem se põe em contato.

Assim, pois, uma pessoa má pode viver invisivelmente entre nós durante muitos anos. Neste estado é muito mais perigoso do que um criminoso em corpo físico, porque dispõe de meios para induzir outras pessoas à prática de atos puníveis, degenerados e criminosos, sem que tenha medo de ser detido ou punido pela lei.

Seres desta espécie constituem, portanto, uma das maiores ameaças imagináveis à sociedade. São os responsáveis pelo encarceramento de muitos, da dissolução de lares, causando uma infinidade de amarguras e desgraças. Sempre abandonam suas vítimas quando estas caem nas mãos da justiça. Saboreiam a dor e o infortúnio das vítimas, constituindo isto parte do seu esquema diabólico.

Há outra classe que se dedica em adotar uma postura angélica nas sessões espíritas, onde também encontram vítimas, às quais insinuam práticas imorais. Os denominados como “Poltergeist”, palavra alemã que significa espírito alvoroçador, e escandaloso, são os que se comprazem em quebrar pratos, derrubar mesas, etc. A força e a densidade do Corpo Vital desses seres, facilita-lhes manifestações físicas muito mais do que aqueles que ultrapassaram o Mundo do Desejo. Com efeito, seus Corpos Vitais são tão densos, quase se aproximando do estado físico. Constitui um mistério para o autor que as pessoas que tenham roçado neles, não os tenham percebido. Se fossem vistos uma só vez seus rostos perversos e assustadores, seria logo desfeita a ilusão de que são seres angelicais.

Existe ainda outra classe de espíritos que pertence a essa mesma categoria, e que se apegam às pessoas que procuram desenvolvimento espiritual, sem seguir uma linha certa de conduta. Mediante a sugestão de que são mestres individuais, dão às suas vítimas, uma série de ensinamentos tolos e sem sentido. Nunca se repetirá o suficiente que não se deve aceitar de ninguém, seja visível ou invisível, ensinamentos que não se ajustem, ainda que seja no grau mais sutil, à nossa mais elevada concepção de ética e moral.

É muito perigoso confiar-se a outros e fazê-los participantes de nosso foro interno. De nossa parte sabemos disso por experiência, e trabalhamos de acordo com ela. Devemos ser mais precavidos quando a questão chega aos assuntos da alma. Não podemos confiar tão importante matéria, ou seja, o nosso bem-estar espiritual, às mãos de alguém que não podemos observar nem julgar. A confiança própria é a virtude essencial a ser cultivada em nossa evolução. A máxima mística de: “Se és Cristo, ajuda-te”, deve ressoar constantemente nos ouvidos daqueles que anelam encontrar e seguir o verdadeiro caminho. Por isso, devemos sempre guiar-nos a nós mesmos, sem temores e sem favores de nenhum espírito.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)

Fonte: Centro Rosacruz de Campinas - Fraternidade Rosacruz - Max Heindel


sábado, 2 de maio de 2020

A ROSACRUZ INVISÍVEL


A ROSACRUZ INVISÍVEL

Mais cedo ou mais tarde o rosacruz buscador acabará encontrando o que busca; assim será um lamentável erro procurar em outros lugares. O momento será mais oportuno.

A verdade é para todos, e todos tem acesso à ela dentro do limite de sua compreensão. É por isso que uma revelação nova da verdade não deve ser reservada àqueles que supõem compreendê-la, uma vez que todos a assimilarão na sua medida.

O que você soube de nossa existência e de nossa obra não está em oposição, mas difere da tradição de sua Ordem. Digamos que se trata de um conhecimento que explicita um certo estágio de sua tradição sem que esse conhecimento se integre a essa Tradição...

"A Luz deve vir para todos".

As ordens rosacruzes visíveis dão a seus membros os instrumentos da iniciação visível que lhes permitirá um dia aceder à Fraternidade Invisível. 

domingo, 12 de abril de 2020

A MAGIA




A MAGIA

"A magia é a arte da sublimação espiritual do homem".

~ Sär Peladan

sábado, 11 de abril de 2020

TRANSFORMAÇÃO DE SI




TRANSFORMAÇÃO DE SI

"De um só ponto tudo dependia:
A auto modificação, a forja, a modelagem,
a têmpera pessoal, até que a criatura fosse
a ausência de egoísmo e o amor integral,
a bondade total para o semelhante".

~Marc Haven

"A GRATIDÃO atrai a GRAÇA" 

~ MEM Philippe de Lyon

sexta-feira, 10 de abril de 2020

20 REGRAS DE VIDA



20 REGRAS DE VIDA 

DE GEORGE IVANOVITCH GURDJIEFF 

– PARA BEM VIVER 

  1. Faça uma pausa de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analise suas atitudes.
  2. Aprenda a dizer não sem sentir-se culpado ou achar que magoou alguém. Querer agradar a todos desgasta.
  3. Planeje o seu dia, sim, mas deixe um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.
  4. Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam seus quadros mentais, você se exaure.
  5. Esqueça de uma vez por todas que você é imprescindível, no trabalho, na casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.
  6. Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre-de-cerimônias. 
  7. Peça ajuda quando necessário, com o bom senso de pedir às pessoas certas.
  8. Diferencie problemas reais de imaginários e elimine-os porque são perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.
  9. Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que isso é o máximo para se conseguir na vida.
  10. Evite envolver-se na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.
  11. Família não é você, está junto de você. Compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.
  12. Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.
  13. É preciso sempre ter alguém em quem confiar e falar abertamente, ao menos num raio de 100 quilômetros.
  14. Saiba a hora certa de sair de cena, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância de uma saída discreta.
  15. Não queira saber se falaram mal de você nem se atormente com esse lixo mental e escute o que falam de bom com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
  16. Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo ... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.
  17. A rigidez é boa na pedra, não no homem. Ao homem, cabe a firmeza, o que é muito diferente.
  18. Uma hora de intenso prazer substitui, com folga, três horas de sono. O prazer recompõe mais do que o sono. Logo, não perca a chance de divertir-se.
  19. Não abandone suas três grandes amigas: a intuição, a inocência e, sobretudo, a fé.
  20. Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente, você é aquilo que se fizer ser.

Fonte: desconhecida (se souber entre em contado)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

HARMONIZAÇÃO




HARMONIZAÇÃO

"O ideal místico
é conseguir harmonização
com a Divindade"

~ Fórum R.C VI -3/2014

A RAZÃO DE SER



A RAZÃO DE SER
 
"...Aquilo que é bom e correto, 
é estarmos sempre de acordo 
com nos mesmos..."

~ Fama Fraternitatis, 1614

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O SOL DOS ROSACRUZES

Livro O Sol dos Rosacruzes


“O SOL DOS ROSACRUZES”
COMO NASCEU MEU LIVRO
  Por Albedaran

Em Abril de 1982, um jovem de 22 anos cruzava os portais da Ordem Rosacruz. Dezesseis anos depois, em Julho de 1998, estudava as Monografias iniciais do Décimo-Segundo Grau da Ordem, que tratavam do Manifesto Rosacruz Fama Fraternitatis e da Sagrada Hierarquia Celestial. Esse jovem era eu.

Em uma dessas Monografias iniciais li e reli várias vezes a seguinte frase: “Aqueles que estiverem preparados,verão o nosso sol”. Posteriormente, ao rever as Monografias, não encontrei a referida frase.

Passou-se pouco mais de um ano e a Primavera de 1999 (Setembro), trouxe consigo “O Sol dos Rosacruzes”. Vi em sonho a “Luz mais brilhante que o sol do meio-dia”, que se condensou em um pequeno círculo e se transformou em um Pássaro, que anunciou a presença do Mestre, do qual recebi um “Novo Nome” e uma “Benção”.

Contatos com Curitiba, a sede da Ordem no Brasil, não foram muito frutíferos, ou seja, não encontrei ali uma explicação. Parti então, em uma busca solitária para entender o que acontecera comigo.

Não interrompi meus estudos rosacruzes, de onde recebi a Primeira Iniciação, mas ao mesmo tempo iniciei em 2001 o estudo da Teosofia de Blavatsky; em 2009, o estudo de livros de Max Heindel e em 2013, o estudo das Seções de Cosmologia, Cosmogenese e Cristologia de Rudolf Steiner. Passei também a receber muitos “recados em sonho”, que me auxiliaram bastante.

Formulei uma tese relacionando o Cristo, a Primeira Iniciação e a admissão à Grande Fraternidade Branca. Essa tese é meu livro “O Sol dos Rosacruzes”.

Visualize também o livro clicando AQUI ou nolink abaixo:

http://loja.tachion.com.br/pd-506c63-o-sol-dos-rosacruzes-jose-lima-junior-albedaran.html?ct=&p=1&s=1
 

domingo, 17 de março de 2019

SERVIÇO DE CURA ROSACRUZ


SERVIÇO DE CURA ROSACRUZ


Fonte: Fraternidade Rosacruz - http://www.fraternidaderosacruz.com

sábado, 19 de janeiro de 2019

FRATERNIDADE ROSACRUZ - MAX HEINDEL






FONTE: http://www.fraternidaderosacruz.com.br



contato: http://www.fraternidaderosacruz.com




:::

domingo, 13 de janeiro de 2019

O HOMEM DE DESEJO I

Imagem: Philosophe Inconnu

O HOMEM DE DESEJO
Irmão T. S.I.


DA LUZ INVISÍVEL E DA VIDA:

A chama representa a manutenção, e não a lei da geração.

Não será necessária uma substancia exterior à chama, para que esta lhe comunique a luz visível?

Mas nosso Deus é a luz; retira de si próprio a substância luminosa do espirito.

Tudo o que emana da mãos do princípio de tudo é completo. Ele quis que a sensação da luz visível se vinculasse à vida de meu corpo.

Ele quis que o sol despertasse em meus olhos essa sensação da luz visível.
Mas ele mesmo quis despertar em minha alma a sensação da luz invisível.

Porque ele mesmo retirou desta luz o germe sagrado que anima a alma humana.

Não saem ramos do candelabro vivo, e sua seiva não é o óleo santo que nutre em mim a luz? Não é ela esse óleo que se consome sempre e jamais se esgota?

Que a vida se uma à minha vida, e que regenere em mim a vida que em mim produziu.

Que meu crescimento imortal e divino seja contínuo, como o de minha fonte eterna.

DO HOMEM DA TORRENTE:
O homem despreocupado e desatento atravessa este mundo sem abrir os olhos de seu espírito.

As diferentes cenas da natureza sucedem-se diante dele sem que seu interesse se desperte e que seu pensamento se amplie.

Só veio a este mundo para abarcar o universo com sua inteligência, e permite continuamente que sua inteligência seja absorvida pelos menores objetos que o cercam.

Será preciso que as catástrofes da natureza se repitam para despertares de seu torpor? Se não estás preparado, elas te assustariam e não te instruiriam.

PRIMEIRO DEGRAU DA OBRA:
...só Ele perdoa e só com Ele aprendemos a caridade. Abra a cada dia as sendas dessa escola, se queres aprender o que é a obra do Senhor.

Que o mestre que aí ensina encontre em ti o mais assíduo dos ouvintes.

Vejo duas palavras escritas nesta árvore da vida: Espada e Amor.

Pela espada da palavra submetei todos os inimigos de meu Deus, e os prenderei e impedirei que causem dor ao meu Deus.

Pelo amor eu lhe suplicarei com fervor que derrame sobre mim um raio de sua caridade; E que faça com que eu alivie, encarregando-me de alguns dos sofrimentos de seu amor.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

CARTA DO G.M. - NOVO IMPERATOR DA AMORC

Frater Claudio Mazucco, futuro IMPERATOR DA AMORC


segunda-feira, 11 de junho de 2018

O SOL DOS ROSACRUZES



























“O SOL DOS ROSACRUZES”
COMO NASCEU MEU LIVRO

Em Abril de 1982, um jovem de 22 anos cruzava os portais da Ordem Rosacruz. Dezesseis anos depois, em Julho de 1998, estudava as Monografias iniciais do Décimo-Segundo Grau da Ordem, que tratavam do Manifesto Rosacruz Fama Fraternitatis e da Sagrada Hierarquia Celestial. Esse jovem era eu.

Em uma dessas Monografias iniciais li e reli várias vezes a seguinte frase: “Aqueles que estiverem preparados,verão o nosso sol”. Posteriormente, ao rever as Monografias, não encontrei a referida frase.

Passou-se pouco mais de um ano e a Primavera de 1999 (Setembro), trouxe consigo “O Sol dos Rosacruzes”. Vi em sonho a “Luz mais brilhante que o sol do meio-dia”, que se condensou em um pequeno círculo e se transformou em um Pássaro, que anunciou a presença do Mestre, do qual recebi um “Novo Nome” e uma “Benção”.

Contatos com Curitiba, a sede da Ordem no Brasil, não foram muito frutíferos, ou seja, não encontrei ali uma explicação. Parti então, em uma busca solitária para entender o que acontecera comigo.

Não interrompi meus estudos rosacruzes, de onde recebi a Primeira Iniciação, mas ao mesmo tempo iniciei em 2001 o estudo da Teosofia de Blavatsky; em 2009, o estudo de livros de Max Heindel e em 2013, o estudo das Seções de Cosmologia, Cosmogenese e Cristologia de Rudolf Steiner. Passei também a receber muitos “recados em sonho”, que me auxiliaram bastante.

Formulei uma tese relacionando o Cristo, a Primeira Iniciação e a admissão à Grande Fraternidade Branca. Essa tese é meu livro “O Sol dos Rosacruzes”.

Visualize também o livro em http://loja.tachion.com.br ou na imagem anexa.

Agradeço toda divulgação - por e-mail; Blog; Facebook; etc.

Obrigado. Frater Lima

...


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O TARÔ EGÍPCIO ROSACRUZ DE 1933



O TARÔ EGÍPCIO ROSACRUZ DE 1933

Por Marco Guimarães Jr.



A imagem acima é um trecho da revista rosacruz norte-americana Rosicrucian Digest, nº1 de 2007, páginas 44-46 editada pela Ordem Rosacruz, AMORC nos E.U.A., que pode ser lida clicando aqui. Ainda nesta mesma revista há a seguinte apresentação:
"Em 1933, H. Spencer Lewis, Imperator da Ordem Rosacruz, AMORC, de 1915 a 1939, publicou estas vinte e duas cartas dos Arcanos Maiores do Tarô como parte da série "Cabala Desvendada", pelo "Frater Aquarius, Escriba". Há muito indisponível, elas proporcionam uma mistura do tema tradicional do tarô com o simbolismo egípcio."
Muitos estudantes rosacruzes e martinistas ficaram curiosos sobre o Tarô da AMORC ou ainda Tarô Rosacruz, como está sendo chamado e onde poderiam ter mais informações a respeito. O Tarô é um assunto que muitos estudantes se interessam, apesar de não ser abordado dentro de sistema de estudo rosacruz ou martinista, muitos de nossos mestres martinistas do passados como Eliphas Lévi e Papus elevaram o estudo do tarô como ferramenta de autoconhecimento, sendo assim tratada por nossos estudantes rosacruzes e martinistas, de forma simbólica.

Sobre o Tarô

Cabe esclarecer previamente que a origem do tarô é incerta, não podendo afirmar que seja egípcio ou não. O responsável por dar a suposta origem egípcia ao tarô foi o pastor e ocultista Antoine Court de Gebelin em 1775, que dizia ter descoberto a origem do tarô quando se consultava com uma cartomante, nela teria visto hieróglifos egípcios. A origem do tarô ainda é desconhecida, mas as primeiras cartas conhecidas foram datadas em 1369, sendo chamado por ludus cartarum

Se por um lado não podemos comprovar sua origem, por outro se dá o mesmo em definir arbitrariamente sua origem egípcia. Só em 1490 aproximadamente começou a ser chamado por tarocco (Itália) e na França por tarot, palavra essa de etimologia desconhecida, como afirma o brasileiro Nei Naiff. 

Sabe-se que a estrutura básica do tarô clássico é a composta por 78 arcanos sendo 22 arcanos maiores e 56 menores, esses divididos em quatro naipes contendo cada quadro figuras e dez sequencias numeradas.

Cerimônia Rosacruz em Luxor de 14 de fevereiro de 1929

1.Revista The Mystical Triangle 08/1929
Nessa data os Rosacruzes de jurisdição de língua inglesa para os EUA, fariam uma viagem turística ao Egito e também, participariam de uma cerimônia de iniciação ao 4º Grau da Ordem, que entre vários percalços acabou acontecendo.

Essa viagem foi publicada passo a passo e em detalhes na revista The Mystical Triangle, agosto de 1929 (imagem ao lado). De acordo com o então Imperator Harvey S. Lewis, todos aqueles presentes à esta Iniciação posteriormente receberiam uma série de monografias extras sobre cabala, além de serem considerados membros da simbólica Loja R+C Amenhotep de Luxor, enviando um certificado como forma de lembrança da cerimônia ocorrida naquele dia no vale do Nilo. 

II. Certificado simbólicoPosteriormente Ralph M. Lewis enviaria esse certificado a todo membro que atingisse o 4º Grau de Templo dos estudos Rosacruzes, relembrando simbolicamente assim aquela cerimônia. Em San José, Califórnia então sede da Suprema Grande Loja da AMORC, em 1935 foi construído o “Memorial de Amenhotep IV” comemorativo dessa mesma viagem ao Egito.

A nova série de monografias enviadas em paralelo aos membros do 4ºGrau de Templo foi chamada de “Kabbalah Unveiled by Frater Aquarius”. No Brasil era enviada apenas em espanhol com título “Cabala Sin Velos” pelo Frater Aquarius”. Como veremos adiante após alguns anos o “Cabala Desvendada do Frater Aquarius” foi substituída por outra de mesmo nome, porém assinada pelo Frater Temporator, significativas alterações foram feitas e é essa versão que nos chega até hoje.

Aquarius x Temporator

A revista Rosicrucian Digest apenas apresenta os 22 arcanos maiores do tarô, mas não dá maiores informações de sua origem, quem o desenvolveu ou como seria utilizado. Sabe-se pela revista, que faria parte da indisponível série de monografias chamada Cabala Desvendada pelo Frater Aquarius, Escriba. Não descobrimos, entretanto, quem seria o Frater Aquarius Escriba.

III.A Cabala desvendada Frater Temporator
Houveram duas séries distintas das monografias intituladas A Cabala Desvendada, a primeira, mas antiga pelo Frater Aquarius Escriba de aproximadamente 1930 e a segunda e atual pelo Frater Temporator Escriba.

Iniciando pela mais recente do Frater Temporator, vemos que essa publicação originalmente enviada em formato de monografias, composta de 22 discursos privativos em forma de monografias, divididas em duas séries (A e B) enviadas aos membros da Ordem entre as décadas de 60 a 80, atualmente é editada e a disposição dos membros em formato de livro, inclusive em língua portuguesa.


Nessa publicação do Frater Temporator temos noções elementares, mas importantes sobre a Cabala baseadas no Livro do Esplendor ou Zohar assim como no Livro da Criação ou Sepher Yezirah, muito utilizado pelos estudantes rosacruzes-martinistas. As referências sobre o tarô aparecem somente no capítulo 18 em tom de alerta, e com muitas reservas quanto ao estudo da Cabala baseados no tarô. 

Não há estudo da simbologia dos arcanos, nem técnicas para a taromancia oracular nem qualquer forma de estudo, quer seja específico quer seja referencial com a cabala.

IV. La Cabala Sin Velos Frater Aquarius
Imagem do La Cabala Sin Velos Frater Aquarius









Já a série do Frater Aquarius Escriba - mais antiga que a do Frater Temporator – atenta longamente ao estudo da simbologia universal dos arcanos maiores, traçando comparativos entre as linhas de estudos do tarô de A.E. Waite (inglesa), de Papus (francesa), a do Conde C. de Saint-Germain (Egípcio) e pôr fim a explicação Rosacruz do número do arcano. Da mesma forma alerta quanto às correlações feitas entre a cabala, letras hebraicas, caminhos da árvore da vida e o tarô, afirmando que não há consenso quanto às correlações corretas e que, diversos autores da época, tanto da linha francesa quanto da linha inglesa do estudo de tarô, não chegam a um denominador comum dessas relações. Entretanto não há qualquer forma ou técnica para o jogo do tarô em si para adivinhação ou previsão. O estudo é totalmente focado no simbolismo e autoconhecimento. Da mesma forma esse estudo não conferia ao estudante qualquer autoridade no assunto sendo a experiência mística advinda do estudo da cabala o objetivo central.

Qual a origem então do Tarô Egípcio Rosacruz de 1933?

No Cabala Sin Velos do Frater Aquarius, Escriba no discurso número 4 dessa série verificamos o plano de interpretações que o Frater em questão propôs para o estudo do simbolismo dos arcanos:
“O plano do autor é estabelecer primeiro, o pensamento da escola francesa da Cabala e para este fim citamos Papus, a maior autoridade francesa. A segunda análise é da escola inglesa encabeçada por Waite. A terceira interpretação é a do Saint Germain (...). A quarta parte de cada monografia é a moderna interpretação Rosacruz (...)”.
Assim já conseguimos começar a desvendar a base desses discursos sobre cabala e mais ainda traçar origem do Tarô Rosacruz, pois há menção de três fontes que o compõe: Papus, A.E.Waite e Saint-Germain. Os dois primeiros autores vamos dispensar nossa atenção devido ao fato de serem amplamente conhecidos, assim como seus livros e toda sua bibliografia. Vamos focar na terceira fonte: Saint-Germain.

O Conde de Saint-Germain, Mestre de tradições esotéricas também muito conhecido pela sua eterna juventude e vida misteriosa, ao pesquisar a fundo sua obra não encontramos qualquer estudo sobre Tarô. O Conde de Saint-Germain citado nos discursos do Frater Aquarius era nada menos que Edgar Vancourt que, em 1901 sob pseudônimo “Comte C. de Saint-Germain” escreveu o livro Practical Astrology, A Simple Method of Casting Horoscopes, em livre tradução seria “Astrologia Prática, Um Simples Método para Traçar Horóscopos.

Ao confrontar as descrições dos arcanos descritos no Practical Astrology e o Cabala Sin Velos do Frater Aquarius, constatamos serem idênticas, integralmente. Nas imagens abaixo vemos um trecho do discurso nº 9 do Cabala Sin Velos do Frater Aquarius e a sua direita as páginas 194 e 195 do Practical Astrology, ambas descrevendo o simbolismo do Arcano nº5 ou Sumo Sacerdote:
 





















Portanto concluímos que nosso Frater Aquarius tomou como base esse livro de Edgar Vancourt, Practical Astrology de 1901 para ajudar a compor juntamente com escritos de Papus e Waite, seu Cabala Sin Velos ou em português Cabala Desvendada.
 V. Tarô de Falconnier, 1896
 VI. Tarô do "Saint-Germain", 1901VII.Tarô Rosacruz, 1933




V. Tarô de Falconnier, 1896     VI. Tarô do "Saint-Germain", 1901     VII.Tarô Rosacruz, 1933

Ainda em seu livro Edgar Vancourt ou Comte C. de Saint-Germain, seu pseudônimo, mostra os arcanos maiores e menores, como visto na imagem acima. Por outro lado, não cita a fonte ou qual seria o tarô por ele usado. O estudante mais atento verificará que o Tarô Rosacruz de 1933 está muito similar ao de Saint-Germain de 1901 e esse por fim, idêntico ao Tarô de Falconnier.  O Senhor R. Falconnier publicou em 1896 seu livro “Les XXII Lames Hermètiques du Tarot Divinatoire” ou em livre tradução “As 22 Lâminas Herméticas do Tarô Divinatório”

Nessa época o Egito exercia forte influência no imaginário esotérico dentro de quase todas as ciências ditas ocultas e escolas místicas, o tarô foi uma delas.

O livro de Falconnier relata uma possível origem egípcia, além de exposição simbólica de todos os 22 arcanos do tarô. Reparamos que o Edgar Vancourt ou Comte C. de Saint-Germain tomou por base quase integralmente não apenas as lâminas, mas também o significado das lâminas de Falconnier para fazer seu Practical Astrology.

Assim o ”Rosicrucian Egyptian Tarot", nada mais é que o tarô de Falconnier de 1896, e que esse chegou ao nosso Frater Aquarius através do livro Practical Astrology do Edgar Vancourt, vulgo Conde C. de Saint-Germain. Excelentes fontes para estudo simbólico.

Esclarecimento

Inicialmente esclarecemos que esse texto não é posição oficial da Ordem quanto ao assunto. É antes uma pesquisa inicial e livre sobre o assunto.

Que a Ordem Rosacruz, AMORC não contempla em seus estudos o Tarô, nem forma tarólogos, nem cartomantes ou afins. Esse estudo não está inserido dentro do sistema de instrução oficial da Ordem. Entretanto cada membro tem a liberdade de estudar por si se assim desejar. Informamos também que o livro A Cabala Desvendada pelo Frater Temporator, faz um excelente estudo básico mas abrangente da Cabala, indicado a todo estudante Rosacruz e Martinista, no entanto não aborda a prática nem métodos de consulta ao tarô.


Referências Bibliográficas

AQUARIUS, Frater. La Cabala Sin Velos. San José: AMORC. 1933.
TEMPORATOR, Frater. A Cabala Desvendada “Monografias Séria A e B”. Brasil: Ordem Rosacruz, AMORC, Grande Loja do Brasil. 1970 (aprox.)
TEMPORATOR, Frater. A Cabala Desvendada. 2º ed. Curitiba: Ordem Rosacruz AMORC, Grande Loja do Brasil. 1985.
AMORC, The Supreme Council of. The Mystical Triangle. San José/EUA. Vol. VII nº 7. Rosicrucian Park. 1929.
AMORC, The Supreme Grand Lodge of. Rosicrucian Digest. San José/EUA. Vol.85 nº 1. Rosicrucian Park. 2007.
VANCOURT, Edgar “Comte C. de Saint-Germain”. Practical Astrology. Chicago: Laird & Lee Publishers. 1901.
FALCONNIER, R. Les XXII Lames Hermètiques du Tarot Divinatoire. 8ª imp. Paris: Libraire de L’art Indépendant. 1896.
GÉBELIN, Antoine Court de. Monde Primitif, Analysé et Comparé avec Le Monde Moderne. Paris: Valleyre L’aîné Impremeur Livraire. 1781
ENCAUSSE, Gerard “Papus”. Tarô dos Boêmios. 3ª ed. São Paulo. Ícone Editora. 2003.
LÉVI, Éliphas. A Chave dos Grandes Mistérios. São Paulo: Editora Pensamento. 2011
WIRTH, Oswald. The Tarot of Magicians.2ª ed. York Beach/EUA. Samuel Weiser, INC. 1990
NAIFF, Nei. Estudos Completos do Tarô, Volumes I, II e III. 2ª ed. Rio de Janeiro: Best-Seller. 2015