quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Glossário de Termos Alquímicos e Herméticos – Parte 1







Vamos indicar aqui, um significado suficientemente geral dos termos habitualmente utilizados pelos autores que tem tratado de Alquimia.

Este pequeno glossário permitirá aos desejosos de estudar profundamente a Alquimia material que, paralelamente à Alquimia espiritual, permitirá a compreensão de obras muito fechadas, como:

“O Livro das Imagens sem Palavras”, ou Mutus Liber,

“O Tratado Simbólico da Pedra Filosofal” de J. C. Barchunsen,

“O Amfiteatro da Sabedoria Eterna”, de Henry Khunrath.

E, assim familiarizados com a significação geral destes termos um pouco obscuros, será mais fácil abordar as obras dos alquimistas modernos, e sobretudo do grande Jean-Julien-Hubert Champagne, aliás Fulcanelli.

Sobre Fulcanelli, possui-se um importante dossiê, resultado de uma paciente pesquisa feita, entre 1935 e 1937, sobre a verdadeira personalidade de Fulcanelli.

Esse dossiê é composto por recordações daqueles que trabalharam com ele desde 1907, e daqueles que foram seus colaboradores no curso de sua vida ardente de adepto, por fotografias e documentos que demonstram, sem contestação possível, que Fulcanelli e Jean-Julien-Hubert Champagne foram uma só pessoa!

Sobre essa identidade, não cremos haver nenhuma contradição, e possui-se uma fotografia onde consta uma dedicatória que forneceu a prova absoluta.

Em suas obras “O Mistério das Catedrais” e “As Moradas Filosofais”, ele aborda o domínio material da Alquimia. Mas as significações que damos aqui serão utilmente completadas pelo aspecto prático que ele nos dá.

Resumem-se aqui, alguns dos termos que se encontram em um certo número de obras que tratam de alquimia.

Particularmente, seguimos as significações dadas por Albert Poisson, em seu livro
"Teorias e Símbolos", e pelo pesquisador erudito Jean Mavéric, em seu livro "A Arte Metálica dos Antigos".

Quando o assunto valia a pena, recorremos às duas obras de Fulcanelli, "O Mistério das Catedrais" e "Demeures Philosophales", e aos "Cinco Livros" de Nicolas Valois, etc...

AFINAÇÃO: Operação pela qual separa-se de um metal tudo que lhe é estranho. Ela é praticada particularmente sobre o ouro e sobre a prata.

ÁGUA: Um dos quatro Elementos dos Antigos. Não possui nada em comum com a água vulgar.
ÁGUIA: Símbolo da volatilização, e também dos ácidos empregados na Obra. Uma águia devorando um leão significa a volatilização do fixo pelo volátil. Duas águias se combatendo possuem o mesmo significado.

ALBIFICAÇÃO: Calcinação ao branco ou ao vermelho.

ALLUDEL: Aparelho composto de vasos superpostos e comunicantes entre si, para se efetuar uma sublimação lenta.

AMALGAMAÇÃO: União íntima de diversos elementos metálicos em um todo homogêneo e bastante maleável.

ANIMAIS: Em regra geral, quando encontram-se na figura dois animais, de mesma espécie mas de sexo diferente (como leão e leoa, cachorro e cachorra), isto significa o Enxofre e o Mercúrio preparados em vista da Obra, ou ainda o fixo e o volátil. O macho representa então o fixo, o Enxofre, a fêmea representa o volátil, o Mercúrio. Unidos, os animais exprimem a conjunção, as núpcias, o casamento. Eles se combatendo: fixação do volátil ou volatilização do fixo.

Ver as figuras de Basílio Valentin, em “As Doze Chaves da Filosofia Oculta”, onde  um dos raros discípulos de Fulcanelli, coloca toda a sua ciência alquímica.
Os animais podem ainda simbolizar os Elementos: Terra (leão, touro), Ar (águia), Água (peixe, baleia), Fogo (dragão, salamandra). Se um animal terrestre figura em uma imagem hermética com um animal aéreo, eles significam respectivamente o fixo e o volátil.

ANJO: Simboliza por vezes a sublimação, ascensão de um princípio volátil, como nas figuras do "Viatorium spagyricum”.

APOLLO: O sol, o ouro.

AR: Um dos quatro elementos dos Antigos. Não tem nenhuma relação com as do ar que respiramos.

ÁRVORES: Uma árvore portando luas significa o pequeno magistério, a pedra ao branco. Se ela porta sóis, é a Grande Obra, a pedra ao vermelho. Se ela porta os símbolos dos sete metais, ou os signos do sol, da lua e cinco estrelas, significa então a matéria única de onde nascem os metais.

ATHANOR: Forno para reverberação.

BALÃO: Vaso de vidro amplo e redondo, destinado a receber os produtos da destilação.

BANHO: Símbolo: 1) da dissolução do ouro e da pedra; 2) da purificação destes dois metais.

BANHO-MARINHO: Aparelho disposto de forma que o vaso que contém a matéria esteja em banho com a água fervente. A Alquimia não emprega a expressão banho-maria.
BRANCO: Pedra ao branco, pedra ainda imperfeita, onde todas as possibilidades transmutatórias não foram ainda desenvolvidas e obtidas.

CADINHO: Vaso de argila refratária de forma aberta em cima, destinado à fusão de metais e de corpos duros.

CALCINAÇÃO: Redução dos corpos no calor. Ela pode ser seca ou úmida.

CALADIÇÃO: Calor.

CÂMARA: Símbolo do ovo filosófico, quando o Rei e a Rainha estão nele encerrados (Enxofre e Mercúrio).

CAOS: Símbolo da unidade da Matéria, por vezes da cor negra (primeiro estado da Obra), da putrefação.

CÃO: Símbolo do Enxofre, do Ouro. O cão devorado por um lobo, significa a purificação do ouro pelo antimônio. Cachorro e cachorra significam, associados, o fixo e o volátil.

CAPITEL: Cavidade de vidro munida de um bico, que adapta-se ao pescoço da cucurbita ou ao urinai, para poder destilar os espíritos minerais. Capitel, chapéu, chapeleta, alambique, são mais ou menos a mesma coisa.

CASAMENTO: União do Enxofre e do Mercúrio, do Fixo e do Volátil. O padre que celebra representa o Sal, meio de união entre eles.

CHUVA: Símbolo da cor branca na Obra, ou albificação. É também a imagem da condensação no curso da realização.

CIMENTAÇÃO: Operação pela qual, por meio de pós minerais denominados cimento, purificamos os metais ao ponto em que neles não ficam mais que a pura substância metálica.

CIRCULAÇÃO: Consiste em fazer circular os líquidos em um vaso fechado por efeito de um calor lento.

CIRCULATÓRIO: Ver Pelicano.

CIRCUNFERÊNCIA: Unidade da Matéria. Harmonia universal.

CISNE: Símbolo da Obra em branco, segundo estado após a putrefação e irisação. Esta última não figura no ternário clássico da Grande Obra: negro, branco e vermelho.

COOBAÇÃO: Ação de colocar o espírito metálico, destilado, sobre seu resíduo.

CORNIJA OU RETORTA: Vaso de vidro redondo, com o bico recurvado para baixo, servindo para destilar as matérias no curso da Obra.

COROA: Símbolo da realeza química, da perfeição metálica. No "La Margarita Préciosa", os seis metais são primeiramente representados como escravos, cabeças nuas aos pés do rei, o Ouro. Mas, após sua transmutação, eles são figurados com uma coroa na cabeça. Daí em alquimia espiritual, a frase de L.C. de Saint-Martin: "Todo homem é seu próprio rei...", quer dizer, todo homem traz em si a possibilidade do retorno à sua "realeza" perdida, no plano espiritual e angélico.

CORVO: Um dos primeiros estados da Obra: a putrefação.

CAUPELAÇÃO: Afinação ou controle alquímico do ouro e da prata pelo derretimento do chumbo em um cadinho.

CRIANÇA: Revestida com roupas reais, ou simplesmente coroada: símbolo da pedra filosofal, às vezes da Obra em vermelho.

CRISOPÉIA: A pedra filosofal, a Grande Obra realizada.

CUCURBITA: Vaso em forma de abóbora aberto para o alto, que se cobre com um capital para a destilação de vegetais e outras matérias.

Por: Robert Ambelain
Colaboração: Marcelo Veneri

Glossário de Termos Alquímicos e Herméticos – Parte 2




DECREPITAÇÃO: Ação de aquecer o sal comum com um cadinho para tirar a umidade.

DELÍQUIO: Ou deliqüescência, Resolução natural dos sais em água por exposição em um lugar úmido.

DESFLEUGMAR: Consiste em separar a água contida nos corpos (ou fleugma), por evaporação ou destilação.

DESTILAÇÃO: Operação durante a qual se separam as partes sutis dos corpos sólidos ou líquidos, ou ainda o espírito da matéria que o engolira.

DIANA: Ver Lua.

DIGESTÃO: Desagregação, involução ou maturação da matéria obtida expondo-se o vaso que a contém ao calor do banho-marinho por um tempo conveniente.

DRAGÃO: Um dragão mordendo sua cauda: a unidade da Matéria. Um dragão nas chamas: símbolo do Fogo. Vários dragões se combatendo: a putrefação. Dragão sem asas: o Fixo. Dragão alado: o Volátil.

ENXOFRE: Um dos princípios ocultos constitutivos da Matéria. Não tem nada em comum com o corpo vulgar deste nome. É também o símbolo do Ouro, preparado para Obra final.

ESFERA: Designa a unidade da Matéria.

ESPADA: Símbolo do Fogo.

ESQUELETO: Putrefação, a Obra no estado da cor negra. Sinônimo do Corvo

ESTRATIFICAÇÃO: Superposição, por planos alternados, de diversas matérias submetidas a um fogo violento, em um vaso fechado. A mistura se opera então por fusão, mas a superposição não é deixada ao acaso, ela deve ser racional e científica.

FAULX: Símbolo do Fogo.

FÊNIX: Símbolo da cor vermelha na Obra. O Ovo da Fênix é o Ovo filosófico. A Fênix é também o Enxofre e o Mercúrio dos Sábios unidos e conjugados no fim da Obra.

FIXO: O Enxofre metálico, ou cão Corascene.

FLORES: Representam geralmente as cores sucessivas que aparecem no curso da Obra.

FOGO: Um dos quatro Elementos dos Antigos. Não tem nada em comum com o fogo vulgar.

FOGO DE RODA: Primeira fase da Segunda Obra, fogo brando e lento.

FOGO DE SAIBRO: Interposição de saibro entre o fogo e o vaso contendo a matéria a tratar.

FOGO SECRETO: Espírito universal encerrado no seio das trevas metálicas, centelha de vida oculta em tudo o que está em seu estado natural primitivo.

FONTE: Três fontes representam geralmente os três princípios: Enxofre, Mercúrio e Sal. Ver também Banho. Há ainda outros aspectos desta palavra, que demandariam um desenvolvimento um pouco mais longo. Nós os encontramos notavelmente descritos nas obras de Fulcanelli.

FRIO: Uma das quatro qualidades elementares da Natureza.

HERMAFRODITA: O resultado da conjunção do Enxofre e do Mercúrio, chamado também Rébis.

HOMEM E MULHER: Enxofre e Mercúrio. Nus, designam o ouro e a prata impuros. Suas núpcias: conjunção do Enxofre e do Mercúrio. Encerrados em um sepulcro: os dois princípios unidos no Ovo filosófico.

JÚPITER: Símbolo do estanho.
LEÃO: Só: símbolo do Fixo, do Enxofre. Alado: o Volátil, o Mercúrio. O leão representa ainda o mineral (ou vitriolo verde), de onde extrai-se o óleo de vitriolo (ácido sulfúrico) do qual se servem os alquimistas. O leão, oposto a três outros animais, simboliza a Terra. É ainda o símbolo da Crisopéia.

LEOA: O volátil, o Mercúrio.

LIQUAÇÃO: O Ovo filosófico.

LOBO: Símbolo do Antimônio.

LUA: O Volátil, o Mercúrio, a Prata dos Sábios.

LUTO: Produto feito de matérias espessas e gordurosas destinadas a obturar as juntas que ligam diversos vasos entre si.

MARMORIZAR: Trituração das matérias sobre o mármore, com a ajuda de um pilão. Se diz também porfirizar.

MARTE: O ferro, a nuance alaranjada na Obra.

MATRAZ: Vaso de vidro, redondo, oval ou achatado, munido de um longo pescoço. Nele se
coloca para digerir a matéria preparada.

MÊNSTRUO: Águas vegetais ou minerais de propriedade dissolvente. Corrosivo.

MERCÚRIO: Um dos princípios ocultos constitutivos da Matéria. Não tem nada em comum com o
corpo vulgar deste nome. É também o símbolo da Prata preparada para a Obra final.

MONTANHA: Forno dos filósofos. Ápice do Ovo filosófico.

MORTIFICAÇÃO: Alteração da matéria por trituração ou adição de um elemento ativo.

NEGRO: Simbolizado também pelo Corvo. Imagem da putrefação.

NETUNO: A Água.

NÚPCIAS: Ver Casamento.

Por: Robert Ambelain
Colaboração: Marcelo veneri

Glossário de Termos Alquímicos e Herméticos – Parte final




OURO DOS SÁBIOS: Enxofre filosófico.

PADRE: Casando um homem e uma mulher ou um rei e uma rainha, simboliza o Sal princípio.

PALÁCIO: Entrada no Palácio fechado: descoberta do Agente capaz de operar a redução do Fixo, o retorno a uma forma análoga àquela de sua primitiva substância. Designa também o acesso ao Ouro Vivo, Ouro dos Sábios ou Enxofre filosófico, caso se trate do acesso ao Palácio fechado do Rei, e designa, ao contrário, a Prata Viva, a Prata dos Sábios ou Mercúrio filosófico, caso se trate da
entrada no Palácio fechado da Rainha.

PÁSSARO: Elevando-se no céu: volatização, ascensão, sublimação. Voando em direção ao solo: precipitação, condensação. Estas duas imagens reunidas em uma mesma figura: a destilação. Pássaros opostos a animais terrestres, significam o Ar, ou o Volátil.

PASSAGEM ESTREITA: Orifício.

PELICANO: Cucurbita fechada munida de dois manípulos religando a cabeça ao ventre. Chama-se também circulatório em razão de sua função.

PRATA DOS SÁBIOS: Mercúrio dos Filósofos.

PRIMA MATÉRIA: Matéria prima da Obra hermética. Geralmente, pirita de ferro ou de chumbo (Galena).

QUADRADO: Símbolo dos quatro Elementos.

QUENTE: Uma das quatro qualidades elementares na Natureza.

RÉBIS: Resultado do amálgama do Ouro dos Sábios e do Mercúrio dos Sábios, matéria dupla, ao mesmo tempo úmida e seca, tendo recebido da Natureza e da Arte uma dupla propriedade oculta exatamente equilibrada.

RECIPIENTE: Designa neste caso um balão de vidro.

REI E RAINHA: Ver Homem e Mulher.

RESÍDUO: O que fica no fundo de um vaso após a destilação. Sinônimo de fezes, terra morta, terra condenada, caput mortem.

RETIFICAÇÃO: Última destilação para se obter um espírito metálico extremamente puro. Faz-se seguidamente em fogo bem vivo.

REVERBERAÇÃO: Exaltação da energia interna do espírito metálico pela ação de um fogo violento sobre a matéria que contém este espírito. Às vezes: dissecação total.

ROSA: Designa a cor vermelha, estado último da Obra. Uma rosa branca e uma vermelha: união do Fixo e do Volátil, do Enxofre e do Mercúrio. Às vezes, a rosa é o emblema de toda a Arte Hermética.

RUBIFICAÇÃO: Ação de destruir o Enxofre combustível, e de exteriorizar o Enxofre
incombustível, princípio da aurificação dissimulada no seio do mineral.

RUBI MÁGICO: Agente energético, de uma sutilidade ígnea, revestido da cor e das múltiplas propriedades do fogo. Também chamado Óleo de Cristo, Óleo de Cristal, é ainda simbolizado pelo Lagarto heráldico, ou a Salamandra, que vive do fogo e nele engorda.

SAÍDA: Operação consistente em separar a prata do ouro por meio do salitre. É uma afinação.

SAL: Também chamado Arsênico, um dos três princípios misteriosos componentes dos corpos. Não tem nada em comum com um sal vulgar qualquer. Na união do Enxofre e do Mercúrio nos metais, se obtém ele como resultado. Como aliás, da ação recíproca do espírito e da alma, ou da alma e do duplo psíquico, se constitui o corpo dos seres humanos. O Sal pode ainda ser comparado ao "resultado" na adição de dois fatores.

SALAMANDRA: Simboliza o Fogo. Algumas vezes, ela significa a cor vermelha, estado último da Obra, ou mesmo a cor branca que a precede. Ver o Rubi Mágico.

SATURNO: Designa o chumbo. Igualmente, a cor negra da Obra, no estado de putrefação. Sinônimo do Corvo.

SECO: Uma das quatro qualidades elementares na Natureza.

SEPULCRO: Ovo Filosófico.

SEQUIDÃO: Aridez.

SERPENTE: Mesmas significações que para o Dragão. Três serpentes designam os três princípios: Sal, Enxofre e Mercúrio. Duas serpentes sobre o Caduceu: o Enxofre e o Mercúrio dos Sábios. Serpente alada: o Volátil. Sem asas: o Fixo. Serpente crucificada: representa a fixação do volátil.

SOL: Por vezes o ouro ordinário, preparado para a Obra, às vezes designa o Enxofre dos Sábios.

SUBLIMAÇÃO: Violenta ou lenta. A lenta é a melhor. A matéria é colocada em um vaso fechado com pescoço grande, sobre um fogo lento, de forma que as partes sutis (ou puras) se separem das partes grosseiras (ou impuras), subindo da parte de baixo do vaso para cima.

TERRA: Um dos quatro Elementos dos Antigos. Não tem nada a ver com o solo que pisamos.

TRIÂNGULO: Símbolo dos três princípios misteriosos constitutivos dos metais: Sal, Enxofre, Mercúrio.

ÚMIDO: Uma das quatro qualidades elementares na Natureza.

URINAL: Vaso parecido com uma cucurbita, mas um pouco mais longo. Serve para os mesmos fins.

VÊNUS: Designa o cobre.

VERMELHO: Estado último da Grande Obra. Simboliza também o Fogo.

VOLÁTIL: Imagem do Mercúrio. O que pode ser separado dos elementos fixos.

VOLATIZAÇÃO: Ação de transformar um corpo sólido em gás ou em vapor. Separação dos elementos voláteis dos fixos.

VULCÃO: Símbolo do fogo ordinário.

Por: Robert Ambelain
Colaboração: Marcelo Veneri

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Orden Martinista S::: I:::




Orden Martinista S::: I:::


Fundada hace relativamente poco tiempo por M. Marc Jones, su Gran Maestro, se presenta como una rama proveniente de la prestigiosa tradición Martinista. (Precisamos que Marc Jones había sido Gran Maestro adjunto de la Orden Martinista Libre antes que se retirara para constituir su propia estructura).

La Orden distribuye a los hombres y a las mujeres los diferentes grados tradicionales. Su objetivo es la reintegración del Ser Humano en su pureza primitiva y la unión del Hombre con Dios. Según su primer folleto esta Orden Martinista “quiere despojarse de toda estructura saturniana: ni estructura oficial, ni estatutos, ni sede social, ni cartas de miembros, ni cotizaciones ni derechos de entrada. No existe más que en el invisible.”

Sin embargo, “comprende a los simples asociados y a los “iniciados” repartidos ellos en tres grados, siendo dos grados probatorios y un nivel (El de S.I.)”.

Esta Orden comprende:

“- Un círculo exterior de estudios esotéricos, que es una escuela de formación para los dos primeros grados, los cuáles se reúnen en “logia de formación”.

- Un círculo interior de los S.I., que se reúnen en “Capítulo” y “Gran Capítulo” y cuya voluntad es formar parte de la comunidad electiva llamada “santuario interior”, “sociedad de los elegidos” o “Iglesia interior” (de Ekhartshausen y Loupoukhine).”

Sería interesante conocer cómo puede funcionar una Orden que reúne a sus miembros si no posee ni sede social, ni estructura administrativa, etc.

Los miembros se reúnen en Capítulos (grupo que posee un Venerable Maestro, que es el único apto para iniciar) o en Círculo (en el cuál no hay iniciaciones, dado que el grado mayor es el representado por SI y no el de SI LI.)

El Gran Maestro ha intentado componer unos ritos fundados en los antiguos rituales inspirándose en parte en el de Blitz y el de Philippe Encausse vía su iniciador, Pierre Rispail (Gran Maestro de la O.·.M.·. Libre). Una corta invocación ha sido añadida bajo forma de plegaria, que fue escrita por Cagliostro.

El trabajo se hace bajo la forma de planchas con una orientación particular hacia la cuestión de la reencarnación y el Maestro Philippe de Lyon. (Este último es a la vez la identidad y la referencia más importante de la Orden. Es en cierta manera su razón de ser, pasando por encima del mismo Saint Martin).

De la misma manera que en la mayor parte de las Órdenes Martinistas, las cadenas de plegarias están dedicadas a una o más personas que sufren.

Esta Orden está, sobretodo, implantada en Francia (París, Béziers) y en Luxemburgo.

Está ligada a la Iglesia Rosicruciana Apostólica, cuyo responsable es Armand Toussaint. El Gran Maestro es también responsable de la Caballería del Santo Grial, cuya gnosis hace referencia a Chauvet. Las ceremonias de composición tienen un fuerte aspecto religioso, habiendo hecho que se trate de una caballería transmitiéndose en el curso de una misa sin imposición por la espada.

Contrariamente a lo que sucede en la Orden Martinista de Papus, muchos de sus miembros no son francmasones.

OS TEMPLÁRIOS - historiografia da Ordem DeMolay





Os Templários

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos muçulmanos a glória dos atos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Eram os Gouvains do Cristianismo, que se constituiam fiadores da fé, disputando as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam.


Reinava em Jerusalém Balduíno II que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros assinalavam as ruínas de um grande Templo. Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo. Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Os "Pobres Cavaleiros de Cristo" atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as veneradas ruínas, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. E entraram. Uma extensa galeria conduziu-os atéuma porta chapeada de ouro por detrás da qual devia estar o maior Segredo da Humanidade. Pararam... Encimando a porta uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-SE DO MUNDO DOS VIVOS.

Pálidos, os cavaleiros entreolharam-se, e pela primeira vez em suas vidas sentiram medo e desistiram. Pois não era a mera curiosidade que ali os conduzira?... Os "infiéis do Crescente" eram seres vivos e contra eles a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava, e sim os aspectos da Morte. Voltaram. Os reencontros sangrentos com os islamitas tornara-os insensíveis ao medo, e num certo dia estimulados pelo desejo de conhecer a Criação que a grande porta de ouro lhes ocultava, entraram novamente a galeria dispostos a baterem-se com a própria morte. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada e bradou com voz estentórica: - EM NOME DE CRISTO, ABRI!! E o eco das suas palavras repercutindo pelo emaranhado labirinto respondeu : EM NOME DE CRISTO...enquanto a porta, rangeu os gonzos e escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo eqüilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD.



Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a "LEI" cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que "comprovavam" a heresia dos Templários. A "Lei Sagrada" era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica a KABBALAH. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto.

Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele éo emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. éa Unidade Perfeita.

Um raio de Luz intensa ilumina então àqueles espíritos obscecados pela idéia da luta, devotados à supressão da vida de seres humanos que não comungam os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Jetzira propõe ao entendimento humano.
Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma, e Espírito. Fogo Luz e Vida. Uma nova concepção que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades se apossa daqueles espíritos atéentão mergulhados em ódios religiosos e os conclama à Tolerância, ao Amor e a Fratenidade entre todos os seres humanos. A Teosofia da Kabbalah exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo.



Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa, encantadora. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura monstruosa, e atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas.

Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já a concepção dos Templários acerca da idéia de Deus não era muito católica. A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem "Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria" não era uma sujeição à Igreja mas uma referência a inicial que no centro do Triângulo simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros francos, normandos, germânicos, portugueses e italianos acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que dentro em pouco se convertia na mais poderosa Ordem do século XII. Mas a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade que o Rei de França Felipe o Belo decretou ao Papa para expedir uma Bula confiscando todas suas riquezas e enviar seus Cavaleiros para as "Santas" fogueiras da Inquisição.

Felipe estava atento. E não o preocupava as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não foram portanto, a mistagogia que geraram a cólera do Rei de França e deram causa ao monstruoso processo contra os Templários. Foi a rapacidade de um monarca falido para quem a religião era um meio e a riqueza um fim.


Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente aureolados pela glória obtidas nas batalhas de Ascalão, Tiberíade e Mansorah. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração das aguerridas hostes do Islam (muçulmanos), influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Espanha. Iniciam entre os Templários o culto de um gnosticismo eclético que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo em sua essência com os mistérios mais profundos do cristianismo.

São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adotados pela Franco Maçonaria Universal (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados "Adepto", "Companheiro", "Mestre Perfeito", "Cavaleiro da Cruz", "Intendente da Caverna Sagrada", "Cavaleiro do Oriente"e "Grande Pontífice da Montanha Sagrada". A Caverna Sagrada era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrilátero (quadrado) perfeito. O ORIENTE representava a Primavera, o Ar, Infância e a Madrugada.O MEIO DIA (Sul), o Estio, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite.


Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e das cinzas, purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera em que a Natureza desabrochava em florações luxuriantes, magníficas acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e cobertas pela neve que desolam e que matam, éo Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à Noite caliginosa e fria a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana. E éno contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida.

Nada se perde: Tudo se Transforma. ...Vai ser iniciado um "Cavaleiro da Cruz". O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, um pedestal que se elevapor três degraus, está a grande estátua de Baphomet, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, A Luz e as Trevas, etc...) como no Livro da Criação, a Sepher-Jetzira Livro mor da Cabala. No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando,imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a poco toma a cor de sangue. Éa vida que brota da união dos princípios opostos. Por cima da Cruz, a letra "G". O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece muito bem o significado dessa letra que na mudez relativa desafia a que a interpretação na sua nova posição, junto ao Tríplice Falus, na sua junção com a Rosa-Cruz mística. "A Catequese Cristã éapenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete éa Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina." "O Gnóstico éa Verdadeira Iniciação; e a Gnose éa firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis nos leva ao conecimento da Causa..." "Não éa Fé, mas sim a Féunida as Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina.

Fiéis são os que apenas literalmente crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, profundando-lhes o sentido interior, conhecem a verdade inteira." "Só o Gnóstico épor essência, piedoso." "O homem não adquire a verdadeira sabedoria senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porqur foi, é, e será tudo quanto existe." O Gnosticismo dos Templários éuma nova mística que ilumina os Evangelhos e os interpreta à Luz da Razão Humana. O Mestre Perfeito entra de olhos vendados, até chegar ao pedestal de Baphomet.

Ajoelha e faz sua prece: "Grande Arquiteto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dá o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e das Trevas." "Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à vossa soberana vontade" "Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade". Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão de conduzí-lo a meta da Verdade.


...O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a "Cavaleiro da Cruz"em tom afetivo e paternal: "Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda espécie de imperfeição humana". "A nossa consciência éque éo juiz das nossas ações. A ignorância éo verdadeiro pecado. O inferno éuma hipótese, o céu uma esperança". "Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas pelos instrumentos da Paz entre os Homens. A missão do Cavaleiro da Cruz éamar ao próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias ativas devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolíneo que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual". "O homem precisa Crer em algo.

Os primitivos cultuavam os Manes. Os Manes eram as almas humanas desprendidas pela morte da matéria e que continuavam em uma nova vida". "Onde iriam os primitivos beber a idéia da alma? Repondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário". "- Nos fenômenos psíquicos que propiciam aparições, nas ilações tiradas dos sonhos, e na percepção". "-Acreditais que os mortos se podem manifestar aos vivos?" "- Sim. Acredito que a Alma liberta do invólucro físico sobe a um plano superior, se sublima, e volve ao mundo para rever os que lhe são simpáticos, segundo a lei das afinidades". "- Acreditais na ressurreição física de Cristo?" "- Não." "- Acreditais na Metempsicose (Lei de Transmigração das Almas)?" "- Sim. A semelhança das ações, dos sentimentos, dos gestos e das atitudes que podemos observar em determinados seres não resultam apenas da educação mas da transmigração das almas. Essa transmigração não se opera em razão hereditária". "- Acreditai que a morte legal absolve o assassino? Que o Soldado não éresponsável pelo sangue que derrama"? "- Não acredito". " - Atentai agora nas palavras do Cavaleiro do Ocidente que vos dirá os sentidos que imprimimos no ao Grau de Cavaleiro da Cruz".

"A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs apresentadas como verdades indiscutíveis. Por isso nos encontramos aqui, em caráter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio do qual chegaremos à Verdadeira Harmonia." "As boas obras dependem das boas inclinações da vontade que nos pode conduzir à realização das boas ações. A intuição éque leva os homens a empreender as boas ações.

Quando o Grande Pontífice vos falou do culto dos primitivos, ele definiu a existência de uma intuição comum a todos os seres humanos." "Assim como por detrás das crenças dos Atlantes havia a intuição que indicava a existência de um Ser Supremo, o Grande Arquiteto responsável pela construção do Universo, também existia nesses povos um sentimento inato do Bem e do Belo, e um instinto de justiça que era a base de sua Moral." "A Ciência nos deu meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência nos diz que além da Ciência existe a Harmonia Divina". "Das ações humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria para lhe contemplar a Beleza; e, lançado nesse oceano,procriará com uma inesgotávelfecundidade as melhores idéias filosóficas, atéque forte e firme seu espírito, por esta sublime contemplação, não percebe mais do que uma ciência: a do Belo".

Estavam findas as provas de iniciação. O iniciado dirigia-se então para o Altar dos Holocaustos, onde o Sacrificador lhe imprime a Fogo, sobre o coração, o emblema dos Cavaleiro do Templo. ...Foi nessa intervenção indébita de Roma que influiu poderosamente para que a "Divina Comédia" de Dante Alighieri fosse o que realmente é- uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários em relação à imortalidade. Na DIVINA COMÉDIA cada Céu representa um Grau de iniciação Templário.

Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano, o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas, vem o Último Céu a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. Élá o zênite da Inteligência e do Amor. A doutrína Iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes, hindus, cabires, onde perpassam, numa visão Cosmorâmica todos os símbolos dos Grandes e Pequenos mistérios e das Ciências Herméticas: A Cruz e a Rosa, o Ovo e a Águia, as Artes e as Ciências, sobretudo a Cruz, que para os Templários, assim como para os Maçons seus verdadeiros sucessores, era o símbolo da redenção humana.

Dante Alighieri e sua Grande Obra: A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para seu sistema gnóstico. Pois o que era a Cavalaria Oculta de Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçônico ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos, e na qual Joséde Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada que figurava em todas as cerimônias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuiam graus e símbolos misteriosos, e que a Maçonaria moderna incorporou em seus ritos, por ser fatal aos perjuros. Os Templários adotavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e que a própria Igreja Católica a introduziu no ritual do cálice que serve no sacrifício da missa.

No Grau de Cavaleiro do Oriente,os Templários figuram um herói: Titurel, Cavaleiro da Távola Redonda, que desejando construir um Templo onde depositar o Cálice Sagrado, engcarregara da construção o profeta Merlin, que idealizou um labirintocomposto de doze salas ligadas por um sistema de corredores que se cruzavam e recruzavam, como no labirinto de Creta onde o Rei Minos escondia o Minotauro(Mit.Grega).

O Postulante Templário tinha de entrar em todas as salas, uma só vez, para receber a palavra de passe, e só no fim dessa viagem podia ascender ao grau que buscava. Mas se em Creta, Theseu tivera o fio de ouro de Ariadne, para chegar ao Minotauro, no Templo dos Cavaleiros do Oriente, o candidato apenas podia se orientar por uma chave criptográfica composta de oitenta e uma combinações (9x9) o que demandava muito esforço de raciocínio e profundos conhecimentos em matemática.

A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo. Os Grandes Iniciados, comos os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. Mas tinha grande aversão aos números pares.

O Grande Alquimista Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na Alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultuava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmônicos: o gênio, a memória e a vontade. Que o Universo operava sobre a eternidade e a imensidade movida pela onipotência.

A sua concepção em relação à Deus, o Grande Arquiteto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza. A Maçonaria criou uma expressão própria para os Altos Graus: Sabedoria, Estabilidade e Poder. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grndeza e a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos. As oitenta e uma combinações que levavam o candidato ao Templo de Cavaleiro do Oriente tinha por base o sagrado numero Três, sagrado em todas as corporações de carater iniciático.

O Triângulo encontrado no Templo de Salomão era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD no centro significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída de Brahama, Shiva e Vishnu personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, nós encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol.

Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adotou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai se multiplicando na vida maçônica dos iniciados atéa conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza. ...Os Graus na Ordem do Templo eram Sete, como o éna Maçonaria Moderna Universal. Este número era também, junto com o Três, estremamente sagrado para os antigos.

Era considerado o Número dos Números. Ele representava os Sete Gênios que assistiam o Grande Mitra, Deus dos Persas, e figurava igualmente os Sete pilotos de Osíris. Os Egípcios o consideravam o símbolo da Vida. Haviam Sete Planetas e são Sete as fases da Lua.

Sete foram os casais encerrados na arca de Noé, que parou sete meses depois do dilúvio, e a pomba enviada por Noésó recolheu depois de sete dias de ausência. Foram sete as pragas que assolaram o Egito e o povo hebraico chorou sete sias a morte de Jacob, a quem Esaú saudara por sete vezes. A Igrja Católica reconhece Sete pecados capitais e instituiu os sete sacramentos. Para os muçulmanos existem sete céus. Deus descansou ao sétimo dia da criação. Sete eram as Ciências que os Templários transmitiam nos sete graus iniciáticos: A Gramática, a Retórica, a Lógica, a Aritmética, a Geometria , a Música e a Astronomia. Sete eram também os Sabios da Grécia. Apollo nasceu no dia sete do mes sete e sete era seu número sagrado. ...

Harmonizando todas as Doutrinas, os Templários fugiam ao sentido fúnebre e superficial do catolicismo para se refugiarem em outros mistérios que entoavam Hinos à Vida. O argumento para a iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada foram buscá-lo à velha Frígia , Grécia, aos Mistérios dos Sabázios. Para os Gregos, Demeter (ou Ceres para os romanos) deu à luz a Perséfone, a quem Zeus (ou Júpiter) viola, e para isso se transforma em serpente. O Deus, atravessando o seio é a fórmula usada nos mistérios dos Sabázios: assim se chama a serpente que escorrega entre os vestígios dos iniciados como para lembrar a impudicícia de Zeus. Perséfone dá a Luz a um filho com face de touro. O culto dos Sabázios que servia de tema às iniciações Templárias de Quinto Grau, impressionara o gênio grego mas era um intruso em sua religião, e contra ele se levantaram Aristóphanes e Plutarco.

Era um Culto Orgíaco, mas não era disso que se queixavam os gregos, que também tinham o culto de Cybele e arvoravam em divindades as suas formosas hetairas (prostitutas sagradas do Templo) como o demonstra no túmulo da hetaira Tryphera: "Aqui jaz o corpo delicado de Tryphera, pequena borboleta, flor das voluptuosas hetairas, que brilhava no santuário de Cybele, e nas suas festas ruidosas, suas falas e gestos eram cheios de encantos".

A iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada realizava-se no mês de Maio, o mês das flores, com o Templo dedicado à natureza, porque o Quinto Grau de Iniciação Templária era um hino à renovação periódica da vida, dentro do Princípio Alquímico que admitia a Transmutação das substâncias e a renovação das células por um sistema circular periódico, vivificante, em que tudo volta ao ponto de partida, OUROBOROS. O Grande Pontífice da Montanha Sagrada encarnava o papel do Sabázio, o Deus Frígio que figurava as forças da natureza e as movia no sentido da renovação e da regeneração humana. A seus pés, de aspecto ameaçador estava a Serpente Sagrada, símbolo da regeneração e renovação pela mudança periódica de pele. À esquerda, coroada de flores e folhas verdes, cabelos soltos saindo de um emblema de estrelas, tendo ao peito nu, uma trança de papoulas, símbolo da fecundidade, nas orelhas brincos de três rubis e no braço esquerdo arqueado, o crivo místico das festividades de Elêusis, que três serpentes aladas acariciavam, a Grande Estátua de Deméter, personificação da Terra, e das forças produtoras da natureza.

À direita, envergando uma cumprida túnica, severa e majestosa, Hera (ou Juno) a imponente Deusa do Olimpo, Esposa de Zeus, estende aos postulantes a taça do vinho celeste que contém em si o espírito da força indomável dosado com a reflexão e com a temperança. As provas, neste Grau, dirigiam-se no sentido da imortalidade da alma, e também no rejuvenescimento físico. Deméter estendia a sua graça sobre o gênero humano para que os iniciados compreendessem que as forças da natureza reuniam a própria essência da Divindade.

Eram elas que impulsionaram a vida, que renovavam as substâncias nos ciclos mais críticos e que podiam levar o homem à Imortalidade. Hera velava do Olímpo e Sabázio conduzia o fogo sagrado. Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes em sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída é que recebiam a consagração da investidura do Grau. "A natureza mortal procura o quanto pode para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um individuo acabado." "Com efeito, apesar de dizer do homem que vive do nascimento até a morte, e que é o mesmo durante a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria." "Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo seu corpo e ainda em sua alma." "Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente. "Assim se conservam os seres mortais. Não são constantemente os mesmos, com os seres divinos e imortais. E aquele que acaba, deixa em seu lugar outro semelhante." "Todos os mortais participam da imortalidade, no corpo e em tudo o mais"