segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Teurgia, A Arte Sagrada dos Adeptos.




Trecho do livro"Theurgy, the Sacred Art of the Adepts"
de Demetrius Polychronis (c) 2001
editora Pyrino Kosmo
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Traduzido por Geórgia Nuño Racca

   O Termo “Teurgia” é derivado da linguagem grega.

   THEOU ERGON = THEURGIA
   Literalmente significa “O Trabalho de Deus”.
   O que é Teurgia? Em um primeiro contato, pode-se dizer que não é nada mais do que Oração – Uma Oração que encontra algumas condições íntimas e é expresso por um ritual simples. Os objetivos são:
      • Aliviar o sofrimento e;
      • Ressuscitar a humanidade no Amor de Deus e na sua Sabedoria.

   A . Expressão da Espiritualidade Humana.
   “Espiritualidade” pode ser definida como “a relação do homem com Deus”. E, então, não havendo nenhuma ligação entre “intelectualidade”, “conhecimento” ou “educação”.
   As expressões da espiritualidade humana podem ser resumidas em:
  
 A. Exotérica
      1. Religião, devoção exotérica.

   B.Esotérico
      1. Esoterismo religioso ( Monástico)
      2. Esoterismo Filosófico (educação, ensinamento)
      3. Esoterismo Sacramental (Teurgia)


   B. História

   Apesar do termo Teurgia ter aparecido apenas durante a Era Romana, esta, já era praticada pela antiga civilização.
   Em 10.000 a.C os Orfistas usavam seus cânticos em um sistema filosófico, iniciático, sacramental e religioso chamado de “Orfismo”. Aristóteles dizia que: “Orfeus eram os únicos que estabeleciam os ritos sacramentais na Grécia”.
   Do segundo século a.C. Originou-se o texto dos Oráculos Caldeus, - a qual distanciou-se da Doutrina filosófica e iniciática – dando instruções específicas para a execução da Teurgia.
   Os Filósofos Neoplatônicos – e especialmente Jamblichus – promoveram e praticaram a Teurgia como sendo o significado da Natureza transcendental e integrando ao seu próprio interior a Criatividade das Operações Divinas.
   Jesus Cristo e seus discípulos executaram uma grande quantidade de milagres. Isto nada mais foi do que Teurgia, mesmo que na época não fosse conhecida com esse nome.
No Império Bizantino – colocou-se de lado algumas tradições que falavam sobre a presença e atividade Rosacruciana – O único dado concreto que sabemos foi o comentário do Oráculo dos Caldeus feito por Michael Psellus e Georgios Pletho – Gemistos.
   Durante a idade média parece que não houve atividades Teúrgicas. Mas na Renascença houve um incentivo ao esoterismo – ambos teóricos e práticos. Khunrath, Reuchkin, Tritheim, Agrippa, Fludd, Dee …
   No século XVIII Martinez de Pasqually fundou a “Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Cohen1 do Universo”. Eles praticavam a Teurgia. Alguns dos rituais foram publicados por R. Amadou, outros incluídos no “Sacramentary” publicado por R. Ambelain.
   L.C. de Saint Martin, Secretário e Discípulo de Pasqually - baseado nos mesmos princípios de Martinez – estabeleceu seu próprio sistema Teúrgico. Ele declarou: “Teurgia não é apenas um presente de Deus ao Homem, é uma responsabilidade a qualquer um, desde que sinta o verdadeiro desejo da realização em seu coração; pois Deus oferece ao Homem a oportunidade para ascender tal sentimento em seu coração”.
   Os Rosacruzes do Oriente praticavam um sistema muito sólido da Teurgia (nãokabalistico). Uma enorme parte de seus rituais foram publicados por R. Ambelain no “Sacramentary of the Rose+Croix”.
  
 C. O que é Teurgia ( e o que não é teurgia)
   Há quatro tipos de rituais que não devem ser confundidos.
      1. Sacramentos Religiosos;
      2. Rituais Mágicos ;
      3. Rituais Teúrgicos;
      4. Rituais Satânicos.



Rito
Agente Operador Executado por
Inspiração
Sacramento Religioso
Deus
Divino
Mágico
Homem
Humano
Teurgia
Homem Cooperando com Deus
Divino
Satanismo
Homem Subjugado pelo Demônio
Demoníaco
   Há, ainda, um outro tipo, os rituais iniciáticos, que são relatados como a noção de Egrégora. O Livro não menciona este tipo de rituais.


  D. Pré-requisitos
      1.Básico
      a. motivação
      b. modo de vida
      c. condições do ambiente (quarto, tempo, etc.)

   
   2. Sacramento
   De acordo com o autor, não poderá praticar a Teurgia se o indivíduo recusar a força presente de Deus, o qual é o sacramento da sagrada sacristia. Esta opção não é arbitrária, ela aceita o que R. Ambelain declara no capítulo sétimo (O Elixir da longa vida) do seu livro “ A Alquimia Espiritual”.
  
    3. Qualidades (virtudes)
      a. Pureza
      b. Amor
      c. Fé
      d. Remissão (perdão para com Deus)

      Estas virtudes são os quatro pilares do templo interior.

    
  4. Dinâmica
   • “Nipsis” (que é uma prática para trabalhar o controle próprio, consciência,          liberdade de qualquer tipo de obsessão, uma espécie de “bom senso espiritual”)
   • Estado interior de Oração


  E. Elementos do Ritual        1. O altar ou uma mesa de execução, coberta com um manto branco.
       2. Velas
       3. A Cruz
       4. O novo testamento, aberto no início do primeiro capítulo do Evangelho de São             João.
       5. Incenso
       6. Palavra
       7. Gesto

   
F. Ritual interior
   “Tecnicamente, o ritual teúrgico é a expressão do lado interior do Homem através de palavras e do seu ardente desejo de estar associado a Deus e cooperar com ele, por meio de uma série de meditações e pensamentos, palavras, gestos e símbolos”.
   Dessa forma, na Teurgia não há “rituais mágicos”. O indivíduo é livre para compor seu próprio ritual, que deve ser baseado nos princípios da legítima espiritualidade.
   O Ritual Teúrgico funciona em vários níveis.
      1. Influência psicológica
      2. Harmonia com Deus
      3. Harmonia do mundo interior com o mundo exterior
      4. Criação de “eixos verticais” de Harmonia e comunicação entre os planos.

   G. Estrutura Geral do Ritual Teúrgico.
      Abertura
      Expressão de arrependimento, contrição
      Invocação do Anjo Guardião
      < estado de interior oração>

      Expressão de gratidão
      Louvor, Glorificação
      Rezar para o Pai, Filho e Espírito Santo
      < estado de aceitação>

      Operação específica, ( terapêutica ou outra)
      Expressão de gratidão
      Finalização

   H. Resultado da Teurgia.
   A Teurgia influencia em todos os níveis da existência do homem – em seu corpo (material), alma (emocional) e espírito (racional).
   Todavia, o resultado mais importante é a Transcendência. Por definição “transcendental” é o que transcende ou ultrapassa a natureza humana.
   Então, transcender não é algo que o homem pode controlar; um presente de Deus, a germinação e o crescimento inexplicável da Palavra no homem.
   I Aplicações
      1. Iniciação
      2. Aplicação terapêutica (cura)
      3. Aplicação Talismânica

   J. Estágios na Senda Teúrgica
      Primeiro estágio:
   • Pré-requisitos: Busca da realização interior;
   • Objetivos: Evitar erros exotéricos morais, éticos.

      Segundo estágio:
   • Pré-requisitos: Evitar erros exotéricos morais, éticos
   • Objetivos:
   • Realização da purificação interior
   • Os Teúrgicos procuram uma oportunidade para beneficiar as pessoas.

      Terceiro estágio
   • Pré-requisitos: Realização da purificação interior. Nada polui, corrompe o templo interior do teúrgico.
   • Objetivos: Transformar-se num benfeitor da Humanidade

Fonte: The Rosicrucians of the Orient

   Notas
   1 - Cohen, sacerdotes hebreus, filhos de Cohen, descendentes dos sacerdotes hebreus que administravam o templo, descendentes de Aharon - N da T
   2 - Neste documento, a palavra “Rosacruz” não se refere aos Rosacruzes do século XVII. Refere-se a um ramo menos conhecido que são os “Irmãos do Oriente”.
   Todos os princípios pelo qual nós temos por base o sistema teúrgico que é mostrado em nosso livro, são sem dúvidas a verdadeira origem rosacruciana. Os mesmos princípios absolutos (mas de uma forma diferente de aplicação) pode ser encontrada nos Sistemas de Martinez de Pasqually, Saint Martin e o anteriormente mencionado “Irmãos do Oriente”, revelado no “Sacramentary” publicado por R. Ambelain ( veja também “The Lyon Lessons to the Elus Cohens in 1774-1776”).
   Os mesmos princípios são também encontrados no Heinrich Khunrath “Amphitheatre of the Eternal Sapience” ( a quem foi dito que deveria ser iniciado pelos “ Irmãos do Oriente”)
   Dessa forma, neste documento o termo Rosacruz tem o significado em sua origem, em princípios e qualidade. Não significa necessariamente que este sistema teúrgico tem sido atualmente implementado em todos os detalhes por qualquer grupo ou ordem Rosacruz.
   3 - Os esotéricos que são habituados a interpretar tudo por meio de correspondências Kabalísticas, por pensarem ser provável a aproximação com a Teurgia simplista. Nos os asseguramos isto não é o caso.
   Breve e inalterado o Martinismo – por Martines Pasqually, L.C. de Saint Martin, J.B. Willermoz and d'Hauterive – não era ritualmente Kabalistico. ( mas a estrutura em seu todo do sistema teúrgico de Ellus-Cohens era, de fato, baseado na Árvore Sefirótica).    Até onde sabemos, não existe uma expressão kabalística singular de tudo que foi escrito acima. ( incluindo os 3 anos do percurso de Saint Martin feito por ele na Ordem do Ellus Cohens em 1774-1776)
   Exceto a bibliografia acima, que nos referimos para o leitor, há também um outro elemento muito importante que justifica esta aproximação: 
um símbolo Martinista da Origem Rosacruciana: O Pelicano na Rosa Cruz.
LEITURA ADICIONAL
      
De Mysteriis Aegyptiorum Obra que fala sobre algumas práticas mágicas do antigo Egito (de Jamblichus)http://www.ndl.go.jp/incunabula/e/collection/incu_12.html .

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MARTINISMO - PARTE I






Texto adaptado do livro Sociedades Secretas da Europa, a ser publicado pela editora Via Occidentalis.



A época: dezembro de 1940. O lugar: Paris, França, em plena época da ocupação nazista alemã. O momento: o fim de um dia como outro qualquer. Ou nem tanto assim, uma vez que, no bairro conhecido como Quartier Latin (ou Quarteirão Latino), alguns homens se reúnem num quarto de um bloco de apartamentos. 



Estão no andar superior de uma velha construção, datada do século XVIII. Procuram não se deixar incomodar pelo exército alemão nem pelos agentes do Governo de Vichy, o fantoche nazista.



É uma época negra para as sociedades secretas. Os policiais do governo possuem ordens para caçar e interromper qualquer atividade que envolva qualquer tipo de irmandade, com ameaças de interrupção das atividades e prisões para os acusados. Mas nada disso parece impedir o intento daqueles homens.




Numa mesa, coberta por uma “tríplice toalha” nas cores preta, branca e vermelha (símbolo dos Três Mundos) vemos uma espada cujo brilho banha o Evangelho de São João, colocado sob a luz de três velas, dispostas em triângulo. O iniciador, parcialmente encoberto pela fumaça perfumada do incenso que segura com as mãos, traça o chamado Sinal Misterioso. Mais adiante pode ser vista outra vela, cujo castiçal encontra-se na frente de outros dois símbolos, um cordão e uma máscara. Tudo é muito arriscado e mistura-se ao medo de ser descoberto a qualquer momento. 



Mesmo assim prosseguem com a cerimônia de iniciação de uma tradição que, já naquela época, era considerada antiga, o Martinismo.



O iniciador recita então as palavras do Sacramentário, uma espécie de ladainha que visa ser, segundo alguns textos, a ponte que deve unir os vivos e os mortos. Todos os presentes passam a sentir como se o recinto estivesse de fato cheio de pessoas:



“Recebei, Senhor, de acordo com a promessa do Filósofo Desconhecido, nosso Mestre, a homenagem feita neste lugar, pelos vossos servos aqui presentes! Que possa esta Luz Misteriosa iluminar nossos espíritos e nossos corações, como previamente iluminou ao Trabalho de nossos Mestres! Possa este archote iluminar, com a sua luz brilhante, os Irmãos reunidos em Vosso nome. Que a presença dele possa indicar um vivo testemunho de sua União Delineada nos mínimos detalhes da cerimônia conduzida, em toda a sua magnitude”.



Nessa hora um dos assistentes posiciona a máscara, símbolo do Silêncio e Discrição, sobre a face do Iniciando, enquanto um segundo o veste com uma capa, símbolo da Prudência, e um terceiro ata o cordão, símbolo da “Corrente de Fraternidade”.



O ritmo do ritual é lento, mas segue sem problemas. Depois que o novo irmão é consagrado e realiza-se a consagração de seu nome esotérico, que será conhecido apenas por aqueles que fazem parte da Ordem, a cerimônia chega ao fim com estas palavras:



“Possa você, meu irmão, justificar as palavras do Zohar: Os que possuem a Divina Sabedoria, brilham como faíscas dos Céus, mas aqueles que a transmitem a outros Homens vão brilhar como Estrelas, por toda a Eternidade”.



O Iniciador e o Iniciado voltam-se então para a vela solitária no canto, que simboliza a vigília constante dos Mestres do Passado. Novas palavras são apresentadas:



“Irmãos, eu vos apresento (nome do iniciado), ‘Superior Incógnito’ de nossa Ordem e eu lhes peço que o aceitem entre nós”.



Todo o trecho descrito acima foi de fato utilizado pelos Martinistas durante os terríveis anos de ocupação dos nazistas. Nota-se, logo de cara, certas semelhanças ritualísticas com outras ordens vigentes hoje em dia, incluindo a Antiga e Mística Ordem Rosacruz (AMORC). 



Duvida? Basta uma pequena pesquisa num sistema de buscas da Internet e poderemos constatar que qualquer lista de Martinistas famosos inclui pelo menos dois imperators (o termo é grafado dessa maneira mesmo) da AMORC, Ralph Maxwell Lewis (1904-1987) e Christian Bernard (1951 até os dias de hoje).



Mas quem são esses Martinistas? Comecemos por definir o movimento em si, considerado uma das sociedades secretas que mais cresce nos dias atuais. 



O Martinismo é uma tradição mística que se iniciou na França do século XVIII por obra e graça de Louis-Claude de Saint-Martin (1743-1803), um nobre libertado pelas forças locais durante a Revolução Francesa para que se tornasse professor. Era uma pessoa interessada em espiritualismo, tratamentos magnéticos, invocações mágicas e nos trabalhos de Emanuel Swedenborg, um suíço que se definia como místico cristão e que também era filósofo e cientista.





Os trabalhos de Saint-Martin atraíram toda uma gama de admiradores, que logo se reuniram em grupos, batizados de “Amigos de St. Martin”, o embrião dos Martinistas. Hoje ainda se fala bastante do Martinismo graças à influência que sua filosofia e ensinamentos tiveram em Ordens como a Aurora Dourada.



O mentor de St. Martin foi Martines de Pasqually (1710-1774), fundador da “Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Cohen do Universo”, praticantes da Teurgia (palavra derivada do termo grego Theou Ergon, “O Trabalho de Deus”), que teve influência do Orfismo. Foi lá que, no final de 1768, tornou-se iniciado nos três primeiros graus simbólicos pelo avô do escritor Honoré de Balzac.



Após a morte deste, St. Martin adotou Jacob Boehme, (1575-1624), um filósofo e místico alemão, como seu novo mestre. Afastou-se então da Teurgia e dedicou-se a outros estudos, iniciando várias pessoas em seu próprio grupo de seguidores, conhecido como Sociedade Íntima ou de Amigos. Após sua morte, em 1803, tanto a iniciação descrita no começo deste capítulo quanto outros de sues ensinamentos foram propagados por pequenos grupos. 



Em 1888 dois estudantes de medicina seriam iniciados nessas tradições e se tornariam responsáveis por unir os Martinistas. Augustin Chaboseau (1868-1946), ocultista e historiador, e Papus (Gerard Encausse, 1865-1916), um dos responsáveis pela popularização do esoterismo. 



Os dois criaram a Ordem Martinista original que, em sua fundação, contava com 21 membros. Papus foi então eleito primeiro presidente e grão-mestre da Ordem. Sob seus cuidados a sociedade cresceu rapidamente e, no começo do século XX, contava com centenas de membros em vários continentes. A ponto de, em 1905, o último Czar da Rússia, Nicolau II, convidar Papus para ir até Tsarskoïe Selo, o palácio dos czares, a fim de pedir conselhos sobre o tratamento com os revolucionários bolchevistas.



O fim



Papus morreu no campo de batalha durante a Primeira Guerra Mundial enquanto cumpria suas obrigações como médico. Os Martinistas perderam no conflito vários líderes e, no período após o fim do conflito, a Ordem estava extinta e os membros sobreviventes seguiram por direções diferentes, originando diversos sub-movimentos.



Alguns membros franceses, por exemplo, acreditavam nas reivindicações de Karl Wilhelm Naundorff (relojoeiro alemão, um dos muitos malucos que se apresentaram como sendo Luís XVII, o filho perdido de Luís XVI e Maria Antonieta, mortos na Revolução Francesa). Esses dissidentes se juntaram ao movimento pela Sinarquia, que pregava o poder coletivo do governo, para formar a Ordem Martinista e Sinárquica (Ordre Martiniste et Synarchie ou OMS).



Em 1931 três membros do supremo conselho original da Ordem de Papus, Augustin Chaboseau, Victor-Emile Michelet e Lucien Chamuel juntaram-se para revitalizar a ordem original. Para diferenciar essa nova versão da antiga batizaram-se de Ordem Martinista Tradicional (Ordre Martiniste Traditionnel ou OMT). É em 1939 que Ralph Maxwell Lewis, da AMORC, é escolhido pela OMT para levar o Martinismo para os Estados Unidos.



Hoje a OMT ainda existe na Europa. Seu ramo norte-americano também se encontra em atividade, embora esteja reservado apenas a membros da AMORC. Com a Internet os Martinistas tradicionais encontraram um meio de rápida propaganda e hoje crescem com uma rapidez surpreendente.



Além das ordens descritas acima são conhecidas ainda outras derivadas, listadas no quadro abaixo:



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MARTINISMO - PARTE II




Depois dessa separação, cada segmento da Ordem adotou sua própria metodologia de integração de novos membros. Porém alguns pontos em comum são possíveis de serem identificados.

Sabe-se que a Instituição está organizada por Círculos e Grupos. O interessado sem e tornar membro ingressa inicialmente nos Círculos Martinistas, onde recebe uma instrução ampla e geral para se familiarizar com o método de trabalho, que é bem diferente das outras sociedades que se dedicam aos estudos esotéricos. Também é nesta fase que o candidato a novo membro conhecerá aqueles que serão seus Iniciadores. Até aqui o ingresso não resulta em nenhum tipo de compromisso. 

Depois de um certo tempo, passado em companhia de outros Martinistas mais experientes, o candidato pode decidir permanecer. Só então há uma mensalidade que deverá ser paga como contribuição para a manutenção do local de reunião e gastos com cursos por correspondência. Em caso do estudante sentir-se à vontade na companhia dos instrutores e demais componentes de seu grupo e for considerado detentor de “pureza de intenções”, o próximo passo será ingressar nos Grupos Martinistas que constituem a Ordem propriamente dita. Da mesma maneira seu desligamento pode acontecer a qualquer momento.


Filosofia e Graus

A filosofia Martinista é baseada no Tratado Da Reintegração dos Seres, de Martines de Pasqually, considerada uma obra básica. O trecho abaixo mostra uma “rogatória”:

"Pai de caridade, de misericórdia;
Pai vivificante e de vida eterna;
Pai dos Deuses, dos céus e da terra;
Deus forte e muito forte;
Deus de justiça, de castigo e recompensa;
Eterno Todo-poderoso;
Deus vingador e remunerador;
Deus de paz e de clemência, de compaixão caridosa;
Deus dos bons e dos maus espíritos;
Deus forte do shabbat;
Deus de reconciliação de todos os seres criados;
Deus que castiga e recompensa a seu gosto;
Deus quádruplamente forte das revoluções e
dos exércitos celestes e terrestres deste universo;
Deus magnífico de toda a contemplação;
dos seres criados e das recompensas inalteráveis;
Deus pai de misericórdia sem limites pela sua fraca criatura,
ergue aquele que geme perante Tí pela abominação do seu crime.
Ele é só a causa segunda da sua prevaricação.
Reconcilia o teu homem em tí e submete-o para todo o sempre.
Abençoa também a obra feita pela mão de teu primeiro homem,
a fim de nem ele nem eu sucumbirmos às solicitações,
daqueles que são a causa da minha justa punição e
da punição da obra da minha própria vontade,

Amem!"


Além do tratado, única obra conhecida do primeiro mestre de St. Martin, há os escritos do próprio fundador e de Jean-Baptiste Willermoz (1730-1824), ocultista e maçom. Os ensinamentos das obras destes três nomes focam em assuntos como misticismo de origem cristão, judeu e na cabala.

O sistema de graus é constituído basicamente de três fases: Associado, Iniciado (ou Místico) e SI (Supérieur Inconnu), também conhecido como Servidores Incógnitos, grau que era definido por Papus como “um pequeno legado de duas letras e alguns pontos”. Como já foi citado, a Ordem Martinista Rosacruz (R+CMO) afirma haver um quarto grau, a Teurgia que remonta a Martines de Pasqually.


Conceito de Espírito

Um exemplo que ilustra bem os conceitos Martinistas está na definição do espírito feita por St. Martin em sua obra, Homem: sua verdadeira Natureza e Ministério. Num trecho, que leva o nome de Espírito, O Fruto De Todos Os Poderes Da Unidade, o fundador do movimento diz:

“Como o fruto de toda geração que temos conhecimento, reproduz e representa tudo o que constitui os poderes que o engendrou, assim, o que chamamos Espírito, no ato gerativo da Unidade Eterna, nada mais pode ser do que a expressão real e manifesta de tudo aquilo, sem exceção, que pertença a esta Unidade Eterna: desta forma, cabe ao Espírito Universal nos tornar tal Unidade conhecida, descrevendo-a inteiramente, assim como o Homem reproduz, temporariamente, todas as propriedades de seu pai e mãe, de quem é uma imagem viva completa. 

Sim, se observarmos atentamente com nossa compreensão, este real e perpétuo fruto da Unidade Eterna, veremos que, desde que os poderes desta Unidade são perpétuos, necessários e exclusivamente dependentes uns dos outros, e o fruto da união destes poderes é um real engendramento, tão ilimitado quanto infinito, este fruto deve realmente ser a expressão real e completa desta mútua união; ele deve conter em si, tudo o que pode servir como fundamento para a atração mútua destes poderes, uns em direção aos outros, de forma real e universal. 

Assim, é necessário que o fruto deste engendramento e este Ser Divino, se revele e se apresente a nós, sem cessar, em todos os pontos, tamanha a abundância e continuidade de amor, vida, força, poder, beleza, justiça, harmonia, proporção, ordem e todas e quaisquer outras qualidades das quais, nosso pensamento deve, em todo lugar, encontrar o efeito vivo de sua plenitude, e nunca deixar de reconhecer a supremacia de sua unidade universal; acima de tudo, se faz necessário, que este fruto engendrado pela Essência Divina, da mesma forma, se torne um, já que deve ter e ser tudo aquilo que esta Unidade contém e que não se pode admitir nenhum intervalo ou alguma diversidade de graus, entre o amor destes poderes e o ato de seu engendramento, como também não é possível perceber qualquer diferença entre a existência essencial e a natureza constituinte deste fruto”.


O Ritual dos Guardiões Invisíveis

Quando o 11 de setembro de 2001 trouxe desespero e terror aos corações dos americanos, os Martinistas usaram a Internet para fazer circular para os necessitados um documento que continha um de seus rituais que visava a “recuperação das almas em dor, como as vítimas de desastres e acidentes”. Afirmam que “o trabalho dos guias espirituais que ajudam as vítimas em nivele spiritual é bastante ajudado com a utilização deste ritual”.

A seguir encontramos um resumo do Ritual dos Guardiões Invisíveis, cujo texto veio da Ordem Martinista dos Cavaleiros de Cristo. É identificado como ritual M02RI021 e composto por duas partes. Na primeira há uma série de explicações sobre quem são os guardiões e o material necessário para praticar a cerimônia e na segunda vemos o ritual em si.

De cara ficamos sabendo que os guardiões invisíveis são Martinistas que foram iniciados “de maneira regular e tradicional” na Ordem e que realizam um trabalho específico a serviço de Deus e da humanidade. Eles são “desconhecidos” porque trabalham em segredo e realizam tarefas que envolvem os ambientes interno e invisível. “A ajuda silenciosa é dada às almas aflitas pelos Guardiões Invisíveis é uma prática iniciada por Raymond Bernard (considerado por eles como um dos principais filósofos esotéricos da atualidade)”.


Esses guardiões possuem a seguinte missão:

1) Dar assistência às almas dos mortos na passagem para o outro plano, e ajudá-los a se tornarem conscientes de sua nova realidade.
2) Dar ajuda para as almas encarnadas no plano físico.
3) Dar assistência espiritual para aqueles que sofrem, além de purificar a aura da Terra.

Para realizar o ritual não é necessário ter nenhuma prática ou equipamento. O trabalho é mental na preparação, já que usa apenas a visualização, e espiritual em sua ação. 

Pode ser praticado em qualquer lugar onde o iniciado puder se focalizar e, com um pouco de prática, poderá ser realizado até em meio a uma multidão.

Enquanto o interessado não atingir este grau de concentração é recomendado para efeitos de obter “uma consagração prática e completa” que os guardiões cumpram sua missão num quarto de sua casa (ou em seu Oratório Martinista, um lugar especialmente preparado para realizar este tipo de trabalho) ao acender uma única vela.

Para começar, é recomendável que seja feito uma vez por semana, se possível no mesmo dia e hora, durante um mês. Depois deverá ser feito por 21 dias seguidos. Finalmente, quando a prática já for assimilada pelo iniciado, fazê-la todo dia, no horário mais propício para o praticante.

Para realizar este ritual é necessário realizar alguns procedimentos:

- Ritual de consagração para seu oratório pessoal.
- Ritual de abertura e encerramento de trabalhos místicos.
- Ritual de operação.
- O Texto Prática dos Guardiões Invisíveis

Somente o último texto deverá ser seguido na ordem apresentada originalmente. Os outros rituais (chamados pelos Martinistas de “elementos”) tem por função ajudar o praticante a começar a cerimônia, com a alternativa de serem usados na sua totalidade ou em parte para outras atividades como a meditação diária. Mais importante que a prática do ritual em si é a disposição interior do praticante.

O ritual completo passa pelas seguintes fases:

- Consagração do oratório pessoal pela reza.
- Reza pela bênção da espada cerimonial.
- Invocação da abertura dos trabalhos místicos.
- Ritual operativo: círculo incensado, cruz cabalística, círculo branco traçado com a espada, traçar 4 pentagramas de expulsão, invocação dos Arcanjos.
- Prática dos Guardiões Invisíveis.
- Fechamento dos trabalhos.
- Ritual operativo: agradecimento, sinal da cruz, cruz cabalística, fechamento do véu.
- Ritual místico: encerramento da invocação.

A cerimônia segue com a parte da purificação das mãos pela água e do resto do corpo (por meio dos pontos conhecidos como as sete portas: olhos, ouvidos, narinas e boca) e a ingestão de um pouco de água fresca. Depois o praticante veste sua túnica e corda enquanto pronuncia a seguinte oração:

“Limpe-me, Senhor, e purifique meu coração para que, estando limpo no sangue do Cordeiro, possa desfrutar de um dia de Alegrias Eternas, quando minha alma estiver finalmente reconciliada. Oh Senhor Misericordioso, também desejo extinguir o fogo de paixões inoportunas em mim, para que a Virtude, a Força e a Pureza possam operar em mim. Por Ieschouah (Jesus), Nosso Senhor, Amen”. Em seguida deve-se traçar o sinal da cruz Tau (também conhecida como Cruz de Santo Antão) na testa, seguindo os movimento 1.  + 2. 

Em seguida há a consagração do Oratório Pessoal, que exige alguns objetos:

1) Três triângulos equiláteros de feltro ou cartolina, nas cores preto, vermelho e branco.
2) Candelabro e vela consagrada.
3) Pentáculo martinista, em forma de objeto ou desenhado.
4) Vela dos Mestres do Passado.
5) Incensário e incenso
6) Fósforos ou isqueiro.
7) Retrato de Sr. Martin ou de Cristo.
8) Água e sal.
9) Bíblia aberta no Evangelho de São João.
10) Máscara preta.
11) Espada como extremo em forma de cruz.
12) Certificado de iniciação (opcional)
13) Toalha de mesa branca.

O resto do ritual segue com as consagrações do oratório e do equipamento a ser utilizado e abertura dos trabalhos. 

Depois traça-se um círculo de proteção com o incenso e traça-se a cruz cabalística consagrando os seguintes lugares do corpo:



O Ritual segue com o desenho dos pentáculos de expulsão, a invocação dos anjos, a operação (que exige a leitura da Prática dos Guardiões Invisíveis) e o encerramento. 

Lembramos que cada caso exige uma oração diferente e que listar todas aqui tomaria um grande espaço de nosso trabalho e tornaria a leitura deste trabalho chata. 

Os interessados em conhecer este ritual mais a fundo devem procurar o guia do ritual (disponível por Internet em espanhol e inglês).

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Por Sérgio Pereira Couto
Publicado: 14/09/2007