quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Glossário de Termos Alquímicos e Herméticos – Parte 1







Vamos indicar aqui, um significado suficientemente geral dos termos habitualmente utilizados pelos autores que tem tratado de Alquimia.

Este pequeno glossário permitirá aos desejosos de estudar profundamente a Alquimia material que, paralelamente à Alquimia espiritual, permitirá a compreensão de obras muito fechadas, como:

“O Livro das Imagens sem Palavras”, ou Mutus Liber,

“O Tratado Simbólico da Pedra Filosofal” de J. C. Barchunsen,

“O Amfiteatro da Sabedoria Eterna”, de Henry Khunrath.

E, assim familiarizados com a significação geral destes termos um pouco obscuros, será mais fácil abordar as obras dos alquimistas modernos, e sobretudo do grande Jean-Julien-Hubert Champagne, aliás Fulcanelli.

Sobre Fulcanelli, possui-se um importante dossiê, resultado de uma paciente pesquisa feita, entre 1935 e 1937, sobre a verdadeira personalidade de Fulcanelli.

Esse dossiê é composto por recordações daqueles que trabalharam com ele desde 1907, e daqueles que foram seus colaboradores no curso de sua vida ardente de adepto, por fotografias e documentos que demonstram, sem contestação possível, que Fulcanelli e Jean-Julien-Hubert Champagne foram uma só pessoa!

Sobre essa identidade, não cremos haver nenhuma contradição, e possui-se uma fotografia onde consta uma dedicatória que forneceu a prova absoluta.

Em suas obras “O Mistério das Catedrais” “As Moradas Filosofais”, ele aborda o domínio material da Alquimia. Mas as significações que damos aqui serão utilmente completadas pelo aspecto prático que ele nos dá.

Resumem-se aqui, alguns dos termos que se encontram em um certo número de obras que tratam de alquimia.

Particularmente, seguimos as significações dadas por Albert Poisson, em seu livro
"Teorias e Símbolos", e pelo pesquisador erudito Jean Mavéric, em seu livro "A Arte Metálica dos Antigos".

Quando o assunto valia a pena, recorremos às duas obras de Fulcanelli, "O Mistério das Catedrais" e "Demeures Philosophales", e aos "Cinco Livros" de Nicolas Valois, etc...

AFINAÇÃO: Operação pela qual separa-se de um metal tudo que lhe é estranho. Ela é praticada particularmente sobre o ouro e sobre a prata.

ÁGUA: Um dos quatro Elementos dos Antigos. Não possui nada em comum com a água vulgar.
ÁGUIA: Símbolo da volatilização, e também dos ácidos empregados na Obra. Uma águia devorando um leão significa a volatilização do fixo pelo volátil. Duas águias se combatendo possuem o mesmo significado.

ALBIFICAÇÃO: Calcinação ao branco ou ao vermelho.

ALLUDEL: Aparelho composto de vasos superpostos e comunicantes entre si, para se efetuar uma sublimação lenta.

AMALGAMAÇÃO: União íntima de diversos elementos metálicos em um todo homogêneo e bastante maleável.

ANIMAIS: Em regra geral, quando encontram-se na figura dois animais, de mesma espécie mas de sexo diferente (como leão e leoa, cachorro e cachorra), isto significa o Enxofre e o Mercúrio preparados em vista da Obra, ou ainda o fixo e o volátil. O macho representa então o fixo, o Enxofre, a fêmea representa o volátil, o Mercúrio. Unidos, os animais exprimem a conjunção, as núpcias, o casamento. Eles se combatendo: fixação do volátil ou volatilização do fixo.

Ver as figuras de Basílio Valentin, em “As Doze Chaves da Filosofia Oculta”, onde  um dos raros discípulos de Fulcanelli, coloca toda a sua ciência alquímica.
Os animais podem ainda simbolizar os Elementos: Terra (leão, touro), Ar (águia), Água (peixe, baleia), Fogo (dragão, salamandra). Se um animal terrestre figura em uma imagem hermética com um animal aéreo, eles significam respectivamente o fixo e o volátil.

ANJO: Simboliza por vezes a sublimação, ascensão de um princípio volátil, como nas figuras do "Viatorium spagyricum”.

APOLLO: O sol, o ouro.

AR: Um dos quatro elementos dos Antigos. Não tem nenhuma relação com as do ar que respiramos.

ÁRVORES: Uma árvore portando luas significa o pequeno magistério, a pedra ao branco. Se ela porta sóis, é a Grande Obra, a pedra ao vermelho. Se ela porta os símbolos dos sete metais, ou os signos do sol, da lua e cinco estrelas, significa então a matéria única de onde nascem os metais.

ATHANOR: Forno para reverberação.

BALÃO: Vaso de vidro amplo e redondo, destinado a receber os produtos da destilação.

BANHO: Símbolo: 1) da dissolução do ouro e da pedra; 2) da purificação destes dois metais.

BANHO-MARINHO: Aparelho disposto de forma que o vaso que contém a matéria esteja em banho com a água fervente. A Alquimia não emprega a expressão banho-maria.
BRANCO: Pedra ao branco, pedra ainda imperfeita, onde todas as possibilidades transmutatórias não foram ainda desenvolvidas e obtidas.

CADINHO: Vaso de argila refratária de forma aberta em cima, destinado à fusão de metais e de corpos duros.

CALCINAÇÃO: Redução dos corpos no calor. Ela pode ser seca ou úmida.

CALADIÇÃO: Calor.

CÂMARA: Símbolo do ovo filosófico, quando o Rei e a Rainha estão nele encerrados (Enxofre e Mercúrio).

CAOS: Símbolo da unidade da Matéria, por vezes da cor negra (primeiro estado da Obra), da putrefação.

CÃO: Símbolo do Enxofre, do Ouro. O cão devorado por um lobo, significa a purificação do ouro pelo antimônio. Cachorro e cachorra significam, associados, o fixo e o volátil.

CAPITEL: Cavidade de vidro munida de um bico, que adapta-se ao pescoço da cucurbita ou ao urinai, para poder destilar os espíritos minerais. Capitel, chapéu, chapeleta, alambique, são mais ou menos a mesma coisa.

CASAMENTO: União do Enxofre e do Mercúrio, do Fixo e do Volátil. O padre que celebra representa o Sal, meio de união entre eles.

CHUVA: Símbolo da cor branca na Obra, ou albificação. É também a imagem da condensação no curso da realização.

CIMENTAÇÃO: Operação pela qual, por meio de pós minerais denominados cimento, purificamos os metais ao ponto em que neles não ficam mais que a pura substância metálica.

CIRCULAÇÃO: Consiste em fazer circular os líquidos em um vaso fechado por efeito de um calor lento.

CIRCULATÓRIO: Ver Pelicano.

CIRCUNFERÊNCIA: Unidade da Matéria. Harmonia universal.

CISNE: Símbolo da Obra em branco, segundo estado após a putrefação e irisação. Esta última não figura no ternário clássico da Grande Obra: negro, branco e vermelho.

COOBAÇÃO: Ação de colocar o espírito metálico, destilado, sobre seu resíduo.

CORNIJA OU RETORTA: Vaso de vidro redondo, com o bico recurvado para baixo, servindo para destilar as matérias no curso da Obra.

COROA: Símbolo da realeza química, da perfeição metálica. No "La Margarita Préciosa", os seis metais são primeiramente representados como escravos, cabeças nuas aos pés do rei, o Ouro. Mas, após sua transmutação, eles são figurados com uma coroa na cabeça. Daí em alquimia espiritual, a frase de L.C. de Saint-Martin: "Todo homem é seu próprio rei...", quer dizer, todo homem traz em si a possibilidade do retorno à sua "realeza" perdida, no plano espiritual e angélico.

CORVO: Um dos primeiros estados da Obra: a putrefação.

CAUPELAÇÃO: Afinação ou controle alquímico do ouro e da prata pelo derretimento do chumbo em um cadinho.

CRIANÇA: Revestida com roupas reais, ou simplesmente coroada: símbolo da pedra filosofal, às vezes da Obra em vermelho.

CRISOPÉIA: A pedra filosofal, a Grande Obra realizada.

CUCURBITA: Vaso em forma de abóbora aberto para o alto, que se cobre com um capital para a destilação de vegetais e outras matérias.

Por: Robert Ambelain
Colaboração: Marcelo Veneri

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