terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

À Conversa com... Raymond Bernard




Raymond Bernard nasceu no dia 19 de Maio de 1923, na região de Isère, na França. Formou-se em Direito pela Faculdade de Grenoble, e desde cedo se ligou ao misticismo e à Tradição. Perpetuador de grandes tradições ocidentais, desempenhou nestas cargos da mais elevada responsabilidade. Foi autor de diversos livros de cariz esotérico e iniciático, entre os quais: Encontro Secreto em Roma, Encontros com o Insólito, O Império Invisível, O Corcunda de Amsterdão, e As Mansões Secretas da Rosa Cruz.

Com o tempo, Raymond Bernard delegou as suas funções para os mais novos, afastando-se de todas as actividades exteriores. Dedica hoje os seus dias à meditação e ao estudo, e procura a paz e o repouso, na companhia da sua adorável esposa Yvonne.

Um encontro... insólito?

Foi nos arredores de Paris, na sua residência, que fomos encontrar Raymond Bernard. Fomos agradavelmente recebidos num encontro que, de certa forma, também ele foi insólito... Insólito pois não é todos os dias que temos o privilégio de encontrar uma pessoa como Raymond Bernard, que marca pela sua humildade, e cuja sabedoria só é tão grande quanto a sua simplicidade. É a marca dos Sábios...
Conversámos acerca da situação difícil que o mundo atravessa, acerca do propósito da cavalaria, e claro, do papel de Portugal neste novo milénio, bem como do Futuro... a Nova Era.

A situação actual do mundo

Lusophia – O que pensa da situação actual do mundo?

R.B. – A situação actual do mundo é, evidentemente, o problema fundamental de uma modificação terminal de uma Era para uma Era nova, na qual, em princípio já nos encontramos, mas que não está completamente instalada.
Esta situação é difícil, é uma adaptação, não apenas de um continente, mas do mundo inteiro. E se repararmos no que se passa, não podemos dizer que as coisas acontecem apenas num lugar determinado.
Antigamente, no Passado, na Era que terminou, havia guerras, dificuldades, que se resolviam sempre através de conflitos armados. Na Era actual, já não existem verdadeiras guerras, no sentido que era atribuído a esta palavra no Passado, apesar de haver sempre lutas por parte de certos grupos em relação a outros. Mas no tempo actual, o enorme problema com que se debate a humanidade, é o terrorismo, que é uma forma de guerra total, porque o terrorismo atinge qualquer lugar em qualquer momento. E aqueles que são conhecidos como opositores de uma certa situação e que, desta forma, se agrupam para cometer os actos, vão causar sofrimento não apenas aos estados, mas também às populações, às famílias, e aos seres individualmente.
E tudo isto forma o tempo difícil em que nos encontramos e que deverá, necessariamente terminar dentro de algum tempo. Mas ainda estamos neste período de dificuldades.

Lusophia – Podemos considerar que existe um paralelismo entre a Idade Média e os nossos dias?

R.B. – Em graus extremamente diferentes, sim. Em graus diferentes, não apenas no tempo, mas igualmente do ponto de vista da civilização, do ponto de vista da compreensão. Mas se olharmos para os próprios actos, são idênticos, com meios muito mais avançados, meios mais avançados em comparação com o que já foi e não no sentido do avanço da civilização. As coisas são diferentes, mas os meios utilizados são sempre os mesmos.

A Cavalaria do III milénio – A Cavalaria Espiritual

"A Cavalaria deve ser, em primeiro lugar, uma testemunha. (...)
É preciso agir, não apenas como exemplo, mas intervir quando é preciso."

Lusophia – No Passado, os cavaleiros galopavam a cavalo, e estavam armados de espadas... Pensa que é possível manter o ideal de cavalaria no início deste século?

R.B. – Com certeza. Os ideais não são relativos a um determinado tempo. São permanentes, eternos, embora compreendidos de forma diferente, captados de forma diferente. Mas, na realidade, são sempre os mesmos ideais, os mesmos grandes princípios. E a partir do momento em que estes grandes princípios sejam aplicados, a Terra tornar-se-à um lugar paradisíaco, um paraíso. Mas ainda estamos longe disso, porque os homens, mesmo apesar do avanço desde há tanto tempo, não trouxeram grandes progressos. Houve-os em relação a uma civilização materialista. Há meios que foram utilizados e que ainda o são, e haverá outros, e os tempos que se aproximam serão mais avançados ainda, mas do ponto de vista da própria civilização, da grande compreensão à qual o homem aspira, as coisas ainda não chegaram a bom termo. Tudo é conduzido por baixas paixões, por dinheiro, pela necessidade de bens, pela luta de interesses, e dito de outra forma, por numerosas manifestações do egotismo e do egoísmo também.

Lusophia – Na sua opinião, qual é o papel da Cavalaria Espiritual na Nova Era?

R.B. – O seu papel é o mesmo que no Passado. A Cavalaria deve ser, em primeiro lugar, uma testemunha. Os grandes valores, a realidade, as grandes qualidades da cavalaria estão lá e presentes, mas por outro lado, não chega estarem presentes. É preciso agir, não apenas como exemplo, mas intervir quando é preciso. E isto é extremamente importante.
A Cavalaria, os seus objectivos, não mudam nunca. Revestem-se de novos termos, mas mantêm-se os mesmos. E a grande via, a grande, grande via da Cavalaria, a que contém todas as outras possibilidades, todas as outras regras, foi exprimida uma única vez através de termos muito claros “Amai-vos uns aos outros”. Porque, todas as dificuldades com que nos deparamos são devidas ao facto das pessoas não se amarem umas às outras.
Fala-se do egoísmo, do amor do poder, do amor pelo dinheiro, que é exactamente o oposto da regra que queria que os homens se amassem uns aos outros.
A humanidade forma uma unidade através da qual esta regra fundamental é aplicada.

Portugraal... o País-Templo

"Portugal deve manter-se uma via no mundo actual."

Lusophia – Podemos dizer que Portugal é um país nascido dentro dos ideais de Cavalaria, com os Templários que tiveram um papel muito importante na sua formação. Pensa que Portugal terá um papel a desempenhar nesta Nova Era? Há muitas pessoas que falam do V Império. O que pensa acerca disto?

R.B. – Sempre considerei Portugal como O País, desde que está formado como o conhecemos actualmente, quer dizer, Portugal tal como o conhecemos. E ainda poderíamos procurar no passado esta mesma verdade. Sempre considerei que Portugal era um local de Testemunho e de Luz, não apenas o porto de Paz, mas também de Tradição, o local de uma morada onde estão guardados os bens mais preciosos, por aqueles que têm de os guardar. Falo, naturalmente, dos portugueses e daqueles que se lhes juntam com sinceridade, daqueles que vêm a este país com amor por ele. E Portugal, sempre o disse, durante anos e anos em que tive responsabilidades exteriores, Portugal mantém-se esse lugar santo onde devem estar e onde serão guardados os grandes princípios que formam aquilo a que se chama, sob um termo que é, penso eu, restritivo, o V Império, quer dizer, o estado mais evoluído que a Terra conhece ou virá a conhecer. Aqui está o que eu queria dizer sobre este assunto.

O Futuro...

Lusophia – E o Futuro?

R.B. – O Futuro? O Futuro está nas mãos dos homens. É preciso que os homens tomem consciência daquilo que são. Existem as grandes vias que se elevam no mundo actual, seja qual for o lugar, quaisquer que sejam as responsabilidades, sejam elas religiosas, culturais ou científicas. Mas essas grandes vias ainda não estão suficientemente compreendidas e voltamos sempre à ideia de que existe um lugar onde estas vias têm mais significado, em relação ao futuro, do que deve ser instalado, do que falámos há instantes, de Portugal. E Portugal deve manter-se uma via no mundo actual, uma via que testemunha, que não dá um aviso, mas que relembra os grandes e verdadeiros princípios. E há muito respeito, bastante respeito no mundo em relação a Portugal.

"Todas as dificuldades com que nos deparamos
são devidas ao facto das pessoas não se amarem umas às outras."

É preciso não esquecer a missão que Portugal desempenhou no passado. Portugal foi, no Passado, o grande - e emprego este termo com um sentido nobre - o grande colonizador no mundo. Foi ele que levou para o exterior o conhecimento dos grandes valores do tempo actual e depois, como alguém que cumpriu a sua função, que pensa tê-la bem cumprido, regressou a casa, tranquilamente e está à espera, está lá e observa. Penso que os portugueses deviam aperceber-se disso. Penso que, certamente, se apercebem disso.

Alexandre Gabriel
Tradução do Francês por Ana Maria Oliveira
Fotografia por Ana Rita Borges (na edição impressa)

Fonte: http://aeterna.no.sapo.pt/lusophia/lusophia35-rb.htm


A MAGIA DO SIGILO

A magia do sigilo

Por H. Spencer Lewis, F.R.C.

Revista O Rosacruz – 4º TRI – 2001 – nº 238 – p. 26 a 28

No mundo inteiro, há centenas de milhares de pessoas que buscam a verdade e se esforçam por compreender as leis subjacentes que regulam a vida em geral. Vagueiam de seita a seita, culto a culto, jamais encontrando a contento o que buscam. Não se afiliam a nenhuma organização secreta simplesmente porque se recusam a ligar-se a tudo que seja privado ou oculto aos olhos do público.

Os que se recusam a se afiliar a alguma organização de natureza secreta acham que o conhecimento, se valioso, deve ser oferecido livremente ao mundo. Fazem eles a pergunta: "Se o conhecimento pode elevar a humanidade, por que é mantido longe de todos, a não ser dos iniciados?" Essa pergunta geralmente é formulada somente por aqueles que não estão dispostos a fazer algum esforço deliberado em prol do que poderiam receber.

No decorrer dos séculos grandes verdades foram veladas. Tal verdade, porém, não foram ocultadas à mente do homem.


A Bíblia, por exemplo, é o livro mais secreto e, ao mesmo tempo, o mais revelador de todos quantos já se escreveu. Suas grandes verdades estão veladas, mas não com peso tal que o véu não possa ser levantado. Por que, então, poucos são os que as compreendem? A resposta é simples: A maioria das pessoas não se disporá a gastar o tempo ou a fazer o esforço consciente necessário a levantar o véu.

Consideremos a organização secreta conhecida com Franco-Maçonaria, por exemplo. Afirma-se que a Maçonaria encerra princípios secretos que são revelados apenas a seus iniciados. Não sendo membro dessa augusta fraternidade, eu não sei exatamente o que ela contém ou revela; mas é evidente que deve reter e revelar algo valioso, caso contrário, não seria a organização tão poderosa que sabemos ser.


Entretanto, se a Maçonaria retém o conhecimento de todos os princípios e leis e se revela meios pelos quais seus membros podem usar esse conhecimento de modo a realizar feitos considerados miraculosos, seria despropositado espalhar ao mundo esse conhecimento. As multidões talvez ouvissem, esperando algo, mas não estariam preparadas para receber as grandes verdades em sua singeleza, de modo que virariam as costas.

Tomemos os Rosacruzes, que se sabe possuírem e ensinarem muitos dos princípios e leis secretos que possibilitam ao homem viver segundo seu Criador pretendeu. O que ocorreria se essa grande fraternidade oferecesse ampla e livremente seus ensinamentos ao mundo inteiro? Muito poucas pessoas dariam ouvidos; menos compreenderiam e menos ainda os colocariam em prática para colher seus benefícios. No entanto, os ensinamentos rosacruzes não são ocultados do público; estão à disposição de todos que os busquem com sinceridade no coração. Por que, então, a maioria dos que buscam a Verdade não tiram deles proveito? Será simplesmente porque devem gastar tempo e energia para absorver e compreender tais ensinamentos? Isso eles não estão dispostos a fazer!


Na busca da Verdade, o indivíduo ficou tão enredado no labirinto das complexidades exteriores, que não se permite ouvir e compreender as simplicidades interiores. Ele procura em toda parte, esperando encontrar fora a resposta que deve provir da silente voz interior.

O Homem interior a tudo conquista, se tem à necessária oportunidade. Ele nada pede, mas oferece tudo, e busca a Deus somente visando ao poder de romper as correntes e abrir a porta pela qual poderá sair e conquistar. Ele se projeta ao espaço cósmico e usa as forças mais sutis. Cria vida em todas as células e percebe quando e onde existe o mal. Ele encontra força no amor.

De que modo, pois, esse homem interior pode ser libertado? O que Deus concedeu é sagrado; contudo, por que o homem inferior é agrilhoado, aprisionado e impedido de se manifestar? Que maior problema conhece o homem que não esse problema tão pessoal?


Conhecendo muito bem o poder do Eu interior, Jesus só pedia que seus seguidores tivessem fé. Ele sabia que eles não podiam compreender as leis e princípios subjacentes a suas obras, mas que pela fé eles teriam a capacidade de conseguir o que pretendiam. Compreendidas por aqueles que estavam despreparados ou que eram indignos, as leis seriam perniciosas à influência de Jesus. O mesmo aconteceria no caso do garoto diante do mágico: o garoto vê o mágico realizar um truque extraordinário e lhe pede que ele revele o segredo. Não obstante, ao tentar fazer o mesmo que faz o mágico, não o consegue. Após várias tentativas sem sucesso, o garoto volta-se para o mágico e exclama: "Eu sabia que não ia dar certo!".

Jesus, portanto, estaria na mesma posição do mágico. Tivesse explicado s leis e os princípios simples, todos teriam buscado demonstrá-los. Dado o seu extremo despreparo, o fracasso teria sido o resultado.


Com base em nossos registros e experiência, aprendemos que as grandes verdades só podem ser preservadas se forem mantidas em segredo e consideradas sagradas. Para que os que as conhecem realizem o máximo bem possível, devem trabalhar em segredo, sem revelá-las aos que não estão preparados para receber esse conhecimento. "Não atire suas pérolas aos porcos" seria mais bem entendido se fosse expresso "não atire suas grandes verdades às mentes despreparadas".

Essa afirmação é válida a despeito de como a encaremos, e algum dia todos os buscadores chegarão a perceber que as grandes verdades são compreendidas somente por aqueles que são dignos e que estão preparados para recebê-las. Os despreparados compreendem-nas equivocadamente.


Só Deus, em Sua infinita sabedoria, possui toda a Verdade e toda a lei desse grande poder chamado sigilo. Deus é sempre o mais secreto dos segredos, que jamais pode ser contemplado pelo homem mortal e que só é revelado através do homem interior e imortal, pois se Ele Se revelasse aos olhos do homem profano ou exterior, logo seria considerada uma impossibilidade por causa de Sua própria simplicidade.


O Poder do Sigilo

O Poder do sigilo - o grande, místico e dito mágico poder do sigilo - sempre está presente no interior de todos nós. Trata-se do poder que, conhecido e praticado, muda toda a vida da pessoa e das condições que a cercam, inclusive seu progresso material e espiritual. Trata-se do poder pelo qual ascenderam todos os grandes homens, foram realizadas todas as grandes obras e conseguidos todos os progressos do homem interior e do homem exterior.


Alcançar o sucesso é o fator mais destacado na mente de todos. A despeito de como visualizemos o sucesso, temos certo objetivo para alcançar. Tendo alcançado o sucesso, diremos: sou bem sucedido. Talvez nossa concepção de sucesso seja acumular imensa quantia em dinheiro para realizar algum grande plano em prol de todos os envolvidos. Ou pode ser que desejemos alcançar sucesso como pintor, engenheiro, músico ou escultor, ou talvez desejemos dedicar a vida ao serviço da humanidade, mas somos impedidos por algumas circunstâncias. Qualquer que seja o nosso objetivo, precisamos alcançá-lo para nos tornar um sucesso.

De que modo podemos alcançar nosso objetivo? Através do trabalho árduo? Muitas pessoas trabalham arduamente todos os dias, dando o máximo de si e trabalhando conscientemente; contudo, poucas são bem sucedidas ou alcançam seus objetivos. Economizando centavos? As agências de poupança possuem milhares de clientes que são econômicos, entretanto, poucos estão mais próximos do sucesso do que estavam muitos anos atrás.


Estudando muito e absorvendo todo o conhecimento que possamos? Que dizer dos milhares de formados em curso superior que têm na ponta da língua vasto e valioso conhecimento? Alguns estão em cargo cujo salário mal dá para o sustento; alguns são incapazes de manter sua posição; outros são tristes e fracassados.

Planejando e programando? Em quase todos os casos, fracassos decorrem de planos e esquemas que, embora bastante viáveis e que trouxeram sucesso a alguns, trouxeram a muitos, fracasso. Não, o sucesso não é alcançado por nenhum desses métodos exclusivamente. É verdade que é necessária certa dose de trabalho, conhecimento, economia, planejamento e programação para alcançar o sucesso; mas tão-somente com isso não conseguiremos alcançar nossos objetivos. Todas essas coisas são inúteis sem o grande poder a elas subjacentes.


A Lei Subjacente

A totalidade do universo está baseada na grande lei subjacente ao poder do sigilo. Não há uma única pessoa no mundo inteiro que possa nos dizer o que Deus é, pois Ele é um segredo para o homem. Ninguém pode nos dizer como a menor folha de relva é criada, pois isso também é um segredo. Se todas as secretas leis do universo fossem reveladas, por seu egotismo o homem tentaria fazer um melhor trabalho que Deus, e ocorreria de o universo ficar numa condição crítica. Por isso, Deus e Suas leis necessariamente precisam continuar secretas.

Há muitos pretensos peritos prontos para nos dizer o que é Deus, assim com o há cientistas prontos para nos revelar o que é uma folha de relva. Eles e nós sabemos que a relva é constituída de moléculas compostas de certos elementos químicos, e que as moléculas são compostas de átomos, estes de elétrons, etc. Mas o como e o porquê de os elétrons se combinarem para constituir átomos, estes para constituir moléculas, estas para constituir a folha de relva, dando-lhe cor e forma, é um segredo, e sempre continuará sendo um segredo para o egótico homem exterior.


O homem interior, porém, a única parte real do homem, pode conhecer e de fato conhece o segredo da criação, pois o utiliza em todas as oportunidades. O Eu interior se projeta ao espaço cósmico e usa suas energias sutis, que criam vida em todas as células. Para que tenha o poder e a capacidade de criar coisas, deve também possuir o segredo desse poder. Pode concretizar seu desejo se este estiver conforme a lei e ordem do próprio universo.


A chamada mente do homem, isto é, a mente exterior, objetiva, não é nada em si mesma, porque só a mente de Deus, a mente interior, cria e manifesta todas as coisas. Em sua manifestação exterior, o homem não passa de um meio ou máquina cuja finalidade é cumprir as orientações do homem interior. Porque o homem exterior, através de uma vontade própria, tem até certo ponto o direito de escolher e fazer o que lhe agrade, vê isso como poder. Crê que também ele pode criar, e assim coloca-se à parte de tudo o mais. É desse modo que o homem exterior se separa do homem interior, vindo a conhecer o fracasso. Ele se recusa a comungar e dar ouvidos à voz interior, impedindo-a de criar e completar aquilo que o eu exterior deseja.

É pela atividade mental que sabemos que vivemos. Por essa mesma atividade, concebemos idéias, fazemos planos e decidimos como e quando essas idéias e planos devem se manifestar. Todos os nossos planos, idéias e ações são concebidos, criados e dirigidos pelo Eu interior, e são manifestos por meio de atividade física.


Assim, concebemos uma idéia, fazemos planos de acordo com ela, e levamos os planos até o fim, o que resulta ou em sucesso ou em fracasso. O resultado será o sucesso, se permitirmos que o Eu interior trabalhe sem interferências.


O melhor meio de chegarmos ao nosso objetivo de sucesso é trabalhar segundo a linha de menor resistência. Nosso eu interior nos dá a noção do que significa para nós o sucesso, de modo que fica estabelecido o objetivo. Desejamos alcançar o sucesso; por isso, só devemos fazer as coisas que contribuirão para tanto. Alguns perguntarão: quais são essas coisas? É aqui que tocamos a lei diretora do poder do sigilo ou segredo.

Nossa mente objetiva recebe instruções pelos impulsos ou sugestões da mente interior. Devemos ouvir e seguir essas sugestões em seus mínimos detalhes para alcançarmos o sucesso. Não devemos permitir interferência da mente objetiva, exterior, nem permitir que realize coisas que se oponham às sugestões I interiores. Não devemos deixar de lado tais sugestões senão num momento futuro, pois o Eu interior sabe mais o que fazer e quando fazer.


Mantenha Sigilo

Devemos também fazer outra coisa, fácil num aspecto, mas, difícil em outro: Manter sigilo! Devemos manter sigilo quanto às coisas que pretendemos realizar, pois é só desse modo que podemos esperar conseguir a necessária energia mental que nos leve a nosso objetivo. Não devemos falar a ninguém. Só devemos falar com nós mesmos, pois no próprio ato de revelarmos nossos planos usamos energia mental necessária para realizá-los. Sigilo significa a conservação da energia mental, que é necessária ao sucesso.


Para ilustrar o modo pelo qual o sigilo conserva e acumula energia mental, recorramos ao dínamo comum usado para gerar eletricidade. O dínamo gera energia elétrica somente enquanto há outra fonte de energia que o ponha em movimento. Quando essa outra fonte de energia é suprimida, o dínamo pára. Enquanto o dínamo é levado a trabalhar, temos a energia, que pode ser usada de muitos modos. Se não usamos a energia, ela é desperdiçada. Se a usamos, devemos usá-la segundo é gerada pelo dínamo.


A energia consumida só pode ser substituída por uma nova carga, que é suficiente apenas para as necessidades atuais. Se não precisamos imediatamente da energia e nem sempre dispomos da força que move o dínamo para gerá-la, precisamos acumular algo da energia para usá-la quando necessário. Fazemos isso por meio de uma bateria, para que possamos usar energia imediatamente.

A mente objetiva pode ser comparada com o dínamo, e a mente interior com a força ou poder por trás dele. Enquanto o homem desperdiçar a energia dinâmica de sua mente, jamais terá energia suficiente para concretizar seus grandes planos ou idéias. Usar a energia para revelar desnecessariamente os planos a outrem, esgota o abastecimento. A bateria pode ser comparada à vontade do homem, por meio da qual ele produz um esforço volitivo, mas, fazendo isso, retém a maior parte da energia produzida pelo Eu interior. Decidindo manter sigilosos seus planos e ações, o indivíduo acumula enorme quantidade de energia mental.


Sigilo acarreta poder, porque os outros nunca saberão se nossos planos foram mudados, descartados, ou se deixaram de se cumprir por nossas próprias decisões. Por causa disso, passaremos a ser vistos como pessoas que não conhecem o fracasso. O mundo aplaude o sucesso. Recorra a pessoas bem sucedidas em busca de conselhos. A pessoa bem sucedida é depositária de confiança, e grandes oportunidades lhe são concedidas.

O sigilo, combinado com uma dose normal de trabalho, inteligência, economia e idéias, acarreta o sucesso em qualquer empreendimento, desde que aceitemos as sugestões de nosso Eu interior, que jamais nos leva por caminhos errados. Sigilo exige silêncio, pois no silêncio chegam as maiores dádivas de Deus. No silêncio podemos comungar com nosso Eu interior e receber instruções. O silêncio é harmonização com as forças ou energias mais refinadas do Cósmico. Ele nos dá força, coragem e confiança. O sigilo requer que o eu exterior coopere com o Eu interior.


Tenhamos sempre em mente o poder do sigilo. Carreguemo-lo sempre em nosso íntimo e comecemos a pô-lo em prática agora. Temos livre acesso a ele. Devemos usá-lo com a mesma espontaneidade, doando-nos a nós mesmos, a nosso Deus e a nossos semelhantes. Usemos esse segredo para alcançar o sucesso. Essa é a lei de Deus, que é sempre o poder secreto e a glória.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

ARCANUM ARCANORUM


Os Arcanum Arcanorum, dos quais fizeram correr muita tinta em vão, nestes últimos anos, gerando com isso um mito bastante inútil, constituem os quatros(as vezes três) graus terminais dos legítimos ritos maçônicos egípcios , graus particulares e somente presentes na Escala de Nápoles (do 87o ao 90o). Os AA estão presentes igualmente no seio de algumas organizações pitagóricas, rosacrucianas, e em restritos colégios hermetistas.

Dentro do ponto de vista maçônico, convém distinguir o sistema dos irmãos Bédarride baseado na Cabala do Regime de Nápoles, que constituía o verdadeiro sistema dos AA. Citemos Ragon que nos fala destes quatros graus: "Eles formam todo o sistema filosófico do verdadeiro rito de Misraïm, que satisfaz a todo maçom instruído, haja visto que os mesmos graus na maçonaria comum, são uma zombaria nascida da ignorância..."

Os AA são definidos por Jean Pierre Giudicelli de Cresac Bachalerie, em seu livro "De la Rose Rouge a la Croix d'Or" , editora Axis Mundi (Paris-1988), na pág. 67: " Este ensinamento concerne a uma Teurgia, é a entrada em relação com os eons-guias que devem tomar a direção para fazer compreender o processo iniciático, é também uma via alquímica muito fechada, que é um Nei Dan, isto é, uma via interna."

Os AA maçônicos parecem ser em realidade, mais que os graus terminais da maçonaria egípcia, é a introdução a um outro sistema. Os AA constituem de fato uma qualificação para outras ordens mais internas ligados as correntes osirianas ou pitagórica ou ainda a correntes dos Antigos Rosacruzes, como a Ordem dos Rosacruzes de Ouro do antigo sistema, Ordem dos Irmãos Iniciados e outras que permanecem desconhecidas, escapando assim à pesquisa histórica e sobretudo aos problemas humanos. J.P.G. de Cresac Bachelerie, faz referência à Brunelli em seu livro, já citado, na pág. 79, que os AA constituem de fato a introdução para outras ordens: "Como indicou Brunelli em seus formidáveis trabalhos sobre os ritos de Misraïm e Memphis, outras Ordens sucedem os AA". Saindo dos aspectos maçônicos, descobrimos quatro ou cinco outras ordens (Grande Ordem Egípcia, Ritos Egípcios assim como outras três que não podemos mencionar). "cada vez mais, certas organizações tradicionais não utilizam o nome AA", detendo a totalidade ou parte de conjunto teúrgico dos AA.

Os sistemas completos dos AA ,cuja maçonaria egípcia detêm uma parte, comporta de fato três disciplinas:

Teurgia e Cabala Angélica: com notadamente as invocações dos 4, dos 7, e a grande operação dos 72;
Alquimias metálicas: entre diferentes vias, os documentos em nossa posse parecem dar prioridade à via do Antimônio, mas outras vias, notadamente a via da Salamandra ou a via do Cinábrio parece constituir um elemento central do sistema, porque depende por sua vez da via externa e da via interna, seja por razões pedagógicas, seja por razões operativas.
Alquimias internas: segundo as correntes internas, as vias práticas diferem, menos tecnicamente que pelos detalhes filosóficos e místicos respectivos, as vezes totalmente opostos. As alquimias internas, como alhures as alquimias metálicas, encontram sua origem no Oriente e, mais particularmente, segundo Alain Daniélou, no Shivaísmo. Independente de onde sejam, já fazem parte da herança tradicional ocidental pelo menos há dois milênios, como atesta certos papiros egípcios e gnósticos ( pensamos notadamente nos importantes papiros Bruce). Em relação a alquimia interna, falamos de vias da imortalidade ou ainda de vias reais.

De modo geral, toda via real comporta simultaneamente uma magia natural (segundo Giordano Bruno, a magia é a arte da memória e manipulação dos fantasmas, é o domínio daquilo que certos teólogos denominam "o encantamento do mundo", uma teurgia e uma alquimia, vetor de uma via de imortalidade.

A questão das imortalidades é difícil de tratar porque não pode se inserir com sucesso em um modelo de mundo aristotélico, motivo pelo qual não é raro que a busca de uma sobre-humanidade, de uma mais-que-humanidade ou de uma não-humanidade conduza infelizmente à inumanidade. Mais ainda, podemos muito bem ter uma excelente compreensão intelectual de modelos não-aristotélicos, como o são, o Taoísmo, e o sistema de Gurdjieff, " sem haver Invertido os castiçais", para retomar a fórmula de Meyrinck no Rosto Verde. A sobre-humanidade poderia ser simbolizada por Hércules, indicando assim a via mágica do Herói, predispondo à mais-que-humanidade, simbolizada pelo Cristo, ou ainda por Orfeu, ou à não-humanidade, esta simbolizada por Osíris ou por Dionísio. Nós poderíamos encontrar outras referências, tanto no Ocidente como nas tradições orientais, para tentar fazer apreender aquilo que é efetivamente uma diferença de orientação. O Ser não é necessariamente orientado em direção a um pólo único, o que explica vias reais diferentes, não conduzindo, portanto, ao mesmo Lugar-Estado...

Os AA do Regime de Nápoles introduzem a uma alquimia interna de tradição egípcia em duas fases, uma "isíaca", a outra "osiriana". Naturalmente é neste último aspecto das alquimias internas que encontramos os aspectos mais especificamente osirianos dos AA . É provável que na Idade Média e na Renascença, este sistema fosse exclusivamente caldeu-egípcio, e seria pouco a pouco, e principalmente em seus aspectos mágicos e teúrgicos, que o sistema teria sofrido em certas estruturas tradicionais uma "cristianização" ou uma "hebraização". Encontramos as vezes com relação à este sujeito a expressão "cristianismo caldeu".

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domingo, 11 de janeiro de 2009

Maysa e a Rosa-Cruz


Só mesmo o compromisso de gravar ontem, à tarde, alguns números musicais para o programa "Fantástico", na Rede Globo de Televisão, fez com que a cantora Maysa deixasse de assistir a convenção mundial dos Rosa-cruzes, até o final. Desde segunda-feira, que Maysa estava em Curitiba, junto com seu marido, o ator Carlos Alberto (o maestro Cloves de Lorenzo da telenovela "Bravo", Rede Globo de Televisão), que é hoje um dos Rosa-cruzes de mais alto grau. Maysa assistiu a várias palestras da Ordem e, somente pra jantar com amigos, saiu na noite de quarta-feira, viajando ontem para o Rio. Outro nome conhecido do meio [artístico] que veio a Curitiba, com toda a descrição, para participar do encontro Rosa-cruzes é o diretor e autor Fausi Arap, um dos melhores atores do teatro nos ano 60, ex-oficina, e que esta com sua primeira peça, como autor em cartaz no Teatro Nacional de Comédia: "Boca de Pano", direção de Antonio Pedro, um [espetáculo] vigoroso e emocionante, quase autobiográfico de Fauzi e do grupo Oficina.

LEGENDA FOTO - Maysa

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Estado do Paraná

Nenhum

Tablóide

4

24/10/1975


Fonte: Frater L.O.F.M.

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

La filosofía rosacruz, un arte y una ciencia


Por el Dr. H. Spencer Lewis, F.R.C.

En muchos de los antiguos manuscritos leemos sobre «El Arte de la Rosa Cruz» y en otros leemos sobre «La Práctica de las Ciencias Rosacruces». En ninguna parte leemos de alguna religión, teología o iglesia Rosacruz.

Salta a la vista que a partir de comentarios hechos ocasionalmente en público y en algunos escritos modernos, la gente que no está correctamente informada cree que la doctrina Rosacruz es pura y simplemente una filosofía religiosa. Este es un grave error y es la causa de que estas personas hayan llegado a muchas conclusiones erróneas.

Las personas que creen que las enseñanzas y doctrinas del trabajo Rosacruz son puramente de índole espiritual y tienen que ver esencialmente con ideales religiosos, se sorprenden al saber que los Rosacruces lidian con los problemas prácticos de la vida. Quedan consternadas cuando leen en un anuncio que la Orden ofrece ayudar a hombres y mujeres para resolver sus problemas de la vida y que los miembros en la organización estudian con el propósito de mejorar su situación social, de negocios, financiera o intelectual, más que su situación espiritual exclusivamente.

Muchas de estas personas se hacen críticos e insisten que «en tanto que la organización Rosacruz es una organización espiritual, debe conducirse de acuerdo a lineamientos puramente espirituales». El error de este argumento es la conjetura de que la filosofía Rosacruz es puramente espiritual.

Esta clase de crítica me ha molestado en ocasiones y he pasado días y semanas buscando en los más antiguos manuscritos Rosacruces disponibles, para encontrar cualquier justificación para esta falsa creencia. Me he comunicado con los representantes más antiguos de la Orden que aún están en vida en varias partes del mundo. He buscado afanosamente en los escritos de aquellos miembros que estuvieron activos en la época de su gloriosa realización del pasado ciclo. En ninguna parte he encontrado justificación para esta suposición acerca de que el trabajo Rosacruz es una filosofía religiosa o un culto o movimiento religioso.

Búsqueda de conocimiento

Casi todos los antiguos maestros pasaban mucho tiempo en laboratorios y talleres tratando con las artes y ciencias. Si hacemos un recuento en los antiguos archivos y manuscritos de todas las horas de trabajo dedicadas por los grandes Maestros Rosacruces a la química y a la alquimia, encontraremos tan sólo unas pocas horas libres que eran dedicadas a la especulación filosófica o a la meditación religiosa. Luego, en un periodo anterior, encontramos que la mayor parte del tiempo de los Maestros era dedicado al arte de la medicina, a la astronomía, a la biología e incluso a ciencias tales como la botánica.

Aunque es cierto que muchos eminentes monjes, frailes e incluso sacerdotes Jesuitas estaban relacionados con la organización en alguna época y escribieron mucho sobre el tema de la filosofía Rosacruz, encontramos que estos teólogos y personas espirituales no fueron atraídas hacia la Orden Rosacruz por sus enseñanzas espirituales, sino por sus enseñanzas prácticas. Una persona como Roger Bacon, el eminente fraile y monje, no fue atraído a las enseñanzas Rosacruces por la posibilidad de añadir una jota de conocimiento a la gran sabiduría que poseía respecto a lineamientos espirituales, sino porque le brindaban la oportunidad de ejercitar algunos de sus pasatiempos, los que tenían que ver con la química, física y materias de índole práctico. Encontró pocas posibilidades o no las encontró para aumentar o desarrollarlas como ciencias, en relación a este entrenamiento teológico y religioso.

Desde luego, Jakob Boehme es una notable excepción que confirma la regla y por fortuna para nosotros hubo notorias excepciones. Los hombres excepcionales (y algunas mujeres) estaban tan absortos y versados en los asuntos materiales de la vida para ganarse el sustento, que la meditación espiritual se convirtió en su pasatiempo y esparcimiento. Se interesaron en la filosofía Rosacruz porque tenían la esperanza de que les brindara una oportunidad para aumentar su conocimiento espiritual, que de otra manera no estaba disponible para ellos.

Trabajadores prácticos

Este tipo de personas recibió del Cósmico maravillosas revelaciones e iluminación respecto a las leyes espirituales, que añadieron al almacén Rosacruz de sabiduría. Sin embargo, por el hecho de que estas grandes luminarias de sabiduría espiritual (que apenas se cuentan con los dedos de las dos manos) fueran famosos como Rosacruces, no hay razón para que ignoremos los miles de otras personas que eran trabajadores en las ciencias y artes prácticas y consideraban la filosofía Rosacruz exclusivamente como una escuela de sabiduría espiritual.

Incluso los famosos panfletos de 1610 y 1614 publicados en Alemania y otros países en aquella época y que inquietaron al mundo hacia una comprensión de la existencia de la Orden Rosacruz, no proclamaron sus planes de reforma mundial conforme a lineamientos exclusivamente espirituales. De hecho, desde un punto de vista moderno, estos panfletos proclamaron más una filosofía socialista, que una espiritual o religiosa.

Si consideramos el libro, New Atlantis, escrito por Sir Francis Bacon, encontraremos que este eminente Rosacruz sigue al pie de la letra los panfletos de 1610 y 1614 y promulga un plan para la salvación del mundo o el avance de la civilización conforme a lineamientos socialistas, científicos y humanistas, más que puramente espirituales o religiosos.

Especialización

Los Rosacruces que llegaron a América en 1694, de acuerdo con el plan delineado por Bacon en su New Atlantis, no vinieron a espiritualizar América, sino a traer muchas ciencias y artes prácticas al nuevo país. Al seleccionar muy cuidadosamente el limitado número de personas especializadas para constituir la peregrinación a América, no se limitaron exclusivamente a teólogos, aunque se unieron al grupo dos o tres de los teólogos más eminentes, reformados y modernistas que se encontraron en Europa.

Sin embargo se preocuparon de incluir hombres que eran científicos y trabajadores prácticos en cada una de las ocupaciones de la época. Se ocuparon de que hubiera un hombre que construyera órganos, un hombre que instituyera un jardín botánico, un hombre que fuera experto en química, otro hombre que fuera experto en física, otro en música y así sucesivamente, en la gama completa de eminencias de las ciencias muy prácticas.

Su primer gran trabajo en América fue establecer varios comercios e industrias y enseñar y mostrar a los habitantes del Nuevo Mundo la forma de comenzar sus carreras de trabajo práctico. La filosofía religiosa era sólo el dos por ciento de la gran labor realizada por ellos mientras que la moral y la ética representaban aproximadamente el veinticinco por ciento de su labor; el resto correspondía al trabajo práctico de vivir una vida útil en el Nuevo Mundo.

En la historia tradicional de la organización leemos, en cada ocasión de la apertura de la «tumba» de «C.R-C», que se encontraron instrucciones para la operación de la Orden en su nuevo ciclo y que estas instrucciones tienen que ver más bien con la realización de cosas prácticas, que con cualquier servicio puramente devoto de una naturaleza religiosa.

La Orden Rosacruz tampoco pretendió nunca estar circunscrita por normas sociales o culturales. Sus puertas estuvieron abiertas para todos, y si leemos la historia de la Orden, encontramos que todos, a pesar de su posición social, financiera o ética en la vida, pudieron atravesar esas puertas y convertirse en asociados bienvenidos. ¿Cómo podría ser de otra manera? En tanto que las enseñanzas mismas de la Orden reconocen una sola alma universal existente en todos los seres y reconocen sólo al alma-personalidad como la parte real de cada persona, no podría haber ninguna distinción o diferencia importante basada en lineamientos meramente materiales.

Fraternidad igualitaria

Como se mencionó anteriormente, los primeros panfletos impresos para distribución pública por la organización proclamaban que sus ideales estaban a favor de una reforma mundial de todas las personas pensantes. No se intentó limitar la propaganda para atraer a aquellos de alguna categoría mundana superior. Ciertamente, no hubo Neófito más humilde que cruzara alguna vez el umbral de la organización que Jakob Boehme, el pobre y plebeyo zapatero remendón. Sin embargo, es idealizado en la literatura Rosacruz y hoy en día en nuestros corazones. Actualmente hay algunos fuera de la Orden y posiblemente dentro de ella, que probablemente levantarán sus manos en señal de protesta contra la admisión a la Orden Rosacruz hoy en día, de tales personajes como Jakob Boehme.

Es verdad que hablamos mucho de leyes espirituales que estudiamos en las enseñanzas Rosacruces. Sin embargo, cuando las analizamos, encontramos que desde el punto de vista Rosacruz toda ley natural es una ley divina puesto que Dios la creó. Consideramos la ruptura de la semilla en el suelo y el proceso de reproducirse como típico de la ley divina. Sin embargo el estudio de la botánica corresponde a las ciencias y no a la religión. Sólo porque tratemos sobre el alma y sus encarnaciones y analicemos el proceso y encontremos duplicados de estas leyes en otras partes de la naturaleza, no significa que estudiemos una ciencia espiritual o una doctrina religiosa, sino leyes naturales divinas.

Cuando los Rosacruces adoran a Dios, rezan ante El y comulgan con El, no lo hacen en un sentido religioso, sino en el sentido de la apreciación natural de su asociación íntima con la dirección y el control universal de Dios sobre todas las leyes del universo.

Métodos y actitudes

Se ha hecho cierta crítica respecto a las cuotas en relación con el trabajo Rosacruz y las personas que expresan estas críticas proclaman contundentemente que «las verdades espirituales no deberían ser vendidas o que no debería pagarse por ellas y que una enseñanza religiosa debería darse libremente». Esa idea es completamente errónea y se basa en la suposición de que la doctrina Rosacruz es una escuela religiosa o espiritual de filosofía religiosa. La institución Rosacruz es una universidad práctica que enseña ciencias y artes prácticas. Tiene que ver con el bienestar material en la vida de manera más íntima y completa que con cualquier fase de filosofía religiosa.

Además, las cuotas no se pagan por las enseñanzas, sino por los muchos otros beneficios de membresía; las enseñanzas se dan de manera completamente independiente de cualquier cuota o derecho. Pero incluso si las enseñanzas fueran puestas sobre la base de una cuota por instrucción, no sería un asunto criticable, puesto que la Orden no se proclama como una escuela o seminario de enseñanza religiosa o espiritual y nunca ha intentado serlo.

Nunca Jesús o alguno de los grandes Maestros antes o después de él, manifestaron alguna de las modernas actitudes de discriminación sobre los lineamientos sociales o materiales. Para estos Maestros el último de nuestros hermanos era igual a todos nosotros en cuanto a la necesidad y el mérito de recibir la ayuda práctica que una organización como la Orden Rosacruz puede dar.

La parábola de los noventa y nueve es muy antigua y constituye uno de los principios fundamentales de la Orden Rosacruz. Aquel o aquella que es tan débil, tan humilde, que está tan abajo en la escala de reconocimiento mundano para ser digno de lástima o crítica, es alguien que verdaderamente es merecedor de toda la ayuda que nuestra organización puede dar; es por eso que nos enorgullece el hecho de que no sólo en el presente ciclo, sino en ciclos anteriores, el trabajo de la Orden se extiende a asilos, instituciones, prisiones y lugares en donde se encuentran los pecadores e iletrados.

Otra crítica hecha por aquellos que no entienden los principios reales de la organización, es que actualmente el país está siendo inundado con demasiada literatura, demasiada propaganda, demasiadas conversaciones sobre uno mismo y sus planes y ambiciones. Estas personas olvidan que desde que se hizo práctico el arte de la impresión, la Orden Rosacruz fue la primera en usar la imprenta en un sentido nacional, pues los panfletos precedentes de 1610 y 1614 fueron traducidos a muchos idiomas y la transmisión diseminada, como semillero, se extendió sobre el continente europeo entero. A estos se sumaron otros panfletos de explicación y apoyo.

Durante quince o veinte años toda Europa leyó y escuchó más acerca de la organización Rosacruz de lo que nunca había leído o escuchado sobre cualquier otro movimiento mundial en toda la historia de la civilización. Estos panfletos fueron dirigidos a todas las personas en el mundo, sin importar clase o posición. Los panfletos anunciaban «una reforma mundial» y sin duda constituyeron el sistema de propaganda individual más grande nunca antes instituido por la humanidad. ¿No es ese un precedente por el cual podemos valorar nuestras actividades presentes?

No hubo intentos de ocultar al público la existencia de la Orden o la naturaleza de sus actividades, esperanzas y ambiciones. Se hizo todo para hacer que se hablara de la organización: a la hora de la taza de café por la mañana y en las horas del ocaso al lado de la chimenea. El hecho es que el cumplimiento de los deseos de la organización Rosacruz, sólo puede aumentar mediante la publicidad mundial y la captación del interés, si no de la participación activa, de naciones enteras de gente.

Aquellos que piensan que nuestra propaganda actual (es decir la distribución de toneladas de literatura semanalmente a cada lugar de Norteamérica) es una asombrosa violación de las supuestas reglas de conservadurismo, aprenderán que no es nada comparada con la propaganda que se hará antes de que transcurran otros veinticinco años. Para ese entonces, incluso las iglesias más conservadoras efectuarán formas similares de propaganda y habremos entrado a una era de discusión nacional de las organizaciones existentes, con el entendimiento de que sólo una comprensión nacional de las actividades de cualquier grupo, dará origen a las posibilidades de sus planes fundamentales.

Los verdaderos Rosacruces nunca se preocupan acerca de lo que un individuo ha sido o puede ser en el momento en que hace su solicitud para ser miembro, en las puertas de la fraternidad. Lo que primariamente ha de considerarse es su mérito para entrar debido a su sincero deseo para mejorar. Si la sinceridad y la honestidad de propósito, marcan el motivo que da lugar a su solicitud, ese individuo es verdaderamente valioso, a pesar de su posición social o financiera en la vida. Lo que es importante que consideremos es lo que el individuo llega a ser después de estar en la Orden durante cierto periodo de tiempo. Si el individuo alcanza iluminación, es reformado, redimido, regenerado, vuelto a nacer y vuelve a establecerse en la armoniosa relación divina con el Cósmico, en la cual nació, entonces la organización puede considerar que ha hecho una labor noble.

Muchos de aquellos que critican la admisión de los pobres y los humildes a la Orden Rosacruz, están dentro de ella sólo debido a la perspectiva tolerante y de amplio criterio que la Orden tiene acerca de las diferencias mundanas, y si la organización realmente fuera tan conservadora y restrictiva en cuanto a sus miembros, como algunos de estos críticos insisten que debería ser, ellos mismos no estarían en la misma para buscar qué tipo de miembros tiene, pues probablemente ellos serían los primeros en ser rechazados cuando su solicitud llegara al Consejo. Sin embargo todavía esperamos cambiar sus puntos de vista y provocar un ensanchamiento de su consciencia, hasta que desarrollen el verdadero espíritu universal Rosacruz de amor para todos los seres humanos bajo la Paternidad de Dios.


El énfasis excesivo de las verdades espirituales es meramente una tendencia hacia el culto religioso y no encuentra respuesta en el corazón de la Orden Rosacruz en cualquier país.


* * *

domingo, 4 de maio de 2008

EL CAMINO DEL CIELO QUIMICO

Por: Jacques Tol
Nuevamente traducido al frances
Muchas personas me acusarán de temeridad y de presunción cuando vean que me atrevo a intentar instruir a tan grandes sabios dentro del arte quimico, enseñandoles cosas que han ignorado hasta el presente, o haciendoles notar aquellas que han entendido mal, precisamente yo, que estoy tan alejado del perfecto conocimiento de este arte. Pero poco me importa el juicio que se haga de mi mientras pueda yo ser útil al común. Si los sabios encuentran aqui alguna cosa que no sea de su agrado, la sinceridad con que la escribo debiera servirme no tanto para atraer su indignación como para servirme de excusa ante ellos.
Y, ciertamente, tanto si el error me ha cegado como a otros tantos como si un trabajo mas certero me ha conducido a la verdad, lo que siempre será seguro es que muchos serán los que en el futuro se retirarán dejando atrás dispendios inútiles por trabajos infructuosos y la pérdida del tiempo que les debe ser tan precioso y querido.El método que me he propuesto para realizar una Obra tan excelente y bella, es totalmente distinto del que los demás han seguido. En un camino tan resbaladizo, que llevó a tantos hasta el precipicio, tengo por guía al sabio Paracelso y al famoso Basilio Valentin, mil veces más docto e instruido que aquél.

Ya había resuelto disponer los vasos; había empezado la preparación del Mercurio, según la doctrina de Filaleteo, mediante múltiples lociones y trituraciones; había ya disuelto y purgado los metales con vinagres y aguas fuertes, cuando por una fortuna inesperada cayó en mis manos un libro intitulado: El gabinete hermético. Leí este libro con una avidez extraordinaria sin entender nada de él, pero tras comprender que Paracelso jamás consideró las cosas que otros habían confiado a su buena fe*, empecé a examinar con más exactitud la naturaleza de los metales, y a compararla con las experiencias que otros ya habían realizado. Tras lo cual, y ya con el espíritu más despejado, me dí cuenta de que nadie había decidido tomar una vía totalmente distinta, siguiendo la que este adepto había inutilmente recomendado a nuestro Paracelso. Dejando, pues, a un lado, todos los sentimientos adversos, me propuse esta regla certera con la cual logré alcanzar felizmente el fin de mi carrera.
Que la Piedra de los Filósofos debe ser hecha en tres o cuatro días.Que los dispendios no pueden exceder la suma de tres o cuatro florines.Y que un solo crisol o vaso de tierra es suficiente.Y estimo que deben ser rechazadas todas aquellas proposiciones que no concuerden con estos tres aforismos. Provisto de una gran suerte, Basilio Valentín me ha sido de gran ayuda, pues tras representar un crisol en sus primeras claves, ordena que se debe continuar por esa vía y dejar a un lado todos los demás vasos, el fuego de lámpara, el estiercol de caballo, de ceniza, de arena y de llamas, y aplicar su espíritu a los más profundos secretos del arte.Después de algunas ligeras pruebas, me sentía más lúcido que nunca, y comencé a observar más cosas de las que había esperado: Sí, gracias a un trabajo y a una aplicación de espíritu extraordinarios, he visto cosas que, a mi parecer, jamás nadie ha visto, ni siquiera durmiendo y en sus sueños. Algunas de ellas las he explicado en mi tratado intitulado: Los acontecimientos imprevistos y fortuitos, las cuales repetiré aquí suscintamente, añadiendo además otras muchas, con el fin de dar algunas luces a los curiosos.

He dicho que esta es una obra de tres o cuatro días, pero para hablar con más exactitud debo decir que hay una obra que dura tan sólo tres horas, pues la obra es doble y dividida en dos, como sucede también con aquello que han llamado la Piedra de los Filósofos. Y, en efecto, es un gran error y muy frecuente entre los químicos, decir que la Piedra filosofal no es tal sino cuando ha alcanzado la absoluta perfección, es decir, cuando a partir del fermento de la Luna o del Sol, es preparada por la multiplicación. Pues existe otra (Piedra) que es imperfecta y que Basilio llama Todo en Todo, y de la cual nos ofrece el método en sus diez primeras claves, en la undécima nos da el método para aumentarla y en la duodécima su entera multiplicación. Yo la llamo imperfecta por su comparación con la otra, que es perfectísima, pero, no obstante, es perfecta en sí y de naturaleza perfecta, cosa que pobaré fácilmente por la autoridad de Bernardo el Trevisano y la de otros adeptos que han escrito sobre ella.

Esta primera obra es, pues, llamada la obra de las tres horas, y también de los tres días, pero de tres días filosóficos, como indicaré a continuación.La segunda obra llega a su término en el espacio de tres o cuatro días naturales; y este inmenso tesoro que es buscado por los hombres avaros con tanto trabajo y dispendio, puede ser adquirido en este poco tiempo, sea al blanco o sea al rojo, pues la diferencia del fermento, o si lo prefieren, la adición del azufre del oro o de la plata en nuestra primera piedra, acaba y perfecciona la segunda.Para el que observa el tiempo, lo dicho por Paracelso es muy verdadero. Los filósofos, dice, se entienden bien cuando hablan de los tiempos. Todo el mundo se encuentra en este punto extremamente confuso y rodeado de tinieblas. Hagamos un esfuerzo para disiparlas y para descubrir cosas que parecen estar hundidas en abismos impenetrables.

El año de los filósofos no es sino el ciclo solar realizado por el sol filosófico cuando por el zodíaco recorre la tierra.EL mes filosófico es el de la luna.La semana el de los siete planetas.Y el día, el de la luz y las tinieblas.El mundo es la misma materia.El zodíaco que contiene los doce signos celestes, representa los doce trabajos del Hércules filosófico, que ya mostré en mi tratado de los acontecimientos imprevistos, estre* el sol; es decir, el ácido, cuyo curso da término al año filosófico mientras la materia se encuenra en fusión en el interior del vaso.La Luna es el álcali, cuyo curso penetra toda la materia fundida, y uniéndose con su hermano el so, da término al mes sinódico.La semana nos es explicada por Basilio Valentín en sus seis primeras claves, con la salvedad de que no nos habla del Mercurio que Filaleteo nos muestra como su gobernante, siendo la semana regida por su autoridad*.

La primera clave nos designa a Saturno, al agua y a la tierra; la segunda a Júpiter, al aire y al fuego; la tercera a Marte; la cuarta a la luna; la quinta a Venus; la sexta al sol perfectísimo, y a la unión íntima de los cuatro elementos. Nuestro Rey, nos dice, en su primera clave pasa por seis mansiones diferentes, y yo descanso en la séptima. Así pues, cuando la materia ha fundido lentamente en el vaso por la fuerza de su espíritu, entonces se purga por completo; por ello se convierte en su propio vinagre, del mismo modo que los metales tienen por costumbre formarse en el interior de las minas, pues antes el espíritu mercurial se coagula, se encierra* y se endurece en saturno. Por ello dice nuestro autor en algunas partes: Sólo el saturno fija el mercurio.
Cuando el saturno ha sido purgado por otra circulación, se convierte en júpiter, de él se hace marte, a continuación la luna, después Venus y, finalmente, el sol, es decir, la obra perfecta. Según este mismo ciclo se deja ver el día de los filósofos, pues lo que está escrito acerca de la creación del gran mundo, a saber, que las tinieblas estaban sobre la tierra, y que se encuentra extensamente explicado en mi tratado, del que ya hablé más arriba, así como aquel pasaje en el que está dicho: la luz fue hecha en el primer día, exigen que su verdad sea observada mediante alguna experiencia*.

Triturad el antimonio en un mortero filosófico y cribadlo, es decir, fundid el antimonio en un crisol, removiendo y golpeando el crisol*, hasta que el régulo* se deposite en el fondo; y si trabajáis según conviene, vuestro régulo se verá estrellado desde la primera fusión, obteniendo de este modo la luz después de las tinieblas y una luz celeste, y esto si por medio del pequeño comentario que os ofrezco a continuación y que os abrirá el cielo químico, sois capaces de comprender lo que es el cielo, pues este cielo extendido colorea los campos de púrpura y se reconocen en él los astros y el sol.Pero esto cuando aún falta para la llegada del mediodía, apenas el día comience a asomar, pues nuestro Hércules espera que las tinieblas, en las que él se encuentra como amortajado*, sean disipadas, para regocijarse entonces de la fulgurante luz del mediodía. Por ello los poetas le han llamado su caos, pues es en el antimonio en donode todas las cosas se encuentran primeramente confusas, se separan y se dividen por la sola fusión, de modo tal que podríais creer con facilidad que Ovidio hubiera tomado de esto el sujeto de sus Metamorfosis.

También se ve muy claramente que no es posible usar un vaso de cristal para la preparación de la materia, sino que se debe utilizar un crisol o un vaso de tierra que resisten el fuego; y el fuego debe ser constante*, no como el de lámpara, sino como el que se encuentra unido al mercurio, el cual se perfecciona y alcanza su término por un movimiento constante y continuado; en cuanto a los otros fuegos, conviene interpretarlos de un modo distinto al que acostumbra el vulgo.Así se debe empezar por comprender qué es la circulación, la sublimación, la trituración, la digestión, y todas las demás operaciones químicas, en qué medida son distintas de las vulgares y con qué facilidad y en qué poco tiempo pueden ser ejecutadas. De este modo podrá entenderse el sentido del enigma de Hermes cuando pide que las cosas superiores sean como las inferiores, y las inferiores como las superiores; también podrá comprenderse qué es lo que el viento lleva en su vientre y qué significa que el sol es su padre y la luna su madre*. Y ya no volveréis a ignorar cuál es esta agua seca que no moja las manos.

Y, en fin, vosotros, seáis quienes seáis, los que aún dudáis de lo que os digo, fundid solamente el antimonio y aplicaos a ver exactamente lo que acontece; y veréis en él todas estas cosas, veréis en él las palomas de Filaleteo, oiréis el canto de los cisnes de Basilio y este mar de los filósofos del que he hablado extensamente en mi tratado de los acontecimientos fortuitos e imprevistos.Es conveniente que os hable ahora de los dispendios necesarios. Yo, que prefiero el conocimiento de la piedra filosofal, sin espíritu de sacar provecho alguno de ella, a esta misma piedra tingente hasta el infinito*, no pretendo sufrir los reproches secretos de aquellos que me acusarán de aprovecahrme de los trabajos de otros. Y porque ha sido la divina bondad la que me ha formado, me siento dichoso por los escasos bienes de los que dispongo, y percibo aún una dicha mayor y mucho más perfecta* cuando en la entera sinceridad de mi confianza* muestro a los demás como con los dedos*, el camino de enriquecerse.

Haced fundir, como ya os dije antes, el antimonio hasta obtener un régulo* estrellado, sin mezclar en él marte, pues nuestro rey entra solo y sin satélites en la Fuente; entonces tendréis todas las cosas: ya lo he dicho muchas veces, lo tendréis todo y nada.Para mostraros que marte no debe entrar en la composición del régulo*, he aquí una experiencia que os convencerá de ello. Fundid régulo* de antimonio y de marte, y agregad la mitad de su peso de luna; y cuando todas estas cosas estén bien fundidas, vertedlo todo en agua fuerte, entonces veréis un polvo negro que precipitará en el fondo, como la que Becker encontró en su mina arenosa. Y este polvo, sea cual sea la industria que tengáis entre manos*, y sea cual sea el artificio del que os sirváis, no puede fundirse en oro, porque se trata de marte totalmente puro.

Así pues, aquellos que creen que en la composición del régulo* no interviene más que el espíritu sulfuroso de marte, tropiezan groseramente. Yo he hecho la prueba con oro muy puro: he introducido veinte gramos de oro en una copela; una vez fundidos he agregado poco a poco régulo* de marte, y de todo ello he obtenido treinta gramos de oro, y de este modo mi oro ha sido aumentado en una tercera parte* tras haber resistido la prueba del fuego. Pero he visto que mi oro era frágil a causa de las partes de marte que le fueron unidas; y por un método secreto separé mi oro purísimo obteniéndolo en el mismo peso que al principio.Pero volviendo al dispendio necesario, ¿acaso es un desembolso excesivo el que supone tomar una libra de antimonio, media libra de tártaro y de sal nitro y hacer fundir todo esto en un crisol y, una vez purgado hasta la aparición de la estrella, añadir una parte de oro o de plata?*

Y si alguno cree que permanece en el error porque no le he mostrado lo poco que falta para lograr la piedra filosofal, y sin lo cual, a decir verdad, todo lo que he dicho es inútil, que piense que jamás se enseñan todas las cosas a la vez y en un mismo tiempo; vendrá un día en el que descubriré el misterio entero, y haré ver que no hay más vía verdadera que la nuestra, ni que se realice con más premura ni con menos coste. Y para dar alguna satisfacción a las prisas que se puedan tener, añadiré una experiencia que facilitará el medio de llevar su espíritu hasta la búsqueda más profunda de este arte.
Haced un régulo* de marte y de oro o plata; tomad una parte del uno y del otro, y poned la de oro sobre una pieza de plata, y la de plata sobre una pieza de cobre; enrojeced estas piezas sobre una teja: el antimonio se exhalará; al instante veréis que vuestra pieza de plata se encuentra teñida y penetrada por un intenso color rojo, y la de cobre teñida y penetrada de color de plata. Y si colocáis sobre una teja una pieza de plata, sobre la que se encuentra el régulo* de oro, colocando un poco por encima otra pieza de plata de manera que cubra a la otra sin tocarla y cuidando que no caiga ceniza sobre ella, la pieza de plata que se encuentra más arriba adquirirá el color del oro por medio del régulo* solar que, en su fusión, se lleva el oro y lo volatiliza. Por este medio se puede obtener un oro potable más* perfecto que el vulgar: esto es lo que puede ser llamado el verdadero oro de los filósofos.

He mostrado a mis amigos dos de estas piezas de plata y de cobre, bellísimas y perfectísimas, y cuando fui a Italia, al pasar por Berlín, las ofrecí como presente al Serenísimo Elector Federico Guillermo, mi soberano Señor, quien mostraba gran curiosidad por las cosas raras*.Sigo adelante* para decir una cosa no menos notable. Fundí plomo al que añadí una parte de régulo* solar, y vi, no sin admiración, que ese plomo no se reducía en escoria, aunque permaneciese mucho tiempo en el fuego; al contrario, apareció como purgado de sus impurezas y, en cierto modo, cambiado o transmutado.

Este régulo*, bien preparado, contiene, pues, el verdadero oro potable de los filósofos, el cual es ávidamente bebido*, no por hombres como nosotros, sino por el hombre químico, y por los animales; y su mercurio, íntimamente unido al oro y a la plata, dona la amalgama filosófica.Aún puede observarse otro misterio en la preparación, es la manteca* de antimonio filosófico. La comparación que hace Basilio Valentín en su Carro Triunfal del Antimonio, puede ser con justicia recordada aquí*: dice que la piedra de los filósofos se hace de la misma manera en la que nuestros aldeanos hacen manteca y queso a partir de la leche. Nuestra vaca es el antimonio, cuya leche, que es el régulo*, una vez agitado, da lugar a la manteca, que no es otra cosa que el azufre rojo; y este azufre es una verdadera manteca de antimonio. Por lo que hace al resto, cualquiera puede explicarlo con facilidad.

Pero alguno podría decirme que Basilio Valentín quiere que se tome el vitriolo para hacer la piedra, y no el antimonio. Pero pensad (como pide él mismo) ¿Qué cosa es el vitriolo sino un azufre?, y el antimonio, ¿qué cosa es sino el mercurio?* En la actualidad* se concibe con acierto lo que es el antimonio y el vitriolo de los filósofos, y es éste uno de los secretos más importantes, hasta tal punto que si lo ignoráis, todo vuestro trabajo será inútil. Aún hay otras muchas cosas, pero la entrada es difícil: yo os ayudaré en la medida que me sea posible, y como hizo el sol en la fábula, advertiremos a nuestro Faetón de temer y temblar siempre hasta el final de su carrera, con el fin de gozar un día de los frutos de las Hespérides.
Comenzaré por el principio*.El antimonio purísimo es la primera materia, tan ardientemente deseada y buscada con tanto cuidado por tantas gentes; es decir, que en el antimonio hay cierta humedad aérea, maravillosamente mezclada de calor, del cual ya hablé la principio y muchas veces en algunos pasajes de mio Acontecimientos imprevistos. Esta materia está dispuesta y gobernada por los rayos del sol y de la luna de los filósofos en su mar, y es conjuntada con el calor seco de su tierra.
He aquí lo que produce nuestra materia segunda, nuestro hombre químico, del cual he prometido que explicaría sus enfermedades, así como la devolución de su perfecta salud a través de los remedios que Basilio Valentin me ha indicado en su Carro Triunfal del Antimonio, si Dios me concede ocio suficiente*.Tenéis ante vosotros el huevo que contiene y encierra el blanco y el amarillo, del que un día debe nacer* un pequeño gallo que mediante su agradable canto despertará por la mañana a los verdaderos amantes de la química.

Creo que son muy pocos los que no han notado que entre los jeroglíficos de los dioses de la antigüedad, el gallo está particularmente consagrado a mercurio. Albricus, en su pequeño Tratado de las Imágenes de los Dioses, dice estas pocas palabras al hablar de Mercurio: Había frente a él un gallo que le estaba especialmente dedicado. El gallo es, pues, el signo y la señal del mercurio, mercurio que los químicos vulgares tienen frecuentemente en su boca pero rara vez entre sus manos, y jamás en la mediación de su espíritu; y sin embargo el mercurio es su Todo: pero mientras busquen ese Todo en el mercurio vulgar, jamás encontrarán nada.
El verdadero y simple mercurio de los filósofos es, pues, aquel del cual he dicho antes que es húmedo, aéreo, cálido, espíritu volátil, el hermafrodita Ovidio, el ácido y el álcali volátil, el mercurio doble unido al azufre y a la sal filosófica, o al ácido y al álcali fijo: aquello que se forma cuando se unen ambos en régulo* siendo rechazadas las heces y las inmundicias. Pero aún no es puro; es necesario que el rey entre en su baño filosófico y se lave; que muera en él; que se vivifique en él; y que una vez revestido de su manto de púrpura, se siente sobre su trono.

Acudid, pues, prestos aquí, vosotros, químicos mercuriales que atormentáis incesantemente mis oídos con vuestras fijaciones y coagulaciones del mercurio vulgar; aprended de esto que os he dicho lo que es el mercurio filosófico, su fijación, su coagulación, su precipitación, su sublimación y su revificación, pero aprended antes qué es lo que los filósofos entienden por morir.Sin duda habéis visto alguna vez muertos o moribundos; ¿acaso no habéis observado que una vez extinguido el espíritu cálido volátil que tiene por costumbre* penetrar todos los miembros del cuerpo y vivificarlos, la sangre se aglutina y se coagula en el cadáver? Del mismo modo, la muerte, según los filósofos, no es sino la coagulación y fijación de la materia volátil.

Y pues, ¿acaso el régulo* no es volátil? Fijadlo y estará muerto. Pero ¿está un cadáver en estado de entrada en una nueva habitación? ¿Acaso no permanece en su sepulcro en paz y en reposo eternos, según he leído muchas veces en las inscripciones de los viejos? ¿Acaso no permanecen en la tumba hasta el momento de ser resucitados por una potencia divina*? Del mismo modo, nada fijo entra en los otros cuerpos metálicos.
Devolved la vida a este cuerpo: es decir, desde el fijo en el que se ha convertido, convertidlo de nuevo en volátil, entonces entrará con facilidad*. Hay, al decir del poeta, un calor y un espíritu vital en el cuerpo que nos abandona con la muerte.
En fin, ¿de qué color son los cuerpos muertos? Según los poetas la muerte es violeta, o más bien negra; y la vida, ¿acaso no es de una blancura como la de la luz? Entonces sabéis que quieren significar los filósofos con ennegrecer y blanquear. ¿Y es que alguien ignora aún lo que es el ornato blanco de los ángeles?, incluso los niños con apenas uso de razón los reconocen al verlos pintados con sus alas. Y si tienen alas, sus espíritus son, pues, volátiles.

Vosotros, los que buscáis con una aplicación extrema vuestros diversos colores en vuestros vasos, venga, alejaos*. Vosotros, los que atormentáis mis oídos con vuestro cuervo negro, estáis tan locos como aquel hombre de la antigüedad que acostumbraba a aplaudir en el teatro, aunque estuviese solo, porque siempre se imaginaba que tenía ante sus ojos algún nuevo espectáculo. Lo mismo hacéis vosotros cuando, vertiendo lágrimas de dicha, imagináis que véis en vuestro vaso a vuestra blanca paloma, a vuestra águila amarilla y a vuestro faisán rojo, venga, alejaos de mí si buscáis la piedra filosofal en una cosa fija, pues ella no penetrará los cuerpos metálicos más de lo que penetraría el cuerpo de un hombre del mundo unas sólidas murallas.

Leemos en la Santa Escritura que el ángel abrió las puertas de la prisión al querer extaer la piedra santa*, pero no le fue necesario abrirlas para entrar en ella. Leemos también que Jesucristo entró en la asamblea de los apóstoles estando las puertas cerradas, pero esto fue después de su gloriosa resurrección. Comprended, pues, a través de estos ejemplos aquello de lo que el razonamiento no ha podido hasta el presente persuadiros. ¿Queréis aún alguna cosa más? ¿Por qué, os pregunto*, envolvéis vuestro polvo en la cera cuando queréis hacer una proyección? ¿Por qué calentáis vuestro mercurio o fundís vuestro plomo antes de añadir vuestro polvo? ¿Por qué sometéis a un buen fuego de supresión* a vuestro crisol mientras el fuego es dulcísimo* en la parte inferior? ¿Por qué, en fin, continuais manteniendo con un fuelle un fuego fuerte durante media hora, si no es afin que vuestra materia volátil penetre prontamente el mercurio o el saturno, y no se evapora antes de la transmutación?

He aquí lo que tengo que deciros acerca de los colores, a fin de que en el futuro abandonéis vuestros trabajos inútiles, y a lo que añadiré una palabra referente al olor.La tierra es negra, el agua es blanca, el aire, cuanto más cercano está al sol, más se amarillea, el eter es rojo por completo. Del mismo modo la muerte, como ya ha sido dicho, es negra, la vida está llena de luz; cuanto más pura es la luz, más próxima se encuentra de la naturaleza angélica, y los ángeles de puros espíritus de fuego*.

¿Acaso el olor de un cadáver no es enojosa y desagradable al olfato? Así el olor hediondo en casa del filósofo denota la fijación; por el contrario, el olor agradable señala la volatilidad, porque se aproxima a la vida y al calor. Plutarco recuerda en cierto lugar que el olor desprendido por los hábitos de Alejandro el Grande después de realizar algún ejercicio violento, era muy agradable. Así, cuanto más puro y cálido es el aire de un país, más odoríferas son las hierbas que crecen en él. La Arabia feliz nos proporciona certeras pruebas de ello: el arte imita hasta tal punto la naturaleza, que los excrementos más hediondos del cuerpo humano adquieren un agradabilísimo perfume por una simple digestión y con la ayuda de un fuego proporcionado ¿qué es sino la algalia?. En consecuencia, tenemos necesidad del socorro del fuego.
Basilio y los demas adeptos tienen muchos tipos de fuego: hay un fuego celeste y hay un fuego terrestre, aquel es el del espíritu volátil, este el del cuerpo fijo; uno es el del Sol superior, el otro es del sol inferior, como afirma Sendivogius y como dice Cicerón, de este género es aquel que se encuentra contenido en el cuerpo de los animales y que es llamado fuego vital y salutífero, que conserva todas las cosas, las nutre, las aumenta, las sostiene y las capacita para el sentimiento: pero lo que admiraréis, sin duda, es que hay un fuego frio del mismo modo que hay un fuego caliente; ese fuego frio es mercurial, volátil y femenino.
El fuego cálido es sulfuroso, fijo y macho. Y además de eso, todavía hay otros fuegos, que son los que estan ocultos en la materia, que los quimicos vulgares creen que son externos y en eso se engañan. Basilio discurre a este respecto muy largamente. Tambien hay fuegos externos, entre los que podemos contar el fuego del juicio final, es decir, el fuego de prueba que se opera por medio de Saturno en la copela, por eso Basilio lo llama Juez Soberano, de igual manera que en el cielo es el planeta mas alejado y mas elevado por encima de nuestras cabezas.

Todavía hay el fuego de Etna, o infernal, del que os hablaré en otra parte, por temor de fatigaros con una lectura demasiado extensa, y para refrescaros un poco os voy a ofrecer vinagre, pero del vinagre destilado muy agrio, con el que podréis (cuando os parezca bien) preparar la tintura de coral, es decir, el acido o el azufre fijo, o bien os prepararéis perlas, es decir, el alcali, y beberéis para fortaleceros del vino o espíritu de vino antimonial: si a todo esto preferís la medicina universal, podréis tomarla con el bálsamo filosofico, no hay ningun otro licor alkaest que pueda disolver todas las cosas sin perdida ni disminución de sus fuerzas: es el Alkaest de Paracelso, totalmente espiritual, agua celeste, y nuestra agua fuerte, etc.
Hacia el fin del otoño beberemos el nectar y la ambrosía contenidos en el cielo quimico, pero filosoficamente y del que apenas se han ofrecido los primeros fundamentos. Seas quien seas quien leas esto, deseo que te sea provechoso y te digo adios.Amsterdam, el día que sigue a las Calendas de setiembre del año 1688
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