domingo, 9 de setembro de 2007

Alguém Precisa de Você...

Alguém Precisa de Você...
Mensagem especial - Folheto AMORC DEXP-1


Segundo um velho axioma, cabe àqueles que desejam uma vida de sentido elevado envidarem seus próprios esforços para encontrar o caminho.

Todavia, aqueles que já conseguiram erguer umpouco do véu do conhecimento e encontrar meios para seu auto-desenvolvimento devem partilhar, até onde é possível, aquilo que descobriram e tudo o que possa ajudar os outros, em seu benefício pessoal e para o aperfeiçoamento fa Humanidade.

Na verdade, aqueles que estão vivendo na Luz maior não podem alhear-se aos que se debatem na obscuridade, e embora muitos destes achem cômodo permanecer nas trevas, iludidos por prazeres transitórios e ilusória felicidade, outros esperam, apenas um raio dessa luz e uma mão amiga que os oriente.

O conhecimento perde do seu sentido se é utilizado por nós, exclusivamente. Os que estão na Senda não podem, na verdade, deixar de se preocupar com aqueles que caminham tropegamente nos atalhos, procurando a verdadeira estrada, que nós conhecemos. Talvez até o tempo perdido por eles, batendo nas portas falsas, venha a desiludi-los, de tal modo que não acreditem, mais tarde, num portal autêntico que lhes seja aberto por alguém de boa vontade.

Nenhum verdadeiro estudante de misticismo achou necessário, alguma ez, ocultar sua autêntica fonte de conhecimento àqueles que considerou preparados e dignos, a não ser nos tempos difíceis em que os místicos eram perseguidos.

O sigilo foi necessário no passado, em virtude de intolerância religiosa e opressão política, mas não o é agora. O estudante sincero sabe que existe, agora, liberdade suficiente para transmitir aos outros sua alegria (...).

Por outro lado, uma Lei de Compensação nos impele, cada vez mais, a proporcionar àqueles que conhecemos os valores que são para nós mais elevados, pois, de todas as maneiras, muitos recebemos dos outros em nossa vida.

Existe à nossa volta uma multidão de pessoas sobrecarregadas de temores, debatendo-se em crenças errôneas, angústias, ignorância e preconceitos, procurando dignidade, sentido e coerência para suas vidas.

A nossa mão fraterna tem de se estender até elas, já que não podemos trazê-las ao nosso Sanctum privado ou a um Templo Rosacruz; temos de levar-lhes, mesmo anonimamente, a nossa mensagem, e talvez plantando a pequena semente que nelas germinará, quems abe numa grande árvore de conhecimento.

Sabendo que nenhum de nós é uma ilha e que tudo quanto ocorre nos outros nos afeta, de algum modo, jamais poderemos ficar indiferentes às vidas humanas que estão à nossa volta, pertubadas mental e espiritualmente, tantas vezes se debatendo em ódios, conflitos, erros e desesperanças, quando temos em nossas mãos a bússola da Esperança, da Saúde, do Amor e da Paz. (...)

Nossa missão é, principalmente, aqui e agora. A herança mais valiosa que poderemos deixar nesta existência será o grau de aperfeiçoamente e conhecimento que tivemos conseguido e transmitido ao nosso semelhante, como contribuição ao engrandecimento e à dignidade do Homem.

O que já alcançamos, mesmo nos parecendo pouco, representará muito em Confiança, Esperança e Paz de Espírito, que um simples gesto amigo de nossa parte vai levar a pessoas que sofrem, se desesperam, se perdem, atualmente, no labirinto da existência. (...)
(...)
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O Desenvolvimento da Compreensão Interior

O Desenvolvimento da Compreensão Interior
O Rosacruz Janeiro - Fevereiro de 1989


Há um diálogo árabe que é mais ou menos assim:" Tu me chamas de infiel e eu vou te chamar de crente verdadeiro. Porque o melhor para responder a uma mentira é usar outra mentira do mesmo tamanho.

Se observarmos a situação atual do mundo, especialmente em questões de religião, política e educação, creio que todos concordamos em que a maior parte de nossos problemas internacionais esta baseada em sentimentos de presunção nacional ou sectária. Em educação, isto se torna uma questão de superioridade intelectual.
Por outro lado , na maioria dos casos, eu arriscaria afirmar que a maioria desses sentimentos não são um atributo consciente de um individuo ou grupo e sim, mais provavelmente, um impulso inconsciente que se manifesta como uma reação. Em outras palavras, as pessoas são intrinsecamente boas. Exceto em raros casos, não saímos pela vida tentando intencionalmente coagir ou manipular os outros. O que acontece é que nos tornamos tão apegados a nossas crenças, nossa vida e nossa maneira de fazer as coisas, que passa a ser um aspecto forte do nosso mundo a tendência de querermos convencer os outros a agir e reagir como é de nosso costume.

Onde esta o mistério da vida?

A maioria das pessoas que desenvolvem algum grau de responsabilidade interior consegue viver sem criar muito conflito grave, porque essa responsabilidade se traduz num certo grau de aceitação. Mas, quando pelo menos uma das partes não manifesta esse grau de aceitação dos outros, desenvolve-se um sério conflito potencial. E quando ambas as partes não são capazes dessa aceitação, tem-se uma guerra.

Nossa senda, como místicos e rosacruzes, é um caminho de desenvolvimento individual de força interior e de trabalho coletivo por um mundo de tolerância, aceitação e compreensão. Nosso primeiro dever consiste em estudarmos a nos mesmos no sistema do misticismo. As pessoas que não estudaram o bastante pensam que os sistemas metafísicos ou negam o valor das coisas do mundo, ou prometem uma profusão de benefícios materiais. Mas uma vez que tenhamos compreendido o equilíbrio e nos tenhamos definido em nosso próprio âmago e quanto aos nossos objetivos, teremos desenvolvido aquela responsabilidade para lidar com os outros.

E enquanto não conseguirmos isso, não teremos o direito de discutir com os outros as coisas que criam conflito, porque nenhumas das partes interpretará tais discussões senão como julgamentos e o conflito não será visto como uma experiência instrutiva. Essa compreensão interior desenvolvida é nada mais nada menos que sabedoria. Com a sabedoria vem a clareza e a unidade de propósito.Quando isso e alcançado, podemos agir com equidade. Ao contrario da opinião popular, o misticismo é uma disciplina muito ativa.
O ato de aprender é certo modo passivo. Mas o necessário serviço que é o resultado do aprendizado, torna-se a mais motivadora força do universo que o ser humano tem a possibilidade de sentir no âmago do seu coração. Serviço e uma expressão de uma força “superior” chamada “AMOR”. O equilíbrio manifesta o Serviço, que por sua vez se torna o Trabalho de um místico absorto em AMOR.

Somente nesta perspectiva podemos apreciar o dialogo árabe citado no inicio desta mensagem:" Tu me chamas de infiel e eu vou te chamar de crente verdadeiro. Porque o melhor para responder a uma mentira é usar outra mentira do mesmo tamanho.Esta tirada feita sem sabedoria, pode ser um poderoso meio de "calar a boca" de uma pessoa com que se esteja discutindo. Mas, usada na perspectiva da sabedoria, torna-se uma poderosíssima ferramenta de ensino com muitos níveis de interpretação esotérica.
Pensem nisso!
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Harpa de Vibrações Compreensivas (Ressonância)

Harpa de Vibrações Compreensivas (Ressonância)
Por: Michael Nowicki, F.R.C.
Tradução: Marco Guimarães Jr, F.R.C.


Um dos fundamentos dos ensinamentos da AMORC era o princípio da ressonância ou das vibrações compreensivas, o qual simplesmente, afirma que um objeto em uma determinada freqüência, vibra com outro objeto que também está sintonizado na mesma freqüência.
H. Spencer Lewis construiu uma harpa simples de madeira com 12 cordas afinadas com as 12 notas da escala musical. Quando tocado um diapasão e o aproximado das cordas, então uma das cordas afinadas na mesma nota que esse diapasão, emitiria esse som.

Diapasões eram também usados como eram os arcos de violinos, tocados com pano de vidro (veja acima).


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O Contador de Raio Cósmico

O Contador de Raio Cósmico
Por: Michael Nowicki, F.R.C.
Tradução: MAGUS, F.R.C.


O Contador de Raio Cósmico parece ter sido um antigo protótipo do contador de Geiger, para detectar e registrar ambientes com níveis de radioatividade, a qual naquela época da década de 1930, era ainda largamente desconhecida seu espectro de freqüência e um mistério cientifico.

Assim como rádio anos anteriores provou que a fala e a musica poderiam ser transmitidos por invisível e sem fio “Éter”, poderia agora usar a mesma tecnologia do radio para contatar e demonstrar a existência de uma taxa de vibração elevada, próxima da vibração divina da criação.


Os dois longos tubos à frente foram usados como “transdutores” para detectar as partículas de Raio Cósmico, assim como uma antena de rádio ou sensor gigantesco contador. Estes eram rodados e ajustados ao longo com os discos para determinar a extensão da freqüência e sensibilidade de detecção.

Agora se você olhar com cuidado as fotos mostrando o fundo da unidade, verá um tubo à vácuo movido por um receptor de rádio e um amplificador conectado por um auto-falante de onde os espectadores podem ouvir verdadeiramente as partículas de Raio Cósmico. A caixa de metal abaixo da prateleira era a tomada AC de energia.

Este aparelho foi usado para fins demonstrativos em convenções e na RCU (Rose+Croix University) durante a década de 1930 e 1940 para demonstrar a existência das manifestações de alta freqüência e a habilidade de entrar em contato com estas forças pelo princípio da sintonização.

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Por que os fracassos em cura?

Fórum Rosacruz - AMORC - Abril de 1989 - Volume XX, nº2
Arquivo digital: Incógnito, F.R.C.

É sempre benéfico fazer tratamentos metafísicos? Essa pergunta foi recentemente formulada numa convocação rosacruz, e suscitou a seguinte resposta de u médico rosacruz:

Como você pode ver pelo cabeçalho desta, sou um médico. E minha prática, uso duas metodologias de tratamento. A primeira baseia-se em procedimentos de diagnósticos acadêmicos e sem modalidades terapêuticas de minha profissão; a segunda baseia-se em Leis Cósmicas e Científicas (terapêutica espiritual, se preferir). Nossa Lei do Triângulo se manifesta na criação de uma terceira condição, que é a própria resposta ou reação do paciente a esses esforços duais por mim iniciados. Para cada ação há uma reação, não é mesmo? Ou a condição do paciente melhora ou não melhora.

Aprendi duramente que não posso dirigir o movimento ou a ação da terapêutica espiritual. Não podemos, com efeito, dizer o Cósmico o que fazer, que tecidos afetar ou que tratamento deve ser feito, mesmo com base no conhecimento acadêmico da condição, porque muitas doenças físicas são manifestações de atitudes mentais impróprias, do prolongado abuso de leis naturais relativas à saúde física e emocional. Baseado nessa premissa, só posso tratar dos sinais e sintomas externos da condição doentia. A natureza exata do problema é desconhecida para mim, e está fora do âmbito de minha prática, por assim dizer. O processo de cura, portanto - a resposta à primeira e segunda metodologias - é deixado ao Cósmico. Eu devo "liberar de minha mente o problema e deixar Deus agir" - situação difícil para médicos.

Devemos perguntar o que é um processo de cura. Uma vez mais, devo defini-lo segunda minha compreensão, em termos das duas metodologias acima. Academicamente, a cura é a resposta fisiológica que restaura no corpo a condição de bem-estar. Espiritualmente é o alívio de sofrimento e, como não podemos dirigir o Cósmico, a cura pode não ocorrer. Levando a coisa ao extremo, a transição é de fato a consecução do processo de cura. A lição mais difícil que tive que aprender foi que às vezes a recuperação física não era para ser alcançada. Foi preciso muito tempo, e muitas lágrimas de verdadeira frustração, para que eu compreendesse isso.

Talvez um paciente retornara a esta vida porque sua Grande Obra ainda não fora realizada. Nesse caso, a terapêutica espiritual ativava as forças criativas e construtivas de seu corpo e, junto com a soberba tecnologia médica, ele se recuperava fisicamente.

Para terminar, eu gostaria de partilhar uma prece que tem especial significado para mim. É uma expressão de vida, e muito me ajuda em meus afazeres diários. Essa prece é tão importante para mim, que faz parte de minhas ablusões diárias no começo e fim do dia. Estou certo de que a maioria de vocês a conhecem:

"Deus, dá-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar a coragem para mudar as coisas que posso e a sabedoria para conhecer a diferença."

Isso se aplica diretamente ao médico e ao paciente também - Q
Fórum Rosacruz - AMORC - Abril de 1989 - Volume XX, nº2
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O LUXATONE

Misteriosas Invenções do Dr. Lewis


Por: Michael Nowicki, F.R.C.
Tradução: MAGUS, F.R.C.

Dentre os vários talentos de H. Spencer Lewis, era um designer e construtor de incomuns invenções e protótipos a fim de demonstrar os princípios místicos e as leis naturais dos ensinamentos. Se ele vivesse hoje em dia provavelmente o chamariam de um “hacker de hardwares” no melhor sentido da frase.

Quando o primeiro Templo Rosacruz da AMORC foi aberto em 1915 em Nova York, havia um sistema de rádio “sem fio” com o qual HSL sempre colocava o fone de ouvidos e com esse, monitorava as freqüências a fim de escutar o que havia lá fora.

De fato, algumas das descrições de um Rosacruz por todos os tempos, são a de um místico que abraça as novas tecnologias para ajudar a difundir a Luz. Os modernos Rosacruzes tem adotado a nova tecnologia da Internet para se manterem em contato, participar de fóruns, distribuir materiais, ajuda em suas pesquisas, saber mais sobre as atividades locais e visitar web sites.

Então, com o objetivo de inspirar outro a encontrar novas maneiras de usar as atuais tecnologias, para difundir a Luz, ofereço para seu entretenimento esta coleção de estranhos aparelhos, a galeria da noite do ocultismo.

O LUXATONE, Órgão (teclado) da Cor (The Master Color Organ) foi um aparelho que convertia frações do espectro sonoro, em frações do espectro de luz em cores. O microfone era usado para ser a entrada de uma fala ou de uma música, e a tela mostraria as cores de sua intensidade simultaneamente. O homem à esquerda é Ralph M. Lewis antes de se tornar o 2º Imperator da AMORC.

Foi inicialmente usado para demonstrar o Teclado Cósmico, ensinado pela AMORC, que há oitavas de manifestações e que cada nota musical, tem uma correspondência harmônica com uma cor específica, em oitavas mais elevadas.

O principio do projeto foi simplesmente satisfatório e inovador para sua época. A tela era uma “caixa” triangular com uma peça de vidro translúcida em sua frente. Dentro dessa caixa em cada um de seus ângulos, havia uma lâmpada, vermelha, em outra azul e verde que ascendiam e seu brilho visível através da tela de vidro.



Dentro dele havia um complexo circuito valvulado e de componentes de rádio. Havia um canal ou circuito estabelecido inicialmente. Quando a freqüência de um som era detectada pelo microfone, o circuito media a freqüência e ascendiam as lâmpadas coloridas em combinação, misturando as cores desejadas. As três lâmpadas representavam as três cores primárias com as quais todas as outras cores poderiam ser formadas simplesmente ascendendo as lâmpadas variando sua intensidade, com a fusão de cor aparecendo no centro da tela triangular.





Os fios do Luxatone com as válvulas a vácuo e um transformador.



Capa do livreto "Luxatone, enviada aos membros Rosacruzes - AMORC



Após o sucesso da demonstração do Luxatone, este livreto foi publicado e enviado aos membros da Ordem e aos jornais. (N.T.: Estarei traduzindo na íntegra este livreto em breve, M.G.)

Se você estivesse na escola em meados das décadas de 1960 e 1970, deve ter conhecido uma versão moderna do Luxatone vendido pela Radio Shack, que conectava os terminais do auto-falante de seu sistema estéreo, com as luzes que brilhavam no ritmo da música.

Que interessante! E uma demonstração científica muito divertida dos princípios do Teclado Cósmico.

Outra coisa, Luxatone construído por H. Spencer Lewis nos leva a surpreendente semelhança com o “Interoscitor”, um aparelho de comunicação construído por alienígenas na década de 1950 no clássico filme de ficção científica “This island Earth” (A Guerra dos Planetas, Brasil – 1955). Dê uma olhada e tire suas conclusões!



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Misteriosas Invenções do Dr. Lewis

Por: Michael Nowicki, F.R.C.
Tradução: MAGUS, F.R.C.


AS ORIGENS DAS DOUTRINAS DE MARTINES DE PASQUALLY

AS ORIGENS DAS DOUTRINAS DE MARTINES DE PASQUALLY
Por Prunelle de Liére
Tradução: Marco Guimarães Jr., S.I.I.

Mais uma doutrina de origem cabalística, intelectual, parecendo mais como de origem da tradição oral e familiar. Devemos saber mais o sobre qual o sentido devemos dar à palavra “família”.

O conceito de reintegração é encontrado já no século XVI na cabala inovadora do Rabbi Isaac Louria. Após a saída dos judeus para a Espanha em 1492, as contínuas perseguições deles na própria Espanha, faz com que o Judaísmo Marrano apareça. Esse êxodo mudará radicalmente a forma da Cabala, ao menos seu interior.

Alguns escritores cabalistas determinaram pela numerologia, que o ano de 1492, após um longo tempo antes de 1490, seria um ano catastrófico, era o ano da redenção. A expulsão levantou as teorias messiânicas do “Fim” (dos tempos). Seria necessário mobilizar todas as forças possíveis para precipitar esse “Fim”.

A nova Cabala formada, sendo mudada e fundida com a “Comunidade dos Devotos”, em Safed (uma cidade no nordeste de Israel) manteve as suas marcas de porigem durante todo esse processo. Iniciou-se aproximadamente em 1530-1353 na cidade de Safed. Os dois cabalistas mais famosos eram então “Moïse Bem Cordovero” e “Isaac Luria”. Diferem tanto um do outro, que são sempre relacionados um ao outro.

Na primeira metade do século XIX, o historiador maçônico Claude Antoine Thory, encontrou 3 fontes de Martinés de Pasqually: “Calendarium Naturale Magicum Perpetuum” de Tycho-Brahé, impresso em 1582 no “d´Esprit Sabbathier; o “de Idealis Sapientiae Generalis do Umbra”, impresso em 1679 e o “Philosophical and Mathematical Chart Accompanied by the Magic and Perpetual Calendar” (Carta Filosófica e Matemática acompanhada pela Magia e Calendário Perpétuo), pelo ocultista contemporâneo Touzay-Duchanteau.
A similaridade desses três trabalhos com certos elementos da teurgia dos Elus-Cohen, está clara de fato,ainda que estas tabelas comparativas não estejam presentes nos textos Elus-Cohen. Do mesmo gênero são o “Virga Aurea, Stéganographie” de Trithème e o “the Occult Philosophy” de Crow Clutched, mais extensa e ainda com mais observações pessoais, do que o interesse próprio no Cosmos dos Elu-Cohen com sua individual e correlativa reconciliação (R. Amadou).

Moïse Ben Cordovero

Moïse Ben Cordovero (1522-1570) era inicialmente um pensador sistemático, seu objetivo era dar ao mesmo tempo nova interpretação e uma descrição prática do misticismo da antiga cabala, particularmente do Zohar.
Rabbi Isaac Luria

Isaac Luria, conhecido como Ari, o Leão, de origem germânica ou polonesa, nasceu em Jerusalém em 1534 e morrei na cidade de Safed em 1572. Ele foi, de acordo com Gerson Scholem, mais um filósofo místico do que um místico em si, embora sem qualquer experiência mística. Formado no Egito. Porém não deixou nenhum livro escrito quando de sua morte aos 38 anos de idade. Permaneceu somente 3 anos em Safed.

Luria não fez questão alguma de por seus pensamentos em um livro: Kithve Ha-Ari (“Escritos do leão”). Este livro foi um comentário do Sifra Di-Tsenutia [1] “O Livro do Mistério”, uma das mais difíceis partes do Zohar.

Seus discípulos

Sua mais importante companhia foi Hayim Vital (1543-1620) autor de várias versões do sistema de Luria, versões que encheram cinco volumes in folio, chamado de “Oito Portas” (Shemonah Shearim). Em Ets Hayim (A Árvore da Vida), colocou o trabalho da sua vida. As outras partes contêm títulos separados para cada volume: Sepher ha-Gilgulim, Perished Ets Haym, Chaar ha-Yikhudim, Sepher Likkute Tora.

Outro discípulo fez uma apresentação mais compacta da contraparte teosófica do seu sistema: Rabbi Joseph ibn Tabul, o qual teve mais autoridade dentre os discípulos de Hayim Vital. Seu livro foi publicado sob o título Sepher Hephsti Ba, erroneamente atribuído a H.Vital
Vital preservou ciumentamente as lições de Luria, que sistematizou o pensamento até seus últimos dias. Fez apenas uma pequena edição, que começou a circular somente em 1587. Por outro lado Ibn Tabul foi mais ativo ensinando as doutrinas de Luria em Safed. Opôs-se a Vital, o qual se tornou seu rival.

É Israel Sarug que entre 1592 e 1598, fez uma ativa propaganda a favor da nova escola, entre os cabalistas da Itália. Mas enriquece com as idéias especulativas do “Son Crû”, doutrinas de Luria. Publicou um livro chamado Limmude Atsiluth “Doutrinas da Emanação”. Um de seus companheiros estabeleceu um sistema cabalístico no qual há uma curiosa mistura do neoplatonismo e doutrinas de Luria de acordo com a interpretação de Sarug.
Foi Abraham Cohen Herrera de Florença (morto em Amsterdam em 1635 ou 1639), o descendente de uma família Marrano e o único cabalista que escreveu em espanhol: Puerta Del Cielo. Os discípulos de Sarug tiveram influencia na Itália, na Holanda, na Alemanda e Polônia. Em 1648, Naphtali Ben Bacharach Jacob, de Francforts, publicou Emek ha-Melekh, “As Profundezas Místicas do Rei” ou “Vale do Rei”. Este importante livro contém totalmente a interpretação de Luria por Sarug.

[1] Publicado em Chaar Maamare Rabbi Chimon Bar Yokhai de Hayim Vital.

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Court de Gébelin

Por Milko Bogaard
Tradução: Marco A.Guimarães

Antoine Court de Gébelin (1719? – 1784) foi um dos membros fundadores dos "Philalétes". Foi iniciado na Loja Maçônica "Des Amis Reunis" em 1771. Em seguida se filiou a Loja "Les Neuf Soeurs" em Paris, onde ele supostamente auxiliou na iniciação de um crítico de seu trabalho, chamado Voltaire.

Court de Gébelin foi um pastor protestante que iniciou sua busca esotérica durante seus últimos dias de vida. Ele foi o fundador da "SOCIÉTÉ APOLLONIENNE" (posteriormente chamada de "Musée de Paris"), uma sociedade dedicada às artes e ciências, a qual ele atuou como presidente até o final de sua vida. Court de Gébelin foi o primeiro (conhecido) ocultista que publicou ensaios do Tarô como um instrumento da Tradição Ocidental. Ele afirma que o Tarô era um artefato antigo do Egito.

Estes ansaios foram publicados em um trabalho literário principal em 9 volumes, publicado entre 1773 e 1782 entitulado "Monde primitif, analysé et comparé avec le monde moderne" (O Mundo Primitivo, analisado e comparado com o mundo moderno). Neste trabalho ele procurou reconstruir a primeira civilização, uma civilização na qual foi universal, intelectualmente avançada, e iluminada espiritualmente, de acordo com Court de Gébelin (isto foi afirmado por alguns líderes de escolas renascentistas, que foram seguidores de Platão).

"O livro foca em duas grandes áreas de interesse: (a) linguística e (b) mitologia e simbolismo. Com considerações do autor, Court de Gébelin, apresentou dicionários de etimologia, que ele chamou de uma gramática universal, e fala sobre as origens da língua falada e escrita. Quanto a mitologia e simbolismo, ele discursa as origens da alegoria na antiquidade e uma historia do calendário numa perspectiva civil, religiosa e mitológica." ( J.V. Revak “Court de Gébelin, father of modern esoteric Tarot” )

O livro "Mundo Primitivo..." incluía dois ensaios sobre o Tarô. Um deles escrito pelo próprio Court de Gébelin, e o outro o autor atribuiu a "M. le C. de M". De acordo com diversos historiadores, as abreviações eram de "Louis-Raphael-Lucrèce de Fayolle, Comte de Mellet", um nobre e oficial da cavalaria do século XVIII. De interesse especial é que o Comte de Mellet alegou que os Arcanos Maiores correspondiam ao alfabeto hebraico. "Ele sugeriu um sistema, como esse: a carta "Mundo" = a letra hebraica "Aleph", Julgamento = Beth, o Tolo = Tau. É geralmente aceito por muitos que foi Eliphas levi quem foi o primeiro que introduziu as correspondencias entre os Arcanos Maiores com o alfabeto hebraico.
O conceito do tarô como uma Adivinhação tola foi também discutida por Comte de Mellet. Ele se refere ao Tarô como "O Livro de Toth". As ideias de ambos eram normanelmente rejeitadas pelas escolas modernas, principalmente porque falharam em usar racionalmente argumentos ou apresentar se quer pedaços de evidências convincentes de suas próprias posições.

Todavia, o livro "Mundo Primitivo", Analisado e comparado com o Mundo Moderno", foi um enorme sucesso na época. Segundo Court de Gébelin, ele descobriu sozinho o conteúdo esotérico do Tarô. Errou ao creditar a Comte de Mellet, uma falha a qual sugere que o Court de Gébelin não foi o primeiro a especular o conteúdo esotérico do Tarô e sua antiga história. Porém a dúvida: E quanto a Aliette (Eteilla, a eleita supostamente fundadora do Rito dos Perfeitos Iniciados do Egito), a cartomante francesa que formou a "Sociedade do Tarô" - entusiastas que continuaram as atividades depois da morte de Aliette em 1779?

Supostamente, é possível também que houvesse algum conhecimento dentro das Lojas Maçônicas sobre o conteúdo esotérico do Tarô. Sabemos que o Tarô apareceu na Itália medieval. De interesse especial é a afirmação que o Tarô é originado no Templo de Serapis em Nápoles, Itália. O Templo de Serapis esta agora ao nível do mar, e muito dele foi destruído durante a Segunda Guerra mundial. Lá existe um relato de escavação feita próximo ao século XX, na qual relata as descrições das ilustrações, 20 no total, e uma estátua na entrada.

(French Institute of Archaeology in Cairo, and Michael Poe “Ancient Egyptian Metaphysics” )

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Conhece-te a ti Mesmo


Por Walter Albersheim, FRC
Revista “O Rosacruz” – Fev/1978


A máxima “Conhece-te a Ti mesmo” foi afirmada como a essência da sabedoria por vários escritores de todas as épocas, como Chaucer, Shakespeare, e Cervantes. Podemos remontá-la ao sábio grego Tales de Mileto e ao oráculo délfico sobre cuja porta de entrada estava ela inscrita.
O conhecimento de si mesmo é extremamente importante porque representa a diferença entre as mentes animal e humana. Os animais não são autômatos sem alma. Eles podem sentir, amar e odiar, pensar e aprender, como todo dono de um cão poderá provar.
O conhecimento do mundo exterior é necessário para a sobrevivência, porém mesmo em sua forma humana ele não difere muito dos impulsos instintivos adquiridos através de eras de evolução pela sobrevivência dos mais capazes. O conhecimento de si mesmo é a alavanca com a qual o homem (e por intermédio deste, o Cosmos) compreende sua própria natureza e essência. Decidamo-nos, pois, a obedecer à grande injunção! Mas, onde começarmos? Qual o Eu que deveríamos aprender a conhecer?

O Corpo

Longe de ser um inimigo e empecilho para a alma, nosso corpo é uma máquina maravilhosa e útil, e certamente uma parte de nós mesmos. Devemos chegar a saber o que o torna sadio ou doente, forte ou fraco, aliviado ou angustiado. Tudo isto é ensinado por regimes de higiene, dieta, e exercício, com e sem apoio místico.
É bem sabido que o exercício físico tem sido aprimorado pela arte hindu da Hatha Yôga, que ensina o controle do corpo para propósitos espirituais. Os Rosacruzes praticam técnicas algo similares que são menos vigorosas e demoradas e levam mais rapidamente, do controle do corpo à compreensão e conhecimento do corpo. Os Rosacruzes aprendem cedo, em seu curso de estudos,a focalizar sua consciência, em ordem ascendente, sobre várias partes, membros e órgãos do corpo. Por meio dessa técnica, aprendem a sentir, estimular ou relaxar qualquer das centenas de músculos, mesmo aqueles que são usualmente considerados como estando sob controle do chamado sistema nervoso involuntário. Como parte desse regime, o controle da respiração ajuda a vitalizar o corpo.

A Mente

O conhecimento e o controle de nosso corpo são conquistas proveitosas; todavia, as próprias palavras conhecimento e controle indicam que não somos apenas corpos viventes mas também mentes conscientes. A nossa mente não é o mesmo que o cérebro, como pensam alguns materialistas. O cérebro é uma parte do nosso corpo que serve como agente e instrumento da mente e, em outras palavras, sábia e maravilhosamente feito: um computador muito mais complexo do que as grandes máquinas de computação que o homem recentemente inventou e construiu. Como todos os computadores, o cérebro pode ser subdividido em mecanismo de operação e controle, e uma memória que recebe e armazena as entradas com informações, necessárias para a operação significativa.
As memórias de computador são estimadas em milhões de unidades básicas, mas o cérebro humano retém muitos bilhões de impressões em toda uma vida. Há razões para acreditar que a menos que seja fisicamente destruído, nosso cérebro jamais “esquece” qualquer acontecimento ou pensamento a que tenhamos dispensado considerável atenção. A dificuldade reside na “lembrança”, isto é, no acesso aos itens que desejamos recordar. Aprimorar e controlar esse acesso são parte importante do conhecimento de nós mesmos. O estudo místico leva a esse domínio por meio das técnicas de relaxação, visualização e meditação.
Como antes afirmado, todavia, nosso maravilhoso cérebro é o instrumento da mente, e não a própria mente. Negar tal coisa seria o mesmo que acreditar que um computador pensa quando realiza difíceis operações matemáticas e lógicas sob o controle e orientação de um programador humano. Para os monistas e materialistas, não há diferença entre o corpo, cérebro e mente; na verdade, os fenômenos da mente são quase sempre menosprezados ou negados, como se fossem algo de que devêssemos nos envergonhar.
O místico introspectivo “sabe” ou, pelo menos, “sente” diferentemente. Para ele, o pensamento e a consciência, isto é, a mente, é parte tão básica e fundamental do conhecimento, quanto a matéria ou o corpo. Para ele, corpo e mente podem ser aspectos da mesma e única essência universal que permeia o Cosmos, tendo eles,porém, polaridades diferentes e, portanto, qualidades diferentes.
AS EMOÇÕES

Compreendemos corpo e mente como partas distintas em nosso Ser, representa passo importante para o conhecimento de nós mesmos como instado pelo Oráculo (Apolo, Delfos), porém introspecção ulterior revela que o simples pensamento compreensivo é ineficiente, e que a ação é induzida por um terceiro elemento de nosso ego chamado instinto, impulso, ou emoção. Reconhecidamente, as emoções podem ser condicionadas fisicamente.

Do mesmo modo que um cérebro doente pode perturbar a mente, a hidrofobia pode nos levar a fúria incontrolável. Os antigos reconheciam quatro temperamentos básicos no homem, e acreditavam que eles correspondem à predominância de um dos quatro importantes fluídos do corpo.

Os Rosacruzes afirmam que o funcionamento de nossas glândulas endócrinas pode auxiliar ou prejudicar os estados místicos. A ação recíproca entre as emoções e o corpo se processa de ambas as maneiras e tem evidente valor na sobrevivência. Em momentos de perigo, nosso medo ou ira produz uma descarga de adrenalina que nos permite lutar ou correr, ao passo que os hormônios secretados por nossas glândulas sexuais, despertam o desejo de procriar a espécie. Em qualquer dos casos, a emoção é o agente que induz ação por parte do corpo e da mente.

Necessidade de Maior Conhecimento


O filósofo que se apercebe da distinção e interação do corpo, do intelecto e das emoções é, na verdade, sábio; sábio de acordo com o Oráculo de Delfos quando chamou Sócrates o mais sábio dos homens. Por que, então, desprezou esse sábio o elogio do Oráculo confessando que sua única sabedoria era a compreensão de sua total ignorância?

Se formos sinceros, deveremos admitir que, embora o gênero humano tenha acumulado muito conhecimento de detalhes desde os dias de Sócrates, ainda não compreendemos a natureza interior do Ser. Os engenheiros elétricos, por exemplo, sabem como a água desliza como a combustão ou energia atômica é convertida em força elétrica, transformada em alta voltagem e levada a consumidores distantes, mas não sabem o que é a eletricidade.

Os bioquímicos sabem como a nossa capacidade hereditária é codificada na “dupla hélix” das moléculas de DNA. Conhecem bastante acerca das células animais e vegetais, seu desenvolvimento, declínio, e resistência à infecção. Não importa, porém, quantos segredos da vida possam desvendar, não sabem o que é a Vida.

Todos nós agimos, planejamos e pensamos, mas não sabemos o que são a vontade e o pensamento; de outro modo, nenhum de nós acreditaria que um computador pode pensar e planejar. Evidentemente, o elemento básico está faltando no conhecimento de nós mesmos, e deveremos buscar conceitos outros que não os até aqui analisados.
O Conceito da Alma

Os carolas antiquados triunfalmente afirmarão que somos ignorantes porque desprezamos a alma de Deus, que criou a matéria e a mente, o corpo e a alma. Antes de concordar com essas afirmações de dualismo total, indaguemos se a falta não pode estar nas concepções excessivamente acanhadas de corpo, mente, e impulsos interiores. É possível que a alma esteja contida em outros elementos do nosso EU, se ampliarmos suficientemente o nosso ponto de vista.
Concepção Mais Ampla do Eu
Comecemos com o nosso corpo! À primeira vista, parece ele uma massa sólida de matéria bem definida em peso, tamanho e forma. Na realidade, sabemos que a substância do nosso corpo está constantemente se transformando pela nutrição, respiração e eliminação.

À luz da ciência moderna, este nosso corpo compacto consiste de cerca de cem bilhões de células individuais e ativas. Cada célula por sua vez, consiste de bilhões de moléculas que podemos ainda subdividir em átomos formados por prótons, nêutrons, elétrons, e assim por diante. Quando investigamos do que consistem partículas elementares como os elétrons, nada encontramos senão energia condensada e polarizada. Sempre que duas partículas de polaridade oposta colidem, sua natureza corpuscular desaparece em um lampejo quantum de “ondas” de energia vibratória.
Do mesmo modo que as partículas são simples padrões de energia, também o são as moléculas, células, e nosso corpo como um todo. Na verdade, o universo físico inteiro é um simples padrão de energia. Concluímos que do ponto de vista material não há divisão e separação acentuada entre a menor partícula e o universo como um todo.

Pois bem, onde entra a Mente? Sabemos, com o peso total do conhecimento interior, que possuímos mente e consciência. Nas palavras de filósofo Descartes: “Penso, logo existo.”

Como definimos e delimitamos o atributo de pensamento ou de consciência? Fisicamente, não podemos localizá-lo, mesmo se os conceitos primitivos o identificarem com o cérebro. Os exercícios místicos confirmam que ele está difuso por todo o nosso corpo e pode ser focalizado em qualquer das suas partes. Sabemos que os animais são conscientes, e podemos concluir que pelo menos rudimentos de consciência se estendem até os organismos unicelulares e talvez mesmo, mais baixos, os cristais, as partículas elementares, e os padrões de energia. Nesse caso, devemos atribuir certa intensidade de consciência às células individuais de nosso corpo, e o nosso nível mais elevado de consciência como ser humano é o ponto focal da célula complexa de consciência; um padrão, ao invés de uma entidade compacta.

Devemos ter cautela, todavia, ao interpretar os padrões mentais em sentido espacial. Mesmo em nosso corpo, não podemos localizar a sede da mente. De conformidade com a filosofia profunda de Kant, tempo e espaço são considerados formas de intelecto humano e não se aplicam à mente.

Se não podemos estabelecer um limite para o domínio da mente na parte inferior da escala, o mesmo se aplica à parte superior e maior. Podemos, assim, imaginar dois “padrões” difusos por todo o universo: energia física e poder mental. O misticismo Rosacruz considera ambos como diferentes aspectos polares de uma Força difusa.


Da mente, passamos para os impulsos emocionais. Uma vez mais, a introspecção nos dia que temos desejos, paixões, aversões e temores. Do ponto de vista materialista, todos eles podem ser considerados como expressões do desejo de sobreviver, impulso básico da evolução. A despeito das interpretações que nada explicam, estamos certos desses impulsos em nós mesmos, e observamo-los nos animais ao nosso redor. Chegamos mesmo a perceber uma conduta intencional em plantas e organismos unicelulares. Devemos presumir impulsos similares nas células de nosso corpo; eles são fortemente trazidos à nossa atenção por uma dor de dentes ou por células feridas da pele.

Se nós, também neste particular, não vemos limite mínimo para impulsos e expressões emocionais da vontade e da preferência, não devemos extrapolar para os limites máximos e conferir vontade ao universo, a um Cosmos intencional? Quais podem ser os desejos e impulsos do mundo como um todo?

Tem sido corretamente afirmado que o universo, mesmo que o simbolizemos como um Deus onipotente, onipresente e eterno, não tem inimigos para derrotar e nem morte para temer. Portanto, ele não necessita de planos ou “grandes propósitos.” E mesmo assim, podemos acreditar que ele é mais pobre em satisfação emocional do que nós, suas partes fisicamente tão insignificantes?

Como seres humanos, somos capazes de prestar auxílio desinteressado e amar outros seres. Podemos também amar e apreciar coisas que aparentemente não tem utilidade pratica, como as cores magníficas de um por do sol ou uma pequena flor, os sons harmoniosos de uma sinfonia e do canto de um pássaro. Se nós, as partes, podemos nos empenhar em aumentar a beleza, a harmonia e a felicidade do mundo, não podemos atribuir disposição similar a um Eu Maior do Universo? Devemos, naturalmente, lembrar que a interpretação da estrutura de tempo e espaço é moldada pela nossa mente humana limitada, e que aquilo que percebemos como evolução lenta pode ser para sempre fixado na mente Eterna do universo.

Se acreditamos, todavia, com seres humanos, que a Mente Maior desfruta de todo o bem, de toda a harmonia do universo, então devemos também acreditar que ela conhece a partilha de todo o sofrimento de todos os seres. Se somos filhos da Luz, algo dentro de nós proclama que a alegria e o amor excedem em valor à tristeza e ao mal, e que a vida é valiosa e também inevitável.

Levamos algum tempo tentando interpretar a injunção do Oráculo, e verificamos que o Eu que deveremos descobrir compreende o mundo inteiro. Como seres humanos, somos incapazes desse conhecimento; nossos poderes, todavia, tornam-se infinitos quando podemos nos lançar nas profundezas da Consciência Cósmica e do amor, que tudo abarcam. Essa meta suprema do misticismo é o significado real da exortação délfica: “Conhece o Universo como a ti mesmo.”

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terça-feira, 7 de agosto de 2007

Stanislas de Guaíta e a O.K.R.C.

Aquele que misturou a corrente científica com a corrente literária do ocultismo foi Stanislau Guaita, descendente dos marqueses de Guaita, entre os quais se contava um monarca chamado Frederico Barbarruiva; partilhou a sua vicia entre o castelo de Alteville, perto de Deixe (Lorraine), onde nasceu, em 1861, e a sua residência em Paris. No liceu de Nancy, foi condiscípulo de Maurice Barrés, que fez dele o Saint-Phlin dos Desenraizados, e diz: «Amámo-nos e influenciámo-nos um ao outro, numa idade em que se fazem as primeiras escolhas livres» (63).
Os dois amigos, quando eram estudantes de filosofia na aula de Burdeau, liam juntos, todas as noites, Baudelaire. Entregaram-se à química e à medicina, cuidando de camponeses da região. Estanislau de Guaita foi, inicialmente, um poeta simbolista e publicou três colectâneas de poemas: Os Pássaros de Passagem (1881), A Musa Negra (1883) e Rosa Mística (1883). Mas, a 10 de Outubro de 1884, escrevia a Barrés que tinha começado durante o Verão a estudar a Cabala: «Lê os livros de Eliphas Lévi, (o abade Constant) e verás que nada há mais belo do que a Cabala. E eu, que sou bastante forte em química, espanto-me de ver até que ponto os alquimistas era verdadeiros sábios». Aprendeu o hebreu para aprofundar o Zohar, referindo-se à importante glosa de Knorr von Rosenroth, Kabala Denudata, publicada em dois volumes, em Francoforte, no fim do século XVII.

Estanislau de Guaita empreendeu os «Ensaios de Ciências Malditas» a fim de libertar o ocultismo das suas falsidades. Em 1886, em No Limiar do Mistério, declarou: «A Grande Magia não é um compêndio de divagações mais ou menos espíritas, arbitrariamente erigidas em dogma absoluto: é uma síntese geral - hipotética e racional - duplamente fundada sobre a observação positiva e a indução por analogia»(64). Esta exposição histórica séria de um assunto que era tratado com ligeireza impressionou o público: «Para muitos foi uma revelação», afirmava um testemunho(65). Este livro teve, em breve, duas reedições revistas e aumentadas, e elevou bruscamente Guaita à posição de dirigente do movimento ocultista francês.

Desde que se viu rodeado de discípulos, quis logo dar à sua acção uma coesão que os colocasse na vanguarda: «De 1880 a 1887, os iniciados tiveram motivo para se inquietar: as sociedades estrangeiras iniciaram uma intriga para desfavorecer a França e deslocar para Londres a direcção do ocultismo europeu»(66). Foi por isso que Estanislau de Guaita fundou, em Maio de 1887, em Paris, a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz, tendo como missão o combate à feitiçaria com todas as suas torpezas e parvoíces, onde quer que a encontrassem: «Os Irmãos empenharam-se com honra na perseguição dos adeptos da goétia, os que se chama a si próprio magos, cuja malícia e o ridículo lançam o descrédito sobre os nossos mistérios, e cuja atitude ambígua, tanto como as doutrinas escandalosas, desonram a Fraternidade universal da grande e divina Magia, à qual afrontosamente reivindicam o direito de pertencer»(67).

Os Irmãos reunidos em torno de Guaita foram, entre outros, Joséphino Peladan, Papus, Julian Lejav, fundadores da «Sociologia analógica», Agostinho Chaboseau, especialista de budismo, o romancista Paul Adam, que acabava de alcançar a celebridade com Carne Mole (1884) e que preparava a continuação romanesca As Vontades Maravilhosas, Georges Polti, autor de uma Teoria dos Temperamentos (1889), Victor-Émile Michelet, poeta, contista e ensaísta de O Esoterismo na Arte, Albert Jounet, teórico do Esoterismo e Socialismo (1891), Françoís-Charles Barlet, cuja cultura enciclopédica alimentou o seu Ensaio Sobre a Evolução da Ideia (1891). Alta (pseudónimo do abade Mélinge), comentador do Evangelho segundo S. João.

A Ordem Cabalística da Rosa-Cruz era regida pelo Conselho Supremo dos Doze (seis dos quais deviam manter-se desconhecidos), dividida em três câmaras: a câmara de direcção, a câmara de justiça e a câmara de administração. Havia, além disso uma câmara dogmática, uma câmara estética (dirigida por Péladan), e uma câmara de propaganda (animada por Papus). A Ordem de que Estanislau de Guaita era grão-mestre ministrava um ensino sancionado por um bacharelato de Cabala e, para os aprendizes do segundo grau, uma licenciatura em Cabala. No terceiro grau, passava-se no doutoramento pela defesa de uma tese, num rés-do-chão da Avenida Trudaine, diante de examinadores de cabeceira branca e vestidos de toga vermelha. Quando o número de «Irmãos Iluminados» previsto pela constituição foi atingido, Guaita não admitiu mais ninguém na Ordem.

Ele tinha uma profunda amizade por Joséphin Péladan, o romancista que denominaram o Balzac do ocultismo, por causa da sua «etopeia» A Decadência Latina, ciclo de vinte romances, começado em 1884 com O Vicio Supremo, que tinha como herói o mago Merodack (cuja reedição de 1886 foi corrigida de acordo com os conselhos de Guaita). Mas Péladan era um católico intransigente e um inimigo da filosofia alemã, enquanto que Guaita, admirador desta, costumava dizer: «Entre os católicos, os únicos que não são imbecis são os esotéricos e os místicos»(68). E Guaita ora mortificava Peladan: «Hei-de provar-te, de forma clara como a água, que aquele que perde um instante que seja com o exoterismo da Bíblia e dos Evangelhos não merece o nome de cabalista e pensador», ora o punha em guarda: «Toma cuidado não te venhas a tornar, efectivamente, um fanático. Os fanáticos são feios (desfigurados pelo ódio) e cheios de caspa - talvez por causa do espírito de mortificação»(69).

De qualquer modo, em 1890, Péladan provocou um cisma pela criação da Terceira Ordem Intelectual da Rosa-Cruz, da qual se qualificou Hierarca supremo sob o nome de Sar Merodack Péladan (significando Sar em Assírio, Rei), grão-mestre da Rosa-Cruz do Templo do Graal. Organizou seis salões que reuniam cento e setenta artistas, cuja organização entregou ao conde de Larmandia, que nomeou «comendador de Guboura» (pois conferia aos seus amigos títulos inspirados pelos dez Sephirot).
O primeiro salão, em casa de Durand-Ruel, começou por uma «inauguração fantástica»; contaram-se mais de vinte e dois mil e seiscentos visitantes das artes e das letras parisienses, desde a aristocracia até Verlaine «no seu traje de passeio de hospital»(70). Houve uma soirée triunfal onde a «pastoral caldaica» de Péladan, O Filho das Estrelas, foi interpretada com música de Erik Satie.
O segundo salão teve lugar, em 1893, no Palácio de Campo-de-Março, acompanhado por um manifesto de Péladan, «cardeal laico», que apresentou a sua Ordem como uma «confraria de caridade intelectual», que «visita os doentes da vontade e os cura da vertigem da passividade (...), consola os prisioneiros das necessidades materiais (...) e resgata os cativos dos preconceitos»(71), apontando-lhe doze objectivos. Tais «gestos de exteriorização estética» (como ele chamava aos seus salões), eclipsaram pela sua mundanidade os trabalhos da Rosa-Cruz cabalista. Ainda hoje, nos manuais de história literária, se fala mais de Péladan, cabalista fantasioso (que, aliás, tinha talento e uma agradável extravagância), do que do grande filósofo Estanislau Guaita.

Enquanto a Terceira Ordem assumia o escândalo a brincar, a Ordem cabalística era um grupo verdadeiramente anticonformista de eruditos e letrados. Um dos melhores amigos de Guaita, o cónego Roca, a quem as teorias sobre o cristianismo esotérico, que prometia «os novos céus e a nova terra», valeram a interdição por parte da Igreja (que lhe recusou mesmo a sepultura cristã quando morreu, em 1893), tinha corrido durante quinze anos a Europa vasculhando bibliotecas, nomeadamente «a famosa Colombina da catedral de Sevilha».
O próprio Estaníslau de Guaita se comportava como um antipapa, proferindo violentos anátemas. Explodiu contra «a chusma de encantadores e feiticeiras de baixo nível», contra «a corte de místicos duvidosos» e atacou com desprezo o espiritismo: (As práticas espíritas consistem sobretudo na evolução dos mortos queridos. O cerimonial usado para esse efeito nada tem desse espectáculo de inegável grandeza que salva ainda, aos olhos do artista, os ritos mais sacrilégios da antiguidade sacerdotal»(72). Os médiuns não obtêm, também, as suas graças: «Os médiuns são, na sua maioria, pobres seres doentios, clientes sem o saberem de um verdadeiro onanismo cerebral»(73) .

Para levar a bom termo os seus ensaios de ciências malditas, Guaita reuniu a mais importante biblioteca de ocultismo que jamais existiu. Procurando incansavelmente documentos raríssimos, reuniu manuscritos iluminados da Idade Média, clavículas, engrimanços e curiosidades tão pouco conhecidas como as obras de Jehan Boulaese, o principal discípulo de Postel, ou o tratado de Bossardus, De Divinatione et magico praetigis. Quando esta biblioteca foi posta à venda pelos seus herdeiros, o catálogo enumerava 1653 livros, todos eles desaparecidos dos circuitos comerciais e alguns que nem sequer figuravam na Biblioteca Nacional. Ele tinha-os lido e relido, anotado e acrescentado folhas com comentários, tal como disse o seu amigo conde de Pouvourville (aliás, Matgioi): «Guaita trabalhava sobre os seus livros»(74). Toda a sua obra assentou sobre essa documentação excepcional da qual tirou um partido filosófico incomparável.

Estanislau de Guaita declarou-se defensor da «Cabala universal», não aquela dos rabinos, que glorificava o judaísmo, nem a dos humanistas do Renascimento, que pretendia engrandecer o cristianismo, mas a interpretação sábia dos textos sagrados feita para compreender a humanidade mesmo antes de haver as religiões. Eis a etapa nova e provavelmente definitiva da Cabala filosófica. Ele queria continuar «Paracelso, Ëliphas Lévi, Keleph-ben-Nathafl, Martines e toda a escola esotérica do Ocidente»(75). Dizia ele: «Não recorremos à Cabala zohárica (ou pelo menos ela não tem valor de autoridade para nós), a não ser subsidiariamente». Contudo, partia de Moisés: «A doutrina secreta de Moisés constitui o que nós chamamos a Cabala primitiva, a qual se materializou paralelamente à própria língua dos santuários». Mas de um Moisés que, segundo a tese de Fabre d'Olivet, teria participado da religião egípcia e que teria como único escrito autêntico a Génese, «o livro dos princípios cosmogónicos, onde a ciência colossal do passado dorme sob um triplo véu de hieróglifos»(76) .

Guaita afirmava que o Deus Pai não é Iawhé, mas Adão Kadmon, o homem celeste primordial, representante do verbo divino. A seu lado encontra-se «a nossa Mãe celeste», Eva, ou a Sofia dos gnósticos, ou a Natureza naturante esposa do Espírito puro, «numa palavra, a Providência ou a consciência universal da Vida-Princípio». Identificava Adão Kadmon aos dez Sephiroth, enquanto que para Reuchlin ele era apenas a Sephora Tipheret; mas o ponto de vista revolucionário de Guaita relaciona-se com A Porta dos Céus, de rabi Cohen Irira, reproduzido na Kabbala Denudata. Foi esse «o Grande Arcano cabalístico para o seu grupo, e Alberto Jounet pôde tirar a segumte inferência do facto: «O que distingue a cabala antiga da nova é, sobretudo, o papel importante que esta atribui a Adam Kadmon»(77).

Guaita começou, em 1887, o seu tríptico A Serpente da Génese, deveria ter três volumes de sete partes cada um, ou seja, um todo de vinte e uma partes correspondendo a vinte e um arcanos do Tarot, sendo a conclusão inspirada pelo vigésimo segundo. Ele explicou ao seu secretário, Oswald Wirth, que pretendia exprimir a Grande Doutrina do ocultismo, quer dizer, «uma síntese radical, absoluta e precisa como as matemáticas, e profunda como as próprias leis da existência»(78). Em O Templo de Satã, o primeiro volume, atirou-se à feitiçaria, essa magia às avessas que os ignorantes e os invejosos muitas vezes confundiram voluntária ou involuntariamente com a santa Cabala». Observando que Shatan, em Números, tem apenas um sentido adverbial análogo a adversus, em latim, que significa contra, exclama: «Só tens uma desculpa, á príncipe das Trevas, é que não existes!... Ou, pelo menos, não és um ser consciente: negação abstracta do Ser absoluto, só tens a realidade psíquica e voluntária que te dão os perversos em que te incarnas»(79).
Demonstrou, ao passar em revista as aberrações dos satanistas antigos e modernos, que são os idiotas, os nervopatas ou os praticantes vulgares do judeo-cristianismo que crêem no Diabo, enquanto que a Serpente da Génese, para os verdadeiros iniciados, é antes de mais nada a Luz astral, Aor, Nahash, «esse fluido implacável que governa os instintos», e em seguida «o egoísmo primordial», causa da decadência de Adão e do Mal metafísico.

O segundo volume, A Chave da Magia Negra (1897), que levou sete anos a acabar, expunha «A Inteligência da Natureza», a fim de abolir a noção de sobrenatural: «O vocábulo sobrenatural aplicado aos fenómenos da natureza parece-nos tão cómico como seria atribuir às essências espirituais o vocábulo Hiper divino»(80). Guaita descreveu com uma precisão científica as forças invisíveis que nos rodeiam, desde a Luz astral, «suporte hiperfísico do universo sensível», aos Indígenas do astral, «essas larvas nos quais os cabalistas não vêem mais do que cascas, carapaças inanimadas (córtices, Kliphoth) », agindo como «potências da dissolução emanadas do Herbe». Com efeito, a Luz astral compreende duas correntes antagonistas: «Essa imensidão psico-fluídica é movida sem tréguas por dois agentes ocultos, reitores dessas correntes: uma força compressora (Herb) e uma força expansiva (Jânah): a primeira, constritiva ao longo da cadeia do Tempo; a outra, abundante através das planícies do Espaço » (81).

Há neste livro um capítulo extraordinário sobre a morte, que ajuda a compreender porque é que Wirt qualificou o seu mestre de «platónico cabalista». Guaita distingue quatro vidas no homem (vida universal, vida individual, vida celular e vida química ou atomística) e definiu a morte como «a rotura do elo simpático DAS VIDAS». A forma alucinante como relata «a odisseia dos elementos que sobrevivem ao corpo», as agressões de que são vítimas por parte dos Masikim (que são «os vermes, os corvos e as hienas do Invisível»), o refúgio que encontra a alma na Antictona, terra espiritual, ou entre os «Hóspedes do cone de sombra», é de um pensador alimentado pela Cabala de Issac Luria e de um poeta da grande espécie.

Não teve tempo de acabar o terceiro volume, «O Problema do Mal» que devia conter a sua cosmogonia e resolver o «enigma dos enigmas» o Mal, mas as páginas magníficas que subsistem, e que tratam das «correntes fatais de instinto» e da «Queda de Adão», indicam que ele queria aí estudar a relação entre o Adão celeste (macrocosmo) e o Adão terrestre (microcosmo): «Os iniciados de todos os santuários do esoterismo consideram a Queda de Adão (esse ser cosmogónico, sejam quais forem os nomes diversos que tenha usado), como a causa universal da Involução.»(82)
A involução é «a materialização progressiva do espírito», e a evolução é «a reaparição do espírito emergindo do cerne da matéria que ele fecundou, animado e virtuoso». Enganam-se aqueles que situam a Queda de Adão no início da história da humanidade: «Primeiramente a Queda de Adão não é anterior nem posterior ao que quer que seja; ela é eterna. Cada vez que um espírito desce para se incarnar numa forma qualquer, ele comete o pecado original, e a Queda de Adão realiza-se nele, ínfimo submúltiplo de Adão.»(83)

Estanislau de Guaita gozou de uma reputação bizarra e muito pouco justificada. Era um homem de cabelos e barba louras, de olhos azuis, «com umas mãos notáveis pela sua beleza» (dizia Barrés), que vivia perto de Paris num apartamento atapetado de vermelho do qual não saía durante semanas. A sua existência era consagrada ao conhecimento esotérico e respondia à sua mãe que se lamentava do seu anticlericalismo: «Sou um soldado do exército do Verbo. Tenho sede de Justiça e de Verdade, e procuro uma ou outra onde julgo ir encontrá-las»(84), conta-se que tinha um fantasma familiar, escondido num armário. Paul Adam afirmava: «O tal fantasma aparecia quando estávamos à mesa. A sua forma indecisa mantinha-se num dos cantos da sala de jantar». Este fantasma devia muito à imaginação de uma velha criada a quem este armário, que continha drogas, era interdito. Para acalmar as dores da doença que o matou, Guaita tornou-se morfinómano. Mas manteve com a morfina a mesma relação lúcida que Thomas de Quincey teve com o ópio, e dela extraiu, talvez, a intensidade das suas percepções no plano astral. Estanislau de Guaita morreu no seu castelo de Alteville, em 1897, com trinta e seis anos, e Maurice Barrés disse com emoção sobre a sua tumba: «Sei que ele foi um filósofo, se, como eu creio, a filosofia é perante a vida a obsessão do universal é diante da morte a aceitação.» (85) Por seu lado Josephin Péladan, reconciliado, rendeu-lhe esta homenagem: «No renascimento das ciências mortas, a Tua filosofia permanecerá inesquecível, tal como a Tua obra; Tu foste, para todos, o cavalheiro do Oculto... Venero-te» (86).

A Ordem Cabalística da Rosa Cruz prolongou-se ainda por alguns anos, sob a direcção de Barlet, permanecendo o modelo exemplar do que pode fazer um grupo de escritores decididos a explorar «a Cabala universal». Franz Hartmann, que tentou formar na Alemanha uma Fraternitas análoga com a condessa Wasbtmeister, fez dela uma simples sociedade de accionistas . Seguidamente, os dois números especiais sobre a Cabala que publicaram os iniciados do Véu de Isis, em 1933, mostraram que o esoterismo moderno deixara de a privilegiar: deram-lhe o valor de uma «cadeia iniciática», unindo o presente ao passado e prosseguindo do presente para o futuro, unindo num conjunto o que está atrás e diante do homem, mas reconhecem também outros ciclos tradicionais, e admitem a possibilidade de os harmonizar todos numa «cadeia de mundos», dos quais a Cabala não seria mais do que um dos elementos fortes.

Notas
(63) Maurice Barrés, Un rénovateur de l'occultisme: Stanislas de Guaita (Paris, Chanuel, 1898).
(64) Stanislas de Guaita, Au Seuil du mystêre (Paris, G. Carré, 1886).
(65) Matgioi, Nos maitres. Stanislas de Guaita (Paris, Libraifle hermétique, 1909).
(66) Maurice Barrês, Stanislas de Guaita, op. Cit
(67) Stanislas de Guaita, Le Temple de Satan (Paris, Libririe du Merveilleux, 1897)
(68) Lettres inédites de Stanistas de Guaita au Sar Joséphin Péladan (Lausana, Pierre Genillard, 1952)
(69) Lettres inédites de Stanislas de Guaita, op. cit.
(70) Comté de Larmandie, L'Entracte idéal. Histoire de la Rose-Croix (Paris, Chacornac, 1903).
(71) Catalogue du second Salon de la Rose-Croix (Paris, Librairie Nilsson, 1893).
(72) Le Temple de Satan, op. cit.
(73) Stanislas de Guaita, La Ctef de la magie noire (Paris, G. Carré, 97).
(74) Matgioi, op. cit.
(75) Keleph-ben-Nathan era o pseudónimo de Dutoit-Membrini, um teósofo de Genêve, autor de La Philosophie divine (1793), que Guaita considerou «uma obra admirável, apesar de alguns erros».
(76) La Clef de la magie noire, op. cit.
(77) Albert Jounet, La Clef du Zohar (Paris, Chacornac, 1909).
(78) Oswald Wirth, Stanilas de Guaita. Souvenirs de son secrétaire (Paris, Ëditions du symbolisnie, 1935)
(79) La Clef de la Magie, op. cit.
(80) Ibid.
(81) Ibid.
(82) Stanislas de Guaita, Le Problème du Mal (Levallois-Perret, Ëditions du Symbolisme, 1949).
(83) Ibid.
(84) Carta citada por André Billy em Stanilas de Guaita (Paris, Mercure de France, 1971).
(85) Maurice Barrès, Stanilas de Guaita, op. Cit.
(86) Joséphin Péladan, L'Occulte catholique (Paris, 1899).
Fonte: Alexadrian, Historia da Filosofia Oculta. Lisboa, Edições 70.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

ROSA-CRUZ Y ROSACRUCIANOS

René Guénon

de Apercus sur initiation
CAPÍTULO XXXVIII


Puesto que hemos sido conducidos a hablar de los Rosa-Cruz, no será quizás inútil, aunque este tema se refiere a un caso particular más bien que a la iniciación en general, agregar a eso algunas precisiones, ya que, en nuestros días, este nombre de Rosa-Cruz se emplea de una manera vaga y frecuentemente abusiva, y se aplica indistintamente a los personajes más diferentes, entre los que, sin duda, muy pocos tendrían realmente derecho a él. Para evitar todas estas confusiones, parece que lo mejor sería establecer una distinción clara entre Rosa-Cruz y Rosacrucianos, donde este último término puede recibir sin inconveniente una extensión más amplia que el primero; y es probable que la mayoría de los pretendidos Rosa-Cruz, designados comúnmente como tales, no fueron verdaderamente más que Rosacrucianos. Para comprender la utilidad y la importancia de esta distinción, es menester primeramente recordar que, como ya lo hemos dicho hace un momento, los verdaderos Rosa-Cruz no han constituido nunca una organización con formas exteriores definidas, y que, a partir del comienzo del siglo XVII al menos, hubo no obstante numerosas asociaciones que se pueden calificar de rosacrucianas [1] , lo que no quiere decir en modo alguno que sus miembros fueran Rosa-Cruz; se puede incluso estar seguro de que no lo eran, y eso únicamente por el hecho de que formaban parte de tales asociaciones, lo que puede parecer paradójico e inclusive contradictorio a primera vista, pero que es sin embargo fácilmente comprehensible después de las consideraciones que hemos expuesto precedentemente.

La distinción que indicamos está lejos de reducirse a una simple cuestión de terminología, y se vincula en realidad a algo que es de un orden mucho más profundo, puesto que el término Rosa-Cruz, como lo hemos explicado, es propiamente la designación de un grado iniciático efectivo, es decir, de un cierto estado espiritual, cuya posesión, evidentemente, no está ligada de una manera necesaria al hecho de pertenecer a una cierta organización definida. Lo que representa, es lo que se puede llamar la perfección del estado humano, ya que el símbolo mismo de la Rosa-Cruz, por los dos elementos de los que está compuesto, figura la reintegración del ser en el centro de este estado y la plena expansión de sus posibilidades individuales a partir de este centro; por consiguiente, marca muy exactamente la restauración del «estado primordial», o, lo que equivale a lo mismo, el acabamiento de la iniciación a los «misterios menores». Por otro lado, desde el punto de vista que se puede llamar «histórico», es menester tener en cuenta el hecho de que esta designación de Rosa-Cruz, ligada expresamente al uso de un cierto simbolismo, no ha sido empleada más que en algunas circunstancias determinadas de tiempo y de lugar, fuera de las cuales sería ilegítimo aplicarla; se podría decir que aquellos que poseían el grado de que se trata han aparecido como Rosa-Cruz en esas circunstancias únicamente y por razones contingentes, como, en otras circunstancias, han podido aparecer bajo otros nombres y bajo otros aspectos. Eso, bien entendido, no quiere decir que el símbolo mismo al que se refiere este nombre no pueda ser mucho más antiguo que el empleo que se ha hecho así de él, e incluso, como para todo símbolo verdaderamente tradicional, sería sin duda completamente vano buscarle un origen definido. Lo que queremos decir, es sólo que el nombre sacado del símbolo no ha sido aplicado a un grado iniciático sino a partir del siglo XIV, y, además, únicamente en el mundo occidental; así pues, no se aplica más que en relación a una cierta forma tradicional, que es la del esoterismo cristiano, o, más precisamente todavía, la del hermetismo cristiano; volveremos más adelante sobre lo que es menester entender exactamente por el término «hermetismo».

Lo que acabamos de decir está indicado por la «leyenda» misma de Christian Rosenkreutz, cuyo nombre es por lo demás puramente simbólico, y en el que es muy dudoso que sea menester ver un personaje histórico, hayan dicho lo que hayan dicho algunos de él, sino que aparece más bien como la representación de lo que se puede llamar una «entidad colectiva» [2] . El sentido general de la «leyenda» de este fundador supuesto, y en particular los viajes que le son atribuidos [3], parece ser que, después de la destrucción de la Orden del Temple, los iniciados al esoterismo cristiano se reorganizaron, de acuerdo con los iniciados al esoterismo islámico, para mantener, en la medida de lo posible, el lazo que había sido aparentemente roto por esta destrucción; pero esta reorganización debió hacerse de una manera más oculta, invisible en cierto modo, y sin tomar su apoyo en una institución conocida exteriormente y que, como tal, habría podido ser destruida todavía una vez más [4] . Los verdaderos Rosa-Cruz fueron propiamente los inspiradores de esta reorganización, o, si se quiere, fueron los poseedores del grado iniciático del que hemos hablado, considerados especialmente en tanto que desempeñaron este papel, que se continuó hasta el momento donde, a consecuencia de otros acontecimientos históricos, el lazo tradicional del que se trata fue definitivamente roto para el mundo occidental, lo que se produjo en el curso del siglo XVII [5] . Se dice que los Rosa-Cruz se retiraron entonces a oriente, lo que significa que, en adelante, ya no ha habido en occidente ninguna iniciación que permita alcanzar efectivamente este grado, y también que la acción que se había ejercido a su través hasta entonces para el mantenimiento de la enseñanza tradicional correspondiente dejó de manifestarse, al menos de una manera regular y normal [6] .

En cuanto a saber cuáles fueron los verdaderos Rosa-Cruz, y a saber con certeza si tal o cual personaje fue uno de ellos, eso aparece como completamente imposible, por el hecho mismo de que se trata esencialmente de un estado espiritual, y por consiguiente puramente interior, del que sería muy imprudente querer juzgar según signos exteriores cualesquiera. Además, en razón de la naturaleza de su papel, estos Rosa-Cruz, como tales, no han podido dejar ningún rastro visible en la historia profana, de suerte que, incluso si pudieran conocerse sus nombres, sin duda no enseñarían nada a nadie; por lo demás, a este respecto, remitimos a lo que ya hemos dicho de los cambios de nombres, y que explica suficientemente lo que la cosa puede ser en realidad. En lo que se refiere a los personajes cuyos nombres son conocidos, concretamente como autores de tales o cuales escritos, y que se designan comúnmente como Rosa-Cruz, lo más probable es que, en muchos casos, fueran influenciados o inspirados más o menos directamente por los Rosa-Cruz, a los cuales sirvieron en cierto modo de portavoz [7] , lo que expresaremos diciendo que fueron sólo Rosacrucianos, sea que hayan pertenecido o no a alguna de las agrupaciones a las cuales se puede dar la misma denominación. Por el contrario, si se ha encontrado excepcionalmente y como por accidente que un verdadero Rosa-Cruz haya jugado un papel en los acontecimientos exteriores, eso sería en cierto modo a pesar de su cualidad más bien que a causa de ella, y entonces los historiadores pueden estar muy lejos de sospechar esta cualidad, hasta tal punto las dos cosas pertenecen a dominios diferentes. Todo eso, ciertamente, es poco satisfactorio para los curiosos, pero deben tomar su partido; muchas cosas escapan así a los medios de investigación de la historia profana, que forzosamente, por su naturaleza misma, no permiten aprehender nada más que lo que se puede llamar el «exterior» de los acontecimientos.

Es menester todavía agregar otra razón por la que los verdaderos Rosa-Cruz debieron permanecer siempre desconocidos: es que ninguno de ellos puede afirmarse nunca tal, como tampoco, en la iniciación islámica, ningún Ýûfî auténtico puede prevalerse de este título. En eso hay incluso una similitud que es particularmente interesante destacar, aunque, a decir verdad, no hay equivalencia entre las dos denominaciones, ya que lo que está implicado en el nombre de Ýûfî es en realidad de un orden más elevado que lo que implica el de Rosa-Cruz y se refiere a posibilidades que rebasan las del estado humano, considerado incluso en su perfección; en todo rigor, debería reservarse exclusivamente al ser que ha llegado a la realización de la «Identidad Suprema», es decir, a la meta última de toda iniciación [8] ; pero no hay que decir que un tal ser posee a fortiori el grado que hace al Rosa-Cruz y puede, si hay lugar a ello, desempeñar las funciones correspondientes. Por lo demás, se hace comúnmente del nombre de Sûfî el mismo abuso que del nombre de Rosa-Cruz, hasta aplicarle a veces a los que están sólo en la vía que conduce a la iniciación efectiva, sin haber alcanzado todavía ni siquiera los primeros grados de ésta; y, a este propósito, se puede notar que, no menos corrientemente, se da una parecida extensión ilegítima a la palabra Yogî en lo que concierne a la tradición hindú, de suerte que esta palabra, que, ella también, designa propiamente al ser que ha alcanzado la meta suprema, y que es así el exacto equivalente de Sûfî, llega a ser aplicada allí a aquellos que no están todavía más que en sus etapas preliminares e incluso en su preparación más exterior. Así pues, no sólo en parecido caso, sino incluso para el que ha llegado a los grados más elevados, sin haber llegado no obstante al término final, la designación que conviene propiamente es la de mutaçawwuf; y, como el Sûfî mismo no está marcado por ninguna distinción exterior, esta misma designación será también la única que podrá tomar o aceptar, no en virtud de consideraciones puramente humanas como la prudencia o la humildad, sino porque su estado espiritual constituye verdaderamente un secreto incomunicable [9] . Es una distinción análoga a esa, en un orden más restringido (puesto que no rebasa los límites del estado humano), la que se puede expresar por los dos términos de Rosa-Cruz y de Rosacruciano, distinción en la que este último puede designar a todo aspirante al estado de Rosa-Cruz, a cualquier grado que haya llegado efectivamente, e incluso si todavía no ha recibido más que una iniciación simplemente virtual en la forma a la que esta designación conviene propiamente de hecho. Por otra parte, de lo que acabamos de decir se puede sacar una suerte de criterio negativo, en el sentido de que, si alguien se ha declarado Rosa-Cruz o S ûfî, se puede afirmar desde entonces, sin tener necesidad de examinar las cosas más a fondo, que no lo era ciertamente en realidad.

Otro criterio negativo resulta del hecho de que los Rosa-Cruz no se ligaron nunca a ninguna organización exterior; si a alguien se le conoce como habiendo sido miembro de una tal organización, se puede afirmar también que, al menos en tanto que formó parte de ella activamente, no fue un verdadero Rosa-Cruz. Por lo demás, hay que destacar que las organizaciones de este género no llevaron el título de Rosa-Cruz sino muy tardíamente, puesto que no se le ve aparecer así, como lo decíamos más atrás, más que a comienzos del siglo XVII, es decir, poco antes del momento en que los verdaderos Rosa-Cruz se retiraron de occidente; y es incluso visible, por muchos indicios, que las organizaciones que se hicieron conocer entonces bajo este título estaban ya más o menos desviadas, o en todo caso muy alejadas de la fuente original. Con mayor razón la cosa fue así para las organizaciones que se constituyeron más tarde todavía bajo el mismo vocablo, y cuya mayor parte no hubieran podido reclamar sin duda, al respecto de los Rosa-Cruz, ninguna filiación auténtica y regular, por indirecta que fuera [10] , y no hablamos aquí, entiéndase bien, de las múltiples formaciones pseudoiniciáticas contemporáneas que no tienen de rosacruciano más que el nombre usurpado, que no poseen ningún rastro de una doctrina tradicional cualquiera, y que han adoptado simplemente, por una iniciativa completamente individual de sus fundadores, un símbolo que cada uno interpreta según su propia fantasía, a falta del conocimiento de su sentido verdadero, que escapa tan completamente a estos pretendidos Rosacrucianos como al primer profano que llega.

Hay todavía un punto sobre el que debemos volver para más precisión: hemos dicho que debió haber, en el origen del Rosacrucianismo, una colaboración entre iniciados a los dos esoterismos cristiano e islámico; esta colaboración debió continuarse también después, puesto que se trataba precisamente de mantener el lazo entre las iniciaciones de oriente y occidente. Iremos incluso más lejos: los mismos personajes, hayan venido del cristianismo o del islamismo, han podido, si han vivido en oriente y en occidente (y, aparte de todo simbolismo, las alusiones constantes a sus viajes hacen pensar que este debió ser el caso de muchos de entre ellos), ser a la vez Rosa-Cruz y Sûfîs (o mutaçawwufin de los grados superiores), puesto que el estado espiritual que habían alcanzado implicaba que estaban más allá de las diferencias que existen entre las formas exteriores, y que no afectan en nada a la unidad esencial y fundamental de la doctrina tradicional. Bien entendido, por eso no conviene menos mantener, entre Taçawwuf y Rosacrucianismo, la distinción que es la de las dos formas diferentes de enseñanza tradicional; y los Rosacrucianos, discípulos más o menos directos de los Rosa-Cruz, son únicamente aquellos que siguen la vía especial del hermetismo Cristiano; pero no puede haber ninguna organización iniciática plenamente digna de este nombre y que posea la consciencia efectiva de su meta, que no tenga, en la cima de su jerarquía, seres que hayan rebasado la diversidad de las apariencias formales. Esos podrán, según las circunstancias, aparecer como Rosacrucianos, como mutaçawwufîn, o en otros aspectos todavía; ellos son verdaderamente el lazo vivo entre todas las tradiciones, porque, por su consciencia de la unidad, participan efectivamente en la gran Tradición primordial, de la que todas las demás se derivan por adaptación a los tiempos y a los lugares, y que es una como la Verdad misma.
[1] Es a una organización de este género a la que perteneció concretamente Leibnitz; hemos hablado en otra parte de la inspiración manifiestamente rosacruciana de algunas de sus concepciones, pero también hemos mostrado que no era posible considerarle sino como habiendo recibido una iniciación simplemente virtual, y por lo demás incompleta inclusive bajo el aspecto teórico (Ver Los principios del cálculo infinitesimal).
[2] Esta «leyenda» es en suma del mismo género que las demás «leyendas» iniciáticas a las que ya hemos hecho alusión precedentemente.
[3] Recordaremos aquí la alusión que hemos hecho más atrás al simbolismo iniciático del viaje; por lo demás, sobre todo en conexión con el hermetismo, hay muchos otros viajes, como los de Nicolás Flamel por ejemplo, que parecen tener ante todo una significación simbólica.
[4] De ahí el nombre de «Colegio de los Invisibles» dado algunas veces a la colectividad de los Rosa-Cruz.
[5] La fecha exacta de esta ruptura está marcada, en la historia exterior de Europa, por la conclusión de los tratados de Westfalia, que pusieron fin a lo que subsistía todavía de la «Cristiandad» medieval para sustituirla por una organización puramente «política» en el sentido moderno de esta palabra.
[6] Sería completamente inútil buscar determinar «geográficamente» el lugar de retiro de los Rosa-Cruz; de todas las aserciones que se encuentran sobre este punto, la más verdadera es ciertamente aquella según la cual se «retiraron al reino del Prestejuan», no siendo éste otra cosa, como lo hemos explicado en otro parte ( El Rey del Mundo, pp. 13-15, ed. francesa), que una representación del centro espiritual supremo, donde se conservan efectivamente en estado latente, hasta el fin del ciclo actual, todas las formas tradicionales, que por una razón o por otra, han dejado de manifestarse en el exterior.
[7] Es muy dudoso que un Rosa-Cruz haya escrito nunca él mismo nada, y, en todo caso, no podría ser más que de una manera estrictamente anónima, puesto que su cualidad misma le impide presentarse entonces como un simple individuo que habla en su propio nombre.
[8] No carece de interés indicar que la palabra Sûfî, por el valor de las letras que lo componen, equivale numéricamente a el-hikmah el-ilahiyah, es decir, «la sabiduría divina». — La diferencia del Rosa-Cruz y del S ûfî corresponde exactamente a la que existe, en el Taoísmo, entre el «hombre verdadero» y el «hombre transcendente».
[9] Por lo demás, en árabe, ese es uno de los sentidos de la palabra sirr, «secreto», en el empleo particular que hace de ella la terminología «técnica» del esoterismo.
[10] Ello fue así verosímilmente, en el siglo XVIII, para organizaciones tales como la que se conoció bajo el nombre de «Rosa-Cruz de Oro».