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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O SOL DOS ROSACRUZES

Livro O Sol dos Rosacruzes


“O SOL DOS ROSACRUZES”
COMO NASCEU MEU LIVRO
  Por Albedaran

Em Abril de 1982, um jovem de 22 anos cruzava os portais da Ordem Rosacruz. Dezesseis anos depois, em Julho de 1998, estudava as Monografias iniciais do Décimo-Segundo Grau da Ordem, que tratavam do Manifesto Rosacruz Fama Fraternitatis e da Sagrada Hierarquia Celestial. Esse jovem era eu.

Em uma dessas Monografias iniciais li e reli várias vezes a seguinte frase: “Aqueles que estiverem preparados,verão o nosso sol”. Posteriormente, ao rever as Monografias, não encontrei a referida frase.

Passou-se pouco mais de um ano e a Primavera de 1999 (Setembro), trouxe consigo “O Sol dos Rosacruzes”. Vi em sonho a “Luz mais brilhante que o sol do meio-dia”, que se condensou em um pequeno círculo e se transformou em um Pássaro, que anunciou a presença do Mestre, do qual recebi um “Novo Nome” e uma “Benção”.

Contatos com Curitiba, a sede da Ordem no Brasil, não foram muito frutíferos, ou seja, não encontrei ali uma explicação. Parti então, em uma busca solitária para entender o que acontecera comigo.

Não interrompi meus estudos rosacruzes, de onde recebi a Primeira Iniciação, mas ao mesmo tempo iniciei em 2001 o estudo da Teosofia de Blavatsky; em 2009, o estudo de livros de Max Heindel e em 2013, o estudo das Seções de Cosmologia, Cosmogenese e Cristologia de Rudolf Steiner. Passei também a receber muitos “recados em sonho”, que me auxiliaram bastante.

Formulei uma tese relacionando o Cristo, a Primeira Iniciação e a admissão à Grande Fraternidade Branca. Essa tese é meu livro “O Sol dos Rosacruzes”.

Visualize também o livro clicando AQUI ou nolink abaixo:

http://loja.tachion.com.br/pd-506c63-o-sol-dos-rosacruzes-jose-lima-junior-albedaran.html?ct=&p=1&s=1
 

sábado, 19 de janeiro de 2019

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O SOL DOS ROSACRUZES



























“O SOL DOS ROSACRUZES”
COMO NASCEU MEU LIVRO

Em Abril de 1982, um jovem de 22 anos cruzava os portais da Ordem Rosacruz. Dezesseis anos depois, em Julho de 1998, estudava as Monografias iniciais do Décimo-Segundo Grau da Ordem, que tratavam do Manifesto Rosacruz Fama Fraternitatis e da Sagrada Hierarquia Celestial. Esse jovem era eu.

Em uma dessas Monografias iniciais li e reli várias vezes a seguinte frase: “Aqueles que estiverem preparados,verão o nosso sol”. Posteriormente, ao rever as Monografias, não encontrei a referida frase.

Passou-se pouco mais de um ano e a Primavera de 1999 (Setembro), trouxe consigo “O Sol dos Rosacruzes”. Vi em sonho a “Luz mais brilhante que o sol do meio-dia”, que se condensou em um pequeno círculo e se transformou em um Pássaro, que anunciou a presença do Mestre, do qual recebi um “Novo Nome” e uma “Benção”.

Contatos com Curitiba, a sede da Ordem no Brasil, não foram muito frutíferos, ou seja, não encontrei ali uma explicação. Parti então, em uma busca solitária para entender o que acontecera comigo.

Não interrompi meus estudos rosacruzes, de onde recebi a Primeira Iniciação, mas ao mesmo tempo iniciei em 2001 o estudo da Teosofia de Blavatsky; em 2009, o estudo de livros de Max Heindel e em 2013, o estudo das Seções de Cosmologia, Cosmogenese e Cristologia de Rudolf Steiner. Passei também a receber muitos “recados em sonho”, que me auxiliaram bastante.

Formulei uma tese relacionando o Cristo, a Primeira Iniciação e a admissão à Grande Fraternidade Branca. Essa tese é meu livro “O Sol dos Rosacruzes”.

Visualize também o livro em http://loja.tachion.com.br ou na imagem anexa.

Agradeço toda divulgação - por e-mail; Blog; Facebook; etc.

Obrigado. Frater Lima

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quinta-feira, 16 de julho de 2015

INTRODUÇÃO AOS RITOS E RITUAIS HERMÉTICOS E ALQUÍMICOS DO SÉCULO XVIII


JOSÉ MANUEL ANES

INTRODUÇÃO AOS RITOS E RITUAIS HERMÉTICOS E ALQUÍMICOS DO SÉCULO XVIII

A Alquimia operativo-laboratorial (1) - a que é praticada em laboratório - é um rito sacrificial em que o alquimista sacrifica a matéria, constituindo esse rito (2) urna actividade individual. Apesar disso, os alquimistas reuniam-se por vezes em escolas, mesmo que reduzidas ao Mestre e ao discípulo, e trocavam opiniões entre si dentro de uma mesma escola, ou entre alquimistas de diversas escolas (3).

Existiram, no entanto, a partir de meados do século XVIII (e sobretudo nesse século), ritos e rituais herméticos e alquírnicos que não pretendiam fazer alquimia, mas preparar o candidato para uma assimilação dos princípios herméticos e da prática alquímica, num contexto ritual e dentro de um grupo organizado, através de uma cerimónia iniciática onde seriam revelados - na iniciação, na instrução e no catecismo - os segredos alquímicos.

Grande parte desses ritos e rituais foram criados num contexto maçónico, constituindo (altos) graus maçónicos, como o ritual (do grau) de Cavaleiro do Sol, ou mesmo um sistema (rito) maçónico, como o Rito Hermético de Dom Pernety, ou a Estrela Flamejante do Barão de Tschoudy.

Ocorre, a propósito, referir que alguns destes graus herméticos ou alquímicos ocorreram no seio da Maçonaria "dos Antigos", ou do universo maçónico por ela influenciado (e que tem raiz no hermetismo renascentista, nos Rosa-Cruzes do século XVII, etc.), mais aberta (e mesmo entusiasta) a receber ensinamentos provenientes de correntes esotéricas como a Cabala, a Teurgia, a Alquimia, etc., e interpretações esotéricas de tradições como a Cavalaria - como os ritos "escoceses", quer o Antigo e Aceite, quer o Rectificado, mas também os ritos de York, da Ordem Real da Escócia (Heredom de Kilwining e Cavaleiro Rosa-Cruz) e do Rito Sueco, proveniente, como o Rito Escoçês Rectificado, da maçonaria da Estrita Observância Templária alemã, e mesmo, ainda que não "regulares", os ritos "egípcios" de Cagliostro, de Misraim, etc. -, o que não se passa, de modo algum, na Maçonaria mais exotérica "dos Modernos" ( como, p.ex., o Rito de Emulação, inglês, e o Rito Francês) (4).

Vamos analisar, brevemente, alguns desses rituais e ritos - maçónicos ou para-maçónicos -do séc. XVIII (o último dos quais, o de Misraim, fixado em começos do século XIX, a partir de materiais do século XVIII).

A) O "Ritual alquímico secreto do grau de verdadeiro maçon académico" (1770) (5) de Dom Pernety (1716-1796) e dos seus "Iluminados de Avignon".

Antoine Joseph Pernety (Dom Pernety) nasceu em 1716 em Roanne-en-Forez e pronunciou os votos como beneditino da congregação de Saint-Maur, em 1732, na Abadia de Saint-Alllire de Clermont. Muito inteligente e culto - versado em Matemáticas, Ciências Naturais (participa na expedição de Louis de Bouganville às Ilhas Maldivas) e Pintura e Escultura (6) -ele encontra, na biblioteca da Abadia de Saint-Germain-des-Prés, o livro do abade Lenglet-Dufresnoy, Histoire de la Philosophie hermétique (Paris, 1742), completado com a tradução do Véritable Philalète (Entré au Palais fermé du Roi), que desperta nele uma paixão que perdurará até ao fim da sua vida: a Alquimia. Em 1758 (e 1786) (7), publicará as Fables égyptiennes et grecques dévoilées et réduites au même principe e em 1758 ( e 1787), o Dictionnaire mytho-hermétique, dans lequel on trouve les allégories fabuleuses des poètes, les métaphores, les énigmes et les termes barbares des philosophes hermétiques expliqués (B) . Em ambos os livros (mas particularmente no primeiro, ao qual ele se refere constantemente no Dictionnaire), Dom Pernety propõe-se dar uma explicação alquímica das "fábulas" da Antiguidade (Elíada, Odisseia, etc.) e também dos mitos religiosos egípcios que, segundo ele, conteriam todos os segredos da Grande Obra.

Tendo entrado em conflito com a congregação monástica beneditina de Saint-Germain-des-Prés, o nosso abade chega a Avignon em 1766, onde propõe desde logo um novo rito maçónico, o rito hermético, que foi adoptado pela Loja aristocrática dos Sectateurs de la Vertu (à qual ele parece aderir sem sabermos se ele já era maçon anteriormente ou se nela foi iniciado).

O rito (ou regime) de Pernety - inteiramente baseado no Hermetismo e destinado a cristãos discretamente sapientes (9) -era constituido por seis (altos) graus, para além dos três graus simbólicos (de Aprendiz, de Companheiro e de Mestre):

1 -Verdadeiro Maçon
2 -Verdadeiro Maçon na via recta
3 -Cavaleiro da Chave de Ouro
4- Cavaleiro da Iris
5 -Cavaleiro dos Argonautas
6 -Cavaleiro do Tosão de Ouro.

O ensino hermético era dado pelo Orador da Loja, desde o primeiro alto grau (de Verdadeiro Maçon): «Ia science à laquelle nous vous initions, est Ia premiere et Ia plus ancienne de toutes les sciences. Elle émane de Ia nature, ou plutôt c' est Ia nature elle-même, perfectionnée par I' art et fondée sur I' expérience. Dans tous les siècles, il y a eu des adeptes de cette science, et si, de nos jours, des chercheurs y consument en vain leurs biens, leurs travaux et leurs temps, c'est que, loin d'imiter Ia simplicité de Ia nature et de suivre des voies droites qu' elle trace, ils Ia parent d'un fard qu' elle ne peut souffrir et s' égarent dans un labyrinthe où leur folle imagination les entraîne.(10)

A partir de 1766-7, Dom Pemety está em Berlin como bibliotecário de Frederico II. Nesta cidade conhece outros hermetistas, toma contacto com as doutrinas de E. Swedenborg (relativo aos contactos com entidades celestes) e aperfeiçoa o seu Rito Hermético. Em 1783 recebe a "Santa Palavra" de uma entidade celestial que lhe ordena que abandone a Prússia e retome a Avignon, para fundar o grupo dos "Iluminados" - na sequência dos "Iluminados de Berlim", a que pertencera. Em 1787, o Rito tem cerca de uma centena de elementos e em 1789 é já célebre nos meios esotéricos.

A Instrução (ou Catecismo) - do Grau de Verdadeiro Maçon Académico - contém perguntas e respostas (11) relativas à teoria alquímica e também algumas alusões à sua prática (tradução é nossa):

P. -Por onde andaste? R. -A percorrer o céu e a terra. P. -O que viste? R. -O caos. P. -Quem o criou? R. -Deus. P. - Quem o produziu? R. -A Natureza. P. -Quem o aperfeiçoou? R. -Deus, a natureza e a arte. P. -O que entendes por caos? R. -A matéria universal sem forma e susceptivel de adquirir toda a forma. P. -Qual é a sua forma? R. -A luz encerrada nas sementes de toda a espécie. P. - Qual é a sua ligação? R. -O espirito universal cido. P. - Sabes trabalhar a matéria universal? R. -Sim, Sapientissimo. P. -De que é que te serves para esse fim? R. -Do fogo interno e externo. P. -O que é que resulta disso? R. -Os quatro elementos que são os princípios principiantes e mediantes. P. -Como é que eles se denominam? R. -O fogo, o ar, a água e a terra. P. -Quais são as suas qualidades? R. -0 quente, o seco, o frio e o húmido. Acopuladas duas a duas, dão respectivamente: a terra, seca e fria; a água, fria e húmida; o ar, húmido e quente; o fogo, quente e seco, o qual se vem a conjugar com a terra, pois os elementos são circulares como o vento, o nosso pai Hermes. P. -O que é que produz a mistura dos quatro elementos? E as qualidades de que tudo é composto? R. -Os trés princípios principiantes mediatos. P. -Que nome Ihes dás? R. -Mercúrio, enxofre e sal. P. -0 que entendes por mercúrio, enxofre e sal? R. -Eu entendo-os como mercúrio, enxofre e sal filosóficos e não vulgares. P. - O que é o mercúrio filos6fico? R. -É uma água e um espírito que dissolve e sublima o sal. P. -E o que é o enxofre? R. -É um fogo e uma alma que o guia e o colora. P. -O que é o sal? R. -É uma terra e um corpo que se congela e se fIXa e tudo isso se faz mediante o veiculo do ar. P. -O que decorre destes três princípios? R. -Os quatro elementos rodopiados como diz Hermes, ou os grandes elementos como diz Raimundo Lúlio, que são o mercúrio, o enxofre, o sal e o vidro, dos quais dois voláteis, a saber a água e o ar, que é o óleo, porque toda a substância liquida pela sua natureza dissipa o fogo, e a terra pura que é o vidro sobre o qual o fogo não tem acção (...) P. -O que entendem por mixtos? R. -os animais, os vegetais e os minerais. P. -Quem dá aos mixtos o movimento, o sentimento, o alimento e a substância? R. - os quatro elementos: o fogo dá o movimento, o ar dá o sentimento, a água, o alimento, e a terra, a substância. P. - Para que servem os quatro elementos redobrados? R. -Para engendrar a Pedra Filosofal se se for bastante industrioso para Ihes dar o fogo conveniente e Ihes dar os pesos da natureza. P. -Qual é o grau de fogo? R. -Trinta e duas horas para a putrefacção, trinta e seis para a sublimação, quarenta para a putrefacção...

B) Os rituais alquímicos do Barão de Tschoudy (1724 -1769) e os Estatutos dos "Filósofos Desconhecidos":

O nome desta Sociedade dos "Filósofos Desconhecidos" parece ter sido inspirado pelos "Estatutos dos Filósofos Desconhecidos", incluidos na obra do Cosmoplita (o alquimista polaco Michel Sendivogius), Tratados do Cosmopolita novamente descobertos (12).

-A Estrela Flamejante (1766)

Este Rito é "verdadeiramente alquímico" (13), e no seu catecismo (destinado a aprendizes, companheiros e professos) é feita uma descrição da Grande Obra Alquímica, inspirada nos textos do alquimista Michel de Sendivogius (1566-1646), o Cosmopolita (que também influenciou Dom Pernety), particularmente Nova Luz Química e Cartas Filos6ficas.

Da "instrução para o grau de adepto ou aprendiz Filósofo Sublime e Desconhecido", retiremos a seguinte passagem:

P. -De que mercúrio devemos servirmo-nos para a Obra? R. -De um mercúrio que não se encontra sobre a terra, mas que é extraído dos corpos, mas nunca mercúrio vulgar... P. - Como chamas a esse corpo? R. -Pedra bruta ou caos, ou "iliaste'; ou "hylé". P. -É essa mesma pedra bruta cujo símbolo caracteriza os nossos primeiros graus? R. -Sim, é a mesma que os maçons trabalham a desbastar e da qual eles querem retirar as imperfeições; essa pedra bruta é, por assim dizer, uma porção desse mesmo caos, ou massa confusa desconhecida e desprezada por todos... (14)

-O Cavaleiro do Sol

A Ordem ou "Sociedade dos Filósofos Desconhecidos" possuiu um sistema maçónico baseado no Hermetismo e na Alquimia, num contexto cristão, cujo 7°, Grau, de "Cavaleiro do Sol", foi praticamente incluido no 28° Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite (codificado em 1802, em Charleston, E.U.A.) e no 51°, Grau do Rito de Misraim. A sua palavra de passe é Stibium, Estibina (Sulfureto de Antimónio), uma das matérias primeiras da Alquimia operativo-laboratorial, e a sua doutrina contém, segundo Michel Monereau (15), os seguintes temas: 1 - existe um primeiro princípio, incognoscível, que penetra o universo em todos os seus planos; 2 -a vida humana é apenas um ponto face à eternidade; 3 -a harmonia universal resulta do equilíbrio engendrado pela analogia dos contrários; 4 -o absoluto é o espírito que existe por si próprio; 5 -o visível é apenas a mainfestação do invisível; 6 -o mal é necessário à harmonia universal; 7 -a analogia é a única chave da natureza.(16)

C) A Ordem dos "Arquitectos Africanos" e o "Crata Repoa" (1770)

A Ordem dos "Arquitectos Africanos", ou dos "Irmãos Africanos" ("africanos" querendo dizer "egípcios"), foi instituída em 1767, na Prússia, sob os auspícios de Frederico o Grande (inspirador e protector de outros graus e ritos maçónicos entre os quais o Rito Escocês Antigo e Aceite) e teve como Grão Mestre von Koppen, ilustre membro da Estrita Observância Templária (organização maçónico-templária dirigida pelo Barão Carl von Hund). Estava organizada em 7 classes: 1ª, Pastophoris; 2ª, Néocoris; 3ª, Melanophoris; 4ª, Chistophoris; 5ª, Balahata; 6ª, Astrónomo da Porta de Deus; 7ª, Profeta ou Saphenath Pancah.

Este sistema hermético "visava revelar os segredos do antigo Egipto" (17) e estava baseado no livro do "Crata Repoa" publicado em 1770, na Alemanha, onde figuravam os graus desta "antiga maçonaria". Após ter passado pelas Trevas (no 3°. Grau, na "Porta da Morte" do Mestre Osíris), de onde apenas sairia após ter adquirido "verdadeiros conhecimentos", e de ter atingido a Luz após a "Batalha das Sombras" do 4°. Grau - onde receberia o "escudo de Isis" -, o iniciado assistia no 5° Grau a uma representação da morte da Serpente - Typhon, por Horus, finda a qual o Balahata aprendia a "química" (isto é, a Alquimia), "a arte de decompor as substâncias e de combinar os metais":

D) Cagliostro e o Ritual da Maçonaria Egípcia

Este ritual -mais hermético do que alquímico-laboratorial, visto que ele aponta no sentido das "alquimias internas" (não psico-espirituais, mas fisiológico-espirituais) -inclui umas "quarentenas espirituais", durante as quais cada um receberá propriamente o Pentágono (Estrela Flamejante), quer dizer, essa folha virgem sobre a qual os Anjos primitivos imprimiram os seus números e selos, e com a qual ele se tornará Mestre (...) e o seu espírito ficará cheio de um fogo divino e o seu corpo se tornará puro como o da criança mais inocente (...) com um poder imenso, não aspirando senão ao repouso para atingir a imortalidade e poder dizer dele próprio: Ego sum qui sum (Eu sou o que é).

O objectivo do seu Rito -a imortalidade conquistada durante a vida física -pode ser resumido por uma frase extraída do seu catecismo: «Tendo sido criado à imagem e à semelhança de Deus, eu recebi o poder de me tornar imortal e de ordenar aos seres espirituais para reinar sobre a terra».

Em 1784, Cagliostro fundou a Loja-mãe do seu Rito, "A Sabedoria Triunfante", mas o Rito em si parece não ter sobrevivido ao seu criador.

E) Os "Arcana Arcanorum" do Rito de Misraim e de Menfis-Misraim

Os "Arcana Arcanorum" (Mistério dos Mistérios) são os últimos graus do Rito de Misraim e do Rito de Menfis-Misraim que, embora constituídos nos começos do século XIX, estão baseados em textos do século XVIII (18), entre os quais provavelmente alguns de Cagliostro.

No 88° Grau "o iniciado deve... receber os influxos celestes e... sentir bater nele a vida universal, depois de o «orvalho celeste» ter descido nele para fecundar o germe que ele traz dentro de si". Após o 89°, Grau, que "permite um contacto com o invisível", vem o 90º. Onde é dito que: «Toda a vida oscila entre estes dois polos: Matéria e Espírito; Bem e Mal; Felicidade e Sofrimento. Toda a iniciação deve conduzir-nos da Lua ao Sol, de Isis a Osiris, da Matéria à essência divina».

Segundo Jean-Pierre Giudicielli (19) "É no grau do Cavaleiro Rosa Cruz que se desenvolve um Wuei Tan (via exterior) e não um Nei Tan, que é a obra mais avançada. Com efeito, o 18° Grau diz respeito às duas etapas clássicas da via exterior... Mas é sem equívoco possível, nos últimos graus de Misraim (87°, 88°, 89°, 90°), também chamados Escala de Nápoles, que residem certas chaves operativas da alquimia interna do Corpo de Glória (nei Tan), a qual já tinha sido anunciada no 12°. Grau de "Grande Mestre Arquitecto":

A suprema ambição dos Grandes Mestres Arquitectos é de fazer viver em eles a verdade e de comer o fruto da Árvore do conhecimento, de serem deuses.

Conclusão

Estes ritos e rituais herméticos e alquirnicos aparecem, no século XVIII, num contexto maçónico ou para-maçónico no ambiente iniciático que se pode denominar, numa perspectiva generalizada, de "Maçonaria dos Antigos", esotérica e mesmo ocultista.

Por falta de tempo não nos foi possível referir os Ritos da " Rosa Cruz de Ouro" (Alemanha, 1777) e da "Rosa Cruz de Ouro do Antigo Sistema" (Alemanha, 1781), ambos de natureza hermética e alquirnica, o que ficará para uma segunda parte desta introdução.

NOTAS

(1) Escolhemos esta denominação para distinguir a alquimia que é praticada em laboratório -também denominada de "fisica": embora ela pretenda promover a espiritualização da matéria, e nesse sentido ela é também e essencialmente "espiritual" -das alquimias denominadas "psicológicas", "espirituais", etc., as quais também apresentam uma operatividade. Há outras alquimias que são também "operativas", como por exemplo as "alquimias internas" que se desenrolam no interior do corpo humano (vide a alquimia taoista). Para uma definição de "alquimia operativo-laboratorial", ver a minha Tese de Doutoramento em Antropologia (Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa, 2002), intitulada "Hermes redivivo -ressurgimentos da alquimia operativo-laboratorial na segunda metade do século XX: novos movimentos alquímicos franceses".

(2) Para uma discussão deste tema, ver a minha Tese Complementar de Doutoramento em Antropologia, na mesma Faculdade, "A Alquimia operativo- laboratorial, como rito sacrificial"

(3) Veja-se a tradição de encontros entre alquimistas, na Catedral de Notre-Dame de Paris referida nos começos do século XX, pelo alquimista (ou alquimistas...) Fulcanelli (in "O Mistério das Catedrais", Lisboa, 1973, p.54): «Os alquimistas do século XIV encontram-se aí, no dia de Saturno, no grande portal ou no portal de S. Marcelo, ou ainda na pequena Porta Vermelha, toda decorada de salamandras. Denys Zachaire informa-nos que o hábito se mantinha ainda no ano de 1539, "nos domingos e dias de festa" e Noel du Fail diz que «o grande encontro de tais académicos era em Notre-Dame de Paris». Aí (...) cada um expunha o resultado dos seus trabalhos, desenvolvia a ordem das suas pesquisas. Emitiam-se probabilidades, discutiam-se possibilidades, estudava-se no próprio local a alegoria do belo livro e a exegese abstrusa dos misteriosos símbolos não era a parte menos animada destas reuniões.»

(4) Para uma sucinta, mas esclarecedora discussão desta diferença entre "antigos" e "modernos", veja-se o interessante livro de Jean Solis, Guide Pratique de la Franc-Maçonnerie, Ed. Dervy, Paris, 2001 (livro que contém, no entanto, algumas incorrecções sobre as Obediências regulares no mundo, mas que o autor se propõe rectificar brevemente, conforme comunicação pessoal recente).

(5) Dom Pemety, Rituel Alchimique Secret, Viareggio, Ed. Rebis, 1981.

(6) Foi tradutor ( e comentador) de um tratado de matemáticas alemão, colaborou no 8°. Volume de Gallia Christiana, publicou um comentário da Regra de São Bento, com o título de Manuel bénédictin e, estando já destacado na Abadia de Saint-Germain des Prés, também um Dictionnaire portatif de peinture, de sculture et de gravure, procedendo nessa ocasião a estudos de Botânica ( cf. J. Bricaud, Les Illuminés d'Avignon, pp. 5-7).

(7) Redição em 1971, na Ed. Arché, Milão, e em 1982, nas Ed. La Table d'Emeraude, Paris.

(8) Reedição em 1972, em Milão, na Arché, e no mesmo ano, na Denoel, em Paris.

(9) Ver artigo 2 dos Estatutos a p. 3 do Rituel Alchimique Secret (op. cit.).

(10) J. Bricaud, op. cit., p. 33.

(11) cf. pp. 19-21 do Rituel Alchimique Secret (op. cit.)

(12) Bernard Roger, "Introdução" a Nouvelle Lumiere Chymique, Paris, Retz , 1976, p. 23. Ver também Zbigniew Sydlo, Michael Senvivogius and the «Statuts des Philosophes Inconnus", in "The Hermetic Journal", 1992, pp. 72-91.

(13) Michel Monereau, Les Secretes hermétiques de la Franc-Maçonnerie, Paris, Axis Mundi, 1989, p.27.

(14) ibid.; a tradução é nossa.

(15) Les Secrets Hermétiques de Ia Franc-Maçonnerie, pp. 26-27.

(16) ibid.; a tradução é nossa.

(17) Michel Monereau, op. cit., pp. 38-39

(18) Michel Monereau, op. cit., pp. 43-44.

(19) In Pour la Rose Rouge et la Croix d'Or, Paris, Axis Mundi, 1988, p. 68.

BIBLIOGRAFIA
Anónimo -Les Initiations antiques -t. II -Crata Repoa ou Initiations aux anciens mystères des prêtres d'Égypte, Paris, 1770 (e 1821), reed., Rouvray, Les Éditions du Prieuré, 1993.

Amadou, Robert -Cagliostro et le Rituel de la Maçonnerie Égyptienne, Paris, SEPP, 1996.

Bayard, Jean-Pierre -Symbolisme Maçonnique Traditionel- II: Hauts grades et Rites anglo-saxons, Paris, EDIMAF, 3a. Ed. rev. e aum., 1987.

Bricaud, Joanny -Les Illuminés d'Avignon -étude sur Dom Pernety et son groupe, Paris, 1927 (reeditada em 1995, pela SEPP, Paris).

Caillet, Serge -Arcanes et Rituels de la Maçonnerie Égyptienne, Paris, Guy Trédaniel Ed., 1994.

-La Sainte Parole des Illuminés d' Avignon, in "Le Fil d' Ariane" no.43-44 (Été-Automne 1991), Walhain-St-Paul, Belgique, pp.19-51.

Caro, Roger -Rituel F.A.R.+C et deux textes alchimiques inédits, edição do autor, Saint Cyr-sur-Mer, 1972.

Faivre, Antoine -El Esoterismo en el siglo XVIII (trad. espanhola da obra L'Ésotérisme au XVIIIe Siècle, Paris, 1973), EDAF, Madrid, 1976.

Giudicelli de Cressac-Bachelerie, J.-P. -Pour la Rose Rouge et la Croix d'Or, Paris, Ed. Axis Mundi, 1988.

Labouré, Denis -De Cagliostro aux Arcana Arcanorum, in "L'Originel" no.2, Paris, 1995.

Mollier, Pierre -Contribuition à l' étude du grade de Chevalier du Soleil, p. I, II, III, in "Renaissance Traditionelle", Paris, respectivamente, nºs. 91-92 (Junho-Outubro de 1992), 93 (Janeiro de 1993) e 94-95 (Abril-Julho de 1993)

Monereau, Michel- Les Secrets Hermétiques de la Franc-Maçonnerie et les rites de Misraim et Menphis, Paris, Ed. Axis Mundi, 1989.

Naudon, Pzul -Histoire, Rituels et Tuileur des Hauts Grades Maçonniques, Paris, Ed. Dervy, 3a. Ed. ver. e aum., 1984.

Pernety, Dom -Rituale alchimico secreto -Rituel alchimique secret du grade de vrai Maçon Académicien ( composé en 1770 ), reedição das Edizione Rebis, Viareggio, Itália, 1981.

Solis, Jean J. -Guide pratique de la Franc-Maçonnerie, Paris, Ed. Dervy, 2001.

Tschoudy, Baron de -L'Étoile Flamboyante, ou la Société des Franc-Maçons considérée sous tous les aspects (1766), Gutemberg Reprint, Paris, 1979.

Tshoudy, Baron de- Touts les rituels alchimiques du Baron de Tschoudy, reedição das Éditions Arma Artis, Paris, s.d.

Ventura, Gastone -Les Rites Maçonniques de Misraim et Memphis, Paris, Eds. Maisonneuve & Larose, 1986.


Fonte desconhecida, se souber nos avise,

quarta-feira, 15 de julho de 2015

DO ROSACRUCIANISMO E DA MAÇONARIA ESPECULATIVA



Sobre as relações possíveis entre o Rosacrucianismo e a Maçonaria especulativa.

Dentro do conjunto de problemáticas que configuram a transição da maçonaria operativa para a maçonaria dita "especulativa" destacaremos neste breve artigo algumas posições interpretativas.

Robert Fludd e a Maçonaria Especulativa

Chistopher McIntosh observa que um ponto importante sobre Robert Fludd é que ele pode ter sido maçom, sabe-se que havia um templo maçônico perto de sua casa londrina, em Coleman Street. A. E. Waite pergunta-se se Fludd não teria introduzido uma corrente rosa-cruz na maçonaria. Não há provas disso, pois é difícil saber quando a maçonaria e o rosacrucianismo entraram em contato pela primeira vez.

Um ano depois da morte de Fludd em 1638, aparece em Muses Threnodie, de Henry Adamsom: "Pois o que pressagiamos não é geral, Pois somos irmãos da Rosa-Cruz: Nós temos a palavra de Maçom e segunda vista, Coisas para vir podemos predizer com exatidão.".

Comenius e a Maçonaria Especulativa
Ainda sobre as relações entre o Rosacrucianismo e as origens da Maçonaria inglesa, Robert Vanloo diz-nos que a Rosa-Cruz do começo do século XVII teve uma influência considerável nas origens da maçonaria anglo-saxã, alguns historiadores alemães da Rosa-Cruz tal como Hans Schick, vê nos trabalhos de Comenius a origem dos ideais da fraternidade e da democracia dentro da maçonaria inglesa recém nascida. Comenius sendo apresentado como um tipo de mediador privilegiado entre o pensamento rosacruciano de J. Valentin Andreae e o círculo de Tübingen e os homens que patrocinaram o nascimento da maçonaria especulativa na Inglaterra antes da Fundação da Grande Loja de Londres em 1717 com Hartlib e Dury. Comenius permitiu que a herança espiritual de J. V. Andreae e as idéias de uma sociedade ideal fosse derramada na Inglaterra e encontrasse acolhida lá. Em 1641, Comenius estava em Londres para aí fundar um círculo pansófico. Mas na Inglaterra alastra-se a revolução e o projeto é abandonado. De um modo geral, para a perspectiva teórica de Vanloo e de Hans Schick pode muito bem ter sido Comenius o elo de ligação entre o pensamento rosacruciano de J. V. Andreae, a ideologia rosacruz autêntica e a maçonaria inglesa.

Elias Ashmole e a Maçonaria Especulativa
Apesar de muitas pesquisas realizadas por historiadores maçônicos, virtualmente nada de concreto se sabe sobre a mudança, a não ser que ocorreu entre fins do século XVI e começos dos século XVII, da maçonaria operativa para especulativa, nem por que isso aconteceu. Dois dos primeiros maçons especulativos conhecidos, sir Robert Moray (1600-1675) e Elias Ashmole (1617 -1692), eram no entanto bastante interessados no rosacrucianismo. Devemos lembrar que, na Inglaterra, a mais antiga referência a uma loja maçônica especulativa é um registro no diário de Elias Ashmole, quando este foi aceito como membro de uma loja maçônica em Warrington, Lacanshire, em 16 de outubro de 1646. Há entretanto uma referência confiável na Escócia que registra a admissão de sir Robert Moray a uma Loja em Edimburgo em 20 de maio de 1641.

Há uma tradição muito sólida que quer que por intermédio de Elias Ashmole que a corrente rosacruciana se introduziu na Maçonaria, o que justificaria a transmissão regular e, por isso mesmo, o valor iniciático do 18º grau da Franco-Maçonaria atual.

Outro elemento que constitui uma relação de intimidade entre as duas correntes deu-se no decorrer do século XVIII. Sabe-se que o Geheime Figuren ou os Símbolos Secretos dos Rosacruzes dos séculos XVI e XVII são uma coletânea de pranchas emitidas do círculo maçônico Gold und-Rosenkreuzer (Rosa+Cruz de Ouro) em duas partes, a primeira em 1785 e a segunda em 1788. As origens da Rosa+Cruz de Ouro maçônica são obscuras, mas um dos nomes ligados à sua formação é o de Hermann Fictuld. Fictuld fala de uma "Sociedade de Rosacruzes de Ouro", herdeiros do Tosão de Ouro. Hermann Fictuld operou reformas na Gold und-Rosenkreuz em 1777. Essa Ordem desenvolveu-se dentro das regras da Maçonaria. A vertente russa da Rosa+Cruz de Ouro, instalada em Moscou, tiveram dois principais vultos, Nicolas Novikov (Maçom, membro da Rosa+Cruz de Ouro e Martinista) e o conde I. V. Lopokhin. Segundo Robert Ambelain, Novikov foi um dos introdutores da Franco-Maçonaria na Rússia e um dos principais divulgadores do Martinismo e das doutrinas do Filósofo Desconhecido na Rússia.

De acordo com Jean Pierre Bayard, em fins do século XVIII, do Escocismo emergiram dois ritos (ou regimes) paralelos, mas não rivais, e de inspiração profundamente rosacrucianas. O Rito Escocês Retificado (RER) que veio a ser difundido sobretudo na Europa Central, onde a influência dos Rosa+Cruz de Ouro era inegável. E o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) que começou a ser praticado na França. Durante o século XVIII, ouve uma propagação de ritos herméticos e alquímicos que foram criados num contexto maçônico. Alguns destes graus ocorreram no seio da maçonaria, ou do universo por ela influenciado e que tem raiz no hermetismo renascentista, nos Rosacruzes do século XVII.

Dentre alguns desses rituais podemos destacar:

  1. Ritual Alquímico secreto do grau de verdadeiro maçom acadêmico (1770) de Dom Pernety e seus Iluminados de Avingnon (NT. Pernety provavelmente manteve contato com os Rosacruzes de Ouro em suas viagens);
  2. Os rituais alquímicos do Barão de Tschoudy (1724-1769) e os Estatutos dos Filósofos Desconhecidos;
  3. A Ordem dos Arquitetos Africanos e o Crata Crepoa (1770);
  4. Cagliostro e o ritual da Maçonaria Egípcia;
  5. Os Arcana Arcanorum do Rito de Misraïm e de Memphis-Misraïm.

Enfim, muito ainda há o que dizer sobre a proximidade que a Rosacruz manteve com a Maçonaria. Obviamente muita coisa deixou de ser mencionada nestes comentários devido à extensão e da dificuldade que há em relacionar as duas correntes. A complexidade de relações entre os dois movimentos é tão íntimo em certos períodos entre os séculos XVII e XVIII que escapar-nos-ia a possibilidade de tentar abarcar todas as relações possíveis, além de constituir uma empreitada monumental.

Referências:

- Revista L'Initiation , edição portuguesa no. 07;
- A Rosa e A Cruz, Chistopher McIntosh, ed. Record;
- Os Rosacruzes, J. P. Bayard, ed. 70;
- A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática, Jean Palou, ed. Pensamento;
- Interview Robert Vanloo em France-Spiritualites;
- Introdução aos Ritos e Rituais Herméticos e Alquímicos do século XVIII, José Manuel Anes.

Fonte desconhecida, se souber entre em contato.

sábado, 11 de julho de 2015

OS ROSACRUZES


OS ROSACRUZES
Por Pedro Santos Pereira
Muito se tem dito e escrito ao longo dos séculos sobre os Rosacruzes. Curiosamente, existem quatro organizações que se pretendem herdeiras históricas dos Rosacruzes milenares. Estas associações são estanques entre si, e diferem substancialmente, tanto nos métodos quanto na doutrina e organização. Faremos, seguidamente, uma ligeira abordagem a cada uma delas.

A Sociedade Rosa Cruz do Lectorium Rosicrucianum ou Escola Espiritual Gnóstica da Rosa Cruz Áurea. Os membros desta sociedade são recrutados por cooptação. Da leitura de alguns dos seus textos oficiais, podemos inferir um esoterismo de herança cátara. O princípio doutrinal característico dos cátaros era maniqueísta-dualista, isto é, defendia dois princípios universais, criados, um deles do mundo espiritual e o outro do mundo material. Atendendo a estes referentes, segue-se que a alma viverá no corpo em cativeiro, só encontrando a paz pela libertação do corpo material, recuperando a plenitude da sua vida espiritual; o divórcio dos dois elementos inconciliáveis é obtido pela morte, não sofrida mas abraçada como libertação - primeiro passo para a felicidade. Esta morte poderia ser obtida pela iniciação, através da intervenção das personalidades. 

O Lectorium diz-se crístico e joânico, referindo-se freqüentemente aos Evangelhos, ao Apocalipse e ao Shamballah, nome que designa um centro subterrâneo no deserto de Gobi, centro do mundo onde se situaria a reencarnação de Christian Rosenkreuz, do qual o Lectorium pretende ser emanação sua. Como atrás referimos, estes Rosacruzes pretendem-se crísticos mas não cristãos, já que rejeitam em absoluto, como inútil, todo o mecanismo da Igreja: os sacramentos, os sacrifícios do altar, a comunhão, os santos, a virgem, o purgatório, as relíquias, etc., etc.

A Fraternidade Rosa Cruz, vulgarmente conhecida pela associação ao nome do seu criador, Max Heindel, também faz o seu recrutamento por cooptação, contando com milhares de adeptos em todo o mundo. A doutrina é espalhada através dos livros de Max Heindel, de cursos por correspondência e de palestras pronunciadas em templos. A Astrologia e o desenvolvimento de faculdades mediúnicas e curativas são as bases da doutrina oficial, embora também esta organização se pretenda crística e joânica.

A Ordem dos Irmãos Primogênitos da Rosa Cruz, ainda mais secreta do que a anterior, adota o adágio taoísta: "tudo aquilo que pode ser dito não merece ser conhecido", aplicando-se o termo "conhecido" ao conhecimento integral, inexprimível e informal. A ordem pretende filiar-se, histórica e iniciaticamente, na tradição templária, da qual estes Rosa Cruzes seriam, desde o século XV, os únicos depositários, tendo recolhido aquilo que os processos de 1307 a 1314 tinham pretendido fazer desaparecer. 

A Ordem Rosa Cruz - AMORCAntiga e Mística Ordem Rosa Cruz, também conhecida até ao século XX por Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis, recruta os seus aderentes por meio de publicidade e por cooptação. A AMORC estabelece uma distinção entre os rosacrucianos, que são os seus próprios aderentes, e os Rosa-Cruz, raros esses que atingem os mais elevados graus da ordem. Com efeito, em cada mil pessoas que respondem à propaganda, em média 402 são admitidas nos graus de Atrium, 329 ao primeiro grau postulante. O décimo segundo grau, de Templo, apenas é atingido por uma média de 101 aderentes, sendo essa iniciação então realizada - consta - na câmara do rei da pirâmide de Keops, fato para o qual será a única organização autorizada em todo o mundo. Esta instituição compreende na cúpula a Suprema Grande Loja, em S. José da Califórnia, onde também existe uma Universidade, o Museu Egípcio Rosa Cruz, o Planetário e Museu de Ciências e o Templo Supremo. A instrução dos seus membros é efetuada em vários níveis:

1. cerimônias ritualistas, abertas a todos os membros, onde são apresentadas comunicações da Suprema Grande Loja; estas não estão sujeitas a intervenções ou críticas, convidando-se os participantes à reflexão e meditação nos assuntos expostos. Note-se que, embora não possam criticar e participar dos temas apresentados, os membros têm plena liberdade de aceitar ou não os enunciados;

2. sessões livres e abertas a todos os filiados, não ritualistas, em que são apresentados, por membros da Ordem, trabalhos sobre os mais díspares e variados temas. Estes estão sujeitos, não só à troca de informações, como também à crítica e debate das opiniões aí expressas;

3. sessões de grau, reservadas aos titulares desse grau e supervisionadas por um elemento mais antigo, em que são debatidos e esclarecidos os assuntos respeitantes à instrução desse grau;

4. a aprendizagem propriamente dita é realizada através de apostilhas semanais, onde se encontram princípios filosóficos e exercícios de controle e desenvolvimento mental. 

Considerações sobre o Simbolismo e Relações entre as Organizações


Apesar de tão heterogêneas, podemos no entanto detectar certos aspectos de concordância unívoca, que decompomos em três grandes grupos:

1. existência de laços fraternais entre estas organizações em pares simples. Assim, o Lectorium Rosicrucianum com a Fraternidade Rosacruciana, por um lado, e os Irmãos Primogênitos com a Ordem Rosa Cruz AMORC, por outro;

2. o segundo aspecto de concordância revela-se no fundo filosófico comum. Com efeito, todas as quatro instituições buscam as suas raízes ideológicas na tradição ocultista ocidental, por oposição às outras duas grandes correntes esotéricas ocidentais, que são: a Teosofia, procedente das revelações do Extremo Oriente, colhidas por Helena Petrovna Blavatsky e Annie Besant; e o Espiritismo, de Léon Denis e Allan Kardec.
Queremos com isto dizer que esta tradição ocultista ocidental vem na linha dos hermetistas, cabalistas cristãos e alquimistas, bebendo as suas raízes lá muito atrás em Platão, nos gnósticos da Pistis Sophia e em todas as outras grandes sínteses destas linhas.
Característica intrínseca da mesma é aceitarem as teses cármicas da reencarnação, subjacentes à doutrina de Hermes Trimegisto, sintetizada como está no axioma hermético: "O que está em baixo é como o que está em cima, e o que está em cima é igual ao que está em baixo, para realizar os milagres de uma única coisa", i.e., a correspondência entre o macrocosmo e o homem - o microcosmo. Outra é aceitarem a trilogia unitária do homem, que se dividirá em corpo, espírito e perispírito. O espírito, também denominado alma, constituirá no homem a sua verdadeira individualidade, indestrutível e imortal, manifestando-se no seu tríplice aspecto, a saber: Memória, Inteligência e Vontade. O espírito propriamente dito é susceptível de adquirir no tempo novas qualidades, que o enriquecem, depuram e elevam. Estas qualidades, obtidas através da experiência adquirida, são arquivadas no perispírito, vulgarmente conhecido por astral, ou duplo etéreo, pelos cientistas que se dedicam a quantificar, isolar e testar essa bioenergia aural presente em todo o ser humano.

3. o terceiro aspecto da concordância está necessariamente subjacente ao segundo, já que todas as organizações se reclamam herdeiras dos mesmos antepassados Rosa Cruzes. Todas admitem o mesmo fundador Christian Rosenkreuz, como restaurador da ordem. Este personagem, meio mítico não se sabe ao certo se terá existido, ou se o seu nome não será de um mero simbolismo para o Cristão Rosacruz. Na realidade, aquilo que sabemos de tão ilustre personagem está condensado no manuscrito FAMA FRATERNITATIS ET CONFESSIO FRATRUM ROSAE CRUCIS da autoria de Jean Valentin Andreae, de finais do séc. XVI. Na Fama encontra-se a biografia de Christian Rosenkreuz e noutros três palimpsestos o seu ensinamento.

Se sobre Christian pairam dúvidas da sua existência, de uma longa lista de outros personagens estas não existem. E assim, entre os mais proeminentes encontramos: Robert Fludd e Paracelso, aos quais, em conjunto com o primeiro, poderemos atribuir a paternidade do movimento Rosacruz; Comenius que, em 1956, foi homenageado pela Unesco e considerado por esta organização como o seu mentor espiritual; Sir Francis Bacon, o insigne ministro e criador da "Nova Atlântida"; o rei da Prússia, Frederico Guilherme II; Wolfgang Goethe, criador do "Fausto"; o conde de Saint German; Victor Hugo; René Descartes; Leibniz; Isaac Newton; Benjamin Franklin; Lord Bulwer Lytton; e Fernando Pessoa.

Outros há profundamente ligados à Maçonaria, como Eliphas Lévi, Stanislau de Guaïta, Martinez de Pascually, Louis Claude de Saint Martin, e Papus, estes últimos fundadores da Tradicional Ordem Martinista.

Aliás, é importante referir aqui que, atualmente, a única via de acesso à Tradicional Ordem Martinista é através da Ordem Rosa Cruz AMORC, só podendo ingressar naquela Rosacrucianos que tenham atingido, pelo menos, o terceiro grau do templo (coisa que, em tempo útil, se poderá quantificar em quatro anos de aturada aplicação ao estudo).

Podemos portanto verificar que, neste terceiro aspecto de concordância, que os pergaminhos são velhos, e que as divergências se situam apenas no princípio deste século.

Não poderíamos deixar este estudo, que se pretende breve mas forçosamente incompleto, sem tentar de alguma forma explicar o porquê do nome e simbolismo Rosa Cruz Áurea.

Uma das interpretações, à priori, é a de que poderemos encontrar no símbolo a cosmogonia hermética, onde a Cruz - signo masculino e espiritual - representa a divina energia criadora que fecundou a matéria da substância primordial, de que a imagem é a feminina Rosa, fazendo passar o ovo cósmico à existência do Universo, como professava Mestre Paracelso.

A Rosa, que em todas as épocas, foi o símbolo da beleza, da vida, do amor e do prazer, expressava misticamente o pensamento secreto de todas as oposições manifestadas durante a Renascença. Era a carne revoltada contra a opressão do espírito; era a natureza declarando-se filha de Deus; era o amor que não desejava ser sufocado pelo celibato; era a humanidade aspirando a uma religião natural, toda feita de inteligência e amor, baseada nas revelações das harmonias do Ser, do qual a Rosa, para os iniciados, era o símbolo vivo e cheio de viço. A conquista da Rosa era o problema apresentado pela iniciação à ciência; à medida que a religião se ocupava em estabelecer o triunfo universal e exclusivo da Cruz (esta representa o homem e a sabedoria secreta para os hermetistas). A Rosa é o símbolo da fragilidade humana, e representa a eternidade da alma, e significa também o segredo guardado, porque se fecha sobre o coração, abrindo-se no momento de morrer. No plano esotérico, a Rosa inscreve-se nas quatro dimensões: comprimento, largura, espessura e tempo, e a Cruz na quinta dimensão dos Rosa Cruzes, a Mente Associada à Rosa, encontramos as subdimensões: forma, matéria; cor, perfume, todas reunidas na mais completa harmonia e defendidas pelos (guardiões) espinhos.

A Rosa é, pois, uma criação excepcional, o emblema da Perfeição para a Grande Obra dos Alquimistas. Mas, como só entreabre as suas pétalas e revela o seu coração e o seu mais íntimo segredo, no momento em que vai perecer, é também o símbolo da Morte. Segredo ciosamente guardado, Perfeição e Morte, tudo se encontra na Rosa. A Cruz, como já dissemos, é a sabedoria do Salvador, do Deus feito homem, é o conhecimento do iniciado. Sabedoria mantida secreta, tal é a Rosa sobre a Cruz, a Rosa Cruz.
Não encontramos aqui uma analogia com o inefável segredo maçônico? Não está o ritual maçônico todo ele impregnado do simbolismo Rosa Cruz, do mais rudimentar ao dos mais elevados graus? Tanto quanto podemos apurar, a Ordem Rosa Cruz AMORC e a dos Irmãos Primogênitos saúdam os seus irmãos Maçons como os atores ativos no mundo profano sócio-econômico-político, elegendo esta suposta Ordem como uma escola de aperfeiçoamento humano inspirada nos princípios da justiça, tolerância, igualdade, liberdade e fraternidade, reservando-se os Rosa Cruzes um papel mais místico, contemplativo, meditativo, isto é, passivo e espiritual.

Bibliografia

- Arnold (Paul) Histoire des Rose + Croix et les Origines de la Franc-Maçonnerie, Paris, Mercure de Frande, 1955
 - Bayard (J.P.) Os Rosa-Cruz ou a Conspiração dos Sapientes, Lisboa, Edições 70, 1978
 - Cartas de Informações para Pesquisadores, s.l. Edição da Escola Espiritual da Rosa Cruz Áurea, s.d.
 - Frère (Jean Claude) Vie et Mystères des Rose-Croix, Paris, Maison M., 1973
 - Heindel (Max) Conceito Rosa Cruz no Cosmos [Tratado elementar sobre a evolução passada do homem, sua constituição atual e o seu futuro desenvolvimento], S. Paulo, Fraternidade Rosacruciana de S. Paulo, 1980
 - Incognito (Magus) A Doutrina Secreta dos Rosa-Cruzes, São Paulo, 1984
 - La Maitrise de La Vie. Ancient Mystique Ordre Rosae Crucis, Le Neubourg, 1981
 - O Homem: Alfa e Omega da Criação, Curitiba, Ordem Rosa Cruz AMORC, 1985

Fonte desocnhecida, entre em contato se souber.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

CÓDIGO ROSACRUZ DE VIDA


CÓDIGO ROSACRUZ DE VIDA 

I - Pela manhã, antes de levantar, agradece ao Deus do teu coração, o novo dia que te é dado viver no plano terreno e pede-lhe que o inspire ao longo desse dia. Depois, de pé e voltado para o Leste, fazer três respirações profundas, concentrando-te na vitalidade, que é despertada em ti mesmo. Feito isto, beber um copo d`água e dar início às tuas tarefas.

II- Apesar das vissicitudes e das provações que a vida comporta, considera-a sempre como o mais precioso bem que o Cósmico outorgou ao ser humano, pois ela é o suporte de tua evolução espiritual e a fonte da felicidade a que aspira. Neste particular, considera teu corpo como o templo de tua Alma e cuida dele o melhor que puderes.

III- Reserva, se possível, em tua casa um lugar para prece, meditação e estudo dos ensinamentos de nossa Ordem. Faze dele o teu oratório particular, o teu Sanctum, e conserva-o livre de toda preocupação e de toda atividade profana.

IV- Antes de cada refeição, dá graças a Deus pela chance que tens de te alimentares, e pensa em todos aqueles que não têm o privilégio de saciar sua fome. Se estiveres sozinho ou na companhia de outros membros da Ordem, coloca as mãos sobre o alimento, com as palmas voltadas para baixo, e fazendo mentalmente, ou em voz alta, a invocação simbólica: 

“Que este alimento seja purificado e magnetizado pelas vibrações que emanam de minhas mãos, a fim de que ele supra as necessidades do meu corpo e da minha alma. Que todos aqueles que têm fome estejam associados a esta refeição e participem espiritualmente de seus benefícios. Assim Seja!”

V- Sabendo que o objetivo de todo ser humano é de se aperfeiçoar e de se tornar melhor, faze constantes esforços para despertar e expressar as virtudes da Alma que o anima. Ao faze-lo estarás contribuindo para tua evolução e servindo à causa da humanidade.

VI- Durante o dia, isola-te por alguns instantes, de preferência no Sanctum, e irradia pensamentos de amor, harmonia e saúde para toda a humanidade, em particular para todos aqueles que estejam sofrendo, física ou moralmente. Pede também a Deus que os ajude em todos os aspectos e os preserve o quanto possível das tribulações da vida.

VIIComporta-te de tal maneira que todos aqueles que compartilham de tua vida ou vivem em teu contato, sintam em teu exemplo o desejo de se assemelharem contigo. Guiado pela voz de tua consciência, que tua ética seja a mais pura possível e que tua preocupação primeira seja sempre de pensar bem , falar bem e agir bem.

VIII- Sê tolerante, defendendo o direito à diferença. Nunca uses a faculdade do julgamento para censurar ou condenar a outrem, pois tu não podes ler os corações e as almas. Considera os outros com benevolência e indulgência, atento para o que haja de melhor neles.

IX- Mostra-te generoso para com aqueles que estejam passando necessidades ou que sejam menos favorecidos do que tu. Todo dia procura realizar pelo menos uma boa ação para outrem. Seja qual for o bem que faças a alguém, não te vanglories disso, mas agradece a Deus o ter permitido contribuir para o seu bem-estar.

X- Sê moderado em teu comportamento e evite os extremos em tudo. Demonstra temperança, seguindo o reto caminho do meio em toda circunstância.

XI- Se ocupas um cargo de poder, não te glorifiques disso, nem te deixes arrebatar pela influência que esse cargo te permita exercer. Nunca o empregues para forçar alguém a fazer coisas que reprovas ou que sejam injustas, ilegais ou imorais. Assume-o com humildade, colocando-o a serviço do bem comum.

XII- Escuta os outros e fala com o devido conhecimento de causa. Se tiveres de fazer uma crítica, faze com que ela seja construtiva. Se te pedirem opinião sobre um assunto que desconheças, admite humildemente tua ignorância. Nunca te permitas recorrer à mentira, à maledicência ou à calúnia. Se ouvires declarações maldosas a respeito de outra pessoa, não as reforce com a tua condescendência.

XIII- Respeita as leis do teu país e te esforces para ser um bom cidadão. Lembra-te sempre de que é na evolução das consciências que se encontra a chave do progresso humano.


XIV- Sê humanista e considera a humanidade inteira como tua família. Além de tua raça, de tua cultura e de tuas crenças, todos os seres humanos são teus irmãos e irmãs. Merecem, por conseguinte, o mesmo respeito e consideração.

XV- Considera a natureza como o mais belo santuário e a expressão da Perfeição Divina na Terra. Respeita a vida em todas as suas formas, vendo os animais como seres, não apenas seres vivos, mas igualmente conscientes e sensíveis.

XVI- Sê sempre um livre pensador. Reflete por ti mesmo, nunca pensando conforme a opinião dos outros. Além disso, dá a todo mundo a liberdade de pensamento; não impões as tuas idéias a outrem e considera sempre que elas são susceptíveis de evoluir.

XVII- Respeita as crenças religiosas ou filosóficas, desde que não atentem contra a dignidade humana. Não apóies nem abones o fanatismo ou o integrismo, em qualquer que seja a forma. Na maneira de viver tua fé, cuida para não seres dogmático ou sectário.

XVIII- Sê fiel às tuas promessas e aos teus compromissos. Quando deres tuia palavra, atribui-lhe um caráter sagrado e compromete tua honra através dela. Se tiveres de prestar juramento, faze-o pensando na Rosacruz, símbolo do seu ideal ético, e lembra-te de que toda mentira de tua parte traz conseqüências cármicas. Com efeito, se é possível enganar os teus semelhantes, ninguém pode se subtrair à Justiça Divina.

XIX- Se teus meios o permitirem e o desejares, traze teu apoio material à Ordem, a fim de ajuda-la em suas atividades e contribuir para sua perenidade.

XX- Como o objetivo da Ordem é contribuir para a elevação das consciências e transmitir seu ensinamento secular, sabe estar disponível para apresentar seus ideais e sua filosofia àqueles que estejam em busca de conhecimento, sem jamais tentar convence-los.

XXI- Nunca deixes alguém supor que os membros da Ordem são sábios e detentores da verdade. A quem te perguntar, apresenta-te antes como um estudioso ou um buscador da Sabedoria. Nunca pretendas ser um Rosacruz, e sim um neófito em via de aperfeiçoamento.

XXII- À noite, antes de adormecer, faze um balanço do dia que estarás terminando, vendo o que foi construtivo ou não. Em tua alma e consciência, julga o que pensaste, disseste e fizeste ao longo desse dia. Tira disso lições úteis para tua evolução espiritual, tomando boas resoluções. Feito isto, irradia pensamentos positivos para toda a humanidade e depois confia tua Alma a Deus.

Fonte: AMORC - GLP
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quarta-feira, 1 de julho de 2015

MANIFESTO APPELLATIO FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS - Português



VERSÃO INTEGRAL
TRADUÇÃO COMPLETA DO TEXTO

Documento publicado em Janeiro de 2014, já mundialmente conhecido por todas as jurisdições da AMORC, e traduzido em todos os idiomas, menos no Português, o Manifesto abaixo tem grande eloquência e por isso, tomamos a liberdade de publicá-lo em nossa língua, de forma a que todos os leitores de língua portuguesa tenham acesso ao seu teor. 
Aqui segue a tradução deste singelo manifesto, que acompanha a linha do Positio Fraternitatis de 2001. Ao final, a fala da Grande Mestra da Grande Loja de Língua Inglesa, sóror Julie Scott, sobre este manifesto. Somente em Inglês.


MANIFESTO

Appellatio
Fraternitatis Rosae Crucis

1614-2014

Salutem Punctis Trianguli

Em 1614, os rosacruzes saíram de seu anonimato ao publicar o "Fama Fraternitatis". Quatro séculos mais tarde, nós, Deputados do Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem da Rosacruz, fazemos um chamado aos homens e mulheres de boa vontade, a fim de que se juntem conosco para trabalhar na reconciliação da humanidade consigo mesma, com a Natureza e com a Divindade. É por isso que colocamos este "Appellatio" sob os auspícios da espiritualidade, do humanismo e da ecologia. 
1ª Edição Janeiro de 2014


Estimado Leitor

Em 1614, fazem pois quatrocentos anos, uma misteriosa fraternidade se deu a conhecer quase simultaneamente na Alemanha, França e Inglaterra, através da publicação de um manifesto intitulado "Fama Fraternitatis Rosae Crucis". Naquela época, este texto provocou numerosas reações, particularmente entre os pensadores, os filósofos e os líderes das religiões vigentes, especialmente os da Igreja Católica. De forma geral, este Manifesto convocava à uma Reforma Universal, tanto no âmbito religioso como no político, filosófico, cientifico, econômico, etc. Os próprios historiadores fazem referência ao fato de que a situação era muito caótica em vários países da Europa naquela época, a ponto de se falar abertamente em uma "Crise Europeia".

Recordemos que, ao Fama Fraternitatis se seguiram mais dois Manifestos:"Confessio Fraternitatis" e "As Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreutz", publicados em 1615 e 1616, respectivamente. Os autores destes Manifestos se identificavam como membros da Fraternidade dos Rosacruzes e pertenciam a um círculo misterioso conhecido como "Círculo de Tübingen". Todos eram apaixonados pelo hermetismo, a alquimia e a Cabala. Alguns anos mais tarde, em 1623, esta Fraternidade se deu a conhecer mais ainda, através da colocação nas ruas de Paris, de um cartaz enigmático: "Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela graça do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal"

Esta "Appellatio" não tem como meta expor aqui a história dos rosacruzes, nem tão pouco seus ensinamentos. Através deste Manifesto, desejamos antes de mais nada celebrar o aniversário de quatrocentos anos da publicação do "Fama Fraternitatis", Manifesto fundador da rosacruz no sentido histórico. Se dissemos "histórico", é por que , no sentido tradicional, esta Ordem tem suas origens nas escolas de mistério do Antigo Egito, durante a 18a dinastia. Michael Maier, célebre rosacruz do século XVII, declarou em uma de suas obras:"Nossas origens são egípcias, bramânicas, dos Mistérios de Elêusis e da Samotrácia, dos Magos da Pérsia, dos Pitagóricos e dos Árabes".

Fiéis a nossa tradição, publicamos em 2001 um Manifesto intitulado "Positio Fraternitatis Rosae Crucis", no qual damos nossa posição em relação ao estado em que se encontra a humanidade, em especial através de suas maiores áreas, quais sejam: economia, política, tecnologia, ciência, religião, moral, arte, etc., sem deixar de lado a situação do campo ecológico. Este Manifesto, que alguns historiadores colocam na mesma linha que os precedentes, tem sido lido por milhões de pessoas em todo mundo e para muitas tem sido um verdadeiro suporte para reflexões e meditações. Em certos países, sua leitura foi aconselhada aos estudantes; em outros, foi posto a disposição do público em bibliotecas municipais e nacionais; sem mencionar todos aqueles e aquelas que o leram pela internet.

Quatro séculos depois do "Fama", treze anos após o "Positio", nos pareceu necessário fazermos uma vez mais ecoar nossas preocupações com a humanidade. Com efeito, o tempo passa mas o futuro que se descortina década após década, ano após ano, seque sendo muito preocupante. A "crise", como se chama comumente, parece haver se instalado por muito tempo em uma grande quantidade de países. Mesmo assim não nos sentimos pessimistas em relação ao futuro e muito menos apocalípticos. Em "Profecias dos Rosacruzes", publicadas em dezembro de 2011, sobre este tema, pode-se ler o seguinte: "Somos otimistas em relação ao futuro...Mas além das aparências, o período difícil que atravessamos constitui um "passo obrigatório" que deverá permitir a humanidade transcender e renascer como aquilo que realmente é.

Do mesmo modo que o "Positio", o "Appellatio" não se dirige à uma elite, seja qual seja, mas sim a todos aqueles que tenham conhecimento de sua publicação e tenham tempo para lê-la. Alguns a considerarão alarmista e outros, um pouco utópica. Com segurança, não é dogmática nem ideológica. Através dela, queremos sinceramente expressar idéias que não são novas nem originais em si, particularmente para os Rosacruzes, mas que segunda nossa opinião, merecem mais do que nunca uma reflexão. De fato, desejamos lançar um chamado à espiritualidade, ao humanismo e a ecologia, condições obrigatórias, segundo nossa opinião, para que a humanidade se regenere em todos os aspectos e conheça a felicidade a qual aspira.
O Conselho Supremo da A.M.O.R.C.


CHAMADO A ESPIRITUALIDADE

Pensamos que a crise que atualmente castiga um grande numero de países, para não dizer todos, não é exclusivamente social, econômica e financeira. Trata-se em realidade, das conseqüências da crise da civilização, no sentido global do termo. Dito de outro modo, é  a própria humanidade que está em crise. Mas de que tipo de crise falamos? Embora tenhamos respondido em parte esta pergunta no “Positio”, nos parece necessário voltar atrás e dar mais detalhes de nosso pensamento.Tendo em conta nossa filosofia e nossos ideais, consideramos que se trata de um dever que diz respeito tanto aos rosacruzes quanto aos cidadãos, que todos somos. Em relação ao exposto, e contrariamente a todos os que foram capazes de nos censurar, a importância que damos a espiritualidade nunca negou o interesse que temos no plano  material, posto que a meta final de nossa busca é , desde sempre, poder conseguir o domínio da vida.

Em primeiro lugar cremos que a humanidade está numa crise de espiritualidade. Pensamos que este fato tem duas causas principais:sucede que as grandes religiões estabelecidas desde séculos já não dão uma resposta as perguntas essenciais que se fazem mulheres e homens de nossa época.Tanto sua doutrina quanto suas regras morais já não se adaptam a nossa maneira de viver, razão pela qual as pessoas as abandonam cada vez mais, mesmo com o custo de criar um enorme vazio espiritual que muitas pessoas nem sequer tratam de preencher. Paralelamente nos países chamados desenvolvidos a sociedade se tem tornado cada vez mais materialistas, no sentido de que estimula as pessoas a buscarem o bem estar através de posses materiais e de um consumismo imoral. Esta conduta causou um aumento considerável do poder do dinheiro e perverteu seu uso. De meio para adquirir coisas necessárias, se transformou num fim em si, algo que se quer possuir, quando na realidade não é absolutamente nada por si mesmo.

Isto significa que as religiões atuais não tem futuro?Antes de responder esta pergunta queremos observar que respeitamos a todas as religiões, por tudo de melhor que tem a oferecer aos seus fiéis, para que eles possam viver a sua fé, dia após dia. Mas, tal como dissemos anteriormente,as consciências e as mentalidades tem evoluído muito desde sua aparição de maneira que suas crenças parecem ter sido superadas aos olhos de um número cada vez maior de pessoas, especialmente entre os jovens. Como não puderam, não souberam ou não quiseram atualizar seus ensinamentos acreditamos que estão destinadas a desaparecer a médio prazo.Então, só restarão delas os monumentos que construíram para ampliá-las ao longo dos séculos, assim como os textos que as definem, incluindo os que consideram sagrados, como a Bíblia, o Corão, os Upanishads, o Triptaka, etc.

Voltando ao assunto do dinheiro, não se trata de cair na caricatura da demagogia. Sendo uma moeda de troca, consideramos que é uma necessidade para viver em sociedade. Todos precisamos dele para adquirir o necessário para nosso bem estar material e para satisfazer os prazeres legítimos que a existência pode nos oferecer. Entretanto, com o passar do tempo, ele adquiriu demasiada importância, ao ponto de condicionar e governar praticamente todos os setores da atividade humana. Atualmente, é objeto de um verdadeiro culto que substitui a religião e que reúne grande número de adeptos no mundo. Desgraçadamente, todos os dias sacrificam-se em seu altar os valores éticos mais elementares ( a honestidade, a integridade, a igualdade, a solidariedade, etc.) de tal maneira que representa, mais do que nunca, um vetor de degradação.

Não há porque concluir por causa do exposto acima que os Rosacruzes são partidários do "voto de pobreza" e que pensam que a riqueza material e a espiritualidade são incompatíveis entre si. Desde que o ser humano apareceu na Terra, sempre buscou melhorar suas condições de vida e ser feliz. Esta tendência é parte intrínseca de sua natureza profunda e é preciso incluí-la no processo que chamamos "evolução". Entretanto, isto não quer dizer que o propósito da existência seja tornar-se rico, mas não é natural nem normal aspirar a ser pobre.Por outro lado, o fato de estarmos desprovidos material e financeiramente não faz que sejamos melhores no aspecto humano e não é considerado um critério de elevação espiritual, como tão pouco o é o fato de ser rico.

Segundo os rosacruzes, a felicidade a que aspiram os seres humanos mais ou menos conscientemente, se acha no equilíbrio entre o material e o espiritual, e não na exclusão de um ou de outro. É esta a razão pela qual qualquer indivíduo que se dedica unicamente à espiritualidade, ao ponto de privar-se dos prazeres legítimos da vida, não pode ser feliz. E o mesmo sucede com aqueles que fazem de suas posses materiais o único fundamento de seu bem estar e de sua felicidade. Isso explica porque uma quantidade cada vez maior de pessoas que se consideram abastadas, se sentem profundamente infelizes. Se é assim é porque sofrem de um vazio interno que "todo ouro do mundo" não pode preencher. Daí vem o ditado "o dinheiro não compra(traz) felicidade", embora de certo modo seja capaz de contribuir para alcançá-la.

Se admitimos que o ser humano não é composto exclusivamente de um corpo material mantido vivo mediante um conjunto de processos fisioquímicos, mas também possui uma alma, podemos facilmente compreender que esta necessita também de certa forma de alimento: ou seja, a espiritualidade. Mas o que é espiritualidade? Com base no que já dissemos antes, a espiritualidade transcende a religiosidade. Dito de outro modo não se limita a crer em Deus e a seguir uma crença religiosa, por mais respeitável que ela seja. Em realidade, consiste na busca do sentido profundo da existência e em despertar gradualmente o melhor de nosso ser. Entretanto esta busca de sentido e aperfeiçoamento está cruelmente ausente na atualidade, daí se origina o estado caótico do mundo e o desanimo em que mergulhou nas últimas décadas.

A maior parte das pessoas, sem distinção de países ou de nações, experimenta a sensação de encontrar-se em um túnel obscuro cuja saída ninguém conhece, nem sequer aqueles que os dirigem e os governam. Por outro lado não tem consciência de que a luz que esperam ver brotar , somente poderá vir deles mesmos, e em nenhum caso de uma fonte externa. Isto nos traz de volta a espiritualidade e a necessidade de buscar as soluções para os problemas que pesam sobre os ombros da humanidade fora do mundo material. Mas talvez você seja daqueles que não crê na existência da alma, e obviamente está plenamente no seu direito. Em tal caso, se você quiser, deixe-nos fazer as seguintes perguntas, para serem respondidas no tempo de cada um:
  • Ao que você atribui ao que comumente se chama "voz da consciência"?
  • Como você explica a aptidão que tem o ser humano de demonstrar, entre outras virtudes, sentimentos como a benevolência, a generosidade, a compaixão e o amor?
  • Realmente acredita que as mais formosas obras de arte, sejam pinturas, esculturas, musica ou qualquer outra, se originaram primeiro nas mentes daqueles ou daquelas que as criaram?
  • Como se explica que milhões de homens e mulheres no mundo tenham experimentado a morte clínica, para logo voltar a vida com a lembrança do que "viram" e "ouviram" neste local que comumente as pessoas chamam de "o além"?
  • Você realmente crê que, se a existência da alma fosse apenas uma quimera, os maiores pensadores e filósofos que a humanidade conheceu não a haveriam admitido como uma verdade óbvia?

Todos os seres humanos certamente possuem uma alma. Do nosso ponto de vista é ela que nos converte em um ser vivo e consciente, capaz de pensar e de sentir emoções. Do mesmo modo, é nela que se encontra o que de melhor existe na natureza humana. Se vivemos na Terra é precisamente para conscientizar as virtudes e expressá-las através de nossos juízos e nossa conduta. Desgraçadamente demasiado poucas pessoas se dedicam a isso, incluindo entre estes os crentes e temos aqui a explicação de porque a maledicência, a intolerância, o egoísmo, o ciúme, a prepotência e o ódio estão também presentes no mundo com todas as suas consequências, em termos de injustiças, conflitos, desigualdades e sofrimentos. Esclarecendo que o mal só existe pela ausência do bem e tem sua origem unicamente no comportamento humano. Não é pois, nem obra de Deus, nem obra do diabo, que nunca existiu, como tampouco os demônios que se supõe, executam suas ordens.

E aonde fica Deus agora? Durante séculos os crentes viram nÊle um ser antropomórfico que residia em algum lugar dos céus e que controlava o destino de todos os seres humanos. Zelosos em agradá-lo com o objetivo de conseguir seus favores, obedeceram e continuam obedecendo os preceitos apregoados pelas religiões cuja base se acha em seus Livros Sagrados. Mas é preciso admitir que crer em Deus e conformar-se com uma crença, que se diz que Ele inspirou, não basta para ser feliz. Caso contrário, seriam felizes os milhões de crentes através do mundo, com exceção dos ateus. E, claro, não é o caso. Isso significa que a felicidade a que aspira qualquer ser humano se encontra além da religiosidade. Acha-se, de fato, na espiritualidade, no sentido que atribuímos acima a este termo.

Antes de expormos a você nosso conceito de Deus, porque cremos que Ele exista, e porque o ateísmo, embora respeitável em si, é um erro de julgamento: sejamos crentes ou não, ninguém pode negar a existência do Universo. Então, do ponto de vista racional, o Universo é necessariamente o efeito de uma causa criadora. E posto que está regido por leis que os próprios cientistas admiram, segue-se que esta causa é muito inteligente. Partindo disso, porque não atribuir esta causa a Deus e ver nEle a inteligência absoluta e impessoal que deu origem a um centro de energia com a dimensão de um átomo, o qual continha potencialmente o conjunto inteiro das galáxias, das estrelas, dos planetas e de todos os astros que atualmente existem, incluindo nossa Terra.

A verdadeira pergunta que devemos fazer a respeito de Deus não é se Ele existe ou não, mas sim saber em que medida intervém na vida dos seres humanos. Em nosso ponto de vista, Ele o faz na medida que respeitamos as leis mediante as quais Ele se manifesta no Universo, na Natureza e mesmo no ser humano. Isto significa que devemos estudar estas leis, coisa que o rosacruz sempre tem feito. Vocês observaram que nossa maneira de estudar a Deus e o papel que desempenha em nossa existência é mais científica que religiosa. A A.M.O.R.C. jamais se opôs à ciência; pelo contrário. É por isso que a Universidade Rosacruz Internacional e a A.M.O.R.C. as tem patrocinado e apoiado, incluindo uma seção de ciências físicas.

Mais do que nunca, é tempo de passar da religiosidade à espiritualidade, quer dizer, chegou a hora de substituir definitivamente a simples crença em Deus pelo conhecimento das leis divinas que no fim das contas são as leis universais, naturais e espirituais. É precisamente nesse conhecimento e na sabedoria que provém dele, que se acha o bem estar que todos buscamos, incluindo o bem estar material. Um antigo ditado rosacruz reza que "o homem tem que se libertar da ignorância e unicamente da ignorância". Com efeito é na ignorância que se origina tudo de pior que o ser humano é capaz de fazer contra si, contra os demais e seu meio ambiente. Ela também é a fonte das múltiplas superstições que aviltam a humanidade e a impedem de alcançar seu pleno desenvolvimento. Então, é hora de dar à sua vida uma orientação espiritualista. Ou seja, não ser apenas um ser vivo; ser também uma alma vivente...

Talvez você esteja se perguntando sobre nossa opinião sobre o secularismo, o pensamento laico. Enquanto as religiões clássicas e modernas, orientais e ocidentais, estão fundamentadas e estruturadas de acordo com sistemas autocráticos, pensamos que o secularismo é uma absoluta necessidade, com o objetivo de preservar a sociedade contra qualquer tipo de desvio teocrático. Sendo assim esperamos que os tempos nos conduzam até a espiritualidade, assumindo-a como uma busca de conhecimento e sabedoria e que ela passe a fazer parte dos nossos hábitos, para assim dirigirmos uma vida cidadã. A partir de então, política e filosofia serão a mesma coisa, e serão inspiradas pelo "amor à sabedoria", de modo semelhante ao apogeu da civilização grega. Lembremos que este foi o berço da democracia e que a ele devemos entre outras coisas a noção de república. Lembremos ainda que a maioria dos filósofos que lhe deram vida eram espiritualistas.

CHAMADO AO HUMANISMO

Se não lhe apetece responder nosso chamado à espiritualidade, convidamos você a demonstrar seu humanismo em todos os dias de sua vida. Na "Declaração Rosacruz dos Deveres do Ser Humano", editada pela A.M.O.R.C. em 2005, diz o artigo 10: "Todo indivíduo tem o dever de considerar a humanidade inteira como sua família, e de comportar-se em qualquer circunstância e em qualquer lugar como um cidadão do mundo, tomando assim o humanismo como a base de seu comportamento e de sua filosofia". É evidente que se todos os seres humanos cumprissem este dever , uns com os outros, a palavra humanidade faria todo sentido, de maneira que seria na Terra a viva expressão da fraternidade, em sua aplicação mais nobre e mais universal. Desse modo, deduz-se que a paz reinaria entre todos os povos e todas as nações.

Mas que quer dizer "ser humanista"? Em primeiro lugar trata-se de considerar que todos os seres humanos são irmãos de sangue e que as diferenças que se notam entre eles são apenas aparentes. Sendo assim, não apoiamos o dogma de que toda a humanidade descenderia de um único casal original, chamados Adão e Eva, segundo o Antigo Testamento. Seja do ponto de vista ontológico, seja do ponto de vista científico, tal afirmação não tem fundamento. Com efeito, tal ascendência, por causa da consanguinidade, teria causado rapidamente uma grande degeneração física e mental. Acreditamos que os seres humanos emergiram do reino animal, que tem se submetido a um processo de evolução extremamente longo e lento da vida, tal como se manifestou desde sua aparição na Terra. Em qualquer caso, todos compartilhamos o mesmo genoma e o sangue que flui pelas nossas veias é o mesmo. Mais do que uma fraternidade, formamos a humanidade, em si mesma.

Como sabem, alguns antropólogos afirmam que existem tres, ou mesmo quatro raças: branca, amarela, negra e vermelha. Fazem alguns anos esta distinção foi abandonada pela maioria dos cientistas que preferem adotar a noção global de espécie humana. Ao fazer isso, por acaso esperam retirar dos racistas qualquer argumento do tipo fisiológico? Mesmo assim, não é necessário ser racista para admitir a existência de diferentes raças, já que não se pode negar por exemplo que um europeu, um asiático e um africano correspondem a tipos humanos que muito claramente se distinguem em sua morfologia. Racismo seria pensar e pregar que uma raça seja superior a outra, particularmente aquela a que pertencemos. Sem dúvida, está claro que o verdadeiro humanista considera que todos os seres humanos são as células de um mesmo corpo: o corpo da humanidade.

Um grande numero de pessoas tendem a preferir aqueles que pertencem a sua mesma "raça", a sua mesma nacionalidade, aqueles que compartilham as mesmas idéias políticas ou pertencem a mesma religião, já que isso os reconforta e lhes dá segurança. Sem dúvida não é uma razão para rechaçar os demais, ou pior ainda, odiá-los. Um humanista digno deste título, respeita todas as diferenças, com a condição, naturalmente, que não afetem nem a dignidade, nem a integridade de uns e de outros. Quer dizer, demonstra tolerância, e jamais se comporta como se fosse ou se sentisse superior. Isto é uma demonstração de inteligência, já que a intolerância em todas as suas formas é geralmente um atributo da  insensatez e (ou) do orgulho. Desgraçadamente esta deficiência, ou melhor dizendo, este defeito, é um dos mais comuns e dele partem muitos conflitos que opõem os homens entre si.

A propósito da tolerância, lembramos que um dos lemas da A.M.O.R.C é "a maior tolerância na mais total independência". E esta a razão pela qual a Ordem é formada por cristãos, judeus, muçulmanos, etc., mas também por pessoas que não tem uma religião determinada. Alguns inclusive são ateus, mas admiram o caráter de fraternidade de nossa Ordem. Por outro lado, a Ordem reúne desde sempre homens e mulheres de todas as categorias sociais, e que tem opiniões políticas diferentes, inclusive opostas. Se para além de suas diferenças, os rosacruzes são capazes de respeitar-se mutuamente e de sustentar relações harmoniosas, porque a humanidade não poderia fazer o mesmo?

Você seguramente conhece o mandamento de Jesus: "Amai-vos uns aos outros!" que esclareceu dizendo que não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam. Sejamos ateus ou crentes, e no último seja qual for a nossa religião, não se pode negar que este mandamento resume por si só o ideal de compromisso que cada um deveria ter em suas relações com os outros. E se não somos capazes de ver em Jesus um mestre espiritual, ou um messias, ou um redentor venerado no Cristianismo cada um e todos deveriam pelo menos reconhecer que ele foi um humanista excepcional e que revolucionou os costumes de sua época pregando a solidariedade e a paz, ao ponto de recomendar que amássemos nossos inimigos.

A sociedade atual se tornou demasiado individualista já que o "cada um por si" se tornou um costume cultural. Sob o efeito combinado do materialismo e da crise econômica e social que o mundo atravessa faz algum tempo, cada vez mais as pessoas tendem a se preocupar apenas com seu próprio bem estar e a ser indiferente ao que se passa com os demais. Este tipo de atitude afasta as pessoas umas das outras e contribui para desumanizar a sociedade. A isto agreguemos o fato de os meios de comunicação terem substituído o intercâmbio direto, de modo que não temos mais tempo para falar com os nossos familiares ou com nossos vizinhos, enquanto nos orgulhamos de termos um monte de amigos (virtuais) nesta ou naquela rede social. Que paradoxo! Precisamos reaprender a dialogar no contato físico com os outros, de coração a coração, ou melhor, de alma a alma.

Podemos ler no "Positio": "Percebemos que cada vez mais aumenta o abismo entre os países mais ricos e mais pobres. Pode-se observar o mesmo fenômeno em cada um dos países mais miseráveis e nos mais favorecidos". A situação não para de piorar já faz muito tempo. nenhum humanista pode resignar-se a aceitar esta situação, particularmente porque a pobreza e a miséria não são realmente uma fatalidade, mas sim o resultado de uma péssima gestão dos recursos naturais e dos produtos da economia local, regional, nacional e mundial. Isto significa que a pobreza e a miséria se deve essencialmente ao egoísmo dos homens e a sua total falta de solidariedade. Sem dúvida, estando consciente ou não, sua sobrevivência depende agora mais do que nunca de sua aptidão a compartilhar e cooperar, não somente entre cidadãos de um mesmo país, mas também entre países. Em termos místicos, diríamos que, sob os efeitos da globalização, seus respectivos karmas estão ligados de tal maneira que nenhuma nação poderá prosperar a longo prazo sem preocupar-se com aquelas outras que ainda estão necessitadas.

Agora que fizemos referência a globalização,acreditamos que ela é irreversível e, pois, é inútil opor-se a ela. Desde que o homem apareceu na face da Terra, não parou de estender seu campo de ação e relação, primeiro de um clã a outro, de uma cidade a outra, de um país a outro e, finalmente, de um continente a outro. Com o desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação, o mundo se tornou um só país. Trata-se de uma evolução com a qual deveríamos alegrar-nos, já que representa um vetor de mútua compreensão e de paz entre os povos. Sem dúvida este processo está apenas no início e enfrenta a diversidade de culturas, de mentalidades, de sistemas econômicos e políticos, de modo que ainda está na etapa de exacerbação das desigualdades. Esta é a razão pela qual pensamos que se deve acelerar o processo e dar-lhe uma orientação humanista, para lograrmos o bem estar de todos.

Abordemos agora um ponto totalmente diferente: o individualismo não é o único obstáculo que tem o humanismo, tal como o imaginam e supõem os rosacruzes; falemos também da importância que as máquinas tem adquirido na mecanização e na robotização da indústria. De fato, tais máquinas deveriam limitar-se a auxiliar os seres humanos nas tarefas mais difíceis, mas, ao contrário, elas os estão substituindo, por razões de rentabilidade e de ganância. Esta maquinização excessiva da sociedade tem contribuído não só para desumanizá-la, mas também para aumentar a enfermidade social que é o desemprego. Logo, se tornou urgente devolver o lugar ao ser humano em todos os setores aonde seja possível, rompendo com este dogma materialista que consiste em pensar e dizer que "tempo é dinheiro".

Ademais os seres humanos não são unicamente irmãs e irmãos de sangue, sem importar as "raças"; são também almas gêmeas que provém de uma mesma fonte espiritual, ou seja, a Alma Universal. A diferença intrínseca entre eles é seu nível de evolução interior, quer dizer, o grau que cada um alcançou na consciência de sua natureza divina. Acrescentamos que apoiamos a idéia de que cada indivíduo reencarna o número de vezes que seja necessário para alcançar esta consciência e o estado de sabedoria, tal como podemos manifestá-lo nesta Terra. Se admitimos este principio, ou melhor dizendo esta lei, compreenderemos que as diferenças que existem entre os indivíduos quanto à sua maturidade, sua profundidade de espírito, seu senso de responsabilidade e seu humanismo, se devem essencialmente ao fato de que alguns tiveram um número de reencarnações maior do que outros. Visto desse ângulo, nenhum ser humano pode ser superior a outro; simplesmente alguns são mais evoluídos espiritualmente que outros.

Mesmo que não creia em Deus, é preciso que um humanista tenha fé no ser humano e na sua capacidade de superar-se, transcender-se, para expressar o melhor de si mesmo. É certo que, quando se observa a historia da humanidade e sua atual situação, pode-se ter a impressão de que os seres humanos são profundamente individualistas e que se dedicam a prejudicar-se mutuamente, sob os efeitos de suas debilidades e de seus defeitos. Entretanto, para além destas aparências, sua consciência tem evoluído. Em todo o mundo, cada vez mais pessoas se rebelam contra as injustiças e as desigualdades, se manifestam contra as guerras e a favor da paz, denunciam as ditaduras e outros regimes totalitários, e exortam a todos a uma fraternidade mais forte, ajudam os que nada possuem, se envolvem na proteção e conservação da natureza, etc. Se assim sucede é porque todo ser humano, sob o impulso de sua alma, aspira, com disse Platão, ao Bem, ao Belo e a Verdade. Simplesmente deve tornar-se consciente e, consequentemente, agir.
No transcurso da história, os homens tem demonstrado que são capazes de realizar coisas extraordinárias quando recorrem ao mais nobre e engenhoso da natureza humana. Seja na área da arquitetura, da tecnologia, da literatura, das ciências ou das artes, ou também no que se refere as relações entre cidadãos de um mesmo país ou de nações distintas, soube demonstrar sua inteligência, sua criatividade, sua sensibilidade e provou que são capazes de solidariedade e fraternidade. Apenas constatar este fato é reconfortante já que nos confirma que o ser humano está inclinado a fazer o bem e a promover a felicidade de todos. É precisamente por esta razão que é necessário ser humanista e ter fé no ser humano.

CHAMADO A ECOLOGIA

Pensamos que não se pode ser humanista sem ser ecologista. Com efeito, como se pode querer a felicidade de todos os seres humanos sem preocupar-se com a conservação do planeta em que vivemos? Está claro que a maioria das pessoas sabe que está em perigo e que os humanos são, em grande parte, responsáveis por isto: com todos os tipos de contaminação, destruição de ecossistemas, desflorestamento excessivo, massacre de diversas espécies animais, etc. Quanto ao aquecimento global, a maioria dos cientistas está de acordo que se a atividade humana não o provocou pelo menos o tem acelerado bastante, principalmente os gases do efeito estufa. Por outro lado, entre os cientistas, vários relacionam este aquecimento com o aumento de tempestades e outros tipos de cataclismos, com tudo o que resulta em questão de perdas humanas  e destruições materiais. Seja como for, é evidente que se nada for feito a curto prazo no mundo inteiro, para deter os males que infligimos ao nosso planeta, o mesmo se tornará um local inviável para milhões de pessoas, talvez até para toda a Humanidade.

Nas civilizações antigas a Terra foi considerada a mãe de todos os seres vivos, e por isso lhe rendiam um culto, o culto da Mãe Terra. Atualmente, já não existem povos antigos como os aborígenes da Austrália, as tribos indígenas da Amazônia e os pigmeus da África para citar apenas os mais conhecidos, que conservem estas tradições. Quanto aos seres humanos modernos, passaram a olhar para ela como uma espécie de fonte que fornece diversas lucros, a ponto de explorá-la acima do razoável e em detrimento de sua saúde. Se utilizamos a palavra "saúde" ao falar de nosso próprio planeta é porque para nós trata-se de um ser vivo e inclusive, consciente. Basta que consideremos as forças vitais que ela exibe na natureza e a inteligência que expressa através de seus diferentes reinos, sem mencionar todas as coisas que constituem sua beleza. Isto é tão verdadeiro que mesmo um ateu iria endeusá-la e considerá-la uma obra prima da criação.       

Segundo os cientistas a Terra surgiu há 4500 bilhões de anos e o homem fazem mais ou menos 3 milhões de anos. Entretanto, em menos de um século, a afetamos tanto que seu futuro e o nosso estão em perigo a tal ponto que seu estado é tema de reuniões de cúpulas internacionais. Infelizmente essas cúpulas são apenas teóricas e dão lugar a decisões e consensos que não são suficientes para reverter a situação. Envolvidos em contribuir para o despertar das consciências em relação à Ecologia, a A.M.O.R.C. publicou em 2012 um "alegato por uma ecologia espiritual" que foi lido no senado brasileiro durante a cúpula da Terra, no Rio de Janeiro. Outros colóquios sobre o mesmo tema tem sido realizados em diferentes países, mas as decisões que tomaram são realmente irrisórias em relação a situação além de chocarem-se, sempre, com os interesses socioeconômicos de uns e outros.

Os países desenvolvidos entre os quais se encontram os mais ricos do mundo, tornaram-se assim principalmente privilegiando a economia em detrimento da ecologia. É evidente que se as nações em desenvolvimento seguem o mesmo modelo econômico que se baseia na superprodução e em consumismo desenfreado os problemas ambientais que vamos enfrentar vão aumentar-se e agravar-se em grandes proporções. Hoje, é infelizmente o caminho que seguem as nações emergentes, e não podemos culpá-las, se tomamos em conta o exemplo que lhes foi dado. No atual estado de coisas só nos resta esperar que, apesar de tudo, rompam com este modelo e o substituam por um sistema que associe economia e ecologia. Seria uma formosa e útil lição para toda a humanidade.

Os rosacruzes não se consideram sonhadores utópicos, preocupados unicamente com o aspecto espiritual da existência. Claro, somos místicos, no sentido etimológico da palavra, ou seja, no sentido de homens e mulheres que se interessam pelo estudo dos mistérios da vida, mas sabemos que é aqui em baixo que há de se instalar o paraíso, que as religiões situam em uma região mais alta. Para alcançá-lo, os seres humanos devem aprender a administrar com sabedoria os recursos naturais e os produtos que eles criam; daí nasce a necessidade de fazer que a economia, em todos os níveis e em todos os aspectos, beneficie com igualdade a todos os povos e a todos seus cidadãos, respeitando tanto a dignidade humana como a natureza.

Que poderia levar todos os seres humanos a desenvolver uma economia ecológica? O medo de ser vitima do aquecimento global e das catástrofes que se relacionam com ele? Aparentemente não, já que o comum dos mortais que isto só acontece com os outros. Enquanto ele não sofra na própria carne, não se preocupa, limitando-se geralmente a compadecer-se daqueles que são vítimas; é capaz até de participar de algumas ações de caridade mas logo retorna a sua vida cotidiana, esperando que tais desgraças não o atinjam. Será preciso então que muito mais pessoas se sintam afetadas para que se rendam às evidências? De toda forma, nossa Mãe Terra está muito enferma e possivelmente, em breve, torne-se inviável para um grande número de seres humanos.

Independentemente do número crescente de catástrofes naturais que se multiplicam em todo o mundo, há que se observar também que segundo alguns cientistas, a expectativa de vida, que não parava de aumentar durante as últimas décadas, na maioria dos países, começa a reverter-se. Paralelamente o número de cânceres apresenta um forte aumento. Por que? Em grande parte porque o ar que respiramos, a água que bebemos e os alimentos que absorvemos estão gravemente contaminados (nitratos, fosfatos, pesticidas, corantes, conservantes) e isso leva inevitavelmente, a desarranjos orgânicos, celulares e inclusive, genéticos. Se a isso agregamos o consumo de álcool, tabaco e outras drogas que mostram atualmente um crescimento exponencial, não nos pode assombrar o fato de que a saúde do ser humano esteja ameaçada a curto prazo.

Outro perigo, e não menor, ameaça a saúde de um grande numero de indivíduos: a enorme quantidade de ondas eletromagnéticas emitidas por computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos. Carecemos de estatísticas a respeito desta contaminação eletromagnética, mas não há dúvida de que é a causa de diversas enfermidades. 
(NOTA do Tradutor: a afirmação acima é correta: "Carecemos de estatísticas a respeito desta contaminação eletromagnética". Portanto a afirmação seguinte (não há dúvida de que [esta contaminação eletromagnética] é causa de diversas enfermidades) não tem sustentação científica nenhuma, tratando-se apenas de uma opinião do autor do texto) 

Não pretendemos por em discussão a utilidade destes aparelhos, mas devem ser fabricados de modo que quem os utilize não seja alvo de diversas patologias, e isto é responsabilidade de quem os fabrica e de quem os vende. Entretanto, é preciso também que se esclareça, que grande quantidade de consumidores não tem o devido cuidado no uso que fazem destes aparelhos e abusam deles em detrimento de seu bem estar. Como exemplo, tem se observado que o número de tumores cerebrais tem aumentado consideravelmente, desde o aparecimento do telefone celular, particularmente entre os jovens.

(NOTA do tradutor: Na verdade, não existe tal observação documentada e não existem trabalhos científicos que confirmem esta afirmação de que aumentaram os casos de tumores cerebrais, principalmente em jovens desde o advento dos telefones celulares. Trata-se de mera especulação)

Entretanto, uma contaminação mais metafísica afeta a humanidade: os pensamentos negativos que os seres humanos geram, sob o efeito do ódio, da maldade, do rancor, da intolerância, da ira e do ciúme, etc. Em primeiro lugar estes pensamentos atuam negativamente sobre as pessoas que os manifestam ou os emitem, mesmo que não estejam conscientes objetivamente disto. Com o tempo acabam por causar-lhes problemas físicos ou psicológicos que podem originar enfermidades graves. Em segundo lugar este s pensamentos negativos infestam o inconsciente coletivo e o impregnam de vibrações negativas, que por sua vez, alimentam situações de ódio, maldade, rancor, etc. Ao contrário, todo pensamento positivo beneficia não somente a pessoa que o criou, mas também a consciência coletiva da humanidade. Sabendo disso, os rosacruzes se dedicam fazem muitos séculos, ao que designam com o nome de "alquimia espiritual".
(Nota do tradutor: Não sei quem é o autor do parágrafo a seguir deste documento, mas o mesmo conta com minha inteira desaprovação. Como médico, e desse modo, homem ligado a ciência, me repugna ver em um documento oficial da mais nobre Ordem entre as Ordens esotéricas, defensora da liberdade científica, uma tamanha coleção de tolices, inverdades e disparates disfarçados de afirmações bondosas. Principalmente o trecho sobre vacinas causa repulsa ao dizer, sem nenhum pudor, que vacinas diminuem a imunidade de quem as usa, uma sandice descabida, ainda mais que o século XX, graças as vacinas iniciadas por Louis Pasteur, contemplaram um salto do número de pessoas vivas de 3 milhões para 7 bilhões de seres humanos, 70% graças as vacinas e 30% aos antibióticos, que começaram com a penicilina, vinda de um fungo, o Penicillium notatum. Dizer que vacinas são de alguma forma perigosas revela ignorância e um forte pendor obscurantista, inaceitável em ambiente rosacruciano. Mesmo revoltado, publico e deixo a cada um sua interpretação.)

Aonde existem doenças, existe medicina. Embora reconheçamos que, junto com a cirurgia, ela tem feito grandes progressos e tem contribuído de modo importante para aumentar a saúde ela não está livre de fraquezas e até desvios. Como na maioria das áreas de atividade humana (a medicina) está debaixo da influência do dinheiro a ponto de ficarmos tentados a pensar que a "doença é a base do comércio" dos grandes laboratórios médicos e farmacêuticos. Hoje em dia está estabelecido que uma grande quantidade de medicamentos são placebos e só tem os efeitos que alguns crêem que tenham. Quanto aqueles cujos benefícios terapêuticos estão demonstrados, muitos apresentam efeitos secundários desastrosos. Observa-se o mesmo quando se trata de vacinas; sabemos que algumas tem contribuído para destruir as defesas imunológicas naturais dos seres humanos. Uma vez mais insistimos no fato de que não somos contra a medicina e a cirurgia, mas dizer que uma ou outra só tem como única meta atender e curar seria pura hipocrisia.

(fim do referido parágrafo)

Seja na área da medicina ou em outras, os seres humanos devem permanecer o mais perto possível da natureza. Quando se afastam, rompem as leis naturais e vão contra seu próprio bem estar. Mas por ignorância, orgulho e cobiça, tem dedicado demasiado tempo a querer dominá-la, quando em realidade deveriam cooperar com ela. Cegos por seu orgulho, esqueceram que a inteligência que a Natureza demonstra é infinitamente maior que a da humanidade e que seu poder praticamente não tem limites, exceto aqueles que ela mesma se impõe. É bem provável que o homo sapiens, nome que os cientistas têm dado a nossa espécie e que literalmente significa "homens que sabem que sabem" estão, todavia, muito longe de saber o essencial: devem tudo que são a natureza e não são nada sem ela.

Para nós a Terra não é apenas o planeta aonde vivem os seres humanos. Também serve de ambiente para nossa evolução espiritual e dá a cada um a oportunidade de realizar-se como alma vivente. Isto significa que tem uma vocação tanto terrestre como celeste, exatamente os que os mais sábios entre os pensadores e os filósofos tem ensinado em todos os tempos e em todos os lugares. Até que a humanidade tome consciência desta verdade e aja de acordo com ela, o materialismo e o individualismo que prevalecem atualmente só irão aumentar, com todas as consequências negativas que vem disso, contra a própria humanidade e a natureza. Mais do que nunca precisamos restaurar a Tríade Humanidade-Natureza-Divindade que está na origem de todas as tradições esotéricas e que a civilização deveria adotar. Enquanto assim não fizer, permanecerá no estado de sofrimento atual e será incapaz de alcançar o esta de harmonia que é sal meta final.

Como sabemos todos, a Terra é também um ambiente onde vive uma multidão de animais, alguns em estado selvagem, e os demais em estado doméstico. Sem dúvida eles também possuem uma alma, individual para os mais evoluídos, coletiva para aqueles menos evoluídos. De fato todos os seres vivos tem em comum serem animados pela Alma Universal e pela Consciência que lhe é própria. Sendo assim, cada um, dependendo do lugar que ocupe na cadeia da vida e do corpo que possua manifesta esta alma e esta consciência em graus mais ou menos elevados. Por esta razão não tem o mesmo nível de inteligência e de sensibilidade. Assim, pois, não existe vazio ou fronteira entre os reinos da Natureza já que a mesma Força Vital os anima e participam do mesmo processo de Evolução Cósmica, tal qual ele se manifesta em nosso planeta. Claro, o reino humano é o mais avançado neste processo mas isto não lhe dá nenhum direito sobre os demais; ao contrário, só lhe dá obrigações...

CONCLUSÃO

Aqui estão algumas idéias que queria compartilhar com vocês mediante este "Appellatio". Com efeito cremos que é urgente darmos uma orientação espiritual, humanista e ecológica aos nossos comportamentos individuais e coletivos. Mas se tivéssemos que dar prioridade a alguma área, esta seria a ecologia. Assim, pois, se a Humanidade chegar a resolver seus problemas econômicos e sociais de maneira duradoura, e se, de forma paralela, a Terra já não puder abrigar a vida, porque a Vida, na Terra, se tornou muito difícil, para a grande maioria dos seus habitantes, que interesse e que prazer haveria em viver aqui na Terra? Neste aspecto, aqueles e aquelas que governam os países e as nações tem uma grande responsabilidade, no sentido de que tem o poder de tomar decisões e fazer que sejam aplicadas. Entretanto, se os povos não mostram interesse pela Ecologia, e não fazem nada, cada qual no seu nível, para a conservação da Natureza, é evidente que a situação piorará e as futuras gerações herdarão um planeta que não será mais do que a sombra do que era.

Em segundo lugar, embora isto possa lhe surpreender, é a humanidade e não a espiritualidade que deve ser privilegiada. Colocar o ser humano no coração da vida social, respeitando a Natureza, só pode ser um fator de felicidade e bem estar para todos sem distinção alguma. Para isto, temos que ver em cada pessoa uma extensão do mesmo UM, para além das diferenças e incluindo as divergências. Trata-se de um processo muito difícil, já que cada um tem seu Ego que tende a tornar-se individualista e o leva a preocupar-se antes de mais nada consigo mesmo, com seus entes queridos e as pessoas com as quais compartilha certas afinidades. Levada ao extremo, é esta atitude egotista, inclusive egoísta, que origina as discriminações, segregações, divisões, oposições, exclusões e outras formas de rejeição entre os indivíduos. No lado oposto, o humanismo é sinônimo de compartilhar, de tolerar, ser generoso, ter empatia, em uma palavra: fraternidade. Baseia-se na idéia de que todos os seres humanos são cidadãos do mundo.

A necessidade de ser ecologista é relativamente evidente quando observamos o estado do planeta. Da mesma maneira, todo indivíduo suficientemente sensível e inteligente, compreende porque ser humanista é algo bom, mesmo que ele mesmo não seja. Por outro lado, não existe uma razão objetiva para ser espiritualista, considerando que é impossível demonstrar a existência da alma e de Deus, mesmo com o sentido que os rosacruzes lhe dão. Assim pois, embora a espiritualidade nos pareça essencial para ser feliz e dar a vida sua dimensão completa, entendemos que se possa ser ateu. Isto esclarecido, para nós é evidente que o Universo, a Terra e a Humanidade não se originaram por um Acidente, mas estão inscritos em um Plano Transcendente, para não dizer divino. É exatamente por esta razão que temos a faculdade de estudar a Criação e fazermos perguntas a propósito do sentido profundo da existência. Neste sentido somos atores e espectadores da Evolução Cósmica, tal como se expressa no cosmos e em nosso planeta.

Talvez você seja um humanista e um ecologista mas não um espiritualista. A menos que seja totalmente materialista, isto significa que, embora não acredite em Deus, você tem fé na natureza e no homem, o que é respeitável e louvável. Isto nos permite mostrar a diferença entre um materialista e um ateu. De maneira geral, o primeiro converte suas posses materiais no seu ideal de vida, mesmo com prejuízo da natureza e sem preocupar-se com os outros. O outro, o ateu, é geralmente um crente que não se reconhece, ou alguém que perdeu sua fé no sentido religioso da palavra. Seja como for, pensamos que a espiritualidade (e não a religiosidade) é em si mesma um vetor para o humanismo e para a ecologia, já que, como explicamos anteriormente, baseia-se no conhecimento das leis divinas, no sentido de leis naturais, universais e espirituais. Qualquer um que busque o conhecimento, mesmo que ainda não o possua, é idealista por natureza.

Os antropólogos acreditam que a humanidade moderna apareceu na Terra ao redor de 200.000 anos atrás. Na escala de uma vida humana pode parecer antiga, velha, mas em comparação com os ciclos da evolução se acha apenas na adolescência, demonstrando todas as característica desta etapa da vida: está em busca de identidade, de um destino, demonstra irresponsabilidade e inclusive inconsciência, acredita-se imortal, dedica-se a todo tipo de excessos, desafia a razão e desconsidera o senso comum. Essa etapa evolutiva com toda a sua carga de dificuldades, sofrimentos e fracassos, mas também de satisfações, conquistas e esperanças é um passo necessário, que a permitirá crescer, amadurecer, florescer e finalmente realizar-se nos planos material e espiritual. Mas para isso, precisa transformar-se em um adulto.

Para concluir, em respeito a tudo que foi dito antes, desejamos mais do que nunca que a humanidade se dê a si mesma uma orientação espiritualista, humanista e ecologista para que renasça na sua própria essência e ceda lugar para uma "nova humanidade", regenerada em todos os aspectos. Os rosacruzes do século XVII já exigiam esta regeneração no "Fama Fraternitatis". Rejeitado pelos conservadores religiosos, políticos e econômicos da época, este chamado precursor só foi atendido pelos livres pensadores. Com respeito a situação atual do mundo pareceu-nos útil e necessário renovar abertamente este chamado esperando que desta vez encontre um eco favorável e um número de pessoas muito maior.

Que assim seja.

6 de janeiro de 2014