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terça-feira, 19 de julho de 2016

LIVROS: M.MATTER "SAINT-MARTIN LE PHILOSOPHE INCONNU" e "OS ENSINAMENTOS SECRETOS"

 "Saint-Martin Le Philosophe Inconnu sa vie et ses écrits son maitre Martinez et Leus groupes d'apres des documets inedits", 1862 por M. MATTER.  

Livro de leitura obrigatória a qualquer agrupamento Martinista, desmistifica e corrige vários erros conceituais sobre o que viria a ser o martinismo, assim com corrige fatos históricos perpetuados até nossos dias por diversas ordens.

  • Para baixar "Saint-Martin, Le Philosophe Inconnu", clique aqui: Gallica.

Essa é a fonte em que bebeu Franz von Baader para escrever seu livro  "Les Enseignements Secrets de Martines de Pasqually, precedidos de uma informação sobre o Martinezismo e o Martinismo". Esse é outro livro de leitura obrigatória ao estudante sério de martinismo, infelizmente ainda sem tradução oficial, apenas livre a disposição dos grupos martinistas independentes.

  • Para baixar "Os Ensinamentos Secretos de Martines de Pasqually", clique aqui: Gallica.

  
Esse pode ser adquirido em português através da editora Madras, clicando aqui.


 




quinta-feira, 7 de julho de 2016

Esta vida é nossa décima primeira hora: trabalhe nela!


Esta vida é nossa décima primeira hora: trabalhe nela!
 Louis-Claude de Saint Martin
 
Vamos, então, nos preocupar com a vida real; com aquela obra ativa a qual devemos cada instante de nosso tempo e não deixemos de perguntar se haverá alguma futura angústia a temer ou não; tal será nossa preocupação e desejo de retidão.

O crime é a causa destes pensamentos desgastantes e o que leva o Homem ao crime é a inação, através do vazio da mente; o vazio da mente (espírito) joga o Homem no desencorajamento, fazendo-o acreditar que o tempo perdido não pode ser recuperado. Isto, de fato, pode ser verdade com relação a coisas feitas no tempo e para o tempo; mas será válido para o que pertence ao espírito? Não há tempo para o espírito... Não seria possível que um único ato realizado pelo espírito e para o espírito rendesse à alma tudo o que ela falhou em adquirir ou até mesmo tudo o que possa ter perdido pela negligência?

Devemos lembrar da "décima primeira hora", embora devemos também notar que, se aqueles que foram chamados àquela hora, receberam até mais do que sua devida paga, foi porque eles pelo menos trabalharam durante aquela hora, ao contrário, não teriam recebido nada; assim nós também não devemos ter nada a esperar, se, após termos passado as horas antecedentes de forma infrutífera, não completarmos nossa décima primeira hora, realizando a obra do Espírito.

Desde a Queda, só podemos ser meros trabalhadores da décima primeira hora, que, de fato, teve início no instante em que fomos privados de nossos direitos. As dez horas que precederam esta época, estão, por assim dizer, muito longe e perdidas para nós; assim a totalidade de nossa vida terrestre é realmente, para nós, senão a décima primeira hora de nosso verdadeiro e eterno dia, que embarca o círculo universal das coisas. Julgue a partir daí, se temos um momento sequer a perder!

Obstáculos e cruzes são pontos de partida: "Eu te digo, vigiai!" 

Ao mesmo tempo, tudo o que é requisito para um desempenho útil e proveitoso na obra desta décima primeira hora, nos é fornecido abundantemente; planos, materiais, instrumentos, nada é retirado de nós. Até mesmo os perigos e obstáculos aos quais nos deparamos e os quais se tornam nossas cruzes quando fugimos deles, são passos e meios de elevação quando superados; a Sabedoria, ao nos expor a eles espera que triunfemos.
 
Sim, se tivéssemos mantido nosso posto fielmente, o inimigo nunca teria penetrado a fortaleza, por mais poderoso que fosse. Mas, é necessário guardar todas as entradas com tal vigilância constante que, de qualquer forma que ele se apresente, possa nos encontrar alerta e com vigor para resistir. Um único instante de negligência de nossa parte, é suficiente para o inimigo, que nunca dorme, fazer uma brecha, ascender e capturar o indivíduo.

Vamos tomar coragem. Se nossa restauração espiritual requer, na realidade, todo o cuidado, devemos ao menos considerá-la assegurada se resolvermos, pelo menos, assumi-la, pois a enfermidade da alma humana é, se é que posso usar a expressão, apenas uma espécie de transpiração reprimida; o Soberano não cessa de nos administrar sudoríficos poderosos e salutares que tendem incessantemente a restaurar a ordem e a circulação.
 
A morte é compreendida em nossa obra; como ela é superada?
 
A morte mesmo, que também esta compreendida em nossa obra, é dirigida e graduada com a mesma sabedoria que governa todas as operações divinas. Nossos laços materiais são partidos progressivamente e de forma quase imperceptível. Crianças de tenra idade, emergidas em sua matéria, não têm idéia da morte porque a matéria não sabe o que é a morte, muito menos o que é a vida e o espírito.

Os jovens em quem o espírito ou a Vida começa a penetrar através de sua matéria, têm mais ou menos medo da morte, na medida em que estão mais ou menos imbuídos deste espírito ou vida e na medida em que sentem o contraste entre seu espírito e sua matéria.
 
Os adultos e os mais velhos cujo espírito ou vida se desenvolveu e que observaram fielmente a lei de seu ser, são preenchidos de tal forma com os frutos, quando seu curso termina, que olham para a demolição de sua cobertura material sem medo ou remorso, e até mesmo com prazer.
 
Este revestimento material, tendo sido perpetuamente impregnado com os frutos de suas obras, tem, ao mesmo tempo, quase imperceptivelmente se submetido à decomposição em sua fonte; se o tratamento restaurativo fosse seguido, encontraria naturalmente a sua dissolução final sem dor. O que pode ser concebido de mais doce e suave do que todas estas progressões, apontadas pela Sabedoria do Altíssimo, para a restauração do Homem?
 
Os poderes da Alma humana após a morte.
 
Mas se tão grandes são os prazeres adquiridos pela devoção ao Ministério Espiritual do Homem ainda neste plano, quais não serão então aqueles que a alma irá receber quando tiver se despojado de seus espólios mortais!
 
Vemos que nossos corpos, neste plano, estão destinados a desfrutar de todas suas faculdades e a comunicar-se uns com os outros. Quando eles não desfrutam de suas faculdades, não se comunicam, como verificamos com as crianças. 

Quando alguns corpos utilizam suas faculdades e outros não, os primeiros podem se comunicar com aqueles que não se comunicam e os conhecem enquanto que estes nada sabem sobre os primeiros. 

Isto se aplica a lei das almas: 

Aquelas almas que, neste plano, não desfrutam de suas faculdades estão respectivamente em absoluta insignificância; elas podem estar perto uma da outra, podem morar juntas sem transmitirem impressão alguma entre si. Esta é a situação da maioria das pessoas deste mundo, para não dizer, talvez, de toda humanidade; isto porque durante nossa jornada na Terra, nossas almas são umas para as outras, tal qual como as crianças; de fato, não comunicam nada em comparação com aqueles tesouros ativos com os quais deveriam ter enriquecido, naturalmente, umas as outras, se tivessem se mantido em sua harmonia primitiva.

sábado, 28 de maio de 2016

DARIO VELLOZO E O FIM DE SUA LINHAGEM MARTINISTA

Fonte da imagem clique aqui.

Dario Vellozo e o fim da sua linhagem Martinista

Já falamos anteriormente a respeito de alguns dos diversos ramos e linhagens Martinistas na atualidade. Estudamos as principais diferenças e ligações que cada uma delas têm com as demais, assim como sua forma de trabalho e material de estudo.

Conseguimos assim ter um panorama mesmo que parcial, de um grande cenário dessas ordens, linhagens, Iniciadores para nos situarmos melhor em nossa caminhada. Vimos também exemplos claros de “contra iniciação” propagados na atualidade tantos outros que utilizam nome da Ordem para benefício próprio unicamente, linhagens apenas de fachada e verdadeiras arapucas que tiram o sincero buscador da senda da Iluminação.

Apesar do “estudo das linhagens” não ser um tópico oficial dentro do estudo martinista - por considerarmos irrelevantes as diferentes siglas que cada uma carrega e por haver trabalho mais sério a ser realizado, interna e externamente pelo martinista – com intuito de instruir nossos Irmãos quanto a história do Martinismo, vamos continuar com estudo das linhagens que, dentro de duas ou três reuniões findaremos.

Em especial trataremos hoje da linhagem do primeiro martinista no Brasil, Apolônio de Tyana “Dario Vellozo”, amplamente conhecido de todos nós. 

Sua história e cronologia pode ser lida na história da “Loja Luz Invizível” com maiores detalhes, recomendamos a leitura com reservas do texto clicando no link ao lado: "A Loja Martinista Luz Invizível": 
http://www.hermanubis.com.br/Artigos/BR/junho2012ArevitalizacaodahistoricaLojaMartinistaLuzInvis%EDvel.asp


Fonte da imagem Mube Virtual

O fim da linhagem de Dario Vellozo

Dario Vellozo morreu em 1937 sem deixar outro Iniciador em seu lugar. Seus iniciados em sua maioria eram de Associados, Iniciados e poucos S.I., nenhum entre seus iniciados teria atingido a condição de Iniciador. Assim apesar de ter militado por 37 anos no martinismo, não fez outros Iniciadores e ao morrer, levou consigo encerrando com ele sua linhagem.

Porém muitas famílias citadas no supracitado texto sobre a “Loja Luz Invizível”, guardaram os pertences de seus membros, como cadernos de anotações, cartas, certificados de graus, paramentos e tantas outras relíquias históricas. Os antiquários e sebos ainda vendem tais documentos. Assim não houve sequência de Iniciação após a morte de Dario Vellozo. Hoje o que há apenas, são registros esquecidos na história e de valor unicamente histórico, mais nada. Levantar a bandeira se dizendo detentor dessa linhagem, é um tremendo engano.

Para uma linhagem ser válida, ela precisa ser ininterrupta e a iniciação transmitida na presença física, como exemplo vamos citar a Ordem Martinista dita de “Papus” (a primeira que já estudamos de Gerard Encausse, Papus), em resumo onde após sua morte outro Iniciador tomou a direção da Ordem até esse comando chegar em seu filho Philippe Encausse também iniciado e esse para Emilio Lorenzo atual diretor da Ordem. Essa sequência de transmissão não ocorreu no caso de Dario Vellozo e seus iniciados. 

Lembramos também que alguns anos antes de falecer (1937), Dario já doente recebeu Cedaior e Jehel (Maschevilles) que chegam ao Brasil depois especialmente em Curitiba/PR, e o comando “administrativo” da Ordem foi transferido para eles, sem ter havido qualquer troca de iniciações entre eles. Assim ao falecer Dario Vellozo levou consigo a sua linhagem, dando término a mesma.

Assim podemos afirmar baseado nessa vasta documentação histórica, assim como também por outro lado, pela falta de comprovação documental que mostre o contrário, que atualmente poderá existir apenas uma afiliação de desejo, uma ligação espiritual ou até mesmo apenas como homenagem histórica a esse lumiar que nos precedeu, martinista, maçom e professor conhecido como Dario Vellozo. Não há linhagem martinista vigente vinda dele.


Hoje seu legado espiritual é o Instituto Neo Pitagórico - I.N.P., fundado em 1909 baseado na filosofia grega-pitagórica basicamente. Lá não há iniciações, rituais, linhagens, transmissões nem algo do gênero. Não há reuniões de lojas de qualquer ordem em suas dependências mesmo que secretamente. Também não representam oficialmente nem extraoficialmente, nem mantém laços de amizades, nem reconhecimento, muito menos tratados diversos com qualquer ordem martinista, maçônica, rosacruz, seja nacional ou internacional. 


Sobre a Loja Luz Invizível.

Atualmente a “Loja Martinista Luz Invizível” encontra-se ativa trabalhando de forma livre e independente sob o manto do silêncio, não está vinculada a qualquer Ordem Martinista da atualidade.  A loja não detém qualquer linhagem ininterrupta vinda de Dario Vellozo nem dos Mascheville, tem antes uma afiliação por desejo em perpetuar o pioneirismo histórico martinista de Apolonio de Tyana. Seus membros não utilizam material de qualquer ordem martinista, praticam o primeiro, simples e profundo ritual martinista de 1886. 

A Loja também não tem vínculos de reconhecimento nem tratados estabelecidos com ordens outros grupos martinistas ou maçônicos.


Grupos e Ordens Martinistas "sérias".

Não aprofundaremos novamente o tema já abordado sobre as formas e estruturas do Martinismo, seja de forma livre e independente ou estruturado hierarquicamente em Ordens.

Os melhores grupos são aqueles que longe de propagandas e de suntuosos websites, são grupos unidos por afinidades pessoais e Iniciáticas entre seus membros que com o mesmo ideal vivem harmonia entre si, e esses com martinismo em geral, são portanto, grupos homogêneos. Já as ditas ordens tendem a ter uma diversidade maior entre membros, não muito afins entre si e graus de sintonia diversos tornando-os mais heterogêneos.


Correríamos no engano em sugerir alguma ordem, não além de apontar aquelas já comentadas nesse website.

Referências:

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ATUALIZAÇÃO:  O BLOG ROSACRUZES como esclarecimento e complemento ao texto acima, indica as seguintes ordens abaixo:
  • OM&S - Ordem Martinista & Sinárquica - Ordem com linhagem ininterrupta, trabalha de forma séria e organizada território nacional.
  • TOM - Tradicional Ordem Martinista - Depois da OM&S é a mais antiga em funcionamento até a atualidade; bem estruturada e com material de estudo próprio.
  • OM - Ordem Martinista "de Papus" - Já esteve presente no Brasil no passado, atualmente funciona em sigilo no Brasil como um círculo.
  • OMCC - Ordem Martinista dos Cavaleiros de Cristo (linhagens LaCava e Remi Boyer) - A OMCC não tem representante geral para todo o Brasil, possui apenas 3 lojas que se remretem diretamente ao Grão Mestre na França (Remi Boyer). A Linhagem LaCava esteve presente desde década de 80 mas com a saída dele do movimento martinista, deixou de existir, deixando grupos esparsos pelo Brasil.
  • GOCPL - Grande Ordem dos Cavaleiros de Philippe de Lyon - Grupo que descente do mestre Thot da Egrégora Expectante da linhagem de Cedaior e Sevananda, hoje comandada belamente pela sua Matriarca a qual mantem o grupo unico e coeso, de forma simples, profunda e direta. Lembramos que Thot jamais passou o comando de sua linhagem martinista a quem quer que seja, nem deixou por escrito para que acontecesse após sua morte; seu labor martinista está unicamente dentro da GOCPL mais nada além.




sexta-feira, 15 de maio de 2015

Martinismo, Tão Nobre Quanto Raro



Martinismo, Tão Nobre Quanto Raro
Por um S.I.

Caro Amigo Desconhecido,

Se você chegou até aqui e está lendo esse texto, provavelmente tem algum interesse em saber mais um pouco sobre o martinismo. Saber realmente o que seja o martinismo e praticá-lo é tão nobre quanto raro. Se dizemos nobre é pela profundidade e poder de transformação e Iniciação Real que o martinismo possui, apesar de extremamente raro aqueles que o põe efetivamente em prática.

Devido a vasta selva na qual se encontra a multiplicidade de ordens martinistas, ingressar em uma delas não apresenta alguma dificuldade, por mais gloriosa que ela aparente ser. Em se tratando de aparências, este meio diga-se de passagem, é um vasto e produtivo gerador de vitrines e aparências maiores ainda, por sinal nada raro pelo contrário. Neste quesito ao menos a prática aparente é intensa e amplamente demonstrada.

Sobre esse ponto vemos facilmente a exposição de vastos certificados e currículos ditos iniciáticos, com seus nomes apostos com longas e intermináveis siglas após o mesmo. Vejo nisso de imediato algo contraditório quando lembro de sábias palavras:

"Quem é o maior no Reino dos céus?
Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus".  ~ Mateus 18:1-4

Ou ainda nas palavras do filósofo:

"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar". ~ Friedrich Nietzsch

Bom, qualquer um de nós desde tenra idade adquirimos costumes e aprendemos pelos exemplos que nos foram passados, ou seja, há diversas formas de se ensinar alguem porém é pelo exemplo dado que realmente transmitimos algo realmente válido e é por essa mesma transmissão de nossos antepassados que crescemos e atingimos o "céu" de nossa evolução espiritual, neste caso. Nisso tanto Mateus como Nietzsch que em outras palavras no sentido contrario, dizem que quanto maior e mais aparecer, de fato menor se é.

Aqui já se nota a extrema importância dos antepassados seja na familia ou mesmo no martinismo o qual chamamos de LINHAGEM. Certificado não é linhagem, é apenas papel. Linhagem como ja dito é a transmissão espiritual dada a quem recebe em forma de exemplos, atitudes, posturas e o aprendizado da Arte muito conhecido na relação Aprendiz-Mestre, ou entre os orientais Chelas-Gurus. Maus exemplos geram mau aprendizes que futuramente irão gerar mais maus mestres em um círculo vicioso.

Nesse ponto são válidas as premissas éticas básicas em uma sociedade civilizada, caráter assim como a boa educação, tratamento interpessoal, inteligência emocional e também de suma importância os princípios MORAIS. Se a ordem ou o dito iniciador que você está a procurar falta com alguns desses pontos básicos, fuja pois é uma tremenda gelada, assim como se um dia escutar coisas como "Eu apenas deixo a iniciação a disposição de todos" ou "Eu sou a Ordem", mais gelada ainda pois Mestre que se digne, irá lhe acompanhar por todos os passos que por ventura der dentro da Ordem, mete a mão na massa!

Voltando ao martinismo e sobre o "Ser" e o "Aparecer", de fato SER requer antes de mais nada uma boa educação, bons exemplos recebidos e acima disso a prática sincera; SER é se tornar naquilo que se deseja. Requer esforço, trabalho e muita paciência.

Já o "Aparecer" é o caminho curto e oposto do anterior; não se requer esforço nem trabalho; não há o desejo de se tornar naquilo que se busca e na maioria dos casos, há forte contradição entre aquilo que se é no momento e naquilo que se quer aparentar Ser. A isso damos o nome de HIPOCRISIA. Ou seja, não faz o que se prega, pelo contrário.

Assim o amigo que busca pelo martinismo, precisa estar atento nessa miríade e multiplicidade de instituições, grupos, ordens e personagens que "misteriosamente" se destacam e acabam aparecendo por demasia. Procure sempre ter como referência o exemplo vivo e não a letra morta, o papel aceita qualquer coisa.

Não é se entrando numa ordem ou em um grupo que você se tornará assim por dizer, Martinista. Até mesmo porquê lá você encontrará pessoas assim como você, com as mesmas ou até mais imperfeições, medos, anseios e que diferem apenas no tanto que ja leram, mais nada. Todos procurando (ou deveriam) se tornarem uma pessoal melhor dia após dia.

Martinista se faz se tornando naquilo que se deseja, estudando e colocando em prática os ensinamentos e trabalhando sua personalidade. Os grupos ou uma Ordem lhe dará apenas um papel ou uma carteirinha onde confirma sua inscrição nela (papel aceita tudo lembra?) esse é o "Aparecer". O martinista verdadeiro abomina a hipocrisia e deixa de lado as roupagens ilusórias dos graus e títulos e demais vaidades naturais a todos que desejam apenas "aparecer". Assim meias-verdades, mentiras, egos inflados e tudo mais inerente aos aspectos grosseiros das pessoas comuns, não tem vez em um martinista sincero. Claro que aqui todos nós estamos de certa forma doentes, seja fisica ou espiritualmente e longe da perfeiçao estamos, porém o que diferencia um real iniciado aquele que opta pelo SER, é que esse sabe seu defeito, mas usa sua VONTADE e opta com esforço em agir ao contrario, transformando o defeito em virtude. 

As ordens místicas são como hospitais, são para doentes e não para iluminados!

O grande desafio em toda linha de pensamento está simplesmente em SER aquilo que se diz; Pensamento - Vontade - Ação. Sem dúvidas nesse caminho terá várias dificuldades, pois a cada vitória irá comemorar sozinho e ninguem lhe dará parabens por isso; ninguem irá lhe coroar com folhas de louro ou com bottons e pins sua conquista.

Então a expectativa deve ser essa, de se estar entrando num hospital junto com outros Irmãos com diversas doenças cada um, saber lidar com isso e procurar o remédio que lhe trará a cura, em nosso caso a Iniciação. Assim tudo é apenas um grande aprendizado em não apenas nos transmutar mas também, em adquirir a paciência, a tolerância e quiçá, uma caridade pelo Irmão ao nosso lado.

Seja sincero com sua busca interna e vá adiante, no caso no martinismo não é a ordem que te fara um martinista, mas aquele que aplica os princípios de Saint-Martin, Pasqually e Boehme em sua vida diária, a cada minuto do seu dia. A iniciação dada aqui por homens é apenas protocolar, a Iniciação Real é dada somente pelo único Iniciador que existe, do Alto.

Pesquise, comente, troque informações a respeito da dita Ordem Martinista que você procura, são várias, umas mais sérias e outras motivo de piadas, umas focada realmente na regeneração outras na "contra-iniciação", umas mais puras outras com elementos de esquerda e com coisas que beiram serem alienígenas.

Assim não olhe para a coroa aparente que alguem ou ordem ostenta, lembre-se que o Cálice sagrado está no Interior, em Ser e não em Aparecer.

Espero assim que encontre seu caminho, foque em seu interior e procura algo que lhe agregue valor, se for para atrapalhar melhor ficar sozinho.

Quem faz seu caminho é somente você mesmo mais ninguem.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

DUPONT e PHILIPPE ENCAUSSE - Sucessão


ORDRE MARTINISTE

Office of the grandmaster

I, Henri-Charles DUPONT, sovereign grandmaster of the "L'ORDRE MARTINISTE" (called "of Lyon"), renamed to "ORDRE MARTINISTE - MARTINEZISTE" by our illustrious and regreted brother Charles CHEVILLION in Paris at October 25th 1958, certify that in the presence of the brothers Robert AMBELAIN, Philippe ENCAUSSE and Irénée SEGURET, Philippe ENCAUSSE, son of the highly illustrious and regreted brother PAPUS (doctor Gérard ENCAUSSE), who lives in PARIS, was made my successor and the head of the ORDER from this date on in COUTANCES in my residence on August 13th 1960, and obligated to continue my work and to contribute to the unity of martinism, what is my desire with all my heart.

August 13th 1960, COUTANCES

Henri-Charles DUPONT

witnesses:

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EM PORTUGUÊS:
ORDEM MARTINISTA
Gabinete do Grande Mestre

Eu, Henri-Charles DUPONT, soberano Grão Mestre da "ORDEM MARTINISTA" (de Lyon), renomeada para "ORDEM MARTINISTA - MARTINEZISTA" pelo nosso ilustre irmão Charles CHEVILLION em 25 de outubro de 1958 em Paris, certifico na presença dos Irmãos Robert AMBELAIM, Philippe ENCAUSSE e Irénée SEGURET, que Philippe ENCAUSSE, filho do ilustríssimo irmão PAPUS (doutor Gérard ENCAUSSE), que vive em Paris, foi feito meu sucessor e dirigente da ORDEM dessa data em diante em COUNTANCES em minha residencia em 13 de agosto de 1960, jurando continuar meu trabalho e a contribuir para a unidade do martinismo, o qual é meu desejo de todo meu coração.

COUTANCES, 13 de Agosto de 1960,

Henri-Charles DUPONT.

testemunhas (assinaturas):

sábado, 21 de março de 2015

Conversando com o Mestre - Uma Alegoria



Caros Irmãos, podemos notar na alegoria abaixo de forma simples, a Via do Coração e que em muito, está próxima do Martinismo primitivo. ~ R.C.

Conversando com o Mestre
Uma Alegoria 

Por William Q. Judge

Caminhando pelo jardim do seu coração, o discípulo subitamente encontrou o Mestre.  Ficou contente, porque  recém havia terminado uma tarefa a serviço Dele – e apressou-se a colocá-la a Seus pés.

“Veja, Mestre” –  disse ele – “isto já está feito; agora me dê outro ensinamento a transmitir.”

O Mestre olhou para  ele com tristeza e generosidade no olhar, como podemos olhar para uma criança que não consegue entender algo.

“Já existem muitos que podem ensinar concepções intelectuais da Verdade”, respondeu. “Você pensa  que estará servindo da melhor forma possível, se for mais um a fazer a mesma coisa?”

O aluno ficou perplexo.

“Não devemos proclamar a Verdade até do alto dos telhados, até que todo o mundo a tenha ouvido?” – perguntou.

“E qual o resultado ?”

“O resultado será que o mundo inteiro seguramente a aceitará.”

“Não” – respondeu o Mestre – “a verdade não é do intelecto, mas é do coração. Veja!”

O aluno olhou, e viu a Verdade como se fosse uma Luz Branca cobrindo  a Terra toda; no entanto, nada dela chegava até as plantas verdes e vivas que necessitavam tanto dos seus raios, porque no meio havia densas camadas de nuvens. 

“As nuvens são o intelecto humano” – disse o Mestre.  “Veja de novo.”

Olhando atentamente, o aluno viu aqui e ali pequenas aberturas nas nuvens, pelas quais a Luz lutava para passar em raios frágeis, quebrados.  Cada abertura era causada por um pequeno redemoinho de vibrações, e ao olhar para baixo através delas,  o discípulo percebeu que cada redemoinho era produzido em um coração humano.

“É só reforçando e aumentando as aberturas que se pode fazer com que a Luz alcance a Terra” – disse o Mestre.  “O que é melhor,  então: derramar mais Luz sobre  as nuvens, ou estabelecer um redemoinho de forças do coração? Essa última tarefa você deve cumprir de modo invisível e sem ser notado, e também sem receber agradecimentos.  A tarefa anterior trará a você elogios e notoriedade entre os homens. Ambas as tarefas são necessárias: ambas são parte do Nosso trabalho; mas, as aberturas são tão poucas! Você tem força suficiente para deixar de lado os elogios e transformar-se em um centro de  coração irradiando uma pura energia impessoal?”

O aluno suspirou, porque essa era uma questão difícil.

HIERONYMUM


Revista Path, Nova Iorque, Outubro de 1893.

[O texto acima  foi traduzido de “Theosophical Articles”, William Q. Judge, The Theosophy Co., Los Angeles, EUA, 1980, edição em dois volumes. Ver  pp. 383-384 do volume II, que tem 655 pp. Título original do texto: “An Allegory”.]

Fonte: FilosofiaEsotérica

domingo, 18 de janeiro de 2015

Comemoração de Nascimento de Saint-Martin



Comemoração de Nascimento de Saint-Martin
Pelo irmão +Tácitus

Em 18 de janeiro de 1743 nascia Louis Claude de Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido ou melhor um deles.

Sua biografia é largamente publicada na internet em diversas línguas sob diferentes aspectos, além de estudado dentro de diversos círculos e grupos martinistas atuais.

Para conhecer "Martinismo" é preciso conhecer Saint-Martin, não apenas sob o enfoque histórico ou suas afiliações, essas as quais foram rompidas em determinada época da sua vida. É necessário conhecer Saint-Martin em sua "forma de pensar" e sua conduta, isso sem dúvidas vale tão quanto seus valiosos livros, ou ao menos nos auxiliará em o entender.

A maior contribuição que este Iniciado nos legou talvez seja, sem sombras de dúvidas, o fato de que a Iniciação Real é interior, única e pessoal, que há um único real Iniciador e que chegamos a ele, única e exclusivamente conforme nossos méritos conquistados pela auto-transformação sincera e focada, desde nossos pensamentos até o que falamos e o que fazemos.

Saint-Martin nos coloca frente a verdadeira escola iniciática: A Escola da Vida, com seu dia a dia e seus pormenores, escola essa em que todos aprendem e se elevam, a escola que nos coloca realmente frente a oportunidades da Iniciação.

Seu rompimento com as escolas iniciáticas deve-se unicamente a isto: trilhar o caminho interno, místico em busca do Real; muitas vezes em contra-posição ao externo, virtual rebuscado de teorias, títulos, cargos, graus e meros papéis sem valor algum.

Para Saint-Martin a via cardíaca era isso: comunhão, de nós como que há de mais elevado, nosso Eu Superior o qual chama Yeshuá; a via cardíaca é a escola do Sentir, reflexo e consequência do que pensamos e fazemos.

Assim meu caro, se quer saber como está sua "espiritualidade" e se está rumo a "Iniciação Real", analise seu coração e se nele há de fato, algo que o incomode, tome consciência da qualidade de seus pensamentos e tenha certeza que a causa ali está.

A Via Cardíaca também é a sinceridade na Busca, sem auto-ilusões daquilo que buscamos externamente e recebemos por ela, longe dos certificados da dita iniciação conferidos por homens que em sua maioria, estão longe do caminho interno, presos ainda a forma e não essência.

Saint-Martin nos propôs várias coisas, várias janelas ou portas indicando o caminho, ele mesmo dizia que seus próprios livros deveriam ser abandonados. Apesar de utilizar termos ocidentais ele nos mostra o tamanho desapego das formas em sua Busca. E foi isso que à partir de determinada época, transmitia aos seus dentro do Círculo dos Íntimos, a sinceridade na busca, a auto-transformação, o silêncio e a comunhão, sempre de forma incógnita.

A este Filósofo Desconhecido deixamos aqui nosso reconhecimento e gratidão pela sua obra, porém mais pelo seu exemplo e pela sua postura frente a espiritualidade.



JOYEUX ANNIVERSAIRE, L.C.SAINT-MARTIN!




JOYEUX ANNIVERSAIRE!

domingo, 4 de maio de 2014

QUEM FOI LEO ALVARES DE MASCHEVILLE?


LEO ALVARES DE MASCHEVILLE
Sri Sevanãnda Swãmi
Adaptado do original de Swami Sarvanãnda

Como todos sabemos foi em Fevereiro de 1910 que desembarcaram em Buenos Aires , vindos de Paris, Albert Raymond Costet de Mascheville, sua esposa e seu filho, Leo Costet de Mascheville, então com 10 anos. A família Mascheville teve um papél importante na implantação e desenvolvimento do Martinismo na América do Sul.

Albert Raymond , visconde de Mascheville, violinista , dava concertos em vários teatros conhecidos de Paris , quando em 1892 foi iniciado na "Ordem Martinista" por Sedir e recebeu naquela ocasião o nome místico de CEDAIOR e nome esotérico SDR/2H , ou seja , foi o oitavo discípulo iniciado por Sedir.

Em 1895 já S.I. , foi nomeado por Papus, Delegado Especial do Supremo Conselho da Ordem Martinista, conhecendo vários personagens importantes do movimento esotérico da época tais como:Péladan , Barlet, Oswald Wirth, Lermina e outros. É enviado no final do século ao Egito em missão especial da "Ordem Martinista" e da "Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix" para entrar em contato com certas fraternidades de lá e realizar estudos sobre o simbolismo e sobre cerimoniais iniciáticos. Percorre desde Damieta e Alexandria até Karnak, tendo permanecido longo tempo no Cairo , onde sua amizade com Mariette-Bey , então conservador do museu do Cairo , o serviu muito. 

O resultado destes estudos foram analisados por Sedir e Papus , permitindo melhor documentar certos pontos da antiga estrutura dos Templos e de seus ensinamentos. Portanto quando chega a Argentina com a família já trazia uma bagagem de realizações no campo do esoterismo. Após residir alguns anos na Argentina muda-se na década de 20 para o Brasil fixando residência em Porto Alegre.

No final de 1924 , chega ao Brasil , seu filho Leo Alvarez Costet de Mascheville, após uma estadia de anos na Europa, onde além de prestar serviço militar na França , recebeu do pai a missão de observar o estado da Ordem Martinista e Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix na Europa. No final da década de 20 a família muda-se para Curitiba onde Leo, conhecido como "Jehel" nos meios martinistas e mais tarde como Sri Sevânanda Swami, insiste na revivificação da Ordem Martinista.

Então pai e filho, organizam mais amplamente o Martinismo, Em 1936 "Jehel"recebe do pai o cargo de Presidente da Ordem Martinista. Em 1939, "Jehel" reorganiza a Ordem Martinista da América do Sul, em Porto Alegre, fundando uma loja central com o nome de CEDAIOR.

Jehel estudou Kabbala, Krishnamurti, aprendeu a magia cerimonial e a Alquimia, estudou Martinismo, Yoga e era um Astrólogo exímio. O Dom da palavra lhe fluía elegantemente dos lábios e gostava de um copo de um bom vinho a conversar, como bom francês que era. Tinha excelente humor, respeitava as gestantes que, para ele, estavam perto do Pai, pois doadoras de vida. Mas seus olhos sabiam faiscar, quando necessário. 

Em torno de 1932, transferiu-se para o Uruguai, instalando-se em Montevidéu, onde fundou o GIDEE (Grupo Independente de Estudos Esotéricos), trazendo junto a Ordem Martinista, da qual era ele o Presidente. Criou também a revista "La Iniciación", que continha e refletia toda a abundância dos elevados conceitos e ensinamentos, que, no GIDEE, se ensinava por um.grupo de colaboradores sob sua direção; verdadeira universidade esotérica e espiritualista transcendental: Sufismo, Yoga e Yogaterapia, Kabbala, Cristianismo Esotérico, Ciências Herméticas, Astrologia e Astrosofia, Filosofia Transcendental, Alimentação, todas as matérias do Martinismo e da Rosa-Cruz. Curas Místicas sob a orientação do Mestre Philippe de lyon, Budismo e Gnose. 

Foi membro de diversas Ordens e Fraternidades ocultas do Oriente e Ocidente. 

Mas, como tudo que é nascido na intensidade, que com o Amor se desgasta no Amor do coração, o GIDEE se desmorona: tinha chegado o fim de seu ciclo de existência vital. Logo passou fome ao lado de sua companheira Louise, com a qual continuou trabalhando após o falecimento de Lotúsia, à vender apólices de seguros de porta em porta, nas ruas de Montevidéu... 

Pouco tempo depois e em comum acordo, separaram-se e Sri Sevãnanda passa a trabalhar junto à sua nova companheira, SÁDHANA, mais apta para sua nova etapa de ação e de iniciador. Encerra as atividades no GIDEE, liquida o passado, e vendem as posses de Sádhana para adquirir um trailer e um jipe. 

Veio um senhor de idade para lhe entregar um pequeno baú que continha o acervo cerimonial, intelectual e místico de uma antiga e venerável sociedade dos Himalaias, o Suddha Dharma Mandalam, pondo-o em contato com seu "Iniciador Externo", o Guru Subrahmanyananda, de quem recebe a Iniciação e Ordenação como membro da Ordem dos Swãmis de Sri Sankaracharya, com o nome de "Sevãnanda". Foi incumbido, pelo mesmo Guru, a assumir a função de "Iniciador Externo" e de ser seu sucessor no Suddha Dharma. 

Ainda em Montevidéu, fundou a "Associação Mística Ocidental", sob a direção do Mestre Philippe de lyon, escola que se tornou um centro de União de Correntes Espirituais: Essênios, Suddha Dharma Mandalam, Rito Egípcio de Osíres, Ramakrishna Ashrama, Kriya Yoga, Yoga Ashrama, Comunidade Sufi, Satyauraha Ashrama, Ordem Martinista, Maitreya Mahasangah, Ordem Cabalística Rosae Crucis, Departamento do Verbo, Zen Boddhi Dharma, e Igreja Expectante, com contatos com os representantes de quase todas essas correntes. 

Antes de mais um deslocamento, escreveu seu livro “Yo que caminé por el mundo...", o qual contém a síntese de sua doutrina pessoal, reeditado em português por seus Discípulos no Brasil. 

Em junho de 1952 partem, Sevãnanda e Sádhana, dirigindo o jipe puxar a "Ermida do Serviço", rumo norte a atravessar o Uruguai e Brasil, parando em todas as cidades visitadas e dando palestras públicas a divulgar sob o lema "O sacrifício de Jesus e de Gandhi nos unem à todos". 

Em fins de 1953 chegam à Resende, RJ, onde ganham um terreno de 12 hectares e instalam o "Monastério AMO-PAX". Ashram de Sarva Yoga e Mosteiro Essênio, inaugurado numa singela cerimônia na meia noite do dia 19/20 de novembro de 1953, sob insistente chuva, perante 22 presentes e um cachorro, como faz questão de ressaltar seus discípulos. 

Os primeiros meses foram difíceis e de intenso trabalho, quase sem apoio algum, ao instalar uma necessária infra-estrutura material de sobrevivência. Mas novos Discípulos se apresentam como candidatos a residentes, e assim a comunidade cresce. A "Associação Mística Ocidental" serve de Via para a preparação interior e a correspondência com diversos representantes das correntes que constituem a associação, do oriente e do Ocidente, se instala, notadamente com o Mahatma Gandhi, que nomeia Sri Sevãnanda seu representante para o Brasil, com Discípulos do Mestre Philippe da Europa e com Paramahansa Yogananda, assim como Lobsang Rampa, que naquele tempo se encontrava na Inglaterra. 

O Ashram se torna conhecido no Brasil inteiro, e visitantes começam a chegar também do Exterior. Jocosamente o Mestre se refere ao Ashram como a um "restaurante onde cada um dos residentes recebe o alimento que lhe agrada..., mas pena que não sabem comer!". 

E, no teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro, Sri Sevãnanda anuncia, perante mais de 1500 pessoas, convidadas individualmente, a criação da "Ordem dos Sarva Swãmis", que mais tarde ele mesmo comenta assim: "O continente latino-americano possivelmente ainda não percebeu a real importância que há de ter um dia, por todos esses países, aquela proclamação de Sarva Yoga e da Ordem dos Sarva Swãmis." 

Os dias são longos no Ashram: começam às 4 da madrugada e terminam, após ininterrupto trabalho, às 21 horas, ou mais tarde ainda, com o direito a uma hora de sono a mais aos domingos. o aprendizado é vigoroso sob a atenção de quem sabe o que faz: treinamentos da Via de Gurdjieff se revezam com as práticas da via do Maltre Philippe e do Suddha Dharma, com treinamentos e práticas Martinistas e danças dos derviches Sufis, e exercícios de Budismo Zen. 

Com algumas vocações que se destacam, e que constituem a continuação viva de sua via de ensinamentos, o Ashram de Resende encerra suas atividades em junho de 1961. Os Residentes se dispersam, e um pequeno grupo segue com o Mestre para-a cidade de Lajes-SC, onde é fundado o "Retiro Alba Lucis", em um sítio de Discípulos. Terminada esta etapa cíclica septenária com a principal missão cumprida: o prolongamento da Obra por meio de alguns poucos, homens e mulheres por ele preparados, para prosseguir. Foi em Lajes onde o Mestre escreveu sua principal obra, "O Mestre Philippe, de Lyon", em quatro volumes, que hoje é considerado uma obra rara.

Terminada esta tarefa (edição dos quatro volumes), o Mestre transfere sua vida para a cidade de Belo Horizonte, onde é fechado o circulo cíclico de sua vida, passando a se ocupar com alguns dos seus mais próximos e sobrevivendo materialmente com a venda de apólices de seguro e da importação de objetos ornamentais, trazidos da Argentina. 

A viagem à França, pouco antes da instalação em Lajes, transformou totalmente e definitivamente seu posicionamento de Homem e de Iniciado: a influência do Maitre Philippe o conquistara, impelindo-o a se afastar das tradições orientais. 

Numa pequena chácarazinha, a vinte minutos de Belo Horizonte, viveu seus últimos dois anos, sob os cuidados de sua Enfermeira, Anjo Guardião e fiel Discípula Sévaki. Sua saúde de alterou rapidamente; o Mestre não mais recebia visitas, excetuando alguns poucos Discípulos. 

As últimas semanas foram de grande sofrimento, a sua doença avançando rapidamente. Durante este breve tempo, o Mestre fez, certamente, a síntese de sua vida, se preparando para a partida. 

Fonte: Hermanubis Martinista


domingo, 2 de fevereiro de 2014

MARTINES DE PASQUALLY


A VERDADEIRA E A FALSA CASA DE NASCIMENTO DE L-C DE SAINT MARTIN


A VERDADEIRA E A FALSA CASA DE NASCIMENTO DE L-C DE SAINT MARTIN

Autor: Xavier Cuvelier-Roy
Tradução: Marco Guimarães Jr.

O turista desavisado é surpreendido entre uma centena de metros de distância, com duas casas onde nasceu L-C de Saint Martin: a primeira situada à 16/18, praça Rrichelieu, e a segunda à rua Rebelais.

Vamos nos focar nesta primeira.


 
A verdadeira casa na Praça Richelieu e a falsa casa à rua Rebelais

Em 25 de agosto de 1946, os “Amigos de Saint-Martin [1]”, acompanhados por mais de duas centenas de pessoas, reuniram-se nas mediações da Bakery Perchevis, acreditando de boa fé ser esse o local de nascimento do Filośofo Desconhecido. Durante a cerimônia uma placa comemorativa foi inaugurada (imagem 3), que está lá ainda hoje apesar de um questionamento colocando em dúvida alguns anos mais tarde.


Placa colocada em 25 de agosto de 1946. Financiada pelos direitos autorais do primeiro livre de Robert Amadou “Louis-Claude de Saint Martin e o Martiismo”, publicado pela Griffon d'or em 1946.

De fato, em outubro de 1977, Bernard-Pierre Girard, um jovem historiador de Amboise, forneceu provas de que a (placa da) casa inauguradaa em 1946, não estava correta. Consultando os registros de venda de uma residência situada à Praça Richelieu (chamada de Praça do Mercado no século XVIII), ele ficou surpreso ao ler nos registros, que o vendedor que vendeu esta casa para Nicolas Mores em 10 de janeiro de 1767 [2], não era outro senão o pai do Filósofo Desconhecido: Claude-François de Saint-Martin. Como o jovem historiador verificou, esta informação concordava perfeitamete com o que disse o próprio Saitnt – Martin em “Meu Retrato”:
“Aconteceu de eu dizer que às vezes eu pensava pouco em nossos pequenos deuses domésticos. Mas era uma distração, que escrevi sobre as ideias diferentes em meu tratado de admiração. Mas por outro lado, eu senti o oposto visitando Mr e Mrs Mores, ingleses, que ocupam a casa onde eu nasci, no Grande Mercado em Amboise. Eu senti uma sensação doce e tocante revendo lugares onde passei a minha infância, e que são marcados por mil circunstâncias interessantes da minha infância”[3].
Um pouco mais tarde, no mesmo texto, ele declarou:
“No início do Prairial Ano II da República, eu vim para ficar em um pequeno apartamento de um cidadão de Marne, na Praça do Grande Mercado em Amboise. Do jardim dessa casa, eu vi tudo próximo a mim da casa onde passei a minha infância. Eu vi o quarto onde eu nasci, onde eu vivi lá com o meu irmão até a idade de oito anos, onde ele terminou a sua carreira, uma onde o meu avô morreu, onde para além do que jardim está a colina onde as cinzas do meu pai estão enterradas. [4]”.
A casa na Rue Rabelais foi assim destronada! Imediatamente, Bernard-Pierre Girard escreveu a Robert Amadou para dizer-lhe a notícia. [5] O historiador do Martinismo, tendo visitado o local em Janeiro de 1978, só confirmou isso.


Assim, no mesmo ano, 26 de novembro de 1978, acompanhado por Michel Debré, prefeito de Amboise, Bernard-Pierre Girard, Robert Amadou, Roger Lecotté, entre outros, formalizaram a descoberta selando uma nova placa comemorativa [6].


Apesar disso, a falsa casa de nascimento nascimento – atualmente um restaurante onde sinaliza de Saint-Martin - manteve a placa revelada em 1946, criando confusão nas mentes de muitos turistas. Acrescentando que, se a casa não é o local de nascimento do Filósofo Desconhecido, ainda é uma das mais belas e antigas casas de Amboise, com sua estrutura de madeira e tijolos.



(Acima: Robert Amadou e à sua direita, Bernard-Pierre Girard, durante a recepção na Câmara Municipal de Amboise que se seguiu à cerimônia em primeiro plano, à esquerda, Michel Debré, o prefeito da cidade, o. mais à direita Roger Lecotté.)

Xavier Cuvelier-Roy
Tradução do francês Marco Guimarães Jr.

Notas:
  1. Associação fundada em 11 de setembro de 1945, para estudar o pensamento do Filósofo Desconhecido fora de qualquer cadeia iniciática, por Paul Laugénie de Saint-Yves, Edouard Gesta e Robert Amadou, tesoureiro e da Comissão de Honra, Raymond Bayer, Octave Béliard, André Billy, Mario Meunier, Jean Paulhan et Roland de Renéville.
  2. Ele se estabeleceu à rua dos Minimes. Para o registro, observe que seu filho, Louis-Claude, que tem 25 anos, depois de dois anos, é sub-tenente granadeiro regimento de Foix.
  3. Meu Retrato Histórico e Filosófico”, Paris, Julliard, 1961, n° 349 p. 180.
  4. Mon Portrait... op. cit. n° 454 p. 232). Seu irmão François morre em maio de 1750, e seu avô materno, François Tournyer, em 23 de fevereiro de 1746.
  5. Bernard-Pierre Girard a rapporté sa découverte dans un article très documenté publié en 1978 dans le Bulletin de la Société archéologique de Touraine (p. 791-802).
  6. Robert Amadou a résumé les différents épisodes de cette aventure dans des articles publiés dans les revues : L'Initiation, n° 4, 1978 ; n° 1, 1979 ; L'Esprit des choses, n° 6, 1993, p. 120-139 et Chroniques d'histoire maçonnique (IDERM), n° 46-47, 1993, p. 88-90.


Fonte clique AQUI

sábado, 18 de janeiro de 2014

DATA COMEMORATIVA: 18 DE JANEIRO - LOUIS CLAUDE DE SAINT MARTIN








Aujourd'hui pour tous les Martinistes une date commémorative; Louis Claude de Saint-Martin, le philosophe inconnu né le 18 Janvier 1743 à Amboise; nos salutations!

Une biographie en français: 
http://www.philosophe-inconnu.com/Homme/homme_present.htm

Aos Martinistas uma data comemorativa; Louis Claude de Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido, nascido em 18 de Janeiro de 1743 em Amboise.

Uma biografia em portugues pode ser lida aqui:
http://www.hermanubis.com.br/Biografias/BioSaintMartin.htm

domingo, 15 de dezembro de 2013

O MARTINISMO LIVRE


O MARTINISMO LIVRE

Por Jean Chaboseau

"Nosso lembrado Irmão Augustin Chaboseau escreveu algumas notas sobre o que chamou de sua “Iniciação” pela sua tia Amélia de Boisse-Montemart, que não deixam a menor dúvida a respeito, tratava-se unicamente da transmissão oral de um ensinamento par­ticular e de certas compressões das leis do universo e da vida espiritual, o que em nenhum caso pode-se considerar uma iniciação ritualística propriamente dita. As linhas que uniram Augustin Chaboseau, Papus e outros e que provém de Saint-Martin são, com efeito, linhas de afinidades espirituais...

É justamente neste ponto que aparece a profunda contradição existente, de um lado, entre o desejo de liberdade interior que deve desprender-se de todo formalismo para permitir à personalidade espiritual estabelecer-se e definir-se fora de toda classe de coletivida­des e, de outro lado, esta espécie de desmentido ao anterior que parecem aportar certos ocultistas dos fins do século XIX, ao criar suas associações, Ordens e Sociedades.

Existe uma qualidade de alma que caracteriza essencialmente o verdadeiro Martinista, é aquela afinidade entre espíritos unidos por um mesmo grau em suas possibili­dades de compreensão e adaptação, por um mesmo comportamento intelectual, pelas mesmas tendências, de tudo o qual se segue a constatação obrigatória de que o Martinismo está com­posto, exclusivamente, de seres isolados, solitários, que meditam no silêncio de seu gabinete, buscando sua própria iluminação.

Cada um destes seres tem o dever, uma vez que adquiriram o conhecimento das leis do equilíbrio, de transmitir a compreensão adquirida ao seu redor, a fim de que aqueles que forem chamados a compreender, participam daquilo que ele cria, por sua vida espiritual ou pela verdade que encerra. É aqui, então, que intervém a “missão de serviço” do Martinismo e é somente neste sentido que esta corrente espiritual especial encontra seu lugar na Tradição Ocidental.

E isto é tão verdadeiro que sempre se manteve nos diferentes Ramos Martinistas, o regime da Iniciação Livre, em forma paralela àquela que se conferia nas Lo­jas, como uma recordação daquela liberdade individual de que dispunha todo verdadeiro Martinista e que, em princípio, está por cima de toda “Obediência”.”
Em conseqüência, existe uma grande contradição entre o espírito digno e livre do nosso Venerável Mestre Saint-Martin, de seus sucessores, os “Superiores Incógnitos”. e a atitude de alguém que se sentiu o exclusivo depositário da Tradição do Filósofo Desconhecido, declarando-se possuidor da categoria de regulador supremo desta Iniciação e o único Martinista regular, excluindo a todos os que não o seguissem.

Ainda mais, devemos recordar que cada Filósofo Desconhecido, Livre Iniciador ou Presidente de Grupos ou Lojas Martinistas pode dar à sua coletividade a orientação espiritual que julgue mais conveni­ente, de acordo com sua consciência, conhecimento e experiência.

Sinceramente desejo, em razão desta circunstância, que o Martinismo volte a ser o que sempre devia ter sido: uma simples associação de espíritos unidos pelas mesmas aspirações espirituais e guiados pelas mesmas investigações, sob a luz de YHSVH... fora de toda e qualquer preocupação de Ordem ou Obediência.

O Martinismo é essencialmente Cristão*. Não se pode conceber um Martinista que não seja um fiel discípulo de YHSVH, o Reconciliador, Encarnação do Verbo! Porém, parece que um grande número de Martinistas não esteve, ou não está compenetrado deste espírito perfeitamente universal na mais ampla significação do termo. Desejando singularizar-se, particularizar-se, desejando presidências, Grão-Mestrados, títulos, graus e honras, em nome de um Filósofo no qual a modéstia e a sensibilidade eram proverbiais, parecem ter esquecido um dos primeiros princípios ou preceitos cristãos... "

Escrito pelo Irmão Jean Chaboseau

*Cristão, não cristista.

CADEIA ESPIRITUAL

Leo Alvarez Costet de Macheville "Jehel" depois "Sri Sevananda Swami"

Segue a primeira parte do texto livremente adaptado do artigo “Cadeia Espiritual” escrito pelo Irm::: Jehel S .’. I ’.’ :

“Acima de tudo o que pode ser concebido pela mente humana, existe a essência última do Todo, a Divindade. Respeitando as diversidades de crenças de todos os povos e épocas, o Martinismo, não tendo nenhuma doutrina religiosa própria (pois o Martinismo não é uma religião, mas uma escola filosófica e científica por um lado, e de desenvolvimento devocional por outro) constituindo a Cavalaria Cristã e, portanto, Yeshua, manifestação humana do Cristos – Segunda pessoa da Divina Trindade – é o Foco Espiritual para o qual convergem naturalmente as práticas espirituais dos Martinistas.

Abaixo, encontra-se toda a Sagrada Hierarquia das Hostes Celestes, as quais só podem ser acessadas através da prática mágica da oração carregada de Fé e Devoção. Até este plano ou nível não podemos falar ainda de “Cadeia Espiritual da Ordem” já que tratamos da própria Divindade, seus Servidores Celestes, Seres e Forças que são Universais por sua própria natureza e função divina, não podendo atribuí-los – muito menos considerá-los propriedade – à nenhuma seita, sociedade, ordem e etc, mas constituem parte de todos os corações piedosos do Mundo Cristão, que se dedicam a eles com Veneração e Amor.

Sem dúvida, mesmo dentro do Plano Espiritual, já existem dentro da “Cadeia Invisível da Ordem” os Mártires do Pensamento Martinista, ou seja, os Grandes Seres Humanos que, em vida, consagraram todos seus esforços, sua sabedoria, seu espírito de sacrifício, suas orações e seus atos ao progresso espiritual de seus Irmãos de crença e sucessores. Entre estes figuram aqueles que – principalmente – foram enumerados nos calendários oficiais junto a lista de “Comemorações de Regresso ao Oriente Eterno”. São venerados e invocados por coração e pensamento em virtude de suas características de sacrifício (R+C), que os tornou Homens Santos, já que se consagraram exclusivamente ao bem estar da humanidade, especialmente quanto ao aspecto do desenvolvimento espiritual, característica típica dos seres santificados por sua devoção real ao Divino no Humano, já que suas vidas são uma constante realização do “Amar uns aos outros”.”

UM VERDADEIRO MARTINISTA



Para Ser Martinista De Fato


  1. Não confunde liberdade, que é direito sagrado, com abuso, que é um defeito;
  2. Crê no Criador de Todas as coisas, Ser Supremo, orienta para o bem e desvia do mal;
  3. É leal; quem não é leal com os demais é desleal consigo mesmo;
  4. Cultiva a fraternidade, porque é a base da Fraternidade ;
  5. Recusa agradecimentos porque se satisfaz com o prazer de haver contribuído para amparar semelhante;
  6. É nobre na vitória e sereno se vencido, porque sabe triunfar sobre os seus impulsos;
  7. Não se desvia do caminho da moral;
  8. Pratica o bem, porque sabe que é amparando o próximo, sentindo suas dores, que se aperfeiçoará;
  9. Abomina o vício, porque é o contrário da virtude, que deve cultivar;
  10. Não se entrega à excessos alcoólicos, porque a sabe que a embriagues, além de torná-lo ridículo, impede-o de raciocinar e seguir o seu caminho;
  11. É amigo da família, porque é a base fundamental da humanidade;
  12. Não humilha os fracos, os inferiores, porque é covardia e a Fraternidade Martinista não é abrigo de covardes;
  13. Respeita as mulheres, quaisquer que sejam as suas condições sociais;
  14. Trata fraternalmente os demais martinistas independente de afiliação ou condição
  15. Não se envaidece, não alardeia suas qualidades; não vê no auxílio ao semelhante, um gesto excepcional, porque este é um dever de solidariedade humana, cuja prática constitui um prazer;
  16. Não promete senão o que pode cumprir;
  17. Se sofre, suporta com coragem; se, se regozija, o faz sem se amesquinhar;
  18. Não odeia; o ódio destrói e só a amizade constrói;
  19. Não tem apego aos cargos, porque isso é cultivar a vaidade, sentimento mesquinho, incompatível com o que o bom martinista deve cultivar.