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domingo, 13 de janeiro de 2019

O HOMEM DE DESEJO I

Imagem: Philosophe Inconnu

O HOMEM DE DESEJO
Irmão T. S.I.


DA LUZ INVISÍVEL E DA VIDA:

A chama representa a manutenção, e não a lei da geração.

Não será necessária uma substancia exterior à chama, para que esta lhe comunique a luz visível?

Mas nosso Deus é a luz; retira de si próprio a substância luminosa do espirito.

Tudo o que emana da mãos do princípio de tudo é completo. Ele quis que a sensação da luz visível se vinculasse à vida de meu corpo.

Ele quis que o sol despertasse em meus olhos essa sensação da luz visível.
Mas ele mesmo quis despertar em minha alma a sensação da luz invisível.

Porque ele mesmo retirou desta luz o germe sagrado que anima a alma humana.

Não saem ramos do candelabro vivo, e sua seiva não é o óleo santo que nutre em mim a luz? Não é ela esse óleo que se consome sempre e jamais se esgota?

Que a vida se uma à minha vida, e que regenere em mim a vida que em mim produziu.

Que meu crescimento imortal e divino seja contínuo, como o de minha fonte eterna.

DO HOMEM DA TORRENTE:
O homem despreocupado e desatento atravessa este mundo sem abrir os olhos de seu espírito.

As diferentes cenas da natureza sucedem-se diante dele sem que seu interesse se desperte e que seu pensamento se amplie.

Só veio a este mundo para abarcar o universo com sua inteligência, e permite continuamente que sua inteligência seja absorvida pelos menores objetos que o cercam.

Será preciso que as catástrofes da natureza se repitam para despertares de seu torpor? Se não estás preparado, elas te assustariam e não te instruiriam.

PRIMEIRO DEGRAU DA OBRA:
...só Ele perdoa e só com Ele aprendemos a caridade. Abra a cada dia as sendas dessa escola, se queres aprender o que é a obra do Senhor.

Que o mestre que aí ensina encontre em ti o mais assíduo dos ouvintes.

Vejo duas palavras escritas nesta árvore da vida: Espada e Amor.

Pela espada da palavra submetei todos os inimigos de meu Deus, e os prenderei e impedirei que causem dor ao meu Deus.

Pelo amor eu lhe suplicarei com fervor que derrame sobre mim um raio de sua caridade; E que faça com que eu alivie, encarregando-me de alguns dos sofrimentos de seu amor.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Esta vida é nossa décima primeira hora: trabalhe nela!


Esta vida é nossa décima primeira hora: trabalhe nela!
 Louis-Claude de Saint Martin
 
Vamos, então, nos preocupar com a vida real; com aquela obra ativa a qual devemos cada instante de nosso tempo e não deixemos de perguntar se haverá alguma futura angústia a temer ou não; tal será nossa preocupação e desejo de retidão.

O crime é a causa destes pensamentos desgastantes e o que leva o Homem ao crime é a inação, através do vazio da mente; o vazio da mente (espírito) joga o Homem no desencorajamento, fazendo-o acreditar que o tempo perdido não pode ser recuperado. Isto, de fato, pode ser verdade com relação a coisas feitas no tempo e para o tempo; mas será válido para o que pertence ao espírito? Não há tempo para o espírito... Não seria possível que um único ato realizado pelo espírito e para o espírito rendesse à alma tudo o que ela falhou em adquirir ou até mesmo tudo o que possa ter perdido pela negligência?

Devemos lembrar da "décima primeira hora", embora devemos também notar que, se aqueles que foram chamados àquela hora, receberam até mais do que sua devida paga, foi porque eles pelo menos trabalharam durante aquela hora, ao contrário, não teriam recebido nada; assim nós também não devemos ter nada a esperar, se, após termos passado as horas antecedentes de forma infrutífera, não completarmos nossa décima primeira hora, realizando a obra do Espírito.

Desde a Queda, só podemos ser meros trabalhadores da décima primeira hora, que, de fato, teve início no instante em que fomos privados de nossos direitos. As dez horas que precederam esta época, estão, por assim dizer, muito longe e perdidas para nós; assim a totalidade de nossa vida terrestre é realmente, para nós, senão a décima primeira hora de nosso verdadeiro e eterno dia, que embarca o círculo universal das coisas. Julgue a partir daí, se temos um momento sequer a perder!

Obstáculos e cruzes são pontos de partida: "Eu te digo, vigiai!" 

Ao mesmo tempo, tudo o que é requisito para um desempenho útil e proveitoso na obra desta décima primeira hora, nos é fornecido abundantemente; planos, materiais, instrumentos, nada é retirado de nós. Até mesmo os perigos e obstáculos aos quais nos deparamos e os quais se tornam nossas cruzes quando fugimos deles, são passos e meios de elevação quando superados; a Sabedoria, ao nos expor a eles espera que triunfemos.
 
Sim, se tivéssemos mantido nosso posto fielmente, o inimigo nunca teria penetrado a fortaleza, por mais poderoso que fosse. Mas, é necessário guardar todas as entradas com tal vigilância constante que, de qualquer forma que ele se apresente, possa nos encontrar alerta e com vigor para resistir. Um único instante de negligência de nossa parte, é suficiente para o inimigo, que nunca dorme, fazer uma brecha, ascender e capturar o indivíduo.

Vamos tomar coragem. Se nossa restauração espiritual requer, na realidade, todo o cuidado, devemos ao menos considerá-la assegurada se resolvermos, pelo menos, assumi-la, pois a enfermidade da alma humana é, se é que posso usar a expressão, apenas uma espécie de transpiração reprimida; o Soberano não cessa de nos administrar sudoríficos poderosos e salutares que tendem incessantemente a restaurar a ordem e a circulação.
 
A morte é compreendida em nossa obra; como ela é superada?
 
A morte mesmo, que também esta compreendida em nossa obra, é dirigida e graduada com a mesma sabedoria que governa todas as operações divinas. Nossos laços materiais são partidos progressivamente e de forma quase imperceptível. Crianças de tenra idade, emergidas em sua matéria, não têm idéia da morte porque a matéria não sabe o que é a morte, muito menos o que é a vida e o espírito.

Os jovens em quem o espírito ou a Vida começa a penetrar através de sua matéria, têm mais ou menos medo da morte, na medida em que estão mais ou menos imbuídos deste espírito ou vida e na medida em que sentem o contraste entre seu espírito e sua matéria.
 
Os adultos e os mais velhos cujo espírito ou vida se desenvolveu e que observaram fielmente a lei de seu ser, são preenchidos de tal forma com os frutos, quando seu curso termina, que olham para a demolição de sua cobertura material sem medo ou remorso, e até mesmo com prazer.
 
Este revestimento material, tendo sido perpetuamente impregnado com os frutos de suas obras, tem, ao mesmo tempo, quase imperceptivelmente se submetido à decomposição em sua fonte; se o tratamento restaurativo fosse seguido, encontraria naturalmente a sua dissolução final sem dor. O que pode ser concebido de mais doce e suave do que todas estas progressões, apontadas pela Sabedoria do Altíssimo, para a restauração do Homem?
 
Os poderes da Alma humana após a morte.
 
Mas se tão grandes são os prazeres adquiridos pela devoção ao Ministério Espiritual do Homem ainda neste plano, quais não serão então aqueles que a alma irá receber quando tiver se despojado de seus espólios mortais!
 
Vemos que nossos corpos, neste plano, estão destinados a desfrutar de todas suas faculdades e a comunicar-se uns com os outros. Quando eles não desfrutam de suas faculdades, não se comunicam, como verificamos com as crianças. 

Quando alguns corpos utilizam suas faculdades e outros não, os primeiros podem se comunicar com aqueles que não se comunicam e os conhecem enquanto que estes nada sabem sobre os primeiros. 

Isto se aplica a lei das almas: 

Aquelas almas que, neste plano, não desfrutam de suas faculdades estão respectivamente em absoluta insignificância; elas podem estar perto uma da outra, podem morar juntas sem transmitirem impressão alguma entre si. Esta é a situação da maioria das pessoas deste mundo, para não dizer, talvez, de toda humanidade; isto porque durante nossa jornada na Terra, nossas almas são umas para as outras, tal qual como as crianças; de fato, não comunicam nada em comparação com aqueles tesouros ativos com os quais deveriam ter enriquecido, naturalmente, umas as outras, se tivessem se mantido em sua harmonia primitiva.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Comemoração de Nascimento de Saint-Martin



Comemoração de Nascimento de Saint-Martin
Pelo irmão +Tácitus

Em 18 de janeiro de 1743 nascia Louis Claude de Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido ou melhor um deles.

Sua biografia é largamente publicada na internet em diversas línguas sob diferentes aspectos, além de estudado dentro de diversos círculos e grupos martinistas atuais.

Para conhecer "Martinismo" é preciso conhecer Saint-Martin, não apenas sob o enfoque histórico ou suas afiliações, essas as quais foram rompidas em determinada época da sua vida. É necessário conhecer Saint-Martin em sua "forma de pensar" e sua conduta, isso sem dúvidas vale tão quanto seus valiosos livros, ou ao menos nos auxiliará em o entender.

A maior contribuição que este Iniciado nos legou talvez seja, sem sombras de dúvidas, o fato de que a Iniciação Real é interior, única e pessoal, que há um único real Iniciador e que chegamos a ele, única e exclusivamente conforme nossos méritos conquistados pela auto-transformação sincera e focada, desde nossos pensamentos até o que falamos e o que fazemos.

Saint-Martin nos coloca frente a verdadeira escola iniciática: A Escola da Vida, com seu dia a dia e seus pormenores, escola essa em que todos aprendem e se elevam, a escola que nos coloca realmente frente a oportunidades da Iniciação.

Seu rompimento com as escolas iniciáticas deve-se unicamente a isto: trilhar o caminho interno, místico em busca do Real; muitas vezes em contra-posição ao externo, virtual rebuscado de teorias, títulos, cargos, graus e meros papéis sem valor algum.

Para Saint-Martin a via cardíaca era isso: comunhão, de nós como que há de mais elevado, nosso Eu Superior o qual chama Yeshuá; a via cardíaca é a escola do Sentir, reflexo e consequência do que pensamos e fazemos.

Assim meu caro, se quer saber como está sua "espiritualidade" e se está rumo a "Iniciação Real", analise seu coração e se nele há de fato, algo que o incomode, tome consciência da qualidade de seus pensamentos e tenha certeza que a causa ali está.

A Via Cardíaca também é a sinceridade na Busca, sem auto-ilusões daquilo que buscamos externamente e recebemos por ela, longe dos certificados da dita iniciação conferidos por homens que em sua maioria, estão longe do caminho interno, presos ainda a forma e não essência.

Saint-Martin nos propôs várias coisas, várias janelas ou portas indicando o caminho, ele mesmo dizia que seus próprios livros deveriam ser abandonados. Apesar de utilizar termos ocidentais ele nos mostra o tamanho desapego das formas em sua Busca. E foi isso que à partir de determinada época, transmitia aos seus dentro do Círculo dos Íntimos, a sinceridade na busca, a auto-transformação, o silêncio e a comunhão, sempre de forma incógnita.

A este Filósofo Desconhecido deixamos aqui nosso reconhecimento e gratidão pela sua obra, porém mais pelo seu exemplo e pela sua postura frente a espiritualidade.



JOYEUX ANNIVERSAIRE, L.C.SAINT-MARTIN!




JOYEUX ANNIVERSAIRE!