quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Perspectivas Históricas do Rosacrucianismo




Perspectivas Históricas do Rosacrucianismo
No estado atual, podemos apenas verificar que, nos últimos anos, o interesse renovado da historiografia européia do rosacrucianismo se traduziu, sobretudo, por dois tipos de investigação. Por um lado, procurou-se colmar os espaços vazios que existiam no conhecimento do mosaico do rosacrucianismo histórico (sobretudo relativamente entre os séculos XVII e XVIII), estudando as diferentes formas "nacionais" do rosacrucianismo e procurando, assim identificar as analogias e as diferenças entre as várias realidades rosacrucianas, e verificar em concreto, e não em abstrato, a validade de suas várias interpretações, quer as clássicas (Waite, Frances Yates) quer as mais recentes (Robert Vanloo, Susanna Akermann). Por outro lado, retomaram-se e voltaram-se a ser propostas ou discutidas, conforme os casos, as várias interpretações surgidas até agora, concedendo-se geralmente uma particular atenção à forma como surgiram essas interpretações.

Paralelamente a esta dupla interpretação, hoje dominante, vão surgindo (sobretudo na Europa - um estudo sistemático da historicidade do rosacrucianismo) cada vez mais estudos e trabalhos de investigação que denotam o aparecimento de uma tendência historiográfica extremamente aberta às mais variadas hipóteses interpretativas, sem rejeitar a priori nenhuma hipótese e pronta a explorar todas as possibilidades de aprofundamento da questão, oferecida pelas ciências históricas e, ao mesmo tempo, caracterizada sobretudo por um esforço substancial para reportar os estudos sobre o rosacrucianismo à razão histórica pura, subtraindo-os à qualquer tipo de especulação sobre o movimento rosacruciano entre os séculos XVII e XVIII.

Sem dúvida alguma, o movimento esteve ligado aos acontecimentos históricos (econômicos, sociais, culturais e políticos ) dos países em que se manifestaram, entre 1600-1800. Os conflitos da Reforma e da Contra-Reforma originaram movimentos passionais, "reformadores" ou "anti-heréticos", proféticos e anunciadores quer de catástrofes terríveis, quer de uma renascença moral e religiosa que iria conduzir a uma próxima concórdia universal. Contudo, a Europa respirava um ar hermético desde as traduções de Marsilio Ficino do Corpus Hermeticum.

Não obstante, todos os vários rosacrucianismos "nacionais" tiveram vários aspectos em comum, sentiram a necessidade de se apoiar uns aos outros e acabaram por ter a mesma sorte, do ponto de vista histórico, que podemos até falar de um fenômeno efetivamente unitário, embora desde o irromper dos manifestos rosacruzes até fins do século XVIII, o fenômeno teve e manteve certas particularidades. Para se ter uma idéia do que seria um aspecto do rosacrucianismo em sua adaptação "nacional", reportamos o leitor ao rosacrucianismo na Itália do século XVII.

O rosacrucianismo na Itália parece ter crescido fora de um interesse puramente alquímico, até havia, mas era melhor expresso em poesia. Por volta de 1656, em Pesaro, Cristina era saudada em versos pelo poeta rosacruciano Francesco Maria Santinelli. Em 1659, Santinelli escreveu um poema, Carlo V, dedicado ao imperador Leopold em Viena. Neste poema há uma curiosa nota com a seguinte linha: "La mia Rosa Croce Aurea fortuna" (V:89) (Susanna Akermann, 1991). Num outro conjunto de versos, escritos em 1656 em Roma, pelo Marquês Massimiliano Palombara, "La Bugia" - uma segunda versão reside agora na coleção da Rainha Christina no Vaticano como " Ms. Reginensis Latini 1521"- existe a seguinte linha : "un compagnia intitolata della rosea croce o come altro dicono dell'aurea croce ".

Estes versos difundiram observações adicionais à evidência de que o rosacrucianismo desenvolvera-se também fortemente entre os alquimistas e poetas italianos conectados à Fraternidade Alquímica Gold-und Rosencreutz Orden (Rosa+Cruz de Ouro), tornada pública por Sincerus Renatus (Samuel Richter) em 1710. (Susanna Akermann, 1991).

Se aceitarmos esta tendência, poderemos até ficar com o que Paul Sédir diz em sua "Histoire des Rose-Croix": "Eles adotam os costumes dos países onde se encontram. E, com efeito, podem viver no meio dos homens sem risco de serem identificados; apenas seus pares os reconhecem por uma certa luz interior. O Cristo disse: “O mundo não vos conhece”. É por isso que, quando eles mudam de país, mudam também de nome. Eles podem se adaptar a todas as condições, a todas as circunstâncias, falar a cada um em sua língua.

O verdadeiro problema passa então a ser o de estabelecer até que ponto se pode falar de um fenômeno rosacruciano à esteira daqueles movimentos nos dias de hoje, e que estejam constituídos de uma filiação autêntica. Em nosso entender, todas essas tendências da historiografia contemporânea, posicionam-se como reação a uma série de esquemas que chegaram, muitas vezes, até o absurdo e ao fantástico.

Se aceitarmos esta orientação de estudo e compreensão histórica e, sobretudo, de abordagem do fenômeno ‘rosacrucianismo’, torna-se evidente que, para se chegar a uma interpretação de conjunto (e que ao mesmo tempo abarque as suas manifestações particulares e "nacionais") do rosacrucianismo, todas as interpretações do rosacrucianismo surgidas até hoje são insuficientes, parciais ou demasiado exclusivas; no entanto, este campo de estudos históricos tem avançado muito nos últimos anos, e sabemos que cada uma dessas interpretações contém em si uma parte da verdade e pode contribuir para uma melhor compreensão do rosacrucianismo histórico nas suas linhas gerais, pelo que não pode ser rejeitada a priori.

Nesta perspectiva de investigação concreta, as várias interpretações tem sobretudo um valor de hipóteses de trabalho e de estímulo intelectual para podermos apreender o significado histórico do rosacrucianismo dos manifestos ao universo maçônico-alquímico do século XVIII.


Fonte: Desconhecida

Um comentário:

  1. In My Own Little Corner In My Own Little Head.. I Can Bee Whatever I Want To Bee!

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