domingo, 19 de agosto de 2012

A Loja Martinista "Luz Invizível"


A Loja Martinista
 “Luz Invizível”
Pelo Irmão TÁCITUS, S:::I:::

Escrever a história da Luz Invisível é tão difícil quanto precisar sua importância para a história do esoterismo em Curitiba, Paraná senão para todo o Brasil. Seriam necessários alguns volumes para poder detalhar com precisão todas as datas e acontecimentos importantes desse pólo espiritual não por si só, mas também pela personagem de Dario Vellozo expoente da cultura, ensino e ocultismo.

Dario Vellozo, educador, simbolista, maçom, martinista, chefe editor de várias revistas de cunho cultural e espiritual foi o pioneiro em várias tradições esotéricas em nosso país, infelizmente pouco conhecido e não reconhecido pelos próprios educadores e Iniciados de nossa atualidade.
Falar da Loja Luz Invisível é falar de Dario Vellozo e vice versa.

Em 1899 já publicava a 1ª edição do seu livro “Templo Maçônico” e já por essa época estava em contato com Irmãos na França, pois era um assinante da revista L’Initiation e através dela tomou conhecimento do Dr. H. Girgois, Delegado Geral da América do Sul do Grupo Independente de Estudos Esotéricos de Paris, grupo de Papus e diretor também da Loja Martinista Luz Astral em Buenos Aires. Em novembro de 1899 então escreve sua primeira carta ao Delegado solicitando seu ingresso na Ordem Martinista, assim como demais documentos para fundar um Centro Esotérico e agrupar outros interessados na Ordem, em dezembro do mesmo ano é correspondido; começa então uma série de correspondências entre eles.

Logo no mesmo ano de 1900 em 3 de maio funda o Grupo Independente de Estudos Esotéricos “Luz Invizível” ainda com a grafia com “Z”, nessa mesma data apresenta os Regulamentos da Luz Invizível onde no Capítulo I, Arti.1º consta: “O Centro Luz Invizível é congregação destinada a promover por meio de conferências, leituras, palestras sessões práticas e questões dirigidas ao Quartel General, o estudo da Ciência Oculta, Magnetismo, hipnotismo, sociologia, literatura esotérica, etc. etc...”. Ainda nos Regulamentos do centro, consta que se baseavam pelos “Estatutos Gerais do Grupo”, que nada mais eram que os estatutos do próprio Grupo do Quartel Geral de Papus em Paris.

A autorização de funcionamento chega por carta patente datada de 10 de julho de 1900 assinada pelo próprio Dr. H. Girgois (Carta IX-39) onde esta escrito “Pelo presente, o Comitê Diretor confere ao Ir. Dario Persiano de Castro Vellozo todos os poderes necessários para efeito de fundar em Curitiba, Paraná, o grupo de estudos esotéricos “Luz Invizivel” e convida a todos os membros a terem em conta a presente decisão. Nasce a pleno vigor e funciona então de forma regular a autorizada o primeiro grupo esotérico de cunho martinista do Brasil.

Uma explicação precisa ser dada, no mesmo ano mais exatamente em 20 de setembro de 1900, Dario Vellozo, maçom juntamente com outros funda a Loja Maçônica Luz Invisível, regularizada em 14 de julho de 1901, nascida no R.E.A.A. Essa Loja não teve ligação alguma com o GIEE Luz Invizivel, não unicamente pelo fato de nas próprias palavras do Ir. Dario Vellozo: “É intenção nossa fundar uma Loja do Rito Escocês Antigo e Aceito sob a jurisdição da Grande Loja Estadual, de membros escolhidos, que se dedicarão aos estudos dos Mistérios Maçônicos e publicamente (mas sob o mais profundo sigilo) à prática da caridade. Dos membros da Loja seletarei aqueles possam pertencer ao Centro, e ao Centro aqueles que possam iniciar-se na Loj::: Mart:::”. (Carta de DV a Girgois de 24 de março de 1900, o grifo é do próprio DV).  Explica-se assim o motivo da criação da Loja Maçônica, do Centro de estudos ou GIEE e da existência da Loja Martinista Luz Invisivel.

Em 96 de novembro de 1905 recebe Dario Vellozo o título de Mestre em Hermetismo, assinado pelo próprio Papus.

Em 1906 Dario Vellozo viaja até Buenos Aires para o “Congresso do Livre Pensamento” e também para o “Congresso Maçônico”. (Erasmo Pilotto em Dario Vellozo, Cronologia – 1969). Encontra então pessoalmente aquele veio a ser seu Iniciador. As correspondências continuam, recebe os Rituais Iniciador 1, 2 e 3. Recebe diretamente de Paris, assinado por Papus e Maurice Barrés, a Carta 141 nomeando-o “Delegado Especial” e logo na sequencia a de “Delegado Geral” para o Brasil.

Em Buenos Aires , na Argentina quase duas décadas após chegariam os Mascheville, que viriam a expandir o martinismo no Brasil.

Membros pertencentes ao Centro Esotérico e/ou a Loja Luz Invisível: Dario Vellozo, Julio Theodorico Guimarães, Generoso Borges, Emiliano Perneta, João Itibere, Euzébio da Motta, Manuel Carrão, Sebastião Paraná, Ermelino de Leão,  Mario Tourinho,  Jaime Reis, Silveira Netto, Nestor de Castro,  Francisco Ribeiro, Julio Perneta, Alô Guimarães, Domingos Duarte Vellozo, João Pedro Scheleder, João Urbano de Assis Rocha, Josephina Pereira Rocha, Reinaldo Machado, Magnus Sandahl, Ismael Martins, Lucio Pereira, João Leite Junior, Tito Vellozo, Ricardo de Lemos, Augusto Stresser, Manoel A. Silveira, Manoel Pacheco de Carvalho, Claudino dos Santos, Georgina Mongruel,  Chloe, Martha Silva Gomes, Florentina Vital Macedo, Noemia do Amaral Gutierrez, entre outros. Todos registrados em atas.

Além desses ligados ao GIEE tinham alguns membros correspondentes: Gonzaga Duque (RJ), Domingos Nascimento (Florianópolis), Figueiredo Pimentel (Niterói).

Um de seus que se destaca, era Joao Itiberê: “(...) em 1892, um curitibano que se educara na Bélgica, que fora colega de bancos escolares de Maeterlink, no colégio Saint-Michel, que vivera a vida do grupo jeune Belgique, que convivera com os mestres da literatura da época na Bélgica e na França, como os ouvidos e o espírito cheios das idéias do Simbolismo e de Arte Nova – em 1892 esse curitibano voltava à sua terra e à sua cidade. Era João Itiberê da Cunha, - Jean Itiberê, como assinará a maioria das suas produções. Profunda seria a sua influencia no Paraná em relação ao movimento da Arte Nova. E como ouvira pessoalmente Péladan, e estava a par de todo o movimento paralelo, e conhecia Stanislas de Guaita, Papus, Eliphas Levi, etc., trouxe também, a revelação de sua obra esotérica e mágica, que iria ser tão influente na orientação do pensamento de Dario Vellozo.(Erasmo Pilotto, Dario Vellozo, Cronologia – 1969). Alguns vêm nessa passagem outra 
possível iniciação de Dario Vellozo, mas que ainda não pode ser comprovada.

É um dos poucos que registrou e manteve contato com Philéas Lebesgue.

Mesmo após o primeiro encontro de muitos com Albert Costet de Mascheville (CEDAIOR) no ano de 1925, Dario Vellozo (APOLONIO DE TYANA) o recebeu no Instituto Neo Pitagórico e já doente ajudou Cedaior a se estabelecer e iniciar seus trabalhos no Brasil. Diga-se que com a chegada desse, varias iniciações ocorreram, e vários membros do grupo de DV trabalharam juntamente com Cedaior e posteriormente com Jehel seu filho.

Nas explicações que se dão a seguir é informado que as atividades do GIEE Luz Invizivel cessaram suas atividades públicas, e todas as reuniões continuaram a existir de forma discreta assim como iniciações e passagens de graus martinistas que ocorreram dentro da "Cella de Apolônio"; conforme registrado em cartas e certificados após essa data 1919.

Nota-se aí o inicio do serviço martinista incógnito que DV realizava.

O GIEE Luz Invisível trabalhou por 19 anos ininterruptos de atividades, palestras e estudos quando devido a cisão da maçonaria no estado do Paraná, e tendo em seu grupo membros de ambas os lados dessa cisão, decidiu adormecer o GIEE para evitar problemas para os seus. Finda então a organização externa de seu trabalho Martinista, que funciona com registros de Iniciações e passagem de graus até 1934, apenas três anos antes de Dario Vellozo falecer. (Questionário de ingresso e Juramento de iniciação a OM de Noemia Amaral Gutierrez em 19 de agosto de 1934).

Assim Dario Vellozo militou no martinismo por 37 anos consecutivos, um numero muito difícil de se atingir mesmo nos dias de hoje. Vemos que de efêmero apenas as vãs afirmações ao contrário que até o momento foram feitas a seu respeito.

Alguns membros iniciados pelo próprio DV deram continuidade em seu trabalho de forma livre e independente, e dessa forma esse conhecimento nos chega até hoje.
Chega através de documentos escritos a mão pelo próprio DV encontrado nas casas de descendentes de membros de seu grupo, como Julio Theodorico Guimarães (o qual dedicou a 1ª edição de 1899 do "Templo Maçônico" de DV),  Emiliano Pernetta, Ermelino de Leão, Sebastião Paraná, Alô Ticoulat Guimarães, João Itibere “Jean”, arquivos da Biblioteca Pública, MIS, entre antiquários e até mesmo sebos. Apesar da linhagem ter morrido com Dario Vellozo, a atual Luz Invizível tem sua herança espiritual, pode desejo.

Dessa forma a atual Loja Luz Invisível herdeira espiritual de Dario Vellozo hoje legalmente reerguida e restaurada, trabalha também como Grupo Independente de Estudos Esotéricos, onde nele é reavivado e colocado á sua altura merecida, os ensinamentos esotéricos e todo o trabalho iniciático de Dario Vellozo, ou melhor, de Apolônio de Tiana. Trabalha nos mesmos moldes e estrutura da antiga Luz Invisível de 1900 à 1937. A adoração cardíaca por suas obras está presente entre nós como verdadeiro sacerdócio, fulgor daquela época, enterrada por mais de 73 anos. 

Assim colocamos Dario Vellozo justamente onde deve ser lembrado por todo buscador da via cardíaca: 

Como o Mestre do passado de nossa tradição, grande Iniciado de sua época.

Fraternalmente,
+Tácitus, S:::I:::

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