segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A LOJA SECRETA “PROPAGANDA DUE” (P2)




A LOJA SECRETA “PROPAGANDA DUE” (P2)

William Carvalho*

         A Itália é um país relativamente recente. Antes da reunificação italiana em meados do século XIX, a península italiana era formada por reinos independentes, repúblicas, ducados e estados papais. A primeira loja maçônica de que se tem notícia, apesar da divergência dos historiadores (Findel x Gould), fundada naquela península, antes da criação do Reino da Itália, teria sido uma formada em Florença por Lord Sackville em 1773. No entanto, devido a seu envolvimento com a política partidária e a religião, não foi reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra.

         A história relata que, em 1877, ainda nos tempos da reunificação de Mazzini e Garibaldi, foi fundada pelo Grande Oriente uma loja maçônica em Roma chamada Propaganda Massonica. Era freqüentada por políticos e altos funcionários governamentais que não deviam ter os seus nomes expostos na relação das lojas normais e era diretamente ligada ao Grão-Mestre. Esta seria a Propaganda Uno.

         Este artigo busca traçar a trajetória da loja maçônica responsável por um dos maiores escândalos político-maçônico-estratégicos da segunda metade do século XX, ocorrido em 1981. A loja, inicialmente, quando formada pelo Grande Oriente da Itália - GOI, era uma loja de pesquisa que deveria funcionar dentro do espírito da Propaganda Uno. Posteriormente, em 1981, quando foi dissolvida e declarada ilegal pelo GOI (que também teve o seu reconhecimento suspenso pela Grande Loja Unida da Inglaterra em 1993), tornou-se letal, secretíssima e irregular – a famosa lojaPropaganda Massonica nº Due (P2). Era dirigida por Licio Gelli, um gênio organizacional e político, que montou um verdadeiro governo paralelo dentro do Estado Italiano com repercussão na política da OTAN, nos EEUU, em algumas esferas da cúpula do Vaticano e na Ibero-América. Deve haver um extremo cuidado ao manipular o assunto da P2, pois está se lidando com conceitos altamente explosivos e polêmicos consoante os seguintes atores: CIA, KGB, Soberana Ordem Militar de Malta, Banco do Vaticano, Opus Dei, Maçonaria Irregular, Comissão Trilateral, Serviço Secreto Italiano, Operação Gládio, Bispo Marcinkus, João Paulo I, Mossad, Jesuítas, Nazismo, Comunismo, Fascismo, Máfia etc.

         Gelli foi membro ativo do movimento fascista em 1936, tendo servido ao lado das tropas de Francisco Franco no Batalhão Camisas Negras durante a Guerra Civil Espanhola. Quatro anos mais tarde, recebeu a carteira do Partido Nacional Fascista Italiano. Em 1942, já se tornara secretário dos fascistas italianos no exterior. No período da IIª Guerra Mundial, Gelli, atuando como membro dos Camisas Pretas de Mussolini, chegou a ser oficial de ligação do Exército Italiano com a divisão de elite SS de Hermann Goering. Em 1944, sentindo que os ventos não mais sopravam favoráveis a Mussolini, criou uma rede de resistência conectada à CIA, graças ao V Exército Norte-americano recém chegado à península. Após a guerra, migrou para a Argentina sendo o primeiro a obter uma dupla nacionalidade: argentino-italiana. No exílio argentino, conseguiu se aproximar de Perón, resultando numa grande amizade e na nomeação para a posição de conselheiro econômico para os assuntos italianos.

Com o passar dos anos, Gelli retornou ao seu país de origem, estabelecendo-se como empresário em Arezzo, na Toscana. Culminou sua carreira com a entrada para o mundo das altas finanças e dos negócios em grande escala. Em 1981, foi acusado, veementemente, de fomentar uma conspiração que daria um golpe de estado na Itália. Em 1973, foi citado como traficante de armas para os países árabes e implicado numa transação de três milhões de liras italianas numa operação conhecida como Permaflex, uma firma que trabalhava com a OTAN. Gelli era tão bem articulado com oestablishment político estadunidense que chegou a ser convidado para as festas de investidura de três presidentes: Ford, Carter e Reagan. A facilidade de Gelli em atuar no mundo político e econômico era fantástica. Era amigo de Paulo VI, Coronel Kadafi, Ceanescu, Perón (por estas antigas relações argentinas chegou, na Guerra das Malvinas, a negociar mísseis Exocet franceses para as Forças Armadas de Galtieri) etutti quanti. Afirmam, ainda, que chegou a atuar como captador de fundos para a campanha de George Bush.

Iniciou-se na maçonaria em 1965, buscando se mirar nos dois Grão-Mestres sucessivos do GOI – Gamberini e Salvini – que se interessavam por uma aproximação mais estreita com o Vaticano. Três anos mais tarde, foi nomeado secretário da P2, elegendo-se seu Venerável Mestre em 1975. Gelli convidou Michele Sindona, o gênio financeiro do Vaticano, que trouxe consigo Roberto Calvi, o banqueiro mais chegado ao Vaticano. Contudo Gelli já tinha atuação marcante, pois, em dezembro de 1969, num encontro promovido no escritório romano do Conde Umberto Ortolani, o Embaixador da Ordem de Malta para o Uruguai, que era, na época, o cérebro da P2, foi montado o Estado-Maior da Loja: Umberto Ortolani, Licio Gelli, Roberto Calvi e Michele Sindona.

         Pelos idos de 1974, a P2 contava um efetivo de mais de 1000 membros, destacando-se uma maioria de elementos de escol na sociedade italiana, européia e ibero-americana. Consta num relatório de um dos procuradores italianos encarregados do inquérito da P2: ‘A Loja P2 é uma seita secreta que combinava negócios e política com a intenção de destruir a ordem constitucional do país’. Entre seus membros contavam-se três componentes do Gabinete, incluindo o Ministro da Justiça Adolfo Sarti. Vários ex-Primeiros Ministros, como  Giulio Andreotti que exerceu o cargo entre 1972 e 73 e novamente entre 76 e 79; 43 membros do Parlamento; 54 altos executivos do Serviço Público; 183 oficiais das forças naval, terrestre e aérea, incluindo 30 generais e 8 almirantes (entre eles o Comandante das Forças Armadas, Almirante Giovanni Torrisi); 19 juízes; advogados, magistrados, carabiniere; chefes de polícia; poderosos banqueiros; proprietários de jornais, editores e jornalistas (incluindo o editor do maior jornal do país Il Corriere Della Sera); 58 professores universitários; líderes de diversos partidos políticos (evidentemente, não do Partido Comunista Italiano, por razões óbvias); diretores dos três principais serviços de inteligência do país.

Todos esses homens, de acordo com os documentos apreendidos, juraram obediência a Gelli e estavam prontos para responder a seu chamado. Os 953 nomes estavam divididos em 17 grupos ou células, cada qual com um líder. A P2 era tão secreta e tão profissionalmente dirigida por Gelli que, até mesmo seus membros, não tinham conhecimento sobre quem pertencia à organização. Aqueles que mais conheciam a organização eram os 17 líderes de células e, mesmo esses, somente conheciam o seu próprio grupo.

         Magistrados italianos, examinando cuidadosamente documentos apreendidos na Villa Wanda (nome de sua mulher), de onde Gelli tinha fugido quando a P2 explodiu, encontraram centenas de documentos altamente secretos dos serviços de inteligência. O Coronel Antonio Viezzer, ex-chefe dos serviços secretos de inteligência combinados, foi identificado como a fonte primária desse material, tendo sido preso em Roma por espionar em nome de uma potência estrangeira.

         Ainda nessa época, Gelli reuniu-se secretamente com o General Alexander Haig, ex-Comandante Supremo da OTAN e, no momento, Chefe do Gabinete Civil do Presidente Nixon. O encontro foi na própria Embaixada dos EEUU em Roma. Com as bênçãos de Henry Kissinger, então Assessor do Conselho de Segurança Nacional, Gelli saiu do encontro com a promessa de contínuo suporte financeiro para a Operação Gládio e para sua loja maçônica além de um plano para a subversão interna da política italiana.
           Reuniu-se, a seguir, com outro membro da P2 – Roberto Calvi, Presidente do Banco Ambrosiano de Milão (la banca dei preti), o segundo maior banco privado da Itália e um dos maiores acionistas do Banco do Vaticano – para dar seqüência ao plano. Calvi, neste ínterim, já tinha começado a bombear dinheiro ilegalmente do seu banco, usando o Banco do Vaticano – o Istituto per le Opere di Religione (IOR) para a lavagem. Gelli tinha Calvi em suas mãos. Convém salientar que, no início de 1967, um ex-chefe do Serviço Secreto Italiano tinha se filiado à loja P2, trazendo consigo mais de 150.000 fichas de pessoas-chave na sociedade italiana. Seja por chantagem ou ideologia, Calvi continuou drenando vastos fundos para Gelli e a P2 até a falência final do banco. Em 1978, outro fato político chocou a sociedade italiana e o mundo: o seqüestro e posterior assassinato do ex-Primeiro Ministro Italiano – Aldo Moro – pelas Brigadas Vermelhas, um grupo revolucionário de tendências pró-soviéticas. Evidências posteriores demonstraram que o assassinato de Moro foi orquestrado pela P2 e que asBrigadas Vermelhas e Negras estavam infiltradas pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

         Alguns meses após o assassinato de Moro, o mundo assistiu à eleição de Albino Cardeal Luciani para o papado com o nome de João Paulo I. Irradiando simpatia e honestidade, a eleição de Luciani causou um certa angústia em alguns setores da cúria, especialmente nas áreas próximas ao bispo Paul Marcinkus, um bispo de Chicago que dirigia o Banco do Vaticano e que sabia ter seus dias contados, pois estava demasiadamente envolvido em fraudes financeiras, especialmente com Roberto Calvi. Alguns, ainda, têm dúvidas de como o IOR-Banco do Vaticano se envolveu numa tão má circunstância. Um pouco de história poderá esclarecer alguns pontos. Em 1929, o Vaticano e Mussolini assinaram o Tratado Lateranense, conhecido como a Concordata do Vaticano, que funcionou até 1984, quando a religião católica não foi mais reconhecida como a religião oficial do Estado Italiano. Como resultado, a cidade do Vaticano tornou-se um estado soberano dentro da cidade de Roma e independente do governo italiano, tendo a Igreja recebido um aporte financeiro de milhões de liras vindas do Duce. Como compensação, esperava-se uma certa benevolência do Vaticano em relação ao fascismo ascendente. A Igreja, desejando bem investir seus recursos para o pagamento de seus débitos e de suas obras de caridade, criou, primeiramente o APSA e depois o IOR. O IOR tornou-se um paraíso para os ricos italianos que desejavam espoliar o fisco em clara violação às leis bancárias italianas, prevenindo que seu dinheiro não caísse em mãos dos alemães. Contudo, a elite vaticana não estava contente em somente trabalhar com os bancos católicosdo país (assim chamados porque emprestavam dinheiro a baixas taxas de juros, visando não violar a lei da usura da Igreja). Necessitavam de financistas leigos para encontrar investimentos seguros e lucrativos para a Igreja. Daí surgem homens do naipe de Michele Sindona e Roberto Calvi. O império italiano de Sindona começou a colapsar em 1974 e o de seu protegido – Calvi – começou em 1978 e culminou com a quebra do Ambrosiano em agosto de 1982. Salienta-se ainda, que, antes do seu indiciamento por morte do investigador italiano Giorgio Ambrosoli, liquidante de seu Banca Privata Italiana, Michele Sindona era, não só o financista da P2 como o conselheiro de investimentos do IOR, ajudando o Banco a vender os seus ativos italianos e reinvesti-los nos EEUU. Em 1980, Sindona foi preso em Nova Iorque e condenado nos EEUU por 65 casos de acusações de fraude e pela falência fraudulenta de seu banco norte-americano – Franklin National Bank - sendo extraditado para a Itália em 1984, onde dois anos depois – março de 86 - foi envenenado em sua cela enquanto cumpria uma sentença por assassinato. Calvi foi condenado em 1981 sob acusação de transação com moeda ilegal.

         O Papa Luciani não era bem visto pela extrema-direita italiana, pois esta o considerava indulgente em relação ao comunismo e por seu pai ter pertencido aos quadros do Partido Socialista Italiano. Com 33 dias de pontificado no ano de 1978, João Paulo I, o Papa “Sorriso”, como era popularmente conhecido, foi encontrado morto nos seus aposentos. A súbita morte do Papa deixou um rastro de interpretações e “especulações” que duram até os dias atuais.

         Com a morte de Luciani, foi eleito papa o polonês Karol Wojtyla, um papa bem mais conservador, pois fora testado na luta anti-soviética contra o governo polonês. Marcinkus obteve, temporariamente, uma sobrevida, pois o novo papa necessitava urgentemente de providenciar recursos para o sindicato dos estaleiros navais poloneses, um trabalho que viria culminar noMovimento Solidariedade, que determinou o fim do comunismo na Polônia, a queda do Muro de Berlim e, por que não dizer, a derrocada do Império do Mal. A título de curiosidade, a CIA passou a ter uma vigilância eletrônica maior sobre o Vaticano quando detectou um telefonema, em 5 de julho de 1979, de Walesa (líder sindical e futuro presidente da Polônia) perguntando se João Paulo II aprovaria o nome Solidariedade para o movimento político de união sindical que viria a ser implantado. Walesa explicou que a palavra tinha sido tirada da encíclica pontifícia Redemptor Homis – um documento devotado à redenção e à dignidade da raça humana. 

         A luta do Solidariedade contra o governo títere da Polônia serviu para dar uma nova força ao trio Marcinkus-IOR, Calvi-Banco Ambrosiano e, obviamente, Gelli-P2. A P2 providenciava os meios para reforçar as instituições anticomunistas na Europa e na Ibero-América com fundos do IOR e da CIA. Calvi, que foi encontrado enforcado – alegou-se suicídio - sobre a Ponte Blackfriars (Frades Negros) em Londres em 17 de junho de 1982, gabava-se de ter-se encarregado pessoalmente da transferência de 20 milhões de dólares do IOR para o Solidariedade, embora a soma total drenada para a Polônia tenha sido de mais de 100 milhões de dólares. Durante a saga lendária de Calvi, devem ser citados os seguintes acontecimentos: i) em 1992, o desertor da máfia Francesco Mannino Mannoia disse que Calvi foi estrangulado por Francesco di Carlo, o responsável pelo tráfico de heroína em Londres. A ordem de morte teria partido de Pippo Calo, tesoureiro da máfia e embaixador em Roma. Desesperado por tapar os rombos do seu banco, Calvi teria concordado em lavargrande quantidade de dinheiro da máfia e que, com o passar do tempo, ele teria desviado parte do dinheiro da máfia para manter o banco funcionando; ii) preocupado com a descoberta pela máfia de seus desvios de dinheiro, Calvi teria viajado para Londres para tentar um empréstimo com o tesoureiro da Opus Dei. Se a operação fosse realizada, Calvi pagaria à máfia e salvaria o banco da investigação do Banco Central italiano. Por alguma razão – maquiavelismo da Opus Dei ou beijo mafioso – o empréstimo não se realizou e Calvi enforcou-se ou foi forçado a isso. Após a morte de Calvi, o Vaticano nomeou uma comissão de “Quatro Notáveis” sendo um deles, Herman Abs, ex-presidente do Deutsche Bank.

         Com a fuga de Gelli para o seu exílio na Suíça e a morte de Calvi, assistiu-se à derrocada formal da P2. Apesar da dissolução da P2 em 1981 e da expulsão de Gelli pelo Grande Oriente da Itália, o espírito da P2 não feneceu. A prisão, no aeroporto de Fiumicino da Signora Maria Gelli, sua filha, com uma mala cheia de documentos, bem diferentes dos de Villa Wanda, de pessoas envolvidas em espionagem fosse na KGB, fosse no MI6 e outros quejandos podia ter sido uma mensagem de Gelli para um bom entendedor. O saldo entre os principais atores e algumas instituições apresenta-se o seguinte: o octagenário Gelli, depois de fugas rocambolescas, pois esteve no Uruguai, Sérvia, Belgrado, Suíça, Marselha, Aix-en-Provence, acabou, finalmente, preso e extraditado em Cannes em 1998, em uma de suas mansões de alto luxo na Costa Azul da Riviera francesa, é condenado a doze anos de prisão por estar envolvido na bancarrota do Ambrosiano; Calvi e Sindona, mortos; Paul Marcinkus é exilado para uma paróquia perdida nos confins dos Estados Unidos; o GOI não quer mais falar nesse assunto tabu; a maçonaria anglo-saxônica desconhece solenemente a questão (não existe um único artigo sobre o assunto no Ars Quatuor Coronatorum, somente referências esparsas); o Vaticano, por ser um Estado soberano não permite nenhuma investigação dos procuradores italianos sobre o assunto.

Os recursos humanos estratégicos da P2, contudo, ainda atuam na política italiana, pois em junho de 1994, o abastado homem de negócios do norte da Itália – Silvio Berlusconi foi nomeado primeiro-ministro. Opiduisti (pedoisista) Berlusconi tentou passar um decreto-lei cujo texto rezava que os delitos de corrupção e de concussão são considerados ‘menos graves’ e, em conseqüência, a detenção preventiva é suprimida. Será que a lição da P2 foi aprendida?

BIBLIOGRAFIA
BENIMELI, José A. Ferrer e MOLA, Aldo A. (eds), La Massoneria Oggi, Editrice Italiana, Foggia, Itália, 1992. [Tem um artigo de Licio Gelli intituladoMaçonaria e Poder. Neste artigo Gelli se defende e se apresenta como uma vítima de uma perseguição geral da maçonaria).

CONTE, Charles e RAGACHE, Jean-Robert,Comment peut-on être Franc-maçon?, Revue Panoramiques, Éditions Corlet-Arlés, Paris, 1995.

DAVID A. Yallop, In God's Name: An Investigation Into the Murder of Pope John Paul I, Ed. Bantam, New York, 1984.

GREELEY, Andrew M., Como se faz um Papa, ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1980.
HENDERSON, Kent, Italian Freemasonry and the P2 Incident, The Transactions of the Lodge of Research Nº 218, Victoria, Australia, 1987, pp. 25-33.

INTERNET (diversos), inclusive com uma página que mostra a veia poética de Licio Gelli <http://www.club.it/autori/licio.gelli/licio.gelli.poesie.html>

KNIGHT, Stephen, The Brotherhood: The Secret World of the Freemasons, Stein and Day, New York, 1984

MARTIN, Malachi, Os Jesuítas – A Companhia de Jesus e a Traição à Igreja Católica, Ed. Record, Rio de Janeiro, 1989.



* Obreiro da Loja Equidade & Justiça 2336, Membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, Diretor da Biblioteca do GOB, QCCC e MPS.

A Biblioteca e o Museu da Franco-Maçonaria da Grande Loja da Inglaterra



A Biblioteca e o Museu da Franco-Maçonaria da Grande  Loja da Inglaterra


A Franco-Maçonaria é uma das mais antigas sociedades fraternais do mundo – uma socie- dade comprometida com valores morais e espirituais. Suas regras são ensinadas a seus membros por uma série de rituais que seguem as formas antigas e usam, simbolicamente, os costumes e as ferramentas dos pedreiros.

A Biblioteca e o Museu da Franco-Maçonaria abrigam uma das mais interessantes coleções de material maçônico do mundo. Estão abertos ao público, de segunda a sexta, e a entrada é gratuita.

O Museu
Uma série de exposições que se alternam retratam a história da Franco-Maçonaria na Inglaterra e os aspectos específicos da vida maçônica. Uma variedade enorme de objetos, incluindo cerâmicas Wedgwood, cristais e peças de metal (até mesmo aquecedores de cama), foram, ao longo dos séculos, produzidos como decoração maçônica.

As coleções do Museu são extensas, e contêm cerâmica e porcelana, objetos de cristal, prata, móveis e relógios, jóias maçônicas e presentes. Itens pertencentes a franco-maçons famosos e da realeza, como Winston Churchill e Edward VII. Esses obejtos são exibidos juntamente com amostras da ampla coleção de impressões e pintura, fotos e periódicos do Museu.


A Biblioteca
A Biblioteca está aberta para a pesquisa, e o material do arquivo fica disponível mediante filiação. Ela contém uma coleção que compreende livros impressos e manuscritos de todas as facetas da Franco-Maçonaria na Inglaterra, assim como materiais sobre a Ordem em todos os lugares do mundo e a respeito de assuntos associados às tradições místicas e esotéricas.

As coleções incluem música, poesia e literatura maçônicas. Há um número de exemplos notáveis nos volumes dos séculos XVIII e XIX.

A Biblioteca está sempre à disposição para ajudá-lo em investigações históricas pelo telefone, pelo correio e pessoalmente. Os funcionários podem informá-lo sobre como usar suas fontes, entretanto, eles não podem se responsabilizar pela pesquisa extensiva em investigações individuais.


A Franco-Maçonaria
Quando, onde e porque a Franco-Maçonaria começou, não se sabe. Acredita-se que ela tenha se originado na Inglaterra, proveniente da arte dos pedreiros medievais. Lojas de maçons operativos começaram a aceitar membros não-praticantes, que gradualmente assumiram o controle, enquanto grupos de homens interessados em promover a tolerância reuniam-se e adotavam as ferramentas e costumes maçônicos como auxílio de ensino alegórico.

O registro mais antigo do trabalho de um maçom em uma loja não-operativa na Inglaterra é o de Elias Ashomle, em Warrington, em 1646.
Em 24 de junho de 1717, quatro lojas de Londres reuniram-se em Goose e Gridion Ale House, nos jardins da igreja de St. Paul, para formar a primeira Grande Loja do mundo. A Grande Loja se tornou o corpo regulatório para a Franco-Maçonaria, manteve encontros freqüentes e publicou um livro de regras.

Uma Loja rival à Grande Loja foi formada em Londres em 1751, e reclamou para si o título Antients Grand Lodge. Por 60 anos as duas Grandes Lojas co-existiram, até que uma União entre elas fosse realizada, em 1813, para formar a Grande Loja Unida da Inglaterra. 



PARA SER FELIZ...

Acorde todas as manhãs com um sorriso. Esta é mais uma oportunidade que você tem para ser feliz.
Seja seu próprio motor de arranque.
O dia de hoje jamais voltará. Não o desperdice. Você nasceu para ser feliz!
Enumere as boas coisas que você tem na vida. Ao tomar consciência do seu valor, será capaz de ir em frente com muita força, coragem e confiança!
Trace objetivos para cada dia. Você conquistará seu arco-íris, um dia de cada vez. Seja paciente.
Não se queixe do seu trabalho, do tédio, da rotina, pois é o seu trabalho que o mantém alerta, em constante desenvolvimento pessoal e profissional. Além disso, ajuda você a manter a dignidade.
Acredite, seu valor está em você mesmo. Não se deixe vencer, não seja igual, seja diferente, seja especial.
Quando nos deixamos vencer, não há surpresas, nem alegrias...
Conscientize-se de que a verdadeira felicidade está dentro de você. A felicidade não é ter ou alcançar, mas ser e doar-se.
Estenda sua mão. Compartilhe. Sorria. Abrace. Deixe-se envolver pelo afeto.
A felicidade é como um perfume. Você o passa nos outros e o cheiro fica um pouco em suas mãos.
E quando você se deixa envolver por essa fragrância especial, ao abraçar alguém deixa um pouco do seu cheiro, pois esse perfume é contagiante.
O importante de você ter uma atitude positiva diante da vida, ter o desejo de mostrar o que tem de melhor, é que isso produz efeitos colaterais maravilhosos.
Não só cria um halo de conforto para os que estão ao seu redor, como também encoraja outras pessoas a serem mais positivas.
O tempo para ser feliz é agora. O lugar para ser feliz é aqui!
A felicidade está ao alcance de todos, mas somente as pessoas especiais a têm alcançado. E sabe porquê?
Porque as pessoas especiais são aquelas que têm a habilidade de dividir suas vidas com os outros.
Elas são honestas nas atitudes, são sinceras e compassivas, e estão certas de que o amor é parte de tudo.
As pessoas especiais praticam a arte de se doar aos outros, e de ajuda-los com as mudanças que surgem em seus caminhos.
As pessoas especiais não temem dividir seus conhecimentos, compartilhar seus sonhos, suas alegrias.
Elas não têm medo de ser vulneráveis; acreditam que são únicas e têm prazer em ser quem são.
As pessoas especiais são aquelas que se permitem a ventura de estar próximas dos outros e importar-se com a felicidade alheia.
Elas sabem que o amor é o que faz a diferença na vida.
As pessoas especiais são aquelas que realmente tornam a vida bela.
E você, também é uma dessas pessoas especiais? 
*** 
Pense nisso!
Todas as pessoas são especiais.
Todas foram especialmente geradas pelo amor do criador do universo, que enfeita o céu com as estrelas e coloca na intimidade de cada ser, uma centelha de luz.
Compete a cada pessoa fazer brilhar sua própria luz, conforme o convite de Jesus.
Se você ainda tem alguma dúvida sobre que atitudes tomar para ser feliz, anote estas ligeiras dicas e as realize.
Em breve verá que novos horizontes se abrem mostrando uma realidade diferente: a realidade das pessoas felizes.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em textos de autorias desconhecidas.

Fonte: Momento espírita.

da Rosa-Cruz original e dos Rosa-Cruzes poloneses entre os séculos XVII e XVIII





da Rosa-Cruz original e dos Rosa-Cruzes poloneses entre os séculos XVII e XVIII
As perspectivas teóricas de Rafal T. Prinke
 
Rafal T. Prinke escreveu sobre as possíveis conexões entre Michael Sendivogius, o grande alquimista polonês, com os primeiros Rosacruzes no Hermetic Journal no.15, mas existem também alguns outros fatos que se referem aos Rosacruzes poloneses. Suas atividades parecem ter sido centradas em Gdansk (Danzig) onde uma primeira apologia rosacruciana fora publicada em 1615 - por Julius Sperber - Echo der von Gott hocherleuchteten Fraternitet, des loblichen Ordens R.C. [ Eco da fraternidade iluminada por Deus], nas mãos de Sperber, a sabedoria transmitida por Christian Rosenkreutz torna-se uma antiga doutrina secreta que se poderia remontar aos tempos bíblicos.

Essa sabedoria achava-se incorporada num ensinamento que, por intermédio de Noah (Noé) e dos patriarcas, foi depois passado a Zoroastro, aos Caldeus, aos persas, aos egípcios; voltou a ser preservada na cabala Judaica. Uma nova época começou então com Cristo, que mostrou a todos os homens o caminho da bem-aventurança, reservando, porém, a alguns poucos escolhidos o conhecimento do caminho da sabedoria divina. Mais tarde, essa sabedoria quase se perdeu, exceto em terras pagãs; mas somente poucos, muito poucos cristãos a encontraram. Tais foram, segundo Sperber, Cornelius Agrippa, Johannes Reuchlin, Marsilio Ficino, Pico della Mirandola e Aegidius Gutmann. Sperber considerava os rosa-cruzes herdeiros dessa sabedoria.

E tudo isto é especialmente interessante porque apresenta o Rosacrucianismo no contexto hermético-ocultista, à qual ficou conectado desde então. Como este livro foi publicado em 1615, isto é, um ano depois do Fama e no mesmo ano que o Confessio, pode até ser considerado como uma peça do mesmo enredo. Neste caso, teríamos que aceitar a existência da Ordem Rosacruz como uma organização estruturada, tendo representantes em várias partes da Europa, o que não é completamente impossível.

Christopher McIntosh menciona rumores de uma Ordem Rosacruz funcionando em linhas alquímicas por volta de 1622 no Hague e em várias outras cidades inclusive Gdansk, na Polônia. Provavelmente a mesma Ordem foi descrita por Peter Mormius como ativa em 1620 e que também preocupava-se com alquimia.

Significativamente, foi chamado de Rosa Cruz Áurea ( Rosa- Cruz de Ouro), nome que mais tarde, no século XVIII, orientaria alquimicamente uma organização conectada à Franco-Maçonaria. Parece possível que esta organização alquímica com lojas ou centros em Gdansk e outras cidades fossem ramos da Fraternidade original ou mesmo um grupo fundado durante a "febre" rosacruz que seguiu-se à publicação do Fama e do Confessio, devido às dificuldades em se contactar a fraternidade original.

No caso posterior o fundador (ou um deles) pode bem tem sido Julius Sperber, acima mencionado. O grupo de Rosacruzes em Gdansk continuou a publicar livros até o final de século 17, entre os quais, por exemplo, os trabalhos de Geber e Chemia Philosophica de Jacob Barner. Um dos mais interessantes artigos publicados por eles foi Ein ausfuhrlicher Bericht von der Ersten Tinctur-Wurtzel... (1681) por Wincenty Kowski ou Koffski. Era uma tradução alemã do trabalho previamente publicado em latim como Tractatus de prima materia veterum lapidis philosophorum na coleção Thesaurinella olympica aurea tripartita, editado e introduzido por Benedictus Figulus (Frankfurt, 1608).

De acordo com alguns relatos, Figulus em sua introdução alude à uma associação secreta de alquimistas, mas isto não é de interesse principal aqui. Muito mais interessante é seu relato sobre a vida de Wincenty Kowski, sobre quem nada é conhecido de outras fontes. Figulus declara que ele nasceu em Poznan, se tornou um monge dominicano em um monastério em Gdansk e era alquimista (de outras fontes é sabido que monastérios dominicanos eram centros de práticas alquimicas).

Ele escreveu seu Tractatus de prima materia no fim de sua vida, tendo concluído em 3 de maio, 1488, e tendo morrido no mesmo ano. Antes de sua morte ele o escondeu sob um tijolo em cima de sua cela. Foi descoberto em 14 de agosto, 1588 e publicado em 1608. Não existiria nada especial sobre tal fato se uma série de coincidências não aparecesse. Em primeiro lugar, nós temos Gdansk novamente menciondado como o lugar onde o sistema de Kowski havia tinha sido encontrado (entretanto, primeiramente publicado em Frankfurt-am-Mein); foi então traduzido pelo rosacruzes de Gdansk para o alemão, e finalmente o período de tempo da morte de seu autor à sua publicação era exatamente de 120 anos, o mesmo período que decorreu da morte de Christian Rosenkreutz para a abertura de sua tumba. Como a história inteira estava impressa bem antes do Fama, pode vir à indicar a existência de uma certa tradição que irrompe na história sob diferentes disfarces e em diferentes lugares. Talvez possa estar conectado à obra de Simon Studion ( Naometria ), como alguns autores sugerem, ou pode apontar para a existência de uma organização hermético-alquímica de caráter rosacruciano antes mesmo da circulação do Fama e do Confessio.

Além de Gdansk, é possível que a Cracóvia fosse outro centro de atividades da Ordem, porque ela era a capital do país e abrigava uma universidade. A alquimia de Paracelso estava intensamente sendo estudada por lá e seus livros publicados, e até mesmo o próprio Paracelso visitou o lugar em várias ocasiões, tendo amigos e pacientes na região (especialmente a família de Boner, Wojciech Baza e Dawid Mayer). De maneira interessante, Paracelso também visitou Gdansk pelo menos uma vez. Podemos também lembrar, mas sem entrar em detalhes, que Comenius (Jan Amos Komensky), que frequentemente acredita-se conectado com os Rosacruzes, por que de fato estava, passara a maior parte de sua vida na Polônia, na cidade de Leszno, e que John Dee em 1585 encontrava-se na Cracóvia, onde conheceu o hermetista Hannibal Rosseli, o mesmo John Dee, que de acordo com F. Yates pode muito bem ter em última instância originado o movimento rosacruz.

A próxima fase da história do Rosacrucianismo, aquela da Rosa Cruz Áurea, começara com a publicação de Die wahrhafte und volkommene Bereitung... [ A verídica e perfeita preparação da pedra filosofal, da fraternidade da Ordem Rosa Cruz de Ouro e da Cruz Rosa (ou vermelha) ...] por Sincerus Renatus ou Sigmund Richter em 1710. (Sigmund ) Samuel Richter era um pastor luterano, pouco se sabe sobre sua vida. Perante sua obra sabe-se que baseava-se principalmente nos trabalhos de Julius Sperber de Gdansk e Michael Maier, que o conecta à Michael Sendivogius, admirado por Maier. Porém, o nome da Ordem Rosa Cruz de Ouro já havia aparecido em 1620 e também estava conectado à alquimia. Portanto, é bastante plausível que a ordem do século 18 fosse uma continuação da antiga que havia estado ativa no Hague, Gdansk e outras cidades.

Quando a Ordem Rosa Cruz de Ouro foi "maçonizada" e realmente tornou-se um dos numerosos ritos de Maçonaria, também tivera lojas ou "círculos" na Polônia, especialmente em Warsaw. Esta corrente do Rosacrucianismo foi provavelmente introduzida na Polônia por Jean Luc Louis de Toux de Salvarte, um maçom aventureiro que viajou por toda a Europa antes dele vir a instalar-se em Warsaw em 1749 e que havia sido iniciado nos mais altos graus da Rosa Cruz de Ouro em Viena por volta de 1741. Entre outros membros da Ordem estavam : o último rei da Polônia, Stanislaw August Poniatowski, seu irmão Kazimierz Poniatowski, Josef Jerzy Hylzen, que também era presidente do sublime conselho escocês do Grande Oriente da Polônia, Samuel Okraszewski, um químico que fez experiências com vôos de balão, e Karol Henryk Heyking, uma das figuras mais importante da Maçonaria polonesa.

Próximo ao final do século 18 o mestre dos rosacruzes poloneses com o título de "Justitiarius" era o Conde Karol Adolf Bruhl conhecido na Ordem como Frater Oscarus. Outro membro importante e influente era o Conde August Moszynski, magnata e alquimista, que tivera um laboratório em seu palácio em Warsaw e conduzira experiências alquímicas financiadas pelo Rei Stanislaw August Poniatowski. Ele também ficou conhecido como a pessoa que expôs as fraudes de Cagliostro numa visita posterior à Warsaw em 1780.

O problema de "sucessão" para Rafal T. Prinke

Parece haver três possibilidades para ser levar em conta:

(1) Existiam duas organizações distintas usando nomes semelhantes, um do qual estava preocupado "reforma universal" no espírito de várias utopias (e isto era provavelmente organizado muito frouxamente e incluía Johann Valentin Andreae e seu círculo ( o círculo de tübingen) , Comenius, etc.), enquanto o outro estava preocupado com alquimia e a filosofia hermética e incluía entre seus membros Julius Sperber, Michael Maier, Michael Sendivogius, Robert Fludd, e outros;

(2) que estes eram dois ramos da mesma organização, a filial alquimica sendo chamada "de Ouro" para distiguí-la propriamente do ramo reformista;

(3) existia uma só Ordem dedicada ao o estudo da alquimia e da tradição hermético / gnóstica, enquanto o Fama, Confessio e o Casamento Alquimico eram sátiras produzidas por Andreae sobre a verdadeira fraternidade dos rosacruzes.

Referências

- The Jagged Sword and Polish Rosicrucians, by Rafal T. Prinke, article originally published in Journal of Rosicrucian Studies, 1 (1983), 8-13.

- Michael Sendivogius and Christian Rosenkreutz, by Rafal T. Prinke, Article originally published in The Hermetic Journal, 1990, 72-98.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Diferenças entre Religião (Institucional) e Espiritualidade


Diferenças entre Religião (Institucional) e Espiritualidade
(anônimo)

Todos precisamos de Religião e de Espiritualidade, a sabedoria estará no equilíbrio que cada um conseguir para viver em paz consigo mesmo.
Religião não é apenas uma, são centenas de instituições.
Espiritualidade é apenas uma – uma percepção, uma sensibilidade.
Religião é para os que ainda “dormem”.
Espiritualidade é para os que já “despertaram”.

Religião é para aqueles que necessitam que lhes diga o que
fazer, que ainda necessitam de ser guiados.
Espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
Religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
Espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo.
Religião não indaga nem questiona.
Espiritualidade questiona tudo.
Religião inventa (dogmas).
Espiritualidade descobre.

Religião pode impor, ameaçar e amedrontar.
A espiritualidade te dá P az Interior.
Religião fala de pecado e de culpa.
Espiritualidade te diz: “aprende com o erro”.

Religião reprime, pode te fazer falso.
Espiritualidade transcende e te faz verdadeiro!
Religião (institucional) não é Deus, é meio.
Espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

Religião é humana, é uma organização com regras.
Espiritualidade é Divina, com princípios naturais.
Religião é causa de divisões.
Espiritualidade é fator de união.

Religião te busca para que nela acredites.
Espiritualidade – tu tens que buscá-la.
Religião segue os preceitos de um livro sagrado.
Espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

Religião se alimenta da anti-crítica, da “consciência pesada”, dos clichês mentais e do medo.
Espiritualidade se alimenta da Confiança e da Fé (naturais  -não dogmáticas).
Religião faz viver restrito ao pensamento estereotipado.
Espiritualidade faz Viver na Consciência.

Religião se ocupa com parecer conforme modelo.
Espiritualidade se ocupa com Ser.
Religião alimenta o ego.
Espiritualidade nos faz transcender nosso ego.

Religião nos leva a renunciar ao mundo, independente do que é bom ou mal, natural ou artificial.
Espiritualidade nos faz viver a Obra de Deus, não renunciar a Ela.
Religião é adoração (fé dogmática).
Espiritualidade é Meditação (fé natural).

Religião sonha com glória e com paraíso idealizados.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
Religião vive no passado e no futuro.
Espiritualidade vive o presente.

Religião enclausura nossa mente e coração.
A espiritualidade liberta nossa consciência e sentimento.
Religião fala de vida eterna como recompensa.
Espiritualidade nos faz consc iente da Vida, agora e no futuro.

Religião promete para depois da morte...
Espiritualidade é, transcendendo o fenômeno natural da morte, encontrar Deus em Nosso Interior, desde já.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Semelhanças entre os ensinamentos de Buddha e Jesus




Semelhanças entre os ensinamentos de Buddha e Jesus
Contribuição de Lenise Olive, Sacerdotisa Expectante do 2º Grau - Belo Horizonte-MG


Desde o século passado estudiosos apontam as surpreendentes semelhanças entre os ensinamentos de Buddha e Jesus-O-Cristo. É como se Deus tivesse posto duas vertentes de uma mesma fonte adequadamente apropriadas para os mundos Oriental e Ocidental.
Veja alguns exemplos:
Buddha
: É mais fácil ver os erros dos outros que os próprios; é muito difícil enxergar os próprios defeitos. Espalham-se os defeitos dos outros como palha ao vento, mas escondem-se os próprios erros como um jogador trapaceiro.
Jesus: Por que olhas o cisco no olho de teu irmão e não vês a trave no teu? Como ousas dizer a teu irmão: deixa-me tirar o cisco de teu olho, pois sei corrigir o teu erro de visão. Hipócrita, tira primeiro o engano da tua visão, e só então poderás tirar o cisco do teu companheiro.

Buddha: Não importa o que um homem faça, se seus atos servem à virtude ou ao vício. Tudo é importante. Toda ação acarreta frutos.
Jesus: Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Por ventura colhem-se figos de espinheiros ou ervas de urtigas? Toda árvore se conhece pelos frutos.
Buddha: A pessoa má fala com falsidade, acorrentando os pensamentos às palavras. Aquele que fala mal e rejeita o que é verdadeiramente justo não é sábio.Jesus: O homem bom tira coisas boas do tesouro do coração, e o mau retira coisas más, pois a boca fala do que está cheio o coração.

Buddha: Assim como a chuva penetra numa casa mal coberta, também a paixão invade uma mente dispersa. Assim como a chuva não penetra numa casa bem coberta, igualmente a paixão não invade uma mente bem formada.
Jesus: Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como um homem que construiu uma casa sobre a rocha. Caiu a chuva, uma torrente se abateu sobre a casa, mas ela não caiu, pois estava fundada sobre a rocha. Mas aquele que ouve as minhas palavras mas não as pratica é semelhante a um homem que construiu sua casa na areia. Veio a chuva, a torrente se abateu sobre ela, e ela desabou. E foi grande a sua ruína.

"A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a Teologia. Abrangendo os terrenos material e espiritual, essa religião será baseada num certo sentido religioso procedente da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, como uma unidade expressiva ou como a expressão da Unidade".
                                                                                                                                                
Albert Einstein

sábado, 8 de janeiro de 2011

10 MOTIVOS PARA NÃO SER UM MARTINISTA



10 motivos para NÃO ser um Martinista
S::: I::: 

Não é raro recebermos e-mails de amados irmãos se dizendo interessados em ingressar em uma Ordem Martinista e para tanto solicitando do grupo Hermanubis razões e motivos suficientes que os convençam de realmente se afiliarem ou de receberem uma iniciação. É claro que o nosso papel não é convencer ninguém a ser ou deixar de ser Martinista, esta é uma decisão pessoal e íntima, nestes casos nós costumamos responder aos interlocutores com os 10 motivos para não serem Martinistas. Este texto reproduzimos abaixo:

1)Você está preparado e o "mestre" ainda não apareceu diante de seus olhos para lhe revelar todos os segredos do Universo? Então o Martinismo não é a sua melhor escolha. Em nossa fraternidade não há "gurus" nem lideres infalíveis, não defendemos nenhum dogma religioso. Para o Martinista o Mestre está dentro de si mesmo, pois somos todos filhos de um mesmo Pai

2)Você está convencido que todos os seus esforços pessoais, toda a dedicação a Fraternidade, deve ser minimamente recompensada com regalias, medalhas e títulos pomposos? Então o Martinismo não é a sua melhor escolha! Em Nossa fraternidade depois de décadas de estudo, práticas, erros e acertos você irá aprender a ser um Incógnito, apenas mais um na multidão, sem reconhecimento, sem distinção e sem nenhum engrandecimento social.

3)Você acredita que para uma fraternidade ser poderosa é necessário ter membros e afiliados poderosos? É necessário reunir várias Lojas? Ter poder político para atuar com força na sociedade? Então o Martinismo não é a sua melhor opção! Nossa Fraternidade é apolítica, nossas Ordens e nossos grupos não agregam um numero considerável de afiliados ou membros, não temos objetivos mundanos nem elegemos vereadores, deputados ou senadores. Dinheiro não garante evolução espiritual.

4)Você está preparado para ser caluniado, ridicularizado e humilhado publicamente? Cada passo que você der na direção da Verdade e do conhecimento, mais inimigos você irá atrair. A Natureza humana não está suficientemente educada para entender que: "quando um individuo se eleva a sociedade humana como um todo se eleva concomitantemente" então o trabalho individual representa na verdade uma labuta coletiva. A cada ser humano que você tiver o privilégio de tirar das trevas da ignorância, mais Luz é trazida sobre nossa natureza mundana. Para muitos a Luz e o conhecimento significam independência e esta independência é intolerável para os que acreditam serem superiores aos demais.

5)Você tem firme convicção que uma fraternidade ou uma Ordem pode transformar a sua vida e a vida de seus familiares em uma fonte inesgotável de prazer, satisfação e dádivas divinas? O Martinismo continua sendo uma opção a ser desconsiderada. Quem tem o poder de transformar a sua vida e a vida de seus familiares é você mesmo, ou melhor, são os seus atos e seus exemplos. De nada adiantaria uma fraternidade lhe oferecer conhecimentos, práticas e equilíbrio espiritual se você não colocasse tudo isto em prática. Portanto o Martinismo exigirá de você mais que estudo e dedicação, exigirá que você pratique o que aprendeu.

6)Você sente que se afiliando em uma Fraternidade secreta, você estará automaticamente abonado dos deveres de sua religião? Não se engane, o Martinismo não abona de seus membros nenhum dever e nenhuma obrigação, nem mesmo as de cunho religioso. O Martinista é incentivado a continuar praticando a sua religião, seja ela qual for. A pratica religiosa é fundamental para que o tão desejado equilíbrio seja alcançado.

7)Você espera que no final de anos de estudo, e ao atingir os mais altos graus, você terá o direito de usar um titulo espalhafatoso e incompreensível aos "profanos"? Saiba que o mais alto grau da Fraternidade Martinista é composto de duas letras e 6 pontos, nada mais que isto! E ainda mais desalentador, o Martinismo é inesgotável e mesmo após décadas de dedicação sempre haverá o que aprender.

8)Você espera estar preparado para aceitar a miséria material e espiritual da humanidade como um carma individual? Então não se submeta as regras Martinistas. Se uma criança ou um adulto lhe pedir dinheiro no farol da esquina, como Martinista você terá a obrigação moral e espiritual de atender ao pedido de esmola. Nós não sabemos se aquela moeda ou se aquela esmola irá contribuir para aliviar a dor de um estomago faminto ou evitar que uma criança seja conduzida a imoralidade por falta de opção. A decisão do que fazer com aquele dinheiro não é de quem o ofertou, mas de quem o recebeu. A Benemerência é uma obrigação insubstituível do Martinista.

9)Você tem desejos de um dia ser um "mestre" e ser constantemente rodeado e bajulado pelos seus discípulos? Definitivamente o Martinismo não deve ser a sua opção! Já dizia nossos antecessores " Pobre daquele que se julga mestre e tem sobre si a responsabilidade espiritual dos atos os atos de todos aqueles considerados discipulos" O verdadeiro Mestre, como já afirmamos, está dentro de cada um de nós, e a responsabilidade dos Iniciadores é manter a cadeia ininterrupta desde o Filósofo Desconhecido. Também os lideres devem ter humildade e equilíbrio, caso contrário estão sendo perjuros consigo mesmo e para com o Grande Arquiteto do Universo.

10)Você classifica as promessas e os juramentos mais ou menos sérios de acordo com o momento, a ocasião e a sobriedade do momento que o fez? Então você não será um bom Martinista. O juiz mais austero e mais exigente deve ser a nossa própria consciência, se você não é capaz de cumprir um juramento feito a você mesmo, como espera cumprir os juramentos feitos em solo consagrado pelos nossos antecessores? Faça um auto teste simples, um juramento a si mesmo, um juramento que nosso Amado Mestre Philippe de Lion cobrava de todos os seus atendidos: "não fale mal de ninguém nos próximos 10 dias" se você cumprir esta promessa, saberá que pode assumir juramentos mais sérios.


Se depois de ler e entender os 10 motivos acima, você ainda sente um desejo incontrolável de juntar a sua luz a nossa Luz, ótimo, você pode continuar a sua busca, encontrar o seu caminho pois temos certeza que a senda cardíaca está irremediavelmente contida em sua Alma.

Os Martinistas sempre optaram pela qualidade espiritual de seus membros, sempre selecionamos a aptidão da multidão , assim foi por séculos e assim deve continuar pelos próximos milênios.
Sempre e Sempre para a Glória de Yeschouá o Grande Arquiteto do Universo! 

Fonte: Hermanubis

O Rei da Mente


Ecos do Silêncio — Textos Zen



O Rei da Mente

Hsin-wang-ming por por Fu-yu (497-569)

Contemple a mente; este rei da vacuidade
É sutil e intruso.
Sem nome ou forma,
Ele tem grande poder espiritual.

Pode eliminar todas as calamidades
E realizar todos os méritos.
Apesar de sua essência ser vazia,
Ele é a medida dos fenômenos.

Quando você olha, é sem forma;
Quando você o chama, ele ecoa.
É o grande comandante do Dharma
Transmitindo os sutras através dos preceitos da mente.

Assim como o salgado na água do oceano, de cor transparente,
Certamente está lá, mas sua forma é invisível,
O rei da mente também é assim,
Residindo no corpo.

Ele entra e sai diante dos seus olhos,
Respondendo aos fenômenos, seguindo as emoções.
Quando está despreocupado, sem obstrução,
Todos os esforços têm sucesso.

Quando você realiza a mente original,
A mente vê o Buddha.
Esta mente é o Buddha;
Este Buddha é a mente.

Todo pensamento é a mente de Buddha;
A mente de Buddha permanece no Buddha.
Se você deseja realizar isto em breve,
Esteja vigilante e disciplinado.

Os preceitos puros purificam a mente;
A mente então é Buddha.
Separado deste rei da mente,
Não há outro Buddha.

Se você deseja procurar o estado búddhico,
Não macule coisa alguma.
Apesar de a natureza da mente ser vazia,
A cobiça e o ódio são reais.

Quando você entra por esta porta do Dharma,
Sentando-se ereto, você se torna o Buddha.
Ao alcançar a outra margem,
Você atinge a perfeição.

Os verdadeiros aspirantes ao caminho
Contemplam a sua própria mente.
Sabendo que o Buddha está no interior,
Não há necessidade de procurar no exterior.

Bem agora a mente é o Buddha;
Bem agora o Buddha é a mente.
A mente brilhante conhece o Buddha;
O iluminado conhece a mente.

Separado da mente, não há Buddha;
Separado do Buddha, não há mente.
Aqueles que não são Buddhas não podem penetrar;
Não estão preparados para a tarefa.

Agarrar a vacuidade e bloquear a tranqüilidade
Resulta em flutuar e afundar.
Nem buddhas nem bodhisattvas
Estabelecem suas mentes deste modo.

O grande ser da mente brilhante
Despertou para este som sutil.
A natureza do corpo e da mente é maravilhosa;
Suas funções não precisam ser alteradas.

Assim, o sábio derruba a mente e a deixa ser.
Não diga que o rei da mente é vazio e sem essência;
Ele pode fazer o corpo
Fazer o mal e o bem.

Não existe, nem é não-existente.
Aparece e desaparece imprevisivelmente.
Quando a natureza da mente parte da vacuidade,
Ela pode ser sagrada ou profana.

Assim, imploramos uns aos outros
Que a guardem com cuidado.
No momento de se moldar,
Ele se reverte ao flutuar e afundar.

A sabedoria da mente pura
É tão preciosa quanto o ouro.
O tesouro de sabedoria do Dharma
Está dentro do corpo e da mente.

O tesouro do Dharma da não-ação não é superficial nem profundo.
Todos os buddhas e bodhisattvas realizaram este mente original.
Para aqueles cujas condições estão corretas,
Ela não é passado, presente ou futuro.


Verso da iluminação
A mão vazia segura a enxada.
Os pés andando, cavalgando o búfalo d'água.
O homem anda sobre a ponte,
A ponte flui, a água não flui.
(Adaptado de Sheng-yen, The poetry of enlightenment: Poems by ancient
Ch'an masters. Elmhurst: Dharma Drum Publications, 1987. Pág. 15, 17-20.)

Fonte: Ecos do Silêncio