sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ecclesia Gnostica





Foi no ano de Ouro iniciático, em 1888, que Jules Doinel (1842-1903), um maçom e espírita francês, descobre na Biblioteca de Orleans alguns documentos cátaros datados do século X. Através de certas operações teúrgicas e de uma visão do “AEon Iesus” foi incumbido da missão de restaurar a Igreja Cátara sendo sagrado Bispo e Primaz dos Albigenses.


Após muitos contatos teúrgicos e instruções recebidas do “Alto Sínodo de Bispos do Paracleto”, funda oficialmente a Igreja em 1889, sendo composta por Perfeitos / Perfeitas. O ano de 1890 é proclamado o início da “Era da Gnose Restaurada” e Doinel assume o patriarcado da Igreja sob o nome de Tau Valentin II. Além do Evangelho de João, a doutrina teológica é fundamentada nos textos de Simão o Mago, Valentinus e Marcus, os sacramentos seguiriam os moldes simplistas dos cátaros com ênfase na “Fração do Pão”.

Doinel consagrou Bispos como Papus, Lucien Chamuel, Louis Fulgarion, membros da Ordem Martinista e da Ordem Kabalística Rosa+Cruz, bem como J. Fabre des Essarts (1848-1917). Porém, subitamente Doinel renuncia o Patriarcado e se afasta de todos os movimentos ocultistas que havia se envolvido neste meio tempo. Com este episódio, o Bispo de Bordeux – Tau Synesius ( Fabre de Essarts) assume o Patriarcado após votação do Sínodo.

Em 1900, Doinel misteriosamente sente-se arrependido e requere sua reconciliação com a Igreja Gnóstica, pedindo uma readmissão como Bispo. Fabre des Essarts sagra novamente Doinel como Bispo. Porém, durante os anos em que Doinel esteve afastado da Igreja, Febre des Essarts juntamente com Louis Fugarion, ambos profundos estudantes do catarismo, enfatizaram as características gnósticas e ocultistas da Igreja. 

Dentre os Bispos sagrados por F. des Essarts estava Jean Bricaud (1881-1934) conhecido como Tau Johannes – Bispo de Lyon, já envolvido com a Igreja Joanita dos Cristãos Primitivos” (fundada em 1803 pelo pesquisador templárista Bernard Fabré-Palaprat).

Jean Bricaud conheceria Papus dentro da Igreja Gnóstica e seria por ele introduzido na Ordem Martinista. Bricaud e Papus romperiam com Fabre de Essarts, em 1907, e fundam seu próprio ramo da Igreja Gnóstica sob o título de Igreja Gnóstica Universal, com fortes influências da Igreja Romana e de elementos do Martinismo, muito diferente do proposto pela igreja inicial de F. Des Essarts. A Igreja Gnóstica Universal seria fruto da união dos movimentos Gnósticos da Igreja de Doinel, da Igreja de Vintras e da Igreja de Palaprat. A esta fusão, seria acrescentada à sucessão, a Igreja Sírio-Jacobita Ortodoxa, que tornaria a Igreja Gnóstica Universal portadora da sucessão episcopal apostólica. 

A Igreja Gnóstica de Doinel/Essarts seria nomeada como Igreja Gnóstica da França e seu Patriarcado passaria pelas mãos de Leon Champrenaud, seguido por Patrice Genty.

Após muitos anos de sucessão, o Patriarcado da Igreja Gnóstica Universal chega às mãos de Tau Robert (Robert Ambelain) que oficialmente a dissolve re-nomeando como “Igreja Gnóstica Apostólica” em 1970. Com a linha sucessória cruzada entre Robert Ambelain e Pedro Freire – Tau Pierre (eminente martinista e gnóstico brasileiro), a Igreja Gnóstica Apostólica passa a caminhar em conjunto com a Igreja Gnóstica Apostólica Católica. As atividades de ambas voltam às origens cátaras, ou seja, sem um poder centralizador, baseada na legítima sucessão de Bispos responsáveis por suas regiões e comunidades remanescentes.

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