segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MARTINISMO - PARTE II




Depois dessa separação, cada segmento da Ordem adotou sua própria metodologia de integração de novos membros. Porém alguns pontos em comum são possíveis de serem identificados.

Sabe-se que a Instituição está organizada por Círculos e Grupos. O interessado sem e tornar membro ingressa inicialmente nos Círculos Martinistas, onde recebe uma instrução ampla e geral para se familiarizar com o método de trabalho, que é bem diferente das outras sociedades que se dedicam aos estudos esotéricos. Também é nesta fase que o candidato a novo membro conhecerá aqueles que serão seus Iniciadores. Até aqui o ingresso não resulta em nenhum tipo de compromisso. 

Depois de um certo tempo, passado em companhia de outros Martinistas mais experientes, o candidato pode decidir permanecer. Só então há uma mensalidade que deverá ser paga como contribuição para a manutenção do local de reunião e gastos com cursos por correspondência. Em caso do estudante sentir-se à vontade na companhia dos instrutores e demais componentes de seu grupo e for considerado detentor de “pureza de intenções”, o próximo passo será ingressar nos Grupos Martinistas que constituem a Ordem propriamente dita. Da mesma maneira seu desligamento pode acontecer a qualquer momento.


Filosofia e Graus

A filosofia Martinista é baseada no Tratado Da Reintegração dos Seres, de Martines de Pasqually, considerada uma obra básica. O trecho abaixo mostra uma “rogatória”:

"Pai de caridade, de misericórdia;
Pai vivificante e de vida eterna;
Pai dos Deuses, dos céus e da terra;
Deus forte e muito forte;
Deus de justiça, de castigo e recompensa;
Eterno Todo-poderoso;
Deus vingador e remunerador;
Deus de paz e de clemência, de compaixão caridosa;
Deus dos bons e dos maus espíritos;
Deus forte do shabbat;
Deus de reconciliação de todos os seres criados;
Deus que castiga e recompensa a seu gosto;
Deus quádruplamente forte das revoluções e
dos exércitos celestes e terrestres deste universo;
Deus magnífico de toda a contemplação;
dos seres criados e das recompensas inalteráveis;
Deus pai de misericórdia sem limites pela sua fraca criatura,
ergue aquele que geme perante Tí pela abominação do seu crime.
Ele é só a causa segunda da sua prevaricação.
Reconcilia o teu homem em tí e submete-o para todo o sempre.
Abençoa também a obra feita pela mão de teu primeiro homem,
a fim de nem ele nem eu sucumbirmos às solicitações,
daqueles que são a causa da minha justa punição e
da punição da obra da minha própria vontade,

Amem!"


Além do tratado, única obra conhecida do primeiro mestre de St. Martin, há os escritos do próprio fundador e de Jean-Baptiste Willermoz (1730-1824), ocultista e maçom. Os ensinamentos das obras destes três nomes focam em assuntos como misticismo de origem cristão, judeu e na cabala.

O sistema de graus é constituído basicamente de três fases: Associado, Iniciado (ou Místico) e SI (Supérieur Inconnu), também conhecido como Servidores Incógnitos, grau que era definido por Papus como “um pequeno legado de duas letras e alguns pontos”. Como já foi citado, a Ordem Martinista Rosacruz (R+CMO) afirma haver um quarto grau, a Teurgia que remonta a Martines de Pasqually.


Conceito de Espírito

Um exemplo que ilustra bem os conceitos Martinistas está na definição do espírito feita por St. Martin em sua obra, Homem: sua verdadeira Natureza e Ministério. Num trecho, que leva o nome de Espírito, O Fruto De Todos Os Poderes Da Unidade, o fundador do movimento diz:

“Como o fruto de toda geração que temos conhecimento, reproduz e representa tudo o que constitui os poderes que o engendrou, assim, o que chamamos Espírito, no ato gerativo da Unidade Eterna, nada mais pode ser do que a expressão real e manifesta de tudo aquilo, sem exceção, que pertença a esta Unidade Eterna: desta forma, cabe ao Espírito Universal nos tornar tal Unidade conhecida, descrevendo-a inteiramente, assim como o Homem reproduz, temporariamente, todas as propriedades de seu pai e mãe, de quem é uma imagem viva completa. 

Sim, se observarmos atentamente com nossa compreensão, este real e perpétuo fruto da Unidade Eterna, veremos que, desde que os poderes desta Unidade são perpétuos, necessários e exclusivamente dependentes uns dos outros, e o fruto da união destes poderes é um real engendramento, tão ilimitado quanto infinito, este fruto deve realmente ser a expressão real e completa desta mútua união; ele deve conter em si, tudo o que pode servir como fundamento para a atração mútua destes poderes, uns em direção aos outros, de forma real e universal. 

Assim, é necessário que o fruto deste engendramento e este Ser Divino, se revele e se apresente a nós, sem cessar, em todos os pontos, tamanha a abundância e continuidade de amor, vida, força, poder, beleza, justiça, harmonia, proporção, ordem e todas e quaisquer outras qualidades das quais, nosso pensamento deve, em todo lugar, encontrar o efeito vivo de sua plenitude, e nunca deixar de reconhecer a supremacia de sua unidade universal; acima de tudo, se faz necessário, que este fruto engendrado pela Essência Divina, da mesma forma, se torne um, já que deve ter e ser tudo aquilo que esta Unidade contém e que não se pode admitir nenhum intervalo ou alguma diversidade de graus, entre o amor destes poderes e o ato de seu engendramento, como também não é possível perceber qualquer diferença entre a existência essencial e a natureza constituinte deste fruto”.


O Ritual dos Guardiões Invisíveis

Quando o 11 de setembro de 2001 trouxe desespero e terror aos corações dos americanos, os Martinistas usaram a Internet para fazer circular para os necessitados um documento que continha um de seus rituais que visava a “recuperação das almas em dor, como as vítimas de desastres e acidentes”. Afirmam que “o trabalho dos guias espirituais que ajudam as vítimas em nivele spiritual é bastante ajudado com a utilização deste ritual”.

A seguir encontramos um resumo do Ritual dos Guardiões Invisíveis, cujo texto veio da Ordem Martinista dos Cavaleiros de Cristo. É identificado como ritual M02RI021 e composto por duas partes. Na primeira há uma série de explicações sobre quem são os guardiões e o material necessário para praticar a cerimônia e na segunda vemos o ritual em si.

De cara ficamos sabendo que os guardiões invisíveis são Martinistas que foram iniciados “de maneira regular e tradicional” na Ordem e que realizam um trabalho específico a serviço de Deus e da humanidade. Eles são “desconhecidos” porque trabalham em segredo e realizam tarefas que envolvem os ambientes interno e invisível. “A ajuda silenciosa é dada às almas aflitas pelos Guardiões Invisíveis é uma prática iniciada por Raymond Bernard (considerado por eles como um dos principais filósofos esotéricos da atualidade)”.


Esses guardiões possuem a seguinte missão:

1) Dar assistência às almas dos mortos na passagem para o outro plano, e ajudá-los a se tornarem conscientes de sua nova realidade.
2) Dar ajuda para as almas encarnadas no plano físico.
3) Dar assistência espiritual para aqueles que sofrem, além de purificar a aura da Terra.

Para realizar o ritual não é necessário ter nenhuma prática ou equipamento. O trabalho é mental na preparação, já que usa apenas a visualização, e espiritual em sua ação. 

Pode ser praticado em qualquer lugar onde o iniciado puder se focalizar e, com um pouco de prática, poderá ser realizado até em meio a uma multidão.

Enquanto o interessado não atingir este grau de concentração é recomendado para efeitos de obter “uma consagração prática e completa” que os guardiões cumpram sua missão num quarto de sua casa (ou em seu Oratório Martinista, um lugar especialmente preparado para realizar este tipo de trabalho) ao acender uma única vela.

Para começar, é recomendável que seja feito uma vez por semana, se possível no mesmo dia e hora, durante um mês. Depois deverá ser feito por 21 dias seguidos. Finalmente, quando a prática já for assimilada pelo iniciado, fazê-la todo dia, no horário mais propício para o praticante.

Para realizar este ritual é necessário realizar alguns procedimentos:

- Ritual de consagração para seu oratório pessoal.
- Ritual de abertura e encerramento de trabalhos místicos.
- Ritual de operação.
- O Texto Prática dos Guardiões Invisíveis

Somente o último texto deverá ser seguido na ordem apresentada originalmente. Os outros rituais (chamados pelos Martinistas de “elementos”) tem por função ajudar o praticante a começar a cerimônia, com a alternativa de serem usados na sua totalidade ou em parte para outras atividades como a meditação diária. Mais importante que a prática do ritual em si é a disposição interior do praticante.

O ritual completo passa pelas seguintes fases:

- Consagração do oratório pessoal pela reza.
- Reza pela bênção da espada cerimonial.
- Invocação da abertura dos trabalhos místicos.
- Ritual operativo: círculo incensado, cruz cabalística, círculo branco traçado com a espada, traçar 4 pentagramas de expulsão, invocação dos Arcanjos.
- Prática dos Guardiões Invisíveis.
- Fechamento dos trabalhos.
- Ritual operativo: agradecimento, sinal da cruz, cruz cabalística, fechamento do véu.
- Ritual místico: encerramento da invocação.

A cerimônia segue com a parte da purificação das mãos pela água e do resto do corpo (por meio dos pontos conhecidos como as sete portas: olhos, ouvidos, narinas e boca) e a ingestão de um pouco de água fresca. Depois o praticante veste sua túnica e corda enquanto pronuncia a seguinte oração:

“Limpe-me, Senhor, e purifique meu coração para que, estando limpo no sangue do Cordeiro, possa desfrutar de um dia de Alegrias Eternas, quando minha alma estiver finalmente reconciliada. Oh Senhor Misericordioso, também desejo extinguir o fogo de paixões inoportunas em mim, para que a Virtude, a Força e a Pureza possam operar em mim. Por Ieschouah (Jesus), Nosso Senhor, Amen”. Em seguida deve-se traçar o sinal da cruz Tau (também conhecida como Cruz de Santo Antão) na testa, seguindo os movimento 1.  + 2. 

Em seguida há a consagração do Oratório Pessoal, que exige alguns objetos:

1) Três triângulos equiláteros de feltro ou cartolina, nas cores preto, vermelho e branco.
2) Candelabro e vela consagrada.
3) Pentáculo martinista, em forma de objeto ou desenhado.
4) Vela dos Mestres do Passado.
5) Incensário e incenso
6) Fósforos ou isqueiro.
7) Retrato de Sr. Martin ou de Cristo.
8) Água e sal.
9) Bíblia aberta no Evangelho de São João.
10) Máscara preta.
11) Espada como extremo em forma de cruz.
12) Certificado de iniciação (opcional)
13) Toalha de mesa branca.

O resto do ritual segue com as consagrações do oratório e do equipamento a ser utilizado e abertura dos trabalhos. 

Depois traça-se um círculo de proteção com o incenso e traça-se a cruz cabalística consagrando os seguintes lugares do corpo:



O Ritual segue com o desenho dos pentáculos de expulsão, a invocação dos anjos, a operação (que exige a leitura da Prática dos Guardiões Invisíveis) e o encerramento. 

Lembramos que cada caso exige uma oração diferente e que listar todas aqui tomaria um grande espaço de nosso trabalho e tornaria a leitura deste trabalho chata. 

Os interessados em conhecer este ritual mais a fundo devem procurar o guia do ritual (disponível por Internet em espanhol e inglês).

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Fonte clique aqui
Por Sérgio Pereira Couto
Publicado: 14/09/2007

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