domingo, 14 de fevereiro de 2010

MAÇONARIA e SACERDOTES ELEITOS no HAITI



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MAÇONARIA E SACERDOTES ELEITOS NO HAITI
José Maurício Guimarães


Esse país das Caraíbas devastado pelo terremoto – o Haiti – tem uma longa história de irrealizáveis glórias e incertezas. Foi palco de importantes fatos históricos e pano de fundo decisivo na formação de movimentos iniciáticos: a Maçonaria, a Ordem dos Sacerdotes e depositário do primitivo Martinismo.

Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo aportou nas Caraíbas que chamou de Hispaniola. Parte ocidental da ilha, onde fica o Haiti, foi, em 1697, cedida aos franceses que batizaram a ilha com o nome de São Domingos. No século XVIII, São Domingos era a colônia francesa mais bem sucedida devido à exportação de açúcar, cacau e café. A região parecia evoluir com o ímpeto de novas idéias e para lá se dirigiram intelectuais e maçons da França. Os ideais de liberdade pareciam florescer, pois, em 1794, o Haiti tornou-se o primeiro país do mundo a abolir a escravatura. São Domingos tornou-se o portal de entrada para os franceses na América. Desse período, dois homens merecem nossa atenção.

1 - A  SURPREENDENTE HISTÓRIA CARIBENHA de ETIENNE MORIN
No ano de 1761, quando o Conselho de Imperadores da Maçonaria entregou uma patente constitucional de Grande Inspetor do Rito de Perfeição ao Irmão Etienne Morin, investiu-o nos poderes de sagrar novos Inspetores da Ordem. No mesmo ato, a Grande Loja da França emitiu patente autorizando Morin a estabelecer e perpetuar a Sublime Maçonaria em todas as partes do mundo. Pouco tempo depois, Etienne Morin viajou para a colônia francesa do Haiti no intuito administrar negócios da família e cuidar de uma herança. O antigo comerciante de vinhos da cidade de Bordeaux começou criando Altos Corpos da Maçonaria a partir da República Dominicana do Caribe. Para os que não sabem, existiu desde 21 de julho de 1802 o SUPREMO CONSELHO DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS FRANCESAS NO HAITI, transformado, a partir de 1836 no SUPREMO CONSELHO DO HAITI.

2 - A SURPREENDENTE HISTÓRIA CARIBENHA de MARTINEZ DE PASQUALLY
Mais ou menos na mesma época, Jacques de Livron Joachin de la Tour de la Casa Martinez de Pasqually também maçom e francês da cidade de Grenoble, herdou uma propriedade em São Domingos e foi para o lugar que corresponde hoje ao Haiti. Em sua bagagem levava os projetos para a fundação de l'Ordre de Chevaliers Maçons Élus Coëns de l'Univers (Ordem dos Cavaleiros Sacerdotes Eleitos do Universo). Ecos dessa Ordem ainda existem nas três Américas, todas  oriundas de Martinez de Pasqually. Iniciou vários membros no Haiti e os enviou para as repúblicas da América Central de onde se propagaram para outros países. O pai de Martinez de Pasqually, maçom de quatro costados, possuía patente emitida pelo Rei Charles Stuart outorgando-lhe o título de Grão-Mestre e autorizando-o a transmitir seus poderes ao filho primogênito. De fato, a patente e os poderes foram transferidos a Martinez que tinha, na época, 28 anos de idade. Meteu mãos à obra escrevendo o Tratado da Reintegração dos Seres Criados, comentário sobre o Pentateuco sob o ponto de vista da filosofia dos Altos Graus Maçônicos. No dia 20 de setembro de 1774, Martinez morreu em Port-au-Prince (nome original em francês de Porto Príncipe) após nomear seu sucessor Armand Cagnet de Lestère. Entretanto, Armand teve pouco tempo para se devotar à Ordem e a corrente de pensamento iniciático transferiu-se para os Estados Unidos.

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De sua parte, o outro homem - Etienne Morin - pôs-se a trabalhar em documentos que estruturaram os  Altos Corpos da Maçonaria Escocesa em 25 Graus. Os norte americanos aceitaram o Rito proposto por Morin e, mais tarde, aumentaram para 33 Graus conforme temos nos dias de hoje.

Como podemos notar, longe do tumulto da Europa e no sossego das ilhas do Caribe, o século dos Iluministas foi pródigo em criatividade.

Martinez de Pasqually deixou na Europa Alunos e seguidores entre os quais os maçons Jean-Baptiste Willermoz Louis Claude de Saint-Martin. A princípio eles pretendiam adotar os princípios da Loja de Saint-Germian-en-Laye e praticar os Sete Altos Graus. Todavia, disputas internas levaram Saint-Martin e Willermoz a criarem vertentes independentes. Abandonaram ideais Iluministas que buscavam, a partir do polêmico "discurso Templário do Cavaleiro Ramsay", criar Altos Corpos na Europa. Jean-Baptiste Willermoz fundou sua própria Loja Maçônica, "A Perfeita Amizade", na qual passou a realizar estudos de alquimia.

Os que persistiram com os empreendimentos originais de Etienne Morin e dos herdeiros de Martinez de Pasqually, levantaram o Capitulo de Clermont que ensejou a criação do Conselho dos Imperadores do Oriente do Ocidente (Grande e Soberana Loja de Jerusalém). Daí, segundo alguns autores, a estrutura do Rito Escocês firmou-se em sete categorias tradicionais: 1º) Graus Simbólicos primitivos e universais de Aprendiz, Companheiro e Mestre; 2º) Graus de desenvolvimento dos Graus Simbólicos e universais; 3º) Graus baseados no Iluminismo; 4º) Graus judaicos e bíblicos; 5º) Graus Templários; 6º) Graus Alquímicos e Rosacrucianos; 7º) Graus Administrativos e Superiores.

Mas isso é assunto para outra ocasião.
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No momento, em verdadeiro preito ao berço geográfico de nossa história iniciática, em solidariedade àquele povo sofrido, devemos nos ocupar da salvação e reconstrução do Haiti. Seja com ação e ajuda material, seja com orações; seja enviando às vítimas da catástrofe e aos que trabalham no resgate dos corpos, vibrações de paz, harmonia e saúde. Retornando do recesso, formemos Cad.'. de Un.'. em favor do Haiti e dos seus governantes.

Enquanto as câmaras de televisão e os políticos estiverem lá, tudo parecerá humanismo e colaboração. Discursos de efeito. Depois, quando fantasmas ou tiranos Papa Doc e Baby Doc voltarem a assombrar o local, o mundo voltará sua atenção para a Copa do Mundo.

NOTA DA IMPRENSA: O principal responsável pelas operações de resgate do terremoto de L'Aquila, Guido Bertolaso, qualificou os esforços internacionais no Haiti de "patéticos" e disse que "o país se transformou em um palco para um "desfile de vaidades" entre diferentes governos no mundo". Segundo ele, "as autoridades precisam parar de posar para as câmeras e trabalhar". Parte das críticas foram feitas contra os Estados Unidos: "Está faltando um líder, com capacidade de coordenação"... para Guido Bertolaso a responsabilidade "pesa sobre os políticos locais, mas também da ONU e das ONGs que não investiram no desenvolvimento do Haiti". Mas os problemas não param por ai. Segundo ele, "a ajuda não chegou à tempo nem de forma suficiente". (FONTE: estadão.com.br - reportagem de Jamil Chade).

COMENTÁRIO: Vale a pena verificarmos em que situação permanecem as vítimas do Tsunami, do Katrina em New Orleans e do terremoto na cidade italiana de L'Aquila.


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