domingo, 9 de setembro de 2007

AS ORIGENS DAS DOUTRINAS DE MARTINES DE PASQUALLY

AS ORIGENS DAS DOUTRINAS DE MARTINES DE PASQUALLY
Por Prunelle de Liére
Tradução: Marco Guimarães Jr., S.I.I.

Mais uma doutrina de origem cabalística, intelectual, parecendo mais como de origem da tradição oral e familiar. Devemos saber mais o sobre qual o sentido devemos dar à palavra “família”.

O conceito de reintegração é encontrado já no século XVI na cabala inovadora do Rabbi Isaac Louria. Após a saída dos judeus para a Espanha em 1492, as contínuas perseguições deles na própria Espanha, faz com que o Judaísmo Marrano apareça. Esse êxodo mudará radicalmente a forma da Cabala, ao menos seu interior.

Alguns escritores cabalistas determinaram pela numerologia, que o ano de 1492, após um longo tempo antes de 1490, seria um ano catastrófico, era o ano da redenção. A expulsão levantou as teorias messiânicas do “Fim” (dos tempos). Seria necessário mobilizar todas as forças possíveis para precipitar esse “Fim”.

A nova Cabala formada, sendo mudada e fundida com a “Comunidade dos Devotos”, em Safed (uma cidade no nordeste de Israel) manteve as suas marcas de porigem durante todo esse processo. Iniciou-se aproximadamente em 1530-1353 na cidade de Safed. Os dois cabalistas mais famosos eram então “Moïse Bem Cordovero” e “Isaac Luria”. Diferem tanto um do outro, que são sempre relacionados um ao outro.

Na primeira metade do século XIX, o historiador maçônico Claude Antoine Thory, encontrou 3 fontes de Martinés de Pasqually: “Calendarium Naturale Magicum Perpetuum” de Tycho-Brahé, impresso em 1582 no “d´Esprit Sabbathier; o “de Idealis Sapientiae Generalis do Umbra”, impresso em 1679 e o “Philosophical and Mathematical Chart Accompanied by the Magic and Perpetual Calendar” (Carta Filosófica e Matemática acompanhada pela Magia e Calendário Perpétuo), pelo ocultista contemporâneo Touzay-Duchanteau.
A similaridade desses três trabalhos com certos elementos da teurgia dos Elus-Cohen, está clara de fato,ainda que estas tabelas comparativas não estejam presentes nos textos Elus-Cohen. Do mesmo gênero são o “Virga Aurea, Stéganographie” de Trithème e o “the Occult Philosophy” de Crow Clutched, mais extensa e ainda com mais observações pessoais, do que o interesse próprio no Cosmos dos Elu-Cohen com sua individual e correlativa reconciliação (R. Amadou).

Moïse Ben Cordovero

Moïse Ben Cordovero (1522-1570) era inicialmente um pensador sistemático, seu objetivo era dar ao mesmo tempo nova interpretação e uma descrição prática do misticismo da antiga cabala, particularmente do Zohar.
Rabbi Isaac Luria

Isaac Luria, conhecido como Ari, o Leão, de origem germânica ou polonesa, nasceu em Jerusalém em 1534 e morrei na cidade de Safed em 1572. Ele foi, de acordo com Gerson Scholem, mais um filósofo místico do que um místico em si, embora sem qualquer experiência mística. Formado no Egito. Porém não deixou nenhum livro escrito quando de sua morte aos 38 anos de idade. Permaneceu somente 3 anos em Safed.

Luria não fez questão alguma de por seus pensamentos em um livro: Kithve Ha-Ari (“Escritos do leão”). Este livro foi um comentário do Sifra Di-Tsenutia [1] “O Livro do Mistério”, uma das mais difíceis partes do Zohar.

Seus discípulos

Sua mais importante companhia foi Hayim Vital (1543-1620) autor de várias versões do sistema de Luria, versões que encheram cinco volumes in folio, chamado de “Oito Portas” (Shemonah Shearim). Em Ets Hayim (A Árvore da Vida), colocou o trabalho da sua vida. As outras partes contêm títulos separados para cada volume: Sepher ha-Gilgulim, Perished Ets Haym, Chaar ha-Yikhudim, Sepher Likkute Tora.

Outro discípulo fez uma apresentação mais compacta da contraparte teosófica do seu sistema: Rabbi Joseph ibn Tabul, o qual teve mais autoridade dentre os discípulos de Hayim Vital. Seu livro foi publicado sob o título Sepher Hephsti Ba, erroneamente atribuído a H.Vital
Vital preservou ciumentamente as lições de Luria, que sistematizou o pensamento até seus últimos dias. Fez apenas uma pequena edição, que começou a circular somente em 1587. Por outro lado Ibn Tabul foi mais ativo ensinando as doutrinas de Luria em Safed. Opôs-se a Vital, o qual se tornou seu rival.

É Israel Sarug que entre 1592 e 1598, fez uma ativa propaganda a favor da nova escola, entre os cabalistas da Itália. Mas enriquece com as idéias especulativas do “Son Crû”, doutrinas de Luria. Publicou um livro chamado Limmude Atsiluth “Doutrinas da Emanação”. Um de seus companheiros estabeleceu um sistema cabalístico no qual há uma curiosa mistura do neoplatonismo e doutrinas de Luria de acordo com a interpretação de Sarug.
Foi Abraham Cohen Herrera de Florença (morto em Amsterdam em 1635 ou 1639), o descendente de uma família Marrano e o único cabalista que escreveu em espanhol: Puerta Del Cielo. Os discípulos de Sarug tiveram influencia na Itália, na Holanda, na Alemanda e Polônia. Em 1648, Naphtali Ben Bacharach Jacob, de Francforts, publicou Emek ha-Melekh, “As Profundezas Místicas do Rei” ou “Vale do Rei”. Este importante livro contém totalmente a interpretação de Luria por Sarug.

[1] Publicado em Chaar Maamare Rabbi Chimon Bar Yokhai de Hayim Vital.

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